sexta-feira, 24 de julho de 2026

Santo Afonso e a atualidade da opção pelos mais pobres

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres.” (Lc 4,18) 
Às vésperas da memória litúrgica de Santo Afonso Maria de Ligório, celebrada em 1º de agosto, vale recordar a impressionante atualidade da vida e do pensamento desse grande Doutor da Igreja. 
Nascido em uma família da nobreza do Reino de Nápoles, Afonso destacou-se, ainda muito jovem, como advogado de raro talento. 
Entretanto, uma profunda decepção diante das injustiças e da corrupção que permeavam o ambiente forense de seu tempo levou-o a abandonar uma carreira promissora. 
Não foi apenas uma mudança de profissão, mas uma verdadeira conversão de vida, motivada pelo chamado de Deus. 
Em vez de buscar prestígio e reconhecimento, Afonso voltou-se para as regiões montanhosas de Scala, onde viviam pastores, cabreiros e famílias praticamente esquecidas pela assistência religiosa. 
Foi nesse encontro com os mais abandonados que descobriu sua verdadeira vocação: anunciar o Evangelho aos pobres e devolver-lhes a esperança. 
Dessa experiência nasceu, em 1732, a Congregação do Santíssimo Redentor. 
Nesse caminho, a Beata Maria Celeste Crostarosa desempenhou papel decisivo ao compartilhar sua profunda experiência espiritual, contribuindo para a consolidação do carisma redentorista. 
Unidos pela convicção da Copiosa Redenção - a certeza de que a redenção oferecida por Cristo é abundante e destinada a toda a humanidade - ambos ajudaram a construir uma espiritualidade marcada pela misericórdia, pela proximidade e pelo compromisso com os mais necessitados. 
Quase três séculos depois, a teologia de Santo Afonso continua surpreendentemente atual. 
O mundo assiste, muitas vezes com perplexidade, ao crescimento da concentração de riquezas enquanto milhões de pessoas permanecem privadas das condições mínimas para uma vida digna.
É verdade que a humanidade avançou extraordinariamente.
As ciências sociais, a medicina, a educação, as políticas públicas e a tecnologia proporcionaram inegáveis conquistas.
Também o Brasil experimentou importantes progressos em diversas áreas. 
Ainda assim, persistem bolsões de pobreza, exclusão e sofrimento que desafiam a consciência cristã e exigem respostas concretas. 
É justamente nesse contexto que o pensamento afonsiano recupera toda a sua força. 
Não se trata de uma teologia ideológica nem de uma leitura partidária da realidade. 
Trata-se de uma teologia da Encarnação, da proximidade e da misericórdia; uma teologia que sai ao encontro das pessoas, promove sua dignidade, fortalece a esperança e transforma a fé em compromisso concreto com a vida. 
Santo Afonso compreendeu que evangelizar significava aproximar-se daqueles que mais necessitavam da presença amorosa de Deus. 
Sua teologia não permaneceu restrita aos livros ou às academias. 
Tornou-se ação pastoral, acolhimento, escuta e serviço. 
Talvez seja exatamente essa a maior necessidade do nosso tempo: menos discursos e mais testemunhos; menos indiferença e mais compaixão. 
Celebrar Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, significa renovar esse compromisso. 
Significa reconhecer que a verdadeira grandeza do cristianismo se manifesta quando Deus é encontrado no rosto dos pobres, dos esquecidos, dos enfermos, dos idosos, das crianças e de todos aqueles cuja dignidade pede para ser reconhecida. 
A espiritualidade afonsiana permanece resumida em uma certeza que continua iluminando o caminho da Igreja: Deus ama cada pessoa com amor infinito e oferece a todos uma redenção abundante. 
Por isso, uma das expressões mais belas atribuídas a Santo Afonso permanece atual e profundamente transformadora: “Deus nos ama.” 
Que essa simples convicção continue inspirando homens e mulheres de boa vontade a construir uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, na qual a fé seja sempre traduzida em misericórdia e em serviço ao próximo. 
Pedro Luiz Dias 
Bacharel em Teologia, pela Faculdade São Bento, SP. É executivo de comunicação e relações institucionais e membro da Família Leiga Redentorista, Província Nossa Senhora Aparecida, SP.

DUMAS - ANTIGOS SEMINARISTAS

Hoje(21/07/24), assisti a uma missa presidida por Dom Darcy, satisfação imensa em tê -lo entre nós, fala bem, direciona seus postulados num sentido em que comungamos de suas diretrizes, tem o dom, dirigiu-se aos ex seminaristas redentoristas presentes, reunião anual lá no Santo Afonso, falou nos antigos seminaristas, esqueceu o ex, que bom ! Considero-me antigo aluno de um instituto que me moldou, fomos muitos, alguns perseveraram, outros ficaram ao largo, somos nós, os antigos, nunca os ex . União dos antigos seminaristas redentoristas, Unaser. ALEXANDRE DUMAS
Caro colega/amigo Dumas! Um dia fui negativamente criticado por um antigo seminarista por usar o "antigo seminarista" ao invés de "ex-seminarista". Penso que a razão, de que nunca soube por essa pessoa, seria o uso da inversão dos termos.... Não somos "seminaristas antigos""!!!!!Assim, o "ex-seminarista" não nos identifica, pois: UMA VEZ SEMINARISTA, SEMPRE SEMINARISTA! Antônio Ierárdi
Dom  Darci, foi meu colega em Campinas.  Somos de turma diferente, mas estudamos juntos. Jonival Côrtes

quinta-feira, 23 de julho de 2026

PADRE CLAYTON SANTANNA - 64 ANOS SACERDOTE

Padre Clayton Sant'Anna, C.Ss.R.
Missionário Redentorista
Padre Antonio Clayton Santana foi diretor da Academia Marial de Aparecida entre 2010 e 2014.
Pe. Clayton Sant'Anna, C.Ss.R. 
Missa das dezoito, padre Clayton comemorando sessenta e quatro anos de ordenação sacerdotal, meu colega de turma, convivemos por sete anos, estaríamos juntos , seguimos caminhos diferentes, vencemos , vou também comemorar sessenta e quatro de casamento, cinco filhos, sete netos, um bisneto, uma benção, um passado comum, sessenta e quatro anos de realizações. ALEXANDRE DUMAS PASIN

ENESER XXX E O FORDINHO

Mensagem de Jose Forbeci, (carinhosamente Fordinho ou Forbeco para os paranaenses e gauchos), ele atuante pelo Paraná e vai estar no Encontro Nacional Ex-Seminaristas Redentoristas Aparecida 2025:
JOSÉ RAMOS FORBECI
FORDINHO
"Atenção, Colegas Redentoristas, hoje faz 72 anos que entrei ao Seminário Santo Afonso de Aparecida. Viva a nossa convivência Redentorista. Gratidão. Sintonia. Espiritualidade. Amizade. Alegrias. Serviço Missionário. O sonho permanece. A vida do Cristão pulsa no seguimento do Redentor . COPIOSA APUD EUM REDEMPTIO. DIES IMPENDERE PRO REDEMPTIS"
VICENTE PAULA ALVES
Caros colegas, antigos seminaristas, brilhante a mensagem do FORDINHO! Com 11 anos de idade ele entrava ao seminário menor, onde, com certeza, colheu orientações religiosas e culturais para a vida. Não se tornou sacerdote, que era o objetivo, entretanto como todos os egressos dos seminários, menor e maior, formou família na moral e padrões do evangelho e hoje segue, levando de forma leiga, os desejos de Santo Afonso Maria de Ligório! Ele, como tantos outros antigos seminaristas, permanecem no objetivo missionário, redentorista, santo! A propósito, ainda que triste pelo fim dos seminários menores, entrei ao SRSA em janeiro de 1957, ou seja, há 68 anos! Antônio Ierárdi Neto - Tampinha 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. AMADOR LEARDINI CSsR

PE. AMADOR LEARDINI CSsR
+22 de JULHO  2000 
Pe. Amador Leardini foi uma presença decisiva no processo de atualização da Província de São Paulo. Nasceu ele em Mauá S. P., em 1925. Ainda criança, seus pais, uma família de agricultores, mudaram-se para Itatiba. Aos 12 anos entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida. Aquele garoto pequeno e magricela, muito vivo e, ao mesmo tempo estudioso, tranqüilo e bem comportado, loirinho de cabelos encaracolados e olhos azuis,recebeu o apelido de Gatinho. O noviciado, ele o viveu em Pindamonhangaba. Professou na C.Ss.R., a 02 de fevereiro de 1945. Fez o Seminário Maior em Tietê onde foi ordenado sacerdote a 27 de dezembro de 1949, por Dom José Carlos de Aguirre, bispo de Sorocaba. Deixou o Estudantado em janeiro de 1951 e em julho desse mesmo ano, viajou para Roma, para cursar Teologia sistemática no Angelicum e Teologia Moral na Academia Afonsiana. Em julho de 1954 regressou ao Brasil. Em 1955 fez o Segundo Noviciado, já se preparando para as missões populares, e começou a dar aulas de Teologia Moral, no Seminário Maior de Tietê até 1964. Foi Prefeito dos Estudantes no momento em que apareciam os primeiros sinais das profundas mudanças de estilo de vida e de formação dos clérigos. Eram os anos de inícios do Concílio. A presença e atuação do Pe. Leardini ajudaram decisivamente nesses momentos críticos. Contavam muito sua dedicação absoluta, presença constante e participativa entre os estudantes, seu exemplo de vida, suas conferências e palestras cheias de sabedoria e de ciência. Foi, em seguida, Vice-Provincial da Vice-Província de Brasília. Como Conselheiro Provincial, voltou para São Paulo. Nomeado Mestre de Noviços, exerceu essa missão no Seminário São Geraldo, no Potim, S. P. Primeiro Provincial eleito pela Província de São Paulo, ficou no cargo por dois triênios, do final de 1969 até outubro de 1975. Desempenhou tal responsabilidade no período extremamente complexo de inícios da adaptação da Província aos novos tempos. Presidiu o longo Capítulo Provincial de 1970-71, onde foram redigidos os novos Estatutos Provinciais e tomadas resoluções importantes para a Província. Esta iniciava a caminhada do sistema tradicional de vida para o estilo renovado, dentro das orientações do Concilio e das então recentes Constituições da C.Ss.R., inteiramente reformuladas pelo Capítulo Geral de 1967-69 e então em fase experimental. Em seu Governo, entre outras medidas, foram decididos a criação do ITESP, a venda do Alfonsianum, o prédio do estudantado na Raposo Tavares, em São Paulo, o deslocamento do tempo de Noviciado para depois da Filosofia, os estudos filosóficos em Faculdades, localização do Noviciado na casa do Jardim Paulistano, as aquisições no Ipiranga da residência dos clérigos teólogos e de duas casas para a instalação da biblioteca provincial e da comunidade dos professores, a criação das comunidades das Pesquisas Religiosas (professores), em São Paulo, e das Comunicações, em Aparecida, e a transferência da sede provincial e do escritório provincial para a casa adquirida na Avenida Angélica, em São Paulo. Foram também construídos os novos prédios para a Editora Santuário e para a comunidade de Araraquara. De 1976 a 1981 dedicou-se à pregação das Missões Populares. Foi nomeado mais uma vez Mestre de Noviços, em São João da Boa Vista S.P. No meio dessa responsabilidade sofreu um enfarte do coração e precisou ser safenado. Transferido para a Basílica de Aparecida, dedicou-se ao apostolado com os romeiros. Residiu ainda em São João e depois Tietê onde morava ultimamente. Em nossas igrejas foi sempre um zeloso e atuante sacerdote, um confessor e conselheiro muito procurado pelas pessoas. Numa entrevista, em seus timos anos, ele pôde dizer: "Pensando no que passei, minha impressão é que cumpri meu papel na Congregação. Isso me traz tranqüilidade e calma. Vivi tempos difíceis." Celebrou seu jubileu de ouro de sacerdócio no dia 27 de dezembro de 1999. De saúde frágil, mas muito determinado e trabalhador, só a muito custo e pela obediência entregava-se nas mãos dos médicos. A forte anemia que o maltratava foi complicada por outros males e teve de ser internado na Unidade de Terapia Intensiva da Beneficência Portuguesa, onde permaneceu quase o tempo todo sedado. Faleceu no dia 22 de julho de 2000. Foi velado no convento do Santuário Nacional de Aparecida, cidade onde foi sepultado. Pe. Leardini era um verdadeiro Redentorista, um homem piedoso, um homem de oração. Muito inteligente, sensato e prudente, de convivência agradável, foi respeitado e querido pelos confrades. Na juventude tinha sido um bom esportista e pela vida toda conservou o gosto pela pesca. Sempre procurou exercer, com a maior dedicação, todos os encargos que recebeu. Descanse em paz, Pe. Leardini, e, junto do Senhor, interceda por nós. (Pe. Vítor Hugo)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

ELES VIVERAM CONOSCO - Pe. José Balduíno Vogel, C.Ss.R.

Pe. José Balduíno Vogel, C.Ss.R. 
+22 de julho de 2012 
A Congregação do Santíssimo Redentor de Goiás comunicou o falecimento do Pe. José Balduino Vogel, C.Ss.R., aos 89 anos, ocorrida na tarde do domingo, 22 de julho de 2012. O missionário estava em férias no acampamento Cuiu-Cuiú, no Rio Araguaia, região norte de Goiás. Pe. Vogel nasceu em Campinas das Missões (RS) em 02 de março de 1923, filho de Lorenço Vogel e Anna Maletz Vogel. Em setembro de 1936, ingressou ao Seminário Redentorista, fazendo seu noviciado em Pindamonhangaba (SP) em 1944, e sua profissão religiosa em 02 de fevereiro de 1946. Cursou em seguida Filosofia e Teologia em Tietê (SP). Foi ordenado Diácono em 22 de outubro de 1950 e Presbítero em 27 de dezembro de 1950, celebrando sua primeira missa em Alecrim (RS). Sua atuação missionária foi bastante extensa: vigário na Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Matriz de Campinas), em Goiânia (GO), de 1952 a 1954, sendo transferido depois para a paróquia de Aparecida (SP), onde atuou 1956, quando fez o segundo noviciado – preparação para integrar-se à equipe missionária. Em seguida, foi enviado para o Rio Grande do Sul, onde atuou em diversas cidades de 1956 a 1979. Foi pároco em Crixás (GO), de 1979 a 1981, quando foi transferido para a paróquia de Cachoeira do Sul, onde atuou três anos. Em 1984, padre Vogel foi para Belém (PA), onde atuou de 1984 a 1993, quando ingressou no movimento do Neo-Catecumenato. 
Uma das últimas fotos do padre Vogel, com os caravaneiros às margens do Rio Araguaia (julho/2012) 
Também em 1993, foi transferido para a paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Brasília (DF). Em 2001, foi adscrito na Província de Goiás, e atualmente cooperava na Congregação Jesus Sacerdote, de Marília (SP). O corpo do Pe. Vogel foi velado na Paróquia Divino Pai Eterno, em Trindade (GO). Na segunda-feira, 23 de julho de 2012, às 10 da manhã, foi celebrada a missa de corpo presente, e em seguida o sepultamento. 
Ir.Diego Joaquim

ELES VIVERAM CONOSCO - PE.ANTÔNIO RICIERI BARIANI CSsR


Padre Antonio Ricieri Bariani
+22 DE JULHO DE 2019
“Para mim a época em que passei pregando as Santas Missões Populares foi o tempo mais empolgante, mais envolvente e que me deixou muita saudade”
Padre Antonio Ricieri Bariani morreu nesta segunda-feira, 22 de julho-2019, aos 102 anos, e era considerado o missionário redentorista mais velho do Brasil. Padre Bariani nasceu no dia 24 de dezembro de 1916, em um povoado chamado Guaxima, que fica em Conquista (MG).Completamente lúcido, lançou um livro de poesias. Ele conta desde sua infância, estudos, como se tornou padre redentorista, seus tempos de missionário e muito mais.
Família e infância
“Nasci em 24 de dezembro de 1916, em Guaxima, Município de Conquista, no Triângulo mineiro. Meu pai era italiano, Joseph Fioravante Bariani e minha mãe brasileira, Maria da Loka. Éramos 10 irmãos, hoje só eu estou vivo. Fui batizado no mesmo dia em que nasci. Ainda pequeno, minha família se mudou para Igarapava (SP). Ali fiz meus primeiros estudos. Depois fui estudar em Ribeirão Preto, onde cursei Escola de Comércio por três anos. Vim para Goiás em 1939. Trabalhava numa serraria com a minha família. Em 1939 eu frequentei, à noite, aulas no Liceu de Goiás”.
Igreja e fé
“Sempre fui da Igreja. Quando era pequenino eu ia à missa levado pela mão de minha mãe, e foi nas missas que eu aprendi o gosto pelas coisas de Deus. Mais tarde, já rapaz, eu pertenci à Congregação Mariana, lá em São Paulo ainda. E me fizeram diversos convites para ser padre. Falavam que faltavam padres, que estava faltando missionário. Lembro que, quando eu era coroinha, na sacristia da Catedral de Ribeirão Preto, perguntei ao padre José, um Estigmatino: “E eu presto para ser padre? Mas eu posso ser um?”. Ele apontou o dedo pra mim e falou: “Se você quiser, você presta, você pode!” E eu respondi: “Eu vou querer! Eu quero!”
No Seminário
“Até chegar ir para o Seminário foi um processo longo. Quando morava no Estado de São Paulo quis entrar para um seminário mas não foi possível. Então aconteceu que, vindo para Goiás, conheci os Redentoristas e senti que minha vocação tinha se firmado e resolvi segui-la. Conversei com o Padre Fernando Albertini, de quem tenho muita saudade. Naquela época os redentoristas de Goiás não tinham Seminário aqui. Eram unidos com São Paulo. O superior de São Paulo, padre Geraldo Pires de Souza veio fazer uma visita a Goiás. Padre Albertini, de moto, foi depressa para a serraria onde meu pai, eu e meus irmãos trabalhávamos e foi logo dizendo: “Olha, eu falei com o superior e ele quer falar com você”. Fui falar com o Padre Geraldo Pires de Souza e nós acertamos minha ida para Aparecida (SP). Depois fiz o Noviciado em Pindamonhangaba (SP), e os estudos de Filosofia e Teologia em Tietê (SP).”
 Ordenação
“Minha ordenação sacerdotal aconteceu no dia 06 de janeiro de 1949, junto com meu companheiro padre Leodônio Marques, já falecido. Aconteceu na Igreja São João Bosco, dos padres Salesianos, em Goiânia. Tenho a glória de ser o primeiro padre a ser ordenado em Goiânia. E cantei a primeira missa solene no dia 09, na Matriz de Campinas, Paróquia Nossa Senhora da Conceição, ainda na igreja antiga que, infelizmente, foi demolida. Sobre a ordenação eu digo que é um momento muito forte e marcante com a infusão do Espírito Santo...
Trabalhos
“Meus primeiros anos de sacerdócio foram em Araraquara (SP) e Aparecida (SP). Depois vim para Goiás, morando em Trindade, Brasília, e na Prelazia de Rubiataba, trabalhando com Dom Juvenal Roriz. Houve um período de dois anos que fui professor no Seminário São José, no atual Setor São José. O menino Ney Barreto, hoje padre Ney, era um dos meus alunos. Mas o tempo mais forte e marcante para mim foram os muitos anos que pertenci à equipe missionária, pregando as Santas Missões Populares. Nossa equipe pregou Missões em Goiás e em muitas cidades de outros estados brasileiros. Estivemos no Paraná (Curitiba, Londrina), em Santa Catarina (Joinvile), em muitas cidades da Bahia, do Piauí, Maranhão, Pará, Tocantins. Por isso eu digo que a época das Santas Missões, para mim, foi o tempo mais empolgante, mais envolvente e que deixou muita saudade”.
Desobrigas
“Quando morei em Trindade, nos anos de 1951/52, eu viajava de caminhão ou jardineirinhas até Aurilândia ou até Moitu, e de lá ia, à cavalo, rodando uns 15 dias fazendo desobrigas pelas fazendas, pelos povoados até as margens do Rio Caiapó. O povo tem necessidade dos sacramentos, da santa missa, da confissão, da comunhão, da catequese. Mas quem mora longe não tem como receber... então o padre vai até ele. Porque o povo tem a obrigação de confessar e receber a comunhão ao menos uma vez por ano... Então o padre vai lá para desobrigar o povo. Atende o povo... faz a catequese.. confessa... E aí o povo participa da santa missa, da comunhão... e são realizados os batizados e os casamentos. Eu fui o último padre que fez esse trabalho de desobrigas lá nos sertões daqueles tempos”.
“Falo com muita satisfação e com muita alegria da convivência com o Servo de Deus padre Pelágio Sauter. Convivi com o padre Pelágio vários anos na casa missionária de Trindade. Eu me confessava com ele, ele também se confessava comigo. Era uma maravilha a convivência com os padres antigos. Padre Pelágio era o confrade mais velho, o mais antigo de Goiás e que conhecia todo mundo. Alemão, mas conhecia os costumes de Goiás. E naquele tempo nós fazíamos três meditações por dia, e de joelhos na capela. Padre Pelágio junto, sempre junto com a comunidade. Depois, Padre Pelágio passou a ir, nas quartas-feiras, para Campinas, onde atendia o povo na Igreja Matriz, Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição”.
Trindade II
“Trabalhei nas periferias de Goiânia e Trindade, residindo no Parque Buriti e Setor Maysa III, durante vinte e seis anos. Quando cheguei para fazer parte da equipe, não havia mais espaço no casebre pequenino onde já se alojam três confrades, em três cômodos que serviam de quarto, sala de recepção/refeição e cozinha. Então morei sete anos na sacristia da Igreja Nossa Senhora da Guia, e fiquei 13 anos no apartamentinho que foi construído pra mim entre a igreja e a nova casa que hoje é a secretaria da paróquia. Depois fui para o Maysa III. O carisma da Congregação é missionário, e fiquei na região Trindade II, nesses vinte e seis anos, como missionário. Se eu pudesse voltar para as missões eu voltaria! Oh, Santas Missões Populares! Quem não esteve nas Santas Missões, não participou bastante tempo das Missões, não viveu as Missões, não sabe o que é... o que são as Santas Missões! Santo Afonso tinha muita razão em pregar Missões”.
Para quem passou por duas Guerras Mundiais, vivenciou grandes transformações na sociedade brasileira e pode ver sua província redentorista crescer e ganhar repercussão nacional com o Santuário do Divino Pai Eterno, padre Bariani sempre tinha muita história para contar.
Padre Bariani conheceu a Congregação do Santíssimo Redentor em Trindade (GO), e sentindo que sua vocação era ser um missionário de Santo Afonso foi ordenado no dia 6 de janeiro de 1949, na Igreja São João Bosco, em Goiânia, o que o identifica como o primeiro padre ordenado na capital de Goiás. O missionário chegou a viver o início de seu ministério em Araraquara e em Aparecida, no Estado de São Paulo.
Padre Bariani foi um dos desbravadores da fé em terras goianas, sendo um dos colonizadores de Campininhas das Flores, que é hoje o bairro de Campinas, em Goiânia. Ele também contribuiu pessoalmente para o desenvolvimento de Trindade. Ao longo de décadas acompanhando, de perto, a devoção ao Divino Pai Eterno, o sacerdote viu a Romaria de Trindade tomar as proporções que tem hoje e foi um dos responsáveis diretos pelo início da disseminação dessa fé.
Integrou a equipe das Santas Missões Populares, pregando em comunidades de Goiás, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Piauí, Maranhão, Pará e Tocantins. Por muitos anos, residiu na periferia de Goiânia, atendendo as comunidades da região missionária “Trindade 2”, hoje paróquia Nossa Senhora da Guia, bem como celebrando a missa na Capela Nossa Senhora das Graças, no centro da capital.
Província de Goiás
Pioneiro no mundo das comunicações montou o serviço de alto-falante e som e foi responsável também por levar, pela primeira vez, o cinema à Capital da Fé de Goiás, por meio de uma máquina portátil. Além disso, trabalhou ainda pela consolidação da Vila São José Bento Cottolengo, uma das maiores obras sociais da Região Centro-Oeste.
Ele residia atualmente no Convento Santíssima Trindade, junto à igreja Matriz de Trindade. Na última romaria, padre Bariani acompanhou toda a novena das nove da manhã na igreja Matriz. Celebrava a eucaristia diariamente e dedicava-se à literatura, tendo publicado recentemente um livro de memórias: “Meus 100 anos com Jesus Menino”.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

ELES NOS PRECEDERAM - IR. GERMANO ( THOMAZ SCHEUGENPFLUG) CSsR

IR. GERMANO (THOMAZ SCHEUGENPFLUG) CSsR 
+20 de JULHO 1945 
Este nosso Irmão nasceu em 1866, filho de lavradores bávaros. De seus pais ele herdou uma respeitável força física, muito amor ao trabalho, e uma piedade simples, sem adornos. Chegou ao Brasil em 1895, pouco depois da sua profissão, e viveu quase sempre em Campinas (GO), trabalhando como cozinheiro ou hortelão. Na construção das nossas casas e igrejas em terras goianas sua força pôde se divertir com as pedras que ele arrebentava, ou com as toras que cortava e lavrava no mato. Naqueles anos de grandes sacrifícios e privações, era com alegria que enfrentava a dureza do trabalho. Sempre pronto, não conhecia queixas nem cansaço. E, aos domingos, não podendo trabalhar, ia passar horas na capela, com seu terço e livros de piedade. Já idoso, foi transferido para Cachoeira do Sul, onde apesar de doente, não faltava aos exercícios comuns, ajudando sempre na cozinha, na horta ou na limpeza da casa. Pela sua simplicidade e candura, ganhou a admiração não somente dos confrades, mas também dos estranhos, que nele viam uma alma realmente de Deus. Com admirável paciência suportou os sofrimentos da última doença. E, rezando sempre, recebeu a morte que o levou para junto do Pai no dia 20 de julho de 1945.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

quarta-feira, 15 de julho de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. CONRADO MARIA JOSÉ CALCANHO GAGLIARDI CSsR

PE. CONRADO MARIA JOSÉ CALCANHO GAGLIARDI CSsR 
+15 de JULHO 1991 
Nasceu no dia 30 de setembro de 1928, na cidade de São Paulo, no Bairro da Penha. Filho de João Conrado Tosi Gagliardi, italiano de Busto Argísio (perto de Milão) e Maria Luíza Anselmo Calcagno Gagliardi, italiana de uma aldeia perto de Gênova. Família religiosa e de pais praticantes. Teve três irmãs religiosas da Congregação das Vicentinas de Gysegen, Foram 15 filhos no total que o casal teve, dos quais sete não chegaram a um ano de idade. Foi coroinha na Penha, em nossa igreja e aos 28 de janeiro de 1940, no final do 4º ano primário, entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida. Fez a profissão religiosa aos 02 de fevereiro de 1948; a profissão perpétua aos 02 de fevereiro de 1951. Fez os estudos superiores em Tietê, vindo a ser ordenado sacerdote no dia 27 de dezembro de 1952, em Tietê, pelo bispo D. José Carlos de Aguirre. Sua vida pastoral começa dando aulas no Seminário Santo Afonso, em fevereiro de 1954 (Português, Apologética, História Universal, Liturgia, Música) até 1956. Passa para o Seminário Maior de Tietê como professor de Música e Liturgia em 1956. Em 1957 foi coadjutor em Campinas- Goiânia. Em 1958- 1960: atendimento na Basílica de Aparecida. Em 1959-1960: professor de Filosofia no Seminário Maior, em Tietê. Nesse meio de tempo (65-67) fez o curso de Bacharelado e primeira licença em Filosofia pela Universidade de Louvain (Bélgica). Em 1973- 1976: arquivista provincial e missionário. Em 1976 passa para a Equipe de Missões populares ate’ ir para Roma, a serviço do Arquivo Geral da C.Ss.R., em 1988. Inteligente e muito culto, com problemas de saúde, embora o psicólogo e psiquiatra Dr. Colé tenha dito que Pe. Conrado não tinha nada, sofreu com operação de tireóide e daí talvez lhe tenham vindo os problemas. Tomava muito remédio. Não aceitava muito a opinião dos outros, e tinha muita dificuldade para a vida comum. Mas foi dedicado em seus trabalhos. Acredito que a doença o perseguiu desde o nascimento, pois nasceu muito raquítico. Faleceu em Roma, na hora de sua partida de volta para o Brasil. Tudo indica: bloqueio das vias respiratórias. Foi enterrado em Roma. Rezemos por ele.
(Comunicado do Provincial 
 Pe. Hélio de Pessato Libardi(+))

segunda-feira, 13 de julho de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. RAFAEL ( JOAQUIM VICENTE) FERREIRA

PE. RAFAEL ( JOAQUIM VICENTE) FERREIRA DA SILVA  CSsR
+13 de JULHO 1988 
Pe. Rafael, quinto entre oito irmãos, filho de Euzébio Ferreira da Silva e Maria Ângela Cirilo Silva, nasceu em Formiga- MG, a 19 de maio de 1919. Sendo sapateiro de profissão, foi sacristão em Formiga durante 5 anos. Esteve um ano como irmão com os salesianos. Entrou como candidato para a C.Ss.R., em Pindamonhangaba, em 1939, mudando então seu nome de Joaquim Vicente para Rafael, conforme era costume na época: os irmãos mudavam de nome. Fez o noviciado em 1940, em Pindamonhangaba e professou no dia 02 de fevereiro de 1941. Como irmão trabalhou em nossas comunidades: Seminário Santo Afonso, Basílica de Aparecida, Penha, São João da Boa Vista, Seminário São Geraldo. Desempenhou os encargos de sapateiro, cozinheiro, jardineiro e sacristão. Tinha boa cultura intelectual e religiosa. Desde 1968 começou a trabalhar na pastoral direta, ajudando nas missões, pertencendo às comunidades missionárias de São João e Araraquara. Em 1979, tendo obtido a licença dos superiores, começou os estudos teológicos, morando na comunidade do Jardim Paulistano e freqüentando o ITESP (Instituto Teológico São Paulo). Nos fins de semana ia ajudar em Aparecida. Ajudava também em Semanas Santas e Novenas. Terminou os estudos em fins de 1982. Tendo sido ordenado diácono em dezembro de 1981, foi ordenado sacerdote por Dom Geraldo Maria de Morais Penido, no dia 8 de janeiro de 1983, na Basílica Nova em Aparecida. Transferido para São João, trabalhou nas missões até setembro de 1983. Já sofria da doença que o levou, mas ocultou isso enquanto pôde. Por ordem expressa dos superiores, veio para São Paulo e foi operado, quando se verificou que o mal ( câncer da próstata) já avançara demais e não havia mais esperança de cura. Após a operação, quis fazer a recuperação em Aparecida, para onde foi transferido em janeiro de 1985. Tinha de usar sempre uma sonda na bexiga e sua doença foi sempre piorando, apesar da resistência admirável do Pe. Rafael, que os médicos admiravam muito. Contra todas as expectativas, trabalhou durante anos até agosto de 1987, na Basílica de Aparecida, atendendo os romeiros: confissões, missas, ritos penitenciais, batizados, etc. Foi operado mais duas vezes, para minorar as dores que sofria e ficou no leito de dores por longos 10 meses. Ele mesmo dizia que estava “como Jesus no Calvário”. Sofria dores atrozes, que os medicamentos não conseguiam eliminar. Pedia que Jesus e Maria o viessem buscar, mas entregava tudo nas mãos de Deus, a cuja vontade se submetia. Faleceu no dia 13 de julho de 1988. (INFORMATIVO, 23-SP, nº. 111, julho/88, pg. 42)
CERESP

Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

sábado, 11 de julho de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. PAULO FORSTER CSsR e PE. LEONARDO ECKL CSsR

PE. PAULO FORSTER CSsR
+11 de JULHO 1964 
Natural de Lanshut, na Alemanha. Nasceu a 26 de junho de 1888. Com 12 anos ingressou no Juvenato C.Ss.R. em Gars, professando em 1912. Teve de interromper seus estudos superiores, convocado para o exército, na guerra de 1914. Na batalha de Verdum, em 1916, foi ferido com um estilhaço de granada. Com dispensa especial, devido a um defeito que lhe ficou em uma das mãos, pôde continuar os estudos, sendo ordenado em 1919. Em abril de 1920 chegou ao Brasil, cumprindo a promessa que fizera na guerra, de trabalhar para Nossa Senhora na Vice-Província brasileira. Pe. Paulo era dono de ótima inteligência. É o que mostra um de seus atestados de estudos, com as notas “Optime” e “excelenter” em todas as matérias. Muito bom desenhista, de letra impecável (apesar do defeito na mão), lecionou Matemática, Física, Química, Astronomia, Mineralogia, Latim e Grego; foram as suas matérias durante os 25 anos que trabalhou no Juvenato (Aparecida). Em 1949, já cansado de lecionar, foi transferido para Goiás. Esteve depois em Araraquara e São João da Boa Vista, auxiliando nos trabalhos da Casa. Mais tarde, já com a saúde abalada, foi transferido para a Penha; e aí travou sua última batalha, enfrentando pacientemente longos meses de sofrimento, para falecer a 11 de julho de 1964. O seu “Diário de Guerra” (manuscrito) está no nosso Arquivo Provincial. 
PE. LEONARDO ECKL CSsR
+11 de JULHO 1972 
Nasceu na Alemanha a 15 de julho de 1889, ingressando no Juvenato C.Ss.R. em 1901. Fez a sua Profissão em 1909, e após seus estudos de Filosofia e Teologia, doutorou-se em História Eclesiástica. Veio para o Brasil em 1935, já nomeado Vice-Provincial. E o cargo não lhe foi nada leve, principalmente a princípio, devido à falta de conhecimento da língua e das condições da Vice- Província. Teve o mérito de fundar a Casa-Estudantado de Tietê, solenemente inaugurada a 24 de janeiro de 1937. Grande pregador de retiros para religiosas e sacerdotes , teria pregado, segundo afirmou, mais de 400 retiros aqui no Brasil. — Deixando o cargo de Vice-Provincial, trabalhou ainda em Araraquara, e depois, na Província de Porto Alegre, à qual foi adscrito nos seus últimos anos. Idoso, e bastante enfermo, pensou ainda em voltar para alguma casa da nossa Província, onde esperava morrer. Mas não chegou a realizar esse desejo, pois faleceu em Porto Alegre a 11 de julho de 1972. 
Pe. Leonardo liderou um numericamente pequeno mas aguerrido movimento de confrades alemães da Província que se opuseram à separação desta da Província da Baviera. Queria que o Rio Grande do Sul fosse separado de São Paulo e constituído como Vice-Província dependente da Baviera. Eleito vogal para o Capítulo Geral de 1947, ali trabalhou nesse sentido contra a Província que o elegera. O projeto não foi adiante e ele permaneceu como membro da Província de São Paulo, assumindo várias responsabilidades, tais como coordenador e professor do curso de pastoral para os padres novos, curso que por alguns anos funcionou na Penha, em São Paulo. (nota do editor)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

EMANCIPAÇÃO DA CIDADE DE APARECIDA-SP

Emancipação de Aparecida, que bom. 
Uma história que Lúcio Mauro se propõe a contar. 
Não vivenciei, nasci em 1937, aconteceu em 1927. 
Frequentei o Chagas Pereira, escola estadual com professoras de Guaratinguetá , não fez parte de meu currículo essa história que tanto nos orgulha. 
Personagens importantes, Américo Alves, João Barbosa, Júlio Braga, estes que conheci, outros nobres participantes de uma saga. 
Comícios, encontros, um ideal, vontade de mudar, viver uma realidade, liberdade, dissolver laços, caminhar espaços próprios, Aparecida se libertou, ganhou autonomia, não houve guerra, continuamos irmãos. 
Certa feita, trabalhando no Banco do Brasil e atuando no caixa, atendi a um aparecidence, José Bustamante. 
Identificou-me como filho de Raphael Menezes e se propôs a contar um fato. 
1927, comício na Ponte do Sá, discursos inflamados, participantes exaltados, vontade de liberdade, eis que surge um jovem de 25 anos, toma a dianteira, se põe em condição privilegiada e grita em voz alta: INDEPENDÊNCIA OU MORTE ! 
José Bustamante contou, Raphael Menezes, fotógrafo, mineiro, Silva de origem, qual Tiradentes, não faz parte da galeria dos heróis, mas deixou seu nome nessa história, lutou pela emancipação, gostava de Aparecida. ALEXANDRE DUMAS MENEZES
Obrigado, amigo Dumas! Vivi nessa cidade durante 5 anos, 1958/1962, e agora você me mostra um fato de liberdade desse municípo, fato este de valor, que nesse tempo todo, desde lá até hoje, nunca havia percebido e ainda me importado! Um grande abraço! ANTÔNIO IERARDI NETO

sexta-feira, 10 de julho de 2026

História, Fé e Raízes em Aparecida

REDENTORISTAS NO SRSA
EM APARECIDA-SP
Uma chegada marcada por música, devoção e acolhida Recentemente, em uma conversa sobre a importância de preservar dados e memórias na Távola, tive a grata oportunidade de reencontrar a história viva de Aparecida por meio do empresário Júlio Barreto, com quem desenvolvi uma amizade após uma apresentação no Rotary local. Ao saber da minha ligação com os Missionários Redentoristas, Júlio compartilhou algo precioso: registros de sua família e a profunda conexão deles com a Congregação Redentorista, desde a chegada dos pioneiros alemães em 28 de outubro de 1894. 
Nessa data memorável, por volta das 22h, o trem com os primeiros missionários vindos da Alemanha chegou à estação ferroviária de Aparecida. A emoção tomou conta do povo — e a recepção foi solene: uma banda de música animava a multidão que aguardava com fé e esperança. Essa banda era a Aurora Aparecidense, conduzida por ninguém menos que o bisavô de Júlio, o Maestro Isaac Júlio Barreto, então Mestre de Capela da Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Uma tradição musical depois continuada por seu filho, Maestro Benedito Júlio Barreto, e pela neta, Maria da Conceição Barreto. 
A música, desde o primeiro momento, uniu os corações e anunciou a chegada de uma nova fase para Aparecida. Entre os que desembarcaram estavam os padres Lourenço Gahr, José Wendl, Gebardo Wiggermann, João Batista Spath, Claro Monteiro do Amaral, e os irmãos Estanislau, Rafael e Simão. A acolhida seguiu até a casa do Sr. João Maria de Oliveira César, onde jantaram, e, depois, instalaram-se provisoriamente ao lado do Santuário. No dia seguinte, conheceram o Santuário e a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida — cuja figura negra os remeteu à Virgem Negra de Altötting, ícone de devoção mariana na Baviera, de onde muitos deles vieram. 
Mal dominavam o idioma, mas logo estavam celebrando missas, ouvindo confissões, evangelizando e, sobretudo, integrando-se ao povo com afeto e simplicidade. Em pouco tempo, passaram a ser chamados de “missionários de Aparecida” e conquistaram para sempre o coração dos aparecidenses e romeiros. 
A missão dos Redentoristas plantou em Aparecida uma semente de fé que floresceu em devoção e identidade nacional. E, por entre essa bela história, está a memória viva de famílias como a dos Barreto, cuja música embalou o início de tudo. Gratidão, Júlio, por compartilhar tão bela herança.
PEDRO LUIZ DIAS

quinta-feira, 9 de julho de 2026

UNIDADE e SOLIDARIEDADE: dois clamores do coração da Igreja

PEDRO LUIZ DIAS
Na homilia do domingo, 6 de julho de 2025, durante a missa das 8h no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, nosso querido e inspirado Arcebispo, Dom Orlando Brandes, voltou a proclamar com firmeza e ternura: a Igreja precisa de UNIDADE
Mais do que mencionar, ele nos pediu orações — e atendemos com a urgência que o tema exige. Mas a manhã seguinte nos levou a adicionar, com o coração ferido, outro clamor urgente: a SOLIDARIEDADE
Fomos informados da triste notícia de mais um caso de suicídio de um jovem presbítero. Diante disso, não apenas rezamos. Rezamos e nos questionamos: O que mais podemos e devemos fazer, como comunidade de fé, para cuidar dos nossos pastores, irmãos, amigos e irmãs em sofrimento? 
A UNIDADE e a SOLIDARIEDADE são inseparáveis. 
Uma Igreja unida é também uma Igreja que cuida. 
Que escuta. 
Que acolhe. 
Que não silencia a dor, mesmo quando ela vem de dentro.
Que as palavras de Dom Orlando encontrem eco em nossas atitudes. 
Que a oração se transforme em presença, em acompanhamento, em empatia concreta. 
E que cada comunidade, cada fiel, cada coração cristão se sinta chamado a ser ponte e não muro, abraço e não julgamento, resposta viva e amorosa ao sofrimento alheio.
Rezamos. 
Agimos. 
Unimo-nos. 
Por uma Igreja que seja verdadeiramente casa, refúgio e família para todos - especialmente para quem sofre em silêncio.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A neblina de Aparecida e a Luz da unidade.

Hoje, antes que o sol rompesse completamente a neblina, caminhei lentamente pelos jardins do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. 
Havia um silêncio que não era ausência de sons. Era um silêncio povoado de passos, de olhares, de rosários nas mãos, de crianças ainda sonolentas, de idosos caminhando com esforço, de famílias inteiras que percorriam quilômetros movidas por uma única certeza: Deus continua chamando o seu povo. 
As caravanas chegavam sem cessar. A passarela ia sendo ocupada por uma multidão de peregrinos. Muitos jamais se haviam encontrado. Vinham de cidades, culturas e histórias diferentes. Alguns carregavam dores profundas. Outros traziam promessas cumpridas. Muitos vinham apenas agradecer. 
Entretanto, todos caminhavam na mesma direção. 
Enquanto a fina névoa umedecia meu rosto, pensei que talvez a Igreja seja exatamente isso: pessoas diferentes, com pensamentos, sensibilidades e experiências distintas, mas que reconhecem um único Senhor e procuram permanecer em comunhão. Foi então que meu coração se voltou para uma preocupação que, acredito, merece nossa oração, especialmente entre nós, antigos alunos formados na espiritualidade de Santo Afonso Maria de Ligório. 
Temos assistido ao surgimento de tensões e divisões que, em alguns ambientes, parecem enfraquecer a comunhão eclesial. Há manifestações que revelam resistência a orientações do Magistério e à missão confiada pelo próprio Cristo ao Sucessor de Pedro. 
Não escrevo estas linhas para julgar pessoas nem para alimentar debates. Escrevo porque aprendi, ainda nos bancos do seminário, que a unidade da Igreja nunca foi uma construção humana. Ela é um dom do Espírito Santo e, justamente por isso, precisa ser continuamente cultivada. 
Os redentoristas sempre foram missionários da esperança. Santo Afonso nunca separou o amor à verdade do amor à Igreja. A fidelidade ao Evangelho sempre caminhou ao lado da comunhão. Nenhuma família permanece unida sem diálogo. Nenhuma comunidade cresce sem humildade. Nenhuma Igreja atravessa os séculos sem a ação permanente do Espírito Santo. 
Talvez a neblina daquela manhã tenha me ensinado justamente isso.
A neblina não elimina o caminho. Apenas nos convida a caminhar com mais confiança.
Ela esconde a paisagem por alguns instantes, mas não consegue apagar o sol. 
Também os tempos de inquietação passam. As controvérsias passam. Os homens passam. Cristo permanece. 
Que Nossa Senhora Aparecida, tão silenciosa quanto firme aos pés da cruz, continue protegendo a Igreja. Que Santo Afonso inspire todos aqueles que receberam seu carisma a serem sempre construtores de comunhão. E que nós, antigos alunos redentoristas, jamais percamos aquilo que recebemos como herança mais preciosa: amar profundamente a Igreja, servir ao povo de Deus e conservar acesa a chama da unidade. 
Afinal, antes de sermos homens de opinião, fomos chamados a ser homens do Evangelho. 
Por Pedro Luiz Dias

ELES VIVERAM CONOSCO - PE ANTÔNIO DA CRUZ VAZ CSsR

PE.ANTÔNIO DA CRUZ VAZ CSsR
+8 de JULHO  1979 
Nasceu em São Paulo, a 8 de agosto de 1924. Era de família portuguesa, bastante simples; e seu pai, o “seu Abílio” foi, durante 30 anos, o nosso chacareiro na Penha, ajudando, também, quando necessário, nos trabalhos da Casa, como porteiro ou cervejeiro. A 2 de fevereiro de 1937 “o Cruz” (assim chamado) ingressou no Juvenato Santo Afonso (Aparecida), professando a 2 de fevereiro de 1945. Fez o Seminário Maior em Tietê, sendo ordenado a 27 de dezembro de 1949. Aparecida e Penha foram o campo de apostolado onde trabalhou até 1956, ano em que fez o segundo Noviciado. Dedicou-se depois às Missões, nas Casas de Araraquara e São João da Boa Vista. De 1974 a 1978 colaborou como Ecônomo na Vice-Província de Brasília, para a qual fora transferido. Em maio de 1979 estava em Ipamerí, preparando uma nova Fundação, e trabalhando ativamente na Pastoral da região. Certo dia, ao regressar de um trabalho na zona rural, sentiu-se muito mal, sendo logo internado para os necessários exames. Resultado: cirrose e câncer no fígado. Foi trazido logo para São Paulo e internado no Hospital Sírio Libanês. Novos e acurados exames para os médicos informarem: nenhuma esperança de recuperação. No hospital tudo foi feito para diminuir o sofrimento do enfermo, com o qual permanecia sempre nosso Irmão Rafael. Durante alguns dias, embora acamado, Pe. Cruz ainda pôde concelebrar com o Provincial que, numa dessas concelebrações, lhe ministrou a Unção dos Enfermos. No dia 8 de agosto, porém, não pôde mais concelebrar. Aí pelas 3 horas, iniciada a Santa Missa por um dos nossos, ele já estava agonizando. Em meio às orações dos parentes e conhecidos, à hora da Comunhão, ele expirou tranqüilamente, para iniciar a sua Comunhão eterna. (Comunicado do Governo Provincial)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. GERALDO CAMILO DE CARVALHO CSsR

PE. GERALDO CAMILO DE CARVALHO CSsR
Missionário Redentorista 
*26/11/1931 +08/07/2021
- 89 anos de vida 
–68 anos de redentorista 
–62 anos de Sacerdote 
Nasceu no dia 26.11.1931, em S. Rita de Caldas MG. 
Seus pais: João Camilo de Carvalho e Ana Balbina de Carvalho. 
É o 8º entre os 10 filhos do casal. 
Entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, a 22.01.1945. 
Em 1952 fez o Noviciado em Pindamonhangaba SP. 
Aí fez a Profissão Religiosa na C.Ss.R. a 02.02.1953. 
Os estudos de Filosofia e Teologia foram feitos no Seminário Santa Teresinha, em Tietê. 
A Profissão Perpétua foi em Tietê a 02.02.1956 
Foi Ordenado Diácono a 26.10.1958, em Tietê, por Dom Almir Marques Ferreira. 
Foi Ordenado Sacerdote, em Tietê, por Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba, a 01.01.1959 
Em 1960, fez o Tirocínio Pastoral no Santuário Nossa Senhora da Penha, em São Paulo – SP, que na época estava aos cuidados pastorais dos Redentoristas. 
Grande parte da vida foi dedicada à Pastoral do Santuário de Aparecida, dedicando-se ao atendimento dos romeiros, em diversos períodos.
Atuou também na pregação das Missões Populares, residindo na comunidade de São João da Boa Vista – SP. 
Em 1978, foi para Roma estudar Catequese na Universidade Lateranense, obtendo Mestrado em Pastoral. 
Em 1981/1987, foi exercer o Ministério Sacerdotal em Angola, na África.
Em 2000 foi transferido para Araraquara, como auxiliar da Igreja de Santa Cruz e depois foi para São João da Boa Vista, trabalhando na Pastoral da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. 
Em 2008, foi residir em Aparecida Comunidade Padre Gebardo e depois na Comunidade das Comunicações, ajudando na Pastoral do Santuário.
Atuou como Vigário Paroquial em diversas paróquias cuidadas pelos Redentoristas e também ajudando e substituindo párocos idosos e doentes. 
Foi muito procurado para pregação de tríduos, novenas e encontros. 
Pe. Geraldo Camilo era um confrade bastante simples e de bom relacionamento na comunidade. 
Simpático e alegre, sempre tinha uma anedota para alegrar a conversa e descobrir o lado pitoresco dos fatos. 
Soube assumir com responsabilidade os compromissos pastorais.
Aproveitava bem o tempo com leituras e estudos. 
Tinha capacidade para fazer boas amizades e cultivava atividades sociais.
Desenvolveu intenso zelo pastoral. 
Paciente nas contrariedades, soube levar a bom termo a missão em Angola, dinamizando as comunidades em diversas cidades, passando por muitas privações e provações, nos tempos difíceis da guerra. 
Lá construiu muitas igrejas e capelas. 
Vivendo os últimos anos no Convento do Santuário Nacional, assumiu com paciência e resignação as limitações da idade, sendo um redentorista de fé, de oração e alegre. 
Deus o chamou aos quinze minutos do dia 08 de julho de 2021. 
Com Deus e com a Virgem Maria para sempre, Pe. Camilo, e do céu rogue por nós!
Que triste receber a notícia da morte do Camilo, meu contemporâneo, alegre e contador de anedotas. Estivemos juntos, não faz muito tempo, no convento de Aparecida, o Geiger, eu e os padres Gervásio, Vianna, Camilo e também o Geraldo. Demos muita risada das piadas do Camilo, o Gervásio, gentilíssimo , o Geraldo, observador, pediu-me para rezar a Ave Maria em Grego, o Vianna, filósofo, pensador. Almoçamos, bebemos uma boa cachaça, relembramos lugares comuns, matamos saudades de tempos nostálgicos, gravados eternamente em nossos corações. Alexandre Dumas
Também admirava muito seu jeito brincalhão. Gostava muito dele, apesar de ter convivido pouco.João Loch