quarta-feira, 15 de abril de 2026

Júlio Machado Braga, batalhador incansável

Há um provérbio popular que diz que”Elogio, em boca própria é vitupério” Mas o apóstolo São Paulo também afirma que “A verdade também é humildade” Por isso, sinto-me à vontade para, hoje, falar alguma coisa sobre meu pai, para este jornal, principalmente, sendo a pedido de outrem. José Machado Braga, Zezé Braga, Oblato Redentorista 

Sorocaba, terra do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, aclamado governador da então Província de São Paulo, em 1842, foi também o berço de outro ilustre cidadão que, mais tarde, muito ilustrou e engrandeceu o nome desta nobre e leal cidade de Aparecida, a Terra da Padroeira do Brasil. Chamava-se JÚLIO MACHADO BRAGA e nasceu no dia 1º de julho de 1892. Seus pais, Domingos Braga e Mathilde Machado Braga, de origem muito humilde, tiveram nove filhos, que criaram com muito amor e carinho e nos quais incutiram um grande amor para com Deus e uma educação religiosa muito sólida e profunda, que incluía também uma grande e filial devoção a Nossa Senhora. De sua infância, em Sorocaba, quase nada sabemos. De seus pais, recebeu, na alma e no coração, as sementes de sua religiosidade que, em respeito humano e sem esmorecimentos, fez brotar e florescer muitas virtudes durante a sua curta existência. Em 1907, a família BRAGA, deixando Sorocaba, chegou a Aparecida e aqui se fixou, transcorrendo, pois, neste ano da Graça de 2007, cem anos de sua chegada a Aparecida, marcando, com sua vida de virtudes e trabalhos nas mais diversas áreas religiosas e sociais, sua presença dentro da grande família aparecidense. Aos quinze anos de idade, papai entrou para o Seminário Santo Afonso, aqui em Aparecida, onde foi aluno estudioso, esforçado, de gênio alegre e bondoso, de tal sorte que, em pouco tempo, logo granjeou a estima dos mestres e formadores, os severos, mas piedosos padres alemães e a de todos os demais seminaristas. Além de se distinguir nos estudos, também se distinguiu nas apresentações teatrais, notadamente nas comédias, cujos papéis interpretava com humor e naturalidade. Terminado o Curso das Humanidades, como era chamado o que hoje é o ciclo dos primeiro e segundo graus, firme no propósito de ser, um dia, sacerdote e missionário redentorista, santo, recebeu o hábito religioso redentorista, como era de costume na época, e foi fazer seu noviciado, sob a direção do experiente padre Carlos Hildebrand, no Convento de Bom Jesus dos Perdões, cidade que hoje é mais conhecida, simplesmente, pelo nome de Perdões, São Paulo. Embora a cidade e a região fossem de clima excelente e muito salubre, a saúde de Julinho, como meu pai foi carinhosamente chamado e conhecido até o fim de sua vida, não era satisfatória e, como os cuidados recebidos não surtissem efeito, aconselhado pelos superiores, viu-se obrigado a abandonar a carreira eclesiástica e esperar nova oportunidade. “O Espírito estava pronto, mas a carne era fraca”. Sempre muito dedicado aos redentoristas, por algum tempo prestou-lhes serviços no Santuário de Nossa Senhora da Penha, em São Paulo. Regressando a Aparecida, por volta de 1914, manteve a convivência com os padres redentoristas. Durante cerca de dez anos, até a sua morte, Lecionou Latim e Português no Seminário Santo Afonso, sendo professor de muitos seminaristas que se tornaram ótimos missionários, contando-se entre os ainda vivos(*), Dom Pedro Fré, bispo emérito de Barretos(SP), Dom José Rodrigues de Souza, bispo emérito de Juazeiro(BA), padre José Oscar Brandão e alguns outros que ainda trabalham na vinha do Senhor. Dentre os vivos e atuantes, conta-se, ainda, o padre Luiz Inocêncio Pereira, que acaba de completar seus 93 anos de idade e 66 anos de santo sacerdócio. Aliás o padre Inocêncio, até hoje, ainda se orgulha de ter sido aluno de meu pai. Cada vez que se encontra comigo anuncia para todos os circunstantes: “Eu fui aluno do pai desse homem”.(**) No dia 6 de janeiro de 1934, Dia de Reis, recebeu de Roma, do Superior Geral da Congregação Redentorista, na época. Padre Ptritius Murray, o título de “Oblato Redentorista”, honraria essa que encheu sua alma e coração de grande e profunda alegria e de não menor gratidão à Congregação que ele tanto amava e à qual ele tanto sonhou pertencer: afinal, tornava-se membro da Família Redentorista, não como padre ou irmão leigo, mas como cidadão engajado e fiel aos seus ideais missionários, alfonsianos. Diploma esse, todo redigido em Latim, que a Família guarda com toda a veneração, gratidão e respeito. Foi o segundo oblato leigo da Congregação, na Província de São Paulo, sendo precedido apenas pelo ilustre senhor João Maria de Oliveira César, camareiro secreto de Sua Santidade o Papa Leão XIII, digno tesoureiro do Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, também muito amigo e benfeitor da Congregação Redentorista. Com o preparo intelectual e moral que meu pai recebera, fácil lhe foi ocupar lugar de destaque na imprensa local, colaborando no Jornal “Santuário de Aparecida”, do qual foi também gerente. Estimado na sociedade aparecidense, logo descobriu na humilde e modesta professora Marietta Vilela da Costa, também profundamente religiosa, católica praticante, a pessoa que poderia, como esposa, ser a mãe de seus filhos e formar com ele o consórcio perfeito de um lar cristão. Assim é que, diante do trono de Nossa Senhora Aparecida, no dia 27 de dezembro de 1919, casou-se com aquela virtuosa professora, com a qual ficou casado durante 19 anos e a qual lhe deu oito filhos. Estava formado mais um lar essencialmente cristão e a educação que os virtuosos pais deram aos filhos proporcionou a todos um crescimento e um amadurecimento profundamente cristãos e normais. Meu pai, preparado como era, batalhou incansavelmente pela emancipação política de Aparecida. Exclusivamente para isso, jornalista que era, fundou um jornal combativo, “A LIBERDADE”, no qual exercia todas as funções, desde a redação até a revisão e paginação, incluindo, ainda, a faxina da sala de trabalho. Durante quatro anos ele, sozinho, manteve o jornal, escreveu todas as matérias, alimentando na alma do povo o desejo cada vez maior da emancipação da cidade, do vizinho município de Guaratinguetá. A sua luta e seus suores não foram em vão: a sonhada e suspirada independência política de Aparecida aconteceu no dia 17 de dezembro de 1928 para grande regozijo de toda a população que, lembro-me muito bem, saiu às ruas cantando e comemorando a realização de um sonho há bastante tempo acalentado. É claro que essa emancipação política de Aparecida não se deu pelos esforços somente de meu pai, mas houve a conjugação de esforços de um punhado de homens e de mulheres, denodados batalhadores, que queriam o melhor para a cidade de Aparecida. Não foi o resultado dos esforços de qualquer outro, individualmente, mas de uma equipe de emancipadores. Meu pai foi um batalhador desde a primeira hora. Não esmoreceu um só momento, como outros também não esmoreceram. Lutou bravamente. Em 1929, tendo sido convidado, com insistência, para fundar um Colégio na cidade de Lins, São Paulo, para lá se transferiu com toda a família, isto é, com a esposa e com todos os filhos ainda pequenos. Fundou lá o Colégio São Luiz, o qual cresceu, prosperou e, pelo que sei, parece que se transformou em abalizada Faculdade. Lins não era, então, a cidade moderna e progressista que é hoje no Noroeste do Estado de São Paulo e, depois de algum tempo, meu pai compreendeu que o regresso a Aparecida se impunha, ainda mais que os amigos de cá reclamavam a sua presença, os antigos companheiros de lutas lhe acenavam com uma Coletoria Estadual. De mais a mais, o que mais pesou foi o transtorno que ocorreu na saúde dos filhos, dadas as asperezas do clima de lá. Voltou , assumiu a Coletoria, para o que não lhe faltavam competência e honestidade. Mas, também depois de algum tempo, por injunções políticas, essa coletoria passou para outras mãos. Nesse mesmo ano de 1929, seus amigos redentoristas, conhecendo a formação humanística de meu pai, convidaram-no para lecionar Português e Latim para as séries mais adiantadas do Seminário, que eram as que correspondem ao Ensino Médio. Deu aulas até 1938, ano de sua morte. Em 1932 foi nomeado prefeito da cidade pelo Governador de São Paulo, cargo esse que executou com grande dedicação e não menos esforços com probidade e zelo. Calçou muitas vias públicas, remodelou toda a antiga praça Nossa Senhora Aparecida e, se outras fossem as circunstâncias de seus dias de governo, maiores teriam sido, sem dúvida, as suas realizações. Basta dizer que naqueles tempos prefeitos não dispunham de carros do ano, de outras viaturas para os serviços dos diversos setores municipais e lembro-me muito bem de como eu “pegava carona” em algum cavalo que retornava às cocheiras da prefeitura, conduzido por um funcionário municipal. Em qualquer cargo que ocupasse, de prefeito, de coletor estadual, de jornalista ou de professor, a sua consciência jamais fê-lo dobrar-se ante exigências de políticos influentes. Em 1931, quando a verdadeira imagem de Nossa Senhora Aparecida foi levada triunfalmente à capital federal, que ainda era no Rio de Janeiro, para ser proclamada oficialmente pelo presidente da República, a “Rainha e Padroeira do Brasil”, coube também a meu pai, ao lado do comendador Salgado, do professor Chagas Pereira, do Sr.João Barbosa, do Sr.Benedito Barreto, a honrosa incumbência de ser um dos porta-estandartes da gloriosa e venerada imagem. Sempre preocupado também com o lado social da vida dos cidadãos, quando da fundação da Santa Casa de Misericórdia de Aparecida, prestou relevantes serviços a esse empreendimento e foi um ativo membro das primeira “mesa provedora” daquele hospital. De saúde sempre um tanto precária, seu estado agravou-se no segundo semestre de 1938, inclusive por efeito de circunstâncias políticas que não me agradam relembrar agora. Os cuidados e desvelos da família e os recursos da medicina não conseguiram deter o agravamento e a marcha acelerada da enfermidade. A hora de receber o prêmio de uma vida toda consagrada a Deus, à família e à prática do bem, havia chegado. Sempre assistido pelos seus amigos redentoristas, que lhe ministraram os últimos sacramentos, fechou tranquilamente os olhos para esta terra para contemplar Deus e a Virgem Maria no céu. Estava tão lúcido, tranquilo e sereno que ainda teve a preocupação de puxar um pouco para cima o lençol que o cobria para que o sacerdote que o assistia lhe ungisse os pés. Suas últimas palavras foram: “Isso me fará bem”! E partiu, sem agonia. Os carrilhões da Basílica Velha tocavam o Ângelus do meio-dia, do dia 24 de setembro, Dia de Nossa Senhora das Mercês. Era um sábado! Já se passaram 69 anos. As lágrimas derramadas à beira de seu túmulo caíram no esquecimento. Silêncio completo se fez sobre seu nome durante muito tempo. Lembro-me de que em uma das legislaturas municipais de alguns anos atrás, num dia de aniversário da Emancipação Política da cidade, os nobres senhores vereadores de então resolveram fazer uma homenagem aos emancipadores falecidos com uma romaria ao cemitério local. Mas nos seus andares pelo campo santo, não conseguiram descobrir o túmulo de meu pai e, assim, ele ficou sem as sentidas preces dos piedosos romeiros. 

(*) Como este artigo foi publicado em 2007, Dom Pedro Fré CSsR já é falecido desde 3 de abril de 2014 e Dom José Rodrigues de Souza CSsR já é falecido desde 9 de setembro de 2012. 
(**) Padre Luiz Inocêncio Pereira CSsR já é falecido desde 10 de janeiro de 2009 

ALEXANDRE DUMAS PASIN
NOTA: Esse texto foi publicado num jornal de Aparecida em 15 de julho de 2007 . Foi-me encaminhado pelo Alexandre Dumas para divulgar. Assim, como mantenho neste blog a publicação da biografia dos SEMPRE redentoristas, sacerdotes, irmãos religiosos e antigos seminaristas, que nos precederam ou que viveram conosco, vamos lembrar a todos os interessados, a cada dia 24 de setembro, a vida desse antigo seminarista que, egresso por motivo de saúde do Seminário Santo Afonso, sempre esteve ao lado da Congregação e de Nossa Senhora Aparecida até o seu passamento. Esse texto, pois, será publicado novamente no dia de sua morte, 24 de setembro e rememorado em todos os anos que nos for possível fazer.

ANTÔNIO IERÁRDI NETO
Ótimo, Ierardi, fiquei satisfeito, de agora em diante, a vida e trajetória sempre ligada à Congregação Redentorista do ex-seminarista Júlio Machado Braga ficará registrada e será divulgada dentro de nossa comunidade da Uneser. É bom lembrar que, em reunião Eneser de julho de 2007, propus e foi aceito por unanimidade que Júlio Braga fosse proclamado Patrono de nossa entidade. Foi aceito de direito, mas não de fato, nem sei se consta em ata, lamentável Alexandre Dumas
Bem que seria muito oportuno a UNESER dar o título de PATRONO ao Júlio Braga, isso porque é o grande exemplo do antigo seminarista que, por motivo de saúde, teve de se desligar do seminário, constituiu família, que manteve sempre cristã/católica, teve filhos e nunca se desligou da Congregação Redentorista. É o que se pode hoje apresentar aos Redentoristas, mostrando que os egressos do seminário hoje mantêm o verdadeiro padrão doutrinário da Igreja, como aprenderam em sua época, formando famílias de respeito. Antônio Ierárdi
Quando isso entrou em pauta? Não vi. Fato consumado ? É assunto da próxima reunião em Julho ? Penso que é tanto de direito quanto de fato. Nada em contrário. Adilson Jose Cunha
Pois é Adilson, boa oportunidade sua presença para ajudar na reunião a consumação positiva desse fato....Como mencionei agora ao Dumas...Júlio Machado Braga é o grande exemplo do antigo seminarista, egresso, que formou família cristã/católica e tornou-se oblato da Congregação...Vamos em frente!!!! Antônio Ierárdi
Adilson, na Eneser de julho de 2007, levei essa matéria ora publicada pelo Ierardi à assembleia e propus que Júlio Braga fosse proclamado nosso Patrono. Você sabe como é que era o Mané, ele colocou a matéria em votação, ninguém se opôs, foi aceita minha proposta, mas talvez nem conste na ata, se é que ela existe.Quero lembrar que Júlio Braga é pai da Irmã Felici, fundadora com o Padre Eduardo Moriart da Congregação das Mensageiras do Amor Divino, ordem esta coadjutora nas missões redentoristas. Alexandre Dumas
Nota:Vejam no dia 28 de março neste blog.


Está havendo uma confusão de nomes sobre os Bragas: os dois eram oblatos? Tanto o pai quanto o filho? É preciso rever essa situação. Penso que a atual diretoria não tem conhecimento do fato. Como o Paulinho foi daquela e agora é desta, ainda está em tempo de colocar isso em pauta no próximo Eneser. Adilson José Cunha
Os dois foram oblatos. Dos filhos homens de Júlio, somente Guido Braga ainda é vivo, é professor aposentado, foi secretário da cultura em Aparecida. Na comemoração dos cem anos da chegada dos redentoristas, Guido representou o padre Gebardo, artista que é, vestiu a batina, colocou o barrete, muniu-se de um breviário antigo e subiu a Rua Oliveira Braga rumo à basílica velha, personagem perfeito, convenceu. Alexandre Dumas
E a profa. Ritinha? Adilson Jose Cunha

Eu não sei o nome das filhas, acredito que ainda existam duas vivas. Eu conheci muito a Dona Marieta, viúva do Júlio Braga, dava aula no bairro de Santa Rita numa escola municipal. Acredito que a maioria de seus filhos tenham sido professores. Alexandre Dumas Pasin de Menezes
 A profa. Ritinha Braga é irmã do prof. Zezé Braga, que morou na imediações da Rodoviária de Aparecida. Por muito tempo fez leituras na basílica velha na missa das 18 hs. Atualmente não tem aparecida por estar incapacitada. Foi professora primária da minha esposa,no Comendador Salgado. Adilson Jose Cunha
O assunto volta à pauta, nada foi levado à discussão em reuniões da Uneser. Sendo eu o propositor e testemunha vivo da proclamação de Júlio Braga patrono de nossa entidade, unilateralmente, a partir de agora, vou tratá-lo com tal até que alguma assembleia legitimamente constituída ouse destituí-lo dessa honraria. Alexandre Dumas
Meu amigo Dumas, conversei por telefone com o Thozzi e ele mencionou que o pessoal da UNESER deliberou a existência de apenas um patrono(?).  Estavam cogitando o Padre Libárdi ou o Mané. Olhe, embora não participe dos eventos da UNESER, esclareço aqui que uma das razões é justamente o que ocorre com o pessoal administrativo... Essa sua sugestão, considerando apoio estrito e comprovado do Prof.Júlio Braga aos redentoristas e na situação de egresso do seminário redentorista é importante, digo ainda, brilhante.... entretanto falta muita vontade para por a mente em ação e dar a todos aqueles que de alguma forma sobressaíram,  acrescentaria ainda os padres que nos orientaram, como o Pe.Brandão, por exemplo, louvor e eterna gratidão. Sempre idealizei a criação de fóruns para o plenário apreciar boas sugestões nos encontros ao invés de ocupar o tempo apenas com trocas de gentilezas e abraços. Fui por isso até considerado "tranqueira".... Assim lamentavelmente podemos perceber que a admissão de certas iniciativas é "complicada" e pode até "agredir"(?), portanto não deve acontecer! Uma observação final, se um dia resolverem adotar essa minha ideia, volto aos encontros e fico à disposição para colocá-la em prática! Antônio Ierárdi
Ierardi, nossa trajetória é dinâmica Júlio Braga nos precedeu, legou-nos um exemplo de vida, ex-seminarista, oblato, cidadão. Se lhe negarmos a condição de patrono, Aparecida o tem entre os ilustres, não lhe faltarão homenagens merecidas. A Uneser, ora a Uneser, encontrará e subsistirá com as forças do Mané e Libardi, não criará horizontes, acredito que tenha um tempo contado, lamento. Alexandre Dumas

terça-feira, 14 de abril de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - Padre Ivo Montanhesi CSsR

Padre Ivo Montanhesi CSsR
+14 DE ABRIL 2012
Nasceu em 8 de dezembro de 1924, em Tietê (SP). Entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida em abril de 1938. Durante o ano de 1945, fez o Noviciado em Pindamonhangaba, onde se consagrou a Deus pelos votos religiosos na Congregação Redentorista em 2 de fevereiro de 1946. Cursou Filosofia e Teologia no Seminário Santa Teresinha em Tietê. Fez a Profissão Perpétua em 1949 . Foi Ordenado Sacerdote, na Igreja Matriz de Tietê (SP) em 1950, por Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba (SP). Iniciou sua Vida Apostólica como professor no Pré-Seminário de São José, em Campinas, Goiânia. Em julho de 1952, foi transferido para o Pré-Seminário de Pinheiro Marcado (RS). Em 1955, foi nomeado professor e ecônomo no Seminário Santo Afonso, em Aparecida. Em 1956 e 1957, assumiu o ofício de Vigário Paroquial no Santuário Nossa Senhora da Penha, em São Paulo. No primeiro semestre de 1958, em Pindamonhangaba, freqüentou o IIº Noviciado, preparando-se para as Missões Populares. Como missionário, morou no Jardim Paulistano São Paulo. Em 1963, foi transferido para Pindamonhangaba, como Sócio do Noviciado e Mestre dos Noviços Irmãos. Em 1965, foi nomeado Diretor do Seminário São Geraldo, em Potim. Em 1966, trabalhou na Basílica de Aparecida, na pastoral com os romeiros. De 1967 a agosto de 1976, morou em Araraquara, dedicando-se ao trabalho pastoral na Igreja de Santa Cruz e principalmente ao Cursilho de Cristandade. Foi ele o responsável da construção da Casa de Emaús para os Cursilhos, em Araraquara. Em agosto de 1976, foi transferido para a Vice-Província de Brasília, morando em Goiânia (GO), dedicando-se à pastoral com os leigos. Em 1978, passou a residir em Aparecida, na Comunidade das Comunicações. Aí dedicou-se ao Apostolado da pena, cooperando com a Editora Santuário, traduzindo muitos livros. Foi Superior da Comunidade de 1991 a 1993. Foi auxiliar do Ecônomo Provincial para Aparecida. Em 1997, foi transferido para o Seminário São Geraldo, em Potim (Comunidade Irmão Bento), onde residia atualmente. No seminário deu grande contribuição para a formação dos seminaristas que se preparavam para a consagração como Irmãos Redentoristas através do exemplo de oração, vida comunitária e das aulas que eram muito apreciadas. Debilitado, sofreu com problemas de saúde. Sendo internado no Hospital Frei Galvão com pneumonia. Padre Ivo estava internado em Guaratinguetá (SP), onde se recuperava de uma pneumonia. Com dificuldades de respiração, foi transferido para a UTI por insuficiência respiratória, vindo a falecer. Atualmente padre Ivo morava no Seminário São Geraldo, em Potim (SP). Às 16h houve a Missa de Corpo Presente no Santuário Nacional e, em seguida o sepultamento no cemitério Santa Rita. ‘O Bom Pastor o conduza para as águas tranquilas. Que ele interceda por nós junto do Pai’. Padre Ivo Montanhesi -
 http://www.a12.com

segunda-feira, 13 de abril de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - Pe. José Braz Pereira Gomes CSsR

Pe. José Braz Pereira Gomes CSsR
+ 13 de abril de 2005 
Pe. José Braz Pereira Gomes nasceu em Timburi-SP., em 04/06/1917, filho de Amando Braz Pereira Gomes e Amanda Pereira Gomes. Na infância morou em Brazópolis-MG. Entrou para o Seminário Santo Afonso no dia 30/01/1927. Fez o Noviciado em Pindamonhangaba, durante o ano de 1934; fez a Profissão Religiosa, no dia 02/02/1935. Foi fazer o Seminário Maior na Alemanha, estudando em Rothenfeld e em Gars am Inn, até agosto de 1938, quando voltou para o Brasil, para continuar seus estudos em Tietê-SP, no Seminário Santa Teresinha. Em Gars am Inn fez a Profissão Perpétua, no dia 05/06/1938. Pe. Braz foi ordenado sacerdote dia 22/12/1940, em Tietê-SP, pelas mãos de Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba SP. Sua Primeira Missa Solene foi cantada em Brazópolis, em 01/01/1941. Começou a atividade missionária em maio de 1941, como Vigário Coadjutor na Paróquia da Penha, em São Paulo. Em 1943 começou sua missão docente em nossos seminários: 1943-1944: professor no Seminário Santo Afonso, em Aparecida; 1945: professor no Seminário de Pinheiro Marcado-RS.; 1946: Missionário em Cachoeira do Sul-RS.; 1947: novamente professor do Seminário Santo Afonso, em Aparecida. No primeiro semestre de 1950, fez em São João da Boa Vista o IIº Noviciado, preparando-se para as Missões Populares. Até 1955 foi Missionário, morando nas Comunidades de Aparecida, Cachoeira do Sul-RS. e Penha, em São Paulo. De 1956 a 1958, residiu no Jardim Paulistano, em São Paulo, como Vigário Coadjutor e Professor de Teologia Moral, no Seminário Central do Ipiranga, em São Paulo. Em 1959 foi transferido para Tietê, como professor no Seminário Maior Santa Teresinha, principalmente na área da filosofia. Quando o Seminário, em 1966, foi transferido para o Alfonsianum, em São Paulo, Pe. Braz Gomes veio junto, lecionando até 1968. Em 1969, foi transferido para o Convento da Basílica, trabalhando no apostolado com os romeiros. Em 1971, veio como Superior da Comunidade, para o Jardim Paulistano, trabalhando na Paróquia. Em 1973, voltou para Aparecida, no trabalho com os romeiros. Em 1976, morou na Comunidade das Comunicações, em Aparecida. Em 1979, voltou para a Comunidade da Basílica. Em 1982, morou em Tietê, no Seminário Santa Teresinha. Foi um peregrinar pelas comunidades da Província, prestando serviços, muitas vezes, como ecônomo das casas, até ser solicitado, em 1983, para ajudar na secretaria do Governo Geral, em Roma. De lá regressou em maio de 1984 e foi adscrito à Comunidade da Basílica, onde permaneceu até sua transferência final para a Casa do Pai. Pe. Braz Gomes teve a felicidade de celebrar, em 1985, seu Jubileu de Ouro de Profissão Religiosa; em 1990, seu Jubileu de Ouro de Sacerdócio; em 1995, seus 60 anos de Profissão Religiosa; e em 2000, seus 60 anos de Sacerdócio. Pe. Braz foi sempre apreciado como um confrade de inteligência viva e grande cultura, colocadas a serviço de uma vida docente bastante longa. Marcado pela fadiga da idade, seus últimos anos foram de provação, também devido à esclerose, que o foi dominando gradativamente. Quem o conheceu apenas nesses últimos anos, dificilmente poderia imaginar sua folha de serviço missionário à nossa Província e à Congregação. Soube multiplicar e partilhar seus talentos com generosidade. Que descanse na Paz do Senhor! 
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Só para maiores...
Padre Gomes foi meu professor de moral. Em uma aula em que o tema era o do sexto mandamento, depois dele ter digredido na matéria e percebendo que o tempo tinha avançado mais do que podia, interrompeu o assunto dizendo: "chega, chega de conversa... vamos continuar a aula pois hoje temos que chegar até o orgasmo!"Este era o Padre Gomes com quem convivi .Morelli
Padre Gomes foi meu professor no Colegião em 1949 e 1950, era um bom mineiro e contador de histórias. Orgulhava-se de seu tio ex-presidente da república, Wenceslau Braz, ainda vivo na época, relatava seu papos com o tio e participava com ele de pescarias nos arredores de Itajubá-MG .Alexandre Dumas Pasin

sexta-feira, 10 de abril de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - PADRE GERHARD RUDOLFO ANDERER CSsR

PADRE GERHARD RUDOLFO ANDERER CSs
(*) 9 DE NOVEMBRO 1935 
(+)10 DE ABRIL DE 2025 
Faleceu na manhã desta quinta-feira (10/04/2025) o missionário redentorista Pe. Gerhard Rudolfo Anderer, que fez sua Páscoa definitiva aos 89 anos. O padre estava hospitalizado desde o dia 23 de março, no Hospital maternidade Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP), após apresentar dificuldade respiratória e receber um diagnóstico de pneumonia. A Província Nossa Senhora Aparecida informa que o velório será realizado a partir das 18h desta quinta-feira, na portaria do Convento Novo do Santuário. A Missa de corpo presente será celebrada nesta sexta-feira (11), às 9h, no Altar Central do Santuário Nacional, com transmissão da Rede Aparecida de Comunicação, pela TV Aparecida, Rádio Aparecida e YouTube do Santuário Nacional. 
Biografia 
Gerhard Rudolfo Anderer, nasceu no dia 9 de novembro de 1935, no bairro de Itaquera, em São Paulo (SP). Seus pais, Augusto Anderer e Maria Bambach, tiveram três filhos, sendo Gerhard Rudolfo o primeiro dos irmãos. No dia 8 de fevereiro de 1936, foi batizado, no Mosteiro São Bento, na capital paulista. Seus pais eram católicos assíduos e ensinaram para os filhos que a oração é o sustento da vida cristã. Gerhard Rudolfo conheceu os missionários redentoristas através de sua própria família, ficou encantado com o jeito de ser dos missionários, e quis ser também um redentorista. Ingressou no Seminário Santo Afonso, em Aparecida (SP), no dia 6 de março de 1949, e ficou até dezembro de 1955, completando os seus estudos básicos. Ao concluir essa etapa, fez o noviciado, em Pindamonhangaba (SP), em 1956, e professou os Votos Religiosos temporários na Congregação do Santíssimo Redentor, no dia 2 de fevereiro de 1957, na Capela do Noviciado em Pindamonhangaba. No mesmo ano, seguiu para o Seminário Santa Teresinha, em Tietê, para cursar os dois anos de Filosofia: 1957 e 1958. No mesmo Seminário, cursou Teologia, de 1959 a 1962. No quarto ano de Teologia, professou os Votos Perpétuos na Congregação Redentorista, no dia 2 de fevereiro, sendo ordenado diácono no dia 15 de março e recebeu a ordenação presbiteral no dia 22 de julho do ano de 1962. Foi Dom José Carlos de Aguirre, bispo de Sorocaba (SP), quem o ordenou diácono e sacerdote na Igreja Santa Teresinha, em Tietê. Elisangela Cavalheiro.Elisangela Cavalheiro. Padre Rudolfo diante de várias pastas onde guarda parte da história de Nelsinho Santana. 
De 1963 a 1964, residiu no Santuário da Penha, em São Paulo, fazendo estágio pastoral e colaborando com a formação das pastorais. Em agosto deste mesmo ano, o Pe. Gerhard Rudolfo conheceu na Santa Casa de Araraquara (SP), o ‘Nelson Santana’, um menino enfermo que ficou seu amigo e veio a falecer com fama de santidade, no dia 24 de dezembro de 1964. O Vaticano declarou Servo de Deus, no dia 29 de abril de 2009. Pe. Gerhard Rudolfo, escreveu um livrinho intitulado “Nelsinho para Todos”, que narra sua história comovente e sua paixão por Jesus na Eucaristia. De 1965 a 1967, o missionário redentorista foi transferido para o Pré-Seminário na Pedrinha, em Guaratinguetá (SP), para ajudar na formação. De 1968 a 1971, foi formador no Seminário Santa Teresinha em Tietê. Foi transferido para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, continuando o seu apostolado na formação de 1972 a 1977. Neste tempo, cursou Pedagogia no Instituto Teresa d’Ávila, em Lorena (SP). Pe. Gerhard Rudolfo era possuidor de um coração de pai. No ano de 1978, foi enviado em missão para a Paróquia Sagrada Família em Luanda – Angola. Ele foi o primeiro padre da então Província de São Paulo, a trabalhar em missão nas terras angolanas, e permaneceu lá até o ano de 1990. Com seu jeito simples, uma espiritualidade aguçada, homem de oração e testemunho, foi convidado pelo arcebispo de Luanda, a ser diretor espiritual do Seminário Interdiocesano de Angola, na etapa da Filosofia e Teologia. DivulgaçãoDivulgaçãoPe. Rodolfo G. Anderer quando trabalhou no país africano Em 1991, retornou para o Brasil, devido o falecimento do seu pai, e sua mãe encontrava-se enferma e carecia de ajuda. Com o seu retorno, compôs a equipe missionária de São João da Boa Vista (SP), e revezava com o seu irmão Pe. Werner Anderer, C.Ss.R., nos cuidados com sua mãe e assim permaneceu até o final de 1994. De 1995 a 1997, voltou para o Seminário Santo Afonso em Aparecida, como responsável pela Pastoral Vocacional. No ano de 1998, foi reenviado para Angola, e assumiu o ofício de Pároco, na Paróquia Sagrada Família, ajudando na formação dos seminaristas diocesanos; chefiou a missão em Vouga e, nesse trabalho, ficou até o final de 2006. Após muitos anos dedicando a vida na missão Ad Gentes, voltou para o Brasil e residiu em São João da Boa Vista, como vigário paroquial de 2007 a 2012. Em vista do seu jubileu de sacerdócio, em 2013, foi convidado pelo Pe. Lourival, da Paróquia Bom Jesus de Ibitinga (SP), a passar um ano em sua paróquia. Foi-lhe concedida essa licença como ano sabático, e assim, ele o fez. No término desse tempo, foi transferido para o noviciado Santa Teresinha, em Tietê (SP), como auxiliar do Mestre de noviços. Em 2015, foi transferido para o Santuário Nacional, em Aparecida, para ajudar nas confissões e no atendimento aos romeiros, e lá permaneceu até março de 2023, quando foi enviado para a Comunidade Irmão Bento, em Potim (SP), para receber melhores cuidados. Pe. Rudolfo, como era chamado entre os confrades, possuía uma profunda espiritualidade que o levava a viver intensamente o ideal da Copiosa Redenção. Soube aproveitar bem o tempo, conjugando momentos de oração, estudo e trabalho pastoral. Não media sacrifícios para estar disponível aos mais diversos trabalhos da comunidade. No dia 23 de março, diante da dificuldade respiratória e um diagnóstico de pneumonia, Pe. Rodolfo, foi hospitalizado no Hospital maternidade Frei Galvão, em Guaratinguetá, e permaneceu até o dia 10 de abril, quando o Santíssimo Redentor, o visitou e o levou para a eternidade. Deus, concedeu ao Pe. Gerhard Rudolfo, a graça de viver 89 anos de vida; 68 anos de consagração religiosa e 62 anos de ordenação presbiteral. Que sua vida doada para anunciar a Copiosa Redenção, seja merecedora da eternidade ao lado de Maria Santíssima, santos, beatos, servos e bem-aventurados redentoristas, onde cantarão eternamente: “Demos graças repetindo / Copiosa apud Eum Redemptio / Demos graças traduzindo / Será grande a Redenção com Ele”. Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno, e a luz perpétua o ilumine.
Descanse em paz. Amém. 
Fonte: Secretaria da Província Nossa Senhora Aparecida
Era um homem entusiasmado com a evangelização. Ativo, disposto a ouvir, orientar. Vivia a Palavra. João Loch
Meu especial colega de turma, convivemos por sete anos, para nós era Rodolfo, exemplo de seminarista, trocamos muitas confidencias, eu fiquei no meio do caminho, mas valeu ter conhecido e testemunhado sua santidade, não vou rezar para ele, não precisa, vou invocar sim sua ajuda junto ao Senhor. Descanse em paz, Rodolfo ! Alexandre Dumas Pasin de Menezes 
 
Padre Rodolfo, diretor espiritual da minha classe em Pedrinha em 1966. O último ano que esse local teve atividades de pré- seminário foi em 66 até o mês de junho. Fomos dispensados para as férias de julho e sabendo que no segundo semestre daquele ano ficaríamos no Santo Afonso. Ficou com minha classe em 66 e 67. Em 1968 fomos transferidos para Tietê cursar o ginásio. José Antonio Dias Filho 
Bons tempos! Ele esteve conosco!!!
Mauro Alves Santos(Tabela))
Ele era um habilidoso desenhista das revistas Maristela(médios) e Redemptio (maiores). Um santo sacerdote. João De Deus Rezende Costa

quinta-feira, 9 de abril de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. TIMÓTEO (TJIPKE) VELTMAN CSsR

PE. TIMÓTEO (TJIPKE) VELTMAN CSsR
+9 DE ABRIL 1999 
Nasceu em Workum, na Holanda, a 14 de outubro de 1918. Foram seus pais Keimpe Veltman e Suzanna Juliana de Vreeze. Foi batizado no mesmo dia do nascimento. Em 1934, terminou seus estudos secundários. Daí em diante, começou a estudar sozinho. Fez o serviço militar por dois anos. Em 1938, tirou o Diploma de Contabilidade e começou a trabalhar como bancário em Roterdã. Por essa época, iniciou os estudos de Latim e Grego, sempre sem curso formal ou professor. Em 1946, submeteu-se a exames e foi aprovado, podendo prestar exames em todas as faculdades e universidades da Holanda. Em seguida, entrou para a Congregação Redentorista, diretamente para o Noviciado. Fez sua Profissão Religiosa em 1947. A Profissão Perpétua foi a 08 de setembro de 1950. Durante o Seminário Maior em Witten, dedicou-se também aos estudos de hebraico, italiano e espanhol. Ordenou-se sacerdote em 1952. Em 1954, veio para o Brasil, como membro da Vice-Província do Recife. Por vários anos percorreu o Nordeste brasileiro como dedicado missionário. Sua figura alta e esguia, levemente curvada, um rosto habitualmente tranqüilo e olhos atentos, voz forte e gestos largos, edificavam o povo. Fé e ciência marcaram a vida desse nosso confrade. Fez por três vezes o retiro inaciano de 30 dias. Pe. Timóteo foi um apaixonado pelos estudos de Matemática e Física. Apesar dos trabalhos missionários muito cansativos, ele nunca deixou seus livros de ciências. Aproveitava as férias na Holanda para aprofundar os conhecimentos nessas matérias. Como ele mesmo dizia, tinha muito conhecimento e pouco diploma, pois quase sempre foi autodidata. Eis as línguas que conhecia além do holandês e do português: inglês, francês, alemão latim, grego, hebraico, sânscrito, italiano e espanhol. Andou também estudando o russo. Seus conhecimentos de Matemática e Física Teórica correspondiam ao PHD dos Estados Unidos, título universitário a nível de doutorado. Escreveu uma tese sobre Gravidade - Strongforce, com teoria própria, discordando de Einstein. Em suas pesquisas ele pretendia comprovar matematicamente a existência de Deus criador. Em 1992, recebeu o título de membro da "The New York Academy of Sciences” e, em janeiro de 1994, o certificado de membro da "American Association for lhe Advancement of Science" (AAAS), dos Estados Unidos. Esses títulos deram-lhe grande satisfação. Obediente, Pe. Timóteo fazia questão de manter os superiores informados de suas pesquisas, para as quais pedia as autorizações. Depois da Missão de Curitiba - PR, em 1975, começou a integrar os trabalhos missionários da Província de São Paulo, morando em Araraquara. Em começos de 1985, pediu e obteve a adscrição definitiva a esta Província, onde podia dedicar-se às missões populares, num período em que a Vice-Província do Recife havia abandonado esse modo tradicional de pastoral popular. Mas logo em 1986 veio morar no Jardim Paulistano, São Paulo, para ter mais facilidade de continuar seus estudos e também para realizar apostolado no meio Universitário. Também ajudava muito em Aparecida, nos fins de semana. Em 1994, foi transferido para Aparecida, para a Basílica, trabalhando na Pastoral com os romeiros. Aí ele permaneceu até a morte. Sempre, porém, achava tempo para os estudos e escritos científicos. Pe. Timóteo, além de suas duas irmãs casadas, tinha uma irmã Religiosa Redentorista e outra Dominicana. Nos últimos tempos sua saúde começou a decair, quase não saía mais do quarto, celebrando lá mesmo a eucaristia. Faleceu repentinamente na tarde de 09 de abril de 1999, em nosso Convento da Basílica, em Aparecida. Estava com 81 anos de idade, 52 de Profissão Religiosa e 47 de Sacerdócio. Descanse na paz do Senhor! (Pe. Vítor Hugo)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. GABRIEL DE CAMPOS VILELA CSsR

PE. GABRIEL DE CAMPOS VILELA CSsR
+9 de ABRIL 1992 
Nasceu a 18 de maio de 1915 em Maria da Fé - MG. Eram seus pais: Manuel Vilela Pereira e Maria Augusta de Campos Vilela. Foi o oitavo dos nove filhos do casal. Em 1929 entrou para o Seminário Diocesano de Pouso Alegre - MG, que freqüentou até 1933. Foi quando pediu para entrar para a Congregação Redentorista. Como já tivesse completado o Seminário Menor, foi admitido diretamente no Noviciado de Pindamonhangaba- SP em 1934. Sua profissão religiosa na C.Ss.R. foi no dia 02 de fevereiro de 1935. Fez o Seminário Maior em Manuel Ocampo e Villa Alende, na Argentina, até dezembro de 1936. E em Tietê-SP, de 1937 a 1940. Sua profissão perpétua foi a 02 de fevereiro de 1938 em Tietê. Ordenou-se sacerdote em Sorocaba- SP, no dia 08 de dezembro de 1939. Deixou o Seminário Maior em janeiro de 1941, sendo seu primeiro campo de apostolado a Paróquia da Penha, em São Paulo, onde foi coadjutor por um ano. Foi professor de Teologia Dogmática no Seminário Maior de Tietê, de 1942 a 1950.P 1 P Foi transferido para Trindade, em Goiás, onde foi pároco e superior da comunidade. Aí fundou o “Pequeno Cotolengo” para crianças excepcionais, que até hoje é uma bênção para a cidade e o Estado. Terminou seu triênio e passou para a equipe missionária, pregando missões até 1956. Nos anos seguintes foi professor de Pastoral e Oratória Sacra. Voltou a ser professor de Teologia Dogmática, de 1960 a 69, quando foi transferido para a Comunidade da Basílica, dedicando-se ao trabalho com os romeiros. De 1973 a 1975 foi Superior do Seminário São Geraldo e também Mestre do Segundo Noviciado, preparando os futuros missionários. Voltou então para o apostolado na Basílica, onde ficou até 1981, quando foi transferido para Tietê, onde ficou até sua morte. Ajudava na medida do possível, em nossa Igreja de Santa Teresinha, anexa à casa do Noviciado. Apesar da diferença de idade, Pe. Vilela sempre teve um relacionamento bom com os noviços. Ele gostava muito do Movimento do Focolare, cujas reuniões freqüentava assiduamente. Tinha uma irmã que era carmelita, no Carmelo de Pouso Alegre. Nos últimos tempos não teve boa saúde. Estava com dificuldade até para andar. No dia 09 de abril, na hora do almoço, teve um derrame muito forte. Foi imediatamente internado na Santa Casa local. Apesar de todos os cuidados, veio a falecer no mesmo dia às 20,30 h. Foi sepultado em Tietê, no dia 10 de abril de 1992, depois da missa de corpo presente, às 15,00 horas. Estava com quase 77 anos de idade, 57 de profissão religiosa e 53 de sacerdócio. (Arquivo Provincial) P 1 P De fato, em 1950 foi professor de Direito Canônico. Pe. Vilela era um professor competente e exigente. Defendeu num Congresso de Teologia em 1949, com pleno êxito e brilho , uma tese sobre a Assunção de Maria. Seu espírito desconfiado e suspeitoso não lhe facilitou a boa convivência com os seminaristas. Mas seu espírito observante e piedoso sempre lhe granjearam muito respeito dos confrades. (nota do editor)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

quarta-feira, 8 de abril de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. DÉLCIO VIESSE CSsR

PE. DÉLCIO VIESSE CSsR
*21 de OUTUBRO 1925
+8 de ABRIL 2003 
Nasceu dia 21 de outubro de 1925, em Cerquilho SP. Eram seus pais José Viesse e Angelina Brocca. Entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, em 07.04.1938. Ali concluiu o curso em dezembro de 1944. Durante o ano de 1945, fez o Noviciado em Pindamonhangaba, onde fez a Profissão Religiosa na CSSR, em 02.02.1946. O Seminário Maior foi feito em Tietê, onde fez a Profissão Perpétua dia 02.02.1949. Foi Ordenado Sacerdote, na Igreja Matriz de Tietê SP, em 27.12.1950, por Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba SP. Celebrou sua Primeira Missa Solene, em Cerquilho SP, em 07.01.1951. Deixou o Seminário Maior, em janeiro de 1952, iniciando sua vida apostólica como professor no Seminário Santo Afonso, em Aparecida. Aí ficou até 1964. Músico, nesse tempo formou a Banda do Seminário. No primeiro semestre de 1965, fez o 2º Noviciado, no Jardim Paulistano, em São Paulo, preparando-se para as Missões Populares. Terminado o 2º Noviciado foi transferido para São João da Boa Vista, como missionário. Ali ficou até 1969. Nesse período foi Superior da Comunidade. Em 1970 foi transferido para Araraquara, como missionário. Foi por essa época que começaram seus graves problemas de saúde (varizes, problema circulatório, etc.) que o levaram a várias operações e o fizeram sofrer muito até sua morte. De 1973 a 1975, morou em Tietê. Em 1976, voltou para Araraquara, onde morou até sua morte. Fazia o que podia, na Igreja de Santa Cruz. Teve enfarte e ameaça de outros. Homem inteligente, ótimo pregador, mas infelizmente muito sofrido, devido a suas várias doenças. Grande músico, compôs muita coisa, mas destruiu quase tudo! Em 1996, celebrou seu Jubileu de Ouro de Profissão Religiosa. Dia 27.12.2000, celebrou seu Jubileu de Ouro de Sacerdócio. Em fins de março de 2003, teve outro enfarte e foi internado no Hospital da Beneficência Portuguesa de Araraquara. Ficou em estado de coma vários dias. Mas não resistiu. Faleceu dia 08.04.2003, pelas 21 horas. Suas exéquias, às 14,30 h., no dia seguinte, contaram com a presença de Dom Joviano, Bispo de São Carlos, inúmeros sacerdotes diocesanos, Pe. Provincial, muitos confrades e o povo da Santa Cruz. Foi sepultado em Araraquara. Estava com 77 anos e 6 meses de idade, 58 de Profissão Religiosa e 53 de Sacerdócio.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR                                                         
                                                  
CAI A TARDE, TANGEM SINOS
DESCE O SOL, ALÉM DO MAR
ALMAS MIL ,SAUDOSOS HINOS
PÕEM-SE PRESTES A CANTAR
QUANDO VEM O FIM DO DIA
SANTA VIRGEM, MÃE MARIA

VÓS , ESTRELAS, LÁ DO CÉU
LÁ DO CÉU, LÁ DO CÉU
VÓS ESTRELAS, LÁ DO CÉU
CONDUZI-NOS AOS CÉUS
CONDUZI-NOS ATÉ DEUS

Grande músico, compôs muita coisa, mas destruiu quase tudo!....
A poesia-oração acima não foi destruída...
Um dia ele a cantarolou perto de mim e em mim ficou....
Foi o meu maestro no coral, quando com 13 anos tinha voz de soprano e aos 18, ao ter mudado de voz, passou-me a segundo tenor.
Quantas músicas aquele coral cantou, inclusive na basílica velha de Nossa Senhora Aparecida.
Num dia de ensaios o Pe.Viesse pacientemente conduzia o coral no palco do salão de festas do seminário. Estava nos preparando para as solenidades do dia 1ºde Agosto, Santo Afonso Maria de Ligório, o fundador dos redentoristas!
O coral compunha-se das vozes soprano, alto, 1ºtenor, 2ºtenor e baixo. Geralmente a turma dos menores fazia o soprano e o alto e os maiores faziam os tenores e baixo.
A turma dos médios ficava fora, pois estavam mudando de voz e o seu som era de “taquara rachada”.....
De repente, dei um tremendo fora num estridente agudo totalmente alheio à boa harmonia dos demais.
-VOCÊ ESTÁ MALUCO, TAMPINHA! – gritou o Padre Maestro, sem parar de reger...
Naquele momento fiquei totalmente irritado, sentia frio por dentro e tremor por fora.....Calei-me....Não cantei mais, ainda que estivesse bem ao lado dele....Fiquei calado até o fim do ensaio...
Antes de dispensar a turma, o Pe.Viesse voltou-se para mim e publicamente, em alto tom, mas sem gritar, falou:
-O que aconteceu, Tampinha? Por que parou de cantar?
Permaneci calado, por dentro mais frio e por fora mais tremedeira.....e ele continuou:
-Isso não é próprio de um seminarista! Olhe você é um “olha-eu” desgraçado, precisa saber que sua voz, ainda que bonita deve harmonizar-se com as outras...-e voltando-se para todos :
-Estão dispensados!
Esse fato foi muito importante na minha existência! Se não fosse assim não sei a que pináculo da minha vida teria tentado galgar e que tremenda queda um dia poderia vir a ter....
Ele me mostrou naquele momento, quando procurava o caminho do ideal: “Padre, Missionário, Redentorista, Santo”, que estava, ainda precocemente, vagando pela vaidade e desconhecendo a verdadeira humildade.
Isso serviu para toda a minha vida.
O coral era muito bom, algumas vezes chegamos  a representar musicalmente a Paixão de Cristo ...no balcão da velha basílica de Nossa Senhora Aparecida, ao lado daquele imenso órgão de tubos...
”  et dixerunt: Hic dixit: Possum destruere templum Dei, et post triduum reædificare illud.”...
“Reus , reus est mortis”....
“Et tu cum Jesu Galilaeo eras.”....
“Et hic erat cum Jesu Nazareno.”
E  a “Messa Gaudiosa in onore della B.V. di Lourdes” de Franco Vittadini, nas grandes solenidades do seminário.
Esses compassos nunca deixaram minha bossa musical.
Foi o meu maestro na banda que me iniciou no triângulo, depois o sax-trompa e, por fim, o piston...
E as músicas: Última Inspiração, Luar do Sertão, Saudades de Matão e outras tantas do nosso cacioneiro...
Desfilávamos pelas dependências do seminário e até chegamos a participar de cerimônias da cidade de Aparecida. 
Tenho saudades desse mestre de batina, cinto e rosário suspenso...
...e, na discrição de sua batuta e partitura, estava a mensagem de Deus.....
Que Deus o tenha para sempre, caro mestre!
Antônio Ierárdi Neto
(Tampinha)

Amigo Ierárdi!
Obrigado por nos lembrar sempre figuras que marcaram nossa vidas.
Pe. Délcio Viesse é uma delas. E que figura! E que  marcas deixou!
Mais feliz estou hoje porque, ao celebrar a entrada na vida eterna desse nosso grande mestre na música, celebro a entrada, nesta vida, da caçula das minhas meninas: Maria Cristina.
Um abraço.
A. Bicarato(+)

Que feliz coincidência....
As datas têm muita correspondência e importância em nossas vidas e quando nos apegamos às pessoas, tornam-se inesquecíveis!!!! Um grande abraço!
Ierárdi

Lindo. Lindo, tudo o que aqui está escrito sobre este grande mestre. De Música e de Geografia. 
Na música, aprendi com ele tudo que sei. A ler partitura, a tocar na banda o sax horn. Depois, o trombone de pisto. Ah! que saudade de ser "bandido" da Banda do Santo Afonso. Saíamos para tocar em cidades próximas. Uma vez fomos a Cunha...
Na geografia, é só citar alguma cidade do norte do Brasil que me faz lembrar o Pe. Viesse. Motivo? Acho que foi o assunto da geografia que nos lecionou no longínquo 1964: Região Norte.
E uma perguntinha com a qual brincávamos, jocosa e infantilmente, naquele tempo:
Se o Pe. Viesse viesse, o que o Pe. Faria faria?
Abraços
Antônio Carlos - Sacristão(+).

Caro Tampinha,
Tenho a impressão, de que quando você deu um grito fora do conjunto, ele deve ter quebrado a estante da partitura com um murro bem dado. Ele não tinha muita paciência, não.
Um vez, numa aula de música, não sei porque, ele rachou a mesinha de pau ferro (aquelas mesinhas de madeira negra muito pesada e dura) com um murro, bateu a porta e foi embora.
Aquele organista  Elenir, não sei é esse o nome dele, teve um entrevero muito forte com ele a ponto de o organista quase ter abandonado o oficio de ser organista.
O problema que ele era muito perfeito e tinha um ótimo ouvido, não perdoava desafinamento.
Abraços
Abner(+)

Meu colega e amigo Abner!
Pois é, nós convivemos muito esse espírito quente do saudoso Padre Viesse.
Mas sempre foi estimado e hoje é saudoso.
Isso porque em primeiro lugar naqueles nossos tempos sabíamos distinguir, e muito bem, o que era vaidade e humildade, assim sempre reconhecer quanto estávamos errados.
Em segundo lugar, o Padre Viesse era MÚSICO.
Muito dificilmente se veem músicos calmos e tranquilos.....Eles, pela sua bossa musical e inspiração, são sempre agitados e o nosso querido padre não fugia à regra.
Como mencionei, aquele “pito” foi-me muito produtivo na vida....afinal o que se aprende em primeiro lugar é sempre olhar para si apenas....mas a chamada foi muito importante para perceber que aquele não era o caminho bom...por isso agradeço muito ao nosso estimado maestro!!!!Um forte abraço!
Ierárdi

Caro Tampinha,
Verdade, apesar de seu sangue quente, era bem compreendido e amado por todos, não quis dizer que ele não era bom, era e muito. Na época, fiquei muito triste  ao saber de sua morte, sabia de seus problemas de circulação e que tinha sido operado.Eu nunca sofri reprimenda dele, pelo contrario, só muita atenção e carinho.Abraços
abner(+)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A Confissão. A Misericórdia. O Perdão.

A Interseção. (Lc 23,33)
 
Jesus, na sua vida pública, sempre revelou o perdão do Pai. O perdão foi a marca de sua vida. As primeiras palavras ditas pelo Cristo tão logo pregado na cruz e levantado aos olhos de todos: “Perdoa-os, eles não sabem o que fazem” não se referia apenas aos soldados romanos que acabaram de cravá-lo na cruz ou apenas aos homens que lhe fizeram mal. Tampouco a todos que escarneciam dele. Essa palavra, dita no início dos maiores tormentos que O aguardam, é mais um testamento para Sua Igreja: o grande sacramento do perdão. Jesus na Cruz consegue continuar vendo humanidade em seus verdugos, Ele consegue continuar crendo haver esperança para aqueles que o cravaram e cravam seus semelhantes na Cruz. Nesse grito por perdão, Jesus desbrava a vida, não deixando ser determinada pelos erros do passado. Nasce, da boca do próprio Deus, a promessa do perdão, resultado do amor infinito: O perdão de Deus é sem medidas porque surge de um amor sem medidas. Jesus não pede perdão ao Pai pelos males a Ele impingidos, mas ao mal que os homens fazem a eles mesmos, por tantas vezes sem o saber… Pendente da cruz, pedia perdão pela ignorância dos pecados cometidos, pela maldade causada e desconhecida, pelo mal causado ao próximo injustiçado e sofrido… E perdão por todo homem que peca sem saber a dimensão total do mal que causa! Ele (o homem) não sabe e nunca saberá a dimensão total de sua maldade praticada. Do mal imposto ao próximo. O pecado tem uma dimensão que o homem jamais poderá atingir e compreender. E é sobre essa dimensão, além de sua compreensão, que o crucificado clama por perdão! Não pede perdão pelos pregos que lhe perfuraram o corpo, nem pelos flagelos que o atormentam nesse momento, o perdão que Jesus pede ao Pai é pelos pecados que cada homem comete e cometerá, sem saber de suas verdadeiras consequências. O Deus que se encarnou conhece o homem. Conviveu com ele, sabe de seus medos e de suas deficiências. São seres sempre necessitados de ajuda e alimento espiritual. Precisam continuamente alimentar sua esperança num mundo que teima em limitá-los. Precisam continuamente da benevolência de Deus, da misericórdia infinita de um Deus que tem como limite uma medida ilimitada de amor. O filho de Deus morre intercedendo pela ignorância do homem mau, preocupado e intercedendo por perdão de alguém que comete o mal, sem saber que o faz. Clama ao Pai pelos homens que são incapazes de gritar por si próprios pela misericórdia e nem tão pouco sábios para saber de sua necessidade. Os atores desse mal estavam ali representados pelos soldados romanos que o crucificaram, pelo povo que zombava dele… Pai, perdoa-os, eles não sabem a quem crucificaram! Eles não sabem o valor desse momento e deste sofrimento! Perdoa-os, eles não sabem o que fazem com eles mesmos quando praticam o mal! O momento do sacramento do perdão se avizinha dessa forma. Muitas vezes, o homem não sabe o que confessar porque não sabe a dimensão do mal que fez, do pecado que cometeu, do sofrimento que impingiu. Como se apresentar a Deus repleto desse mal, desse pecado? No momento do confessionário, esse momento de intercessão na cruz se repete: Jesus pede por ele, suplica ao Pai pelos pecados que o homem não sabe que cometeu, portanto, não pode se arrepender, nem suplicar por perdão e misericórdia. Ao subir a cruz, suas primeiras palavras foram para esse mesmo homem que se ajoelha no confessionário e se confronta com sua consciência! É o momento sublime da intercessão do próprio filho de Deus pelo pecador. O perdoa, isentando-o até do arrependimento, porque sabe que muitas vezes desconhece o mal que cometeu. O pecado é e sempre será maior que o homem, por isso precisamos deste momento de Jesus.
Deus sempre será maior que o pecado! 
“O nosso testemunho seria excessivamente pobre, se não fôssemos primeiro contemplativos do seu rosto. Ao retomarmos o caminho de sempre, conservando na alma a riqueza das experiências vividas neste período muito especial, o olhar permanece mais intensamente fixo no rosto do Senhor” 
(João Paulo II, carta apostólica “Novo millennioineunte”, 16). 
Um homem, de joelhos num confessionário ou no silêncio de seu momento com Deus, pede perdão, precisa dessa reconciliação, como afirma o apóstolo Paulo: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20), mesmo sem ter a consciência total do mal praticado. Como então se aproximar de Deus repleto de um mal que não tem consciência de que cometeu? Essa palavra do Cristo, esse momento, é o momento do sacramento da reconciliação, da misericórdia pelo mal ignorado, pelo mal praticado sem consciência de sua dimensão, do sofrimento causado aos demais. É Jesus que não só assume o pecado do mundo, mas se põe no lugar do confidente do penitente num confessionário frente ao Pai. Provoca, pede, suplica o perdão e ao mesmo tempo se oferece como sacrifício, assume a consequência desse mal praticado pelo homem. 
Aquele que confessa os seus pecados e os acusa, já está de acordo com Deus. Deus acusa os teus pecados; se tu também os acusas, juntas-te a Deus. O homem e o pecador são, por assim dizer, duas realidades distintas. Quando ouves falar do homem, foi Deus que o criou: quando ouves falar do pecador, foi o próprio homem quem o fez. Destrói o que fizeste, para que Deus salve o que fez. Quando começas a detestar o que fizeste, é então que começam as tuas boas obras, porque acusas as tuas obras más. O princípio das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à luz,
(Santo Agostinho, In Iohannis evangeliumtractatus, 12, 13: CCL 36, 128 (PL 35, 1491)
Cada momento de Jesus no alto do madeiro é uma frase histórica, um ponto final e definitivo de sua missão. É chegada a hora de voltar ao Pai, de retornar aos seus braços com a humanidade como oferta de amor: a criação foi redimida, foi perdoada, retorna à casa do pai onde um dia saiu pelo pecado da soberba. Não sabia o que lhe reservava o externo do paraíso. Não sabia do suor de sua fronte, das dores do parto, do mal que a cada minuto lhe seria proposto… Não sabia. Nas palavras, “Pai, perdoa…” Ele pede ao Pai por todos naquele minuto de cruz! Na Redemptorhominis o Papa escreve de um “direito” que o crente possui diante de Deus, o direito de ser perdoado: 
É o direito a um encontro mais pessoal do homem com Cristo crucificado que perdoa, com Cristo que diz, por meio do ministro do sacramento da reconciliação: ‘Os teus pecados estão perdoados’; ‘Vai e de agora em diante não tornes a pecar’. Como é evidente, isto é, ao mesmo tempo o direito do próprio Cristo em relação a todos e a cada um dos homens por ele remidos. É o direito de encontrar-se com cada um de nós naquele momento-chave da vida humana, que é o momento da conversão e do perdão (RH, nº 20). 
O retorno ao Pai torna-se, nesse momento, uma realidade. É o caminho de volta que se abre ao homem. A eternidade que lhe é oferecida num ato de amor. Não havia outra maneira de reconciliar o homem com Deus: o amor oferecido só pode ser dado num ato de amor de igual dimensão: o amor do filho de Deus ao homem oferecido ao Pai num momento em que este assume o mal que o pecado cometido causa. 
“Tenhamos os olhos fixos no sangue de Cristo e compreendamos quanto Ele é precioso para o seu Pai, pois que, derramado para nossa salvação, proporcionou ao mundo inteiro a graça do arrependimento” .[1]
[1]São Clemente de Roma, Epistula ad Corinthios 7, 4: SC 167, 110. Extraído do CIC 1432.
DR. SÉRGIO RIBARIC