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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

A FÉ EM NOSSO TEMPO

Nasci católico, fui batizado, crismado, fui coroinha, frequentei um seminário por sete anos. A realidade me transformou, a fé me levou a outros horizontes, procurei no universo aquele Deus criador, não encontrei, entendi, então, que ele se evidencia e é representado em cada astro no céu, nos trilhões de estrelas, nos bilhões de anos luz que nos confundem e levam nossa mente à meditação que não entende o infinito, as profundezas dos céus. Assisto, quase que diariamente, pela tv, à missa de Aparecida . É tão simples, Deus está ali, Ele está em todo o universo, mas se apequena em uma hóstia. A fé é uma graça.Alexandre Dumas
Boa noite caríssimo octogenário. Além de tudo fazer parte das graças, digo-lhe que é um dom de Deus. Deus que é onipresente, onipotente e oniciente. Amanhã é a Festa de Cristo Rei, fim do Ano Litúrgico. Dentre poucos dias podemos estar falando: feliz ano novo. Abr. Adilson Jose Cunha 
Adilson Jose Cunha, que bom estar com você, partilhar, trocar experiências, comungar a mesma fé , a esperança nos une.Alexandre Dumas 
Adilson...por que CRISTO REI? Explique para nós, caro diácono!!!!!! Veja o belo pensamento do Padre Luiz Carlos de Oliveira, redentorista : "Onde há amor, doação ao irmão, aí há o Reino de Deus." Penso ser Ele Rei desse Reino!!!!!Ierárdi Neto 
Cristo Rei do Universo Escutei uma reflexão em a qual se atinava sobre o Universo. Que o Universo é constituído de muitas galáxias e, que a nossa, chamada de Via Láctea, tem muitas estrelas. Falou-se no Sistema Solar, cujos planetas rodam em torno do Sol. Que a Terra é a terceira na sucessão. Insinuou-se que Cristo é o Rei. Enquanto ouvia a explanação, minhas ideias voavam. Em um dia destes, lia algo sobre o Sol, a estrela de 5ª grandeza. O autor da matéria falava sobre a implosão da estrela rei. Isso mesmo: sobre a destruição da estrela responsável pela vida no planeta Terra. Imaginem: sabendo que a velocidade da luz é de trezentos mil quilômetros por segundo e que do som é de 240 metros por segundo, poder-se-ia fazer essa relação? Se o Sol está a pouco mais de oito minutos luz da Terra, a implosão seria escutada há quanto tempo? E a luz? Qual aconteceria primeiro? Qual dos órgãos do sentido seria o último a sentir a implosão? Alan Alves Brito, professor no Instituto de Física da Universidade Federal do RS afirmou: “Ele então se apagará e se resfriará lentamente, até morrer, como uma anã branca, uma estrela compacta e pequena. O que determina a vida e a morte das estrelas é, sobretudo, a massa. Quanto maior a massa, menor o tempo de vida da estrela”. O Sol se apagará dentro de alguns bilhões de anos. Transformar-se-á em uma estrela gigante vermelha, quando seu núcleo se converterá hélio em carbono. Após isso, engolirá os planetas ao seu redor: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Aí é o fim da Terra. Por enquanto, o fim do mundo está distante, nada menos que um bilhão de anos. Cristo continuará dominando o Reino da Terra e, por conseguinte, o Universo, bem como a natureza. Tudo está debaixo dos seus pés, não nos esquecendo de que a natureza vai continuar cobrando os desmandos humanos. A liturgia de hoje propõe celebrar Cristo, Rei do Universo. Lucas relata a passagem do malfeitor arrependido. É evangelho dentro do evangelho. Mergulhar no mistério da cruz, maior perdão que marca a crucificação, a misericórdia absoluta pelos pecadores. Jesus é zombado. Primeiro pelo chefe dos judeus. Salve a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido. Ele não seria o enviado de Deus, ungido para libertar o povo de Israel? O segundo escárnio está na boca dos soldados. Submetidos a um rei. Não conseguem compreender o que estão fazendo os imperadores romanos. Uma terceira vez é desenhada com a ironia que acompanha a cruz. Estava crucificado como um malfeitor e não tinha aspecto de rei. Acima está escrito: Este é o rei dos Judeus. Lucas insiste na proclamação da inocência de Jesus, atestado por Pilatos: “Eu não vejo neste homem culpa alguma”( Lc.23,4). “ mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte, irei portanto castiga-lo e depois, soltarei” ( Lc. 23,22). O malfeitor, crucificado ao seu lado, Dimas, o bom ladrão, reconhece n’Ele, o Cristo: “lembra-te de mim quando estiveres no paraíso”( Lc.23,42). Ao que Jesus respondeu: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. (Lc.23, 43). A atenção de Jesus no momento mais crítico da história da salvação é direcionada para o pequeno que pecou e precisa de perdão, da mesma forma que o Pastor se preocupa para com a ovelha desgarrada. ( Lc.15, 6). Jesus age com misericórdia e com amor. Mostra que a cruz não é o fim, mas se torna caminho para aqueles que O aceitam, na fé. Em Jesus crucificado uma nova chance de salvação. Do seu trono, a cruz, ele pronuncia o julgamento de Deus sobre os inimigos: perdoa e doa o Reino aos malfeitores. É um rei que exerce o seu domínio, servindo. Exerce o seu poder, amando, e ama até a morte. Que seria de nós se crêssemos em um Deus que nos deixasse mergulhados em nossos pecados? Como cristãos que somos devemos sempre invocá-Lo, pedindo a Ele perdão dos nossos pecados tendo uma postura de misericórdia para com todos aqueles que nos ofendem. Adilson José Cunha 
Adilson Jose Cunha, obrigado meu colega/amigo/diácono....que linda exposição sobre este título de hoje CRISTO REI! Que belo trecho para refletir e usar: "Do seu trono, a cruz, ele pronuncia o julgamento de Deus sobre os inimigos: perdoa e doa o Reino aos malfeitores. É um rei que exerce o seu domínio, servindo. Exerce o seu poder, amando, e ama até a morte."Ierárdi Neto 
Vocês não se tornaram padres, não sei porquê, mas deveriam ter se tornado, mas em fim, Deus sabe o que está fazendo. Eu não seria um bom padre, então fico nas rebarbas. Abner Ferraz de Campos 
Meu colega Abner...está chegando agora o polêmico...o contraditório... mas sempre muito bem intencionado! NÓS não nos tornamos sacerdotes.... somos seminaristas egressos, antigos seminaristas... Entretanto temos valor semelhante, e até em alguns casos superior, àqueles que se consagraram... Isso porque formamos famílias na religião e cultura e dessas famílias originar-se-ão outras mais no melhor sentido da vida... Assim, não concordo que esteja nas rebarbas quando não se tornou padre, pois hoje, com toda certeza, e bem conheço, é um chefe exemplar de família...e o filhão segue o seu exemplo!!!! Olhe considero-me plenamente bem realizado em todos os sentidos... essa é a minha missão....Ierárdi Neto
Ierárdi Neto, é como dizia o Libardi: muitos de vocês poderiam estar em nossas fileiras. Só não estão por capricho dos formadores. Eu digo: muitos que ficaram poderiam não estar, dão contra testemunho. Como disse aquela santa do sertão pernambucano: é padre, vc não vê porque ele não está em estado de graça. Adilson Jose Cunha 
Caro Ierardi, vocês são exemplos de católicos verdadeiros para todos e principalmente para mim. Quando entrei no Seminário vocês para mim já eram quase padres, pois estavam indo para o Seminário Maior em Tietê. As rebarbas que eu digo são só para mim, que sou católico por força da criação e formação e sei que o catolicismo é a primeira Igreja e muito bem fundamentada. Só pelo fato de ter a Santa Missa e o Sacramento da Eucaristia já é sinal de sua origem divina. Outras são apenas variantes. Todos nós sabemos a origem do catolicismo “ Tu es Petrus ET super hanc Petram aedificabo Eclesiam meam” Isso para mim é tudo. Eu não sigo nenhuma religião, mas defendo com unhas e dentes o Catolicismo que para mim é a verdadeira. Os motivos pelos quais não sigo, são de cunho pessoal e se receber a comunhão eu sei que estou profanando um sacramento que é o mais sagrado. E por força dos próprios ensinamentos da Igreja não posso fazer isso. Concordo quando você diz que somos até maiores que alguns que se formaram, isso é verdade, pois chegam a pedir proteção a Deus e Nossa Senhora para proteger bandidos e ladrões ligados ao Socialismo e suas ideias, como por exemplo controle da mídia e da Internet e desarmamento da população para fins de dominação; há também muitos ex que seguem a mesma linha, embora sejam de missas dominicais. Abner Ferraz de Campos 
Abner, que belo comentário! Aproveito para refletir o final da mensagem....Vejo hoje por exemplo Kardec, Chico Xavier, Eurípedes Barsanulfo, Divaldo Franco... No nosso tempo éramos orientados para fugir da Doutrina Espírita por ser grande fábrica de loucos... Entretanto vejo nela muita resposta espiritual e base incondicional prescrita por Jesus no Evangelho: AMOR! Como tenho já reportado anteriormente, mantenho a minha fé Católico/Romana(Vaticana) mas, por essa mídia televisiva, radiofônica, impressa e ainda de púlpitos, perdi a confiança. No nosso tempo beijava a mão do sacerdote por saber que ela nos trazia o Cristo...hoje não acredito que isso persiste(exceções são raras!)... Além de tudo quando Cristo diz: "Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" um bispo vem às câmeras, provoca o governo...um deputado reage de forma lamentável e a CNBB processa... e os católicos fazem desagravos ao bispo provocador... Como confiar? Deixo que minha boa consciência me oriente e mantenha aquilo que um dia aprendemos em nossos tempos salutares... Enfim, meu amigo, boa essa oportunidade para manifestar-me, embora até alguém possa nominar-me herege!!!!!(Ainda bem que hoje não vamos para a fogueira!)Ierárdi Neto

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

ELES NOS PRECEDERAM e VIVERAM CONOSCO - PE. CONRADO (MARIA) KOHLMANN CSsR e IR. PLÁCIDO (JOSÉ SCHAFFLEITNER) CSsR

PE. CONRADO (MARIA) KOHLMANN CSsR 
+28 de OUTUBRO 1944 
Outro grande missionário que muito realizou e sofreu pela nossa Província. Era da cidade de Seisling (Alemanha) onde nasceu a 5 de fevereiro de 1879. Desde criança mostrou desejo de ser Padre e, logo que pôde, ingressou no Juvenato da Província- Mãe, professando em 1903. Foi ordenado em 1908, vindo no ano seguinte para o Brasil. Era seu sonho dedicarse logo às missões; mas a obediência o colocou no Juvenato de Aparecida como Diretor e Professor. Mesmo assim, sempre que possível, lá estava ele na igreja, auxiliando nas confissões e batizados. Em 1921 foi para Campininhas, e, aliando sua ótima saúde a um zelo extraordinário, percorreu todo o sul de Goiás num contínuo apostolado. Não conhecia cansaço nem dificuldades; sempre a cavalo, fazia quantas léguas fossem necessárias para atender a um doente que o solicitasse. Os perigos que enfrentou pelo sertão: a fome, a sede que muitas vezes teve de suportar, o trabalho das contínuas pregações, as noites em claro, foram capítulos que só Deus conhece, escritos como foram “in libro vitae”. De 1936 a 1941 trabalhou nas Missões do Estado de São Paulo. Durante esse tempo foi também superior de Pindamonhangaba, onde muito fez para valorizar o terreno: o dia todo lá estava ele de enxada, picareta ou machado à mão, para dar ao noviciado a horta, o pomar, os caminhos ou avenidas que embelezariam a casa. Mas nem por isso se esquecia das missões; estava em todas, sempre com o mesmo entusiasmo e piedade. No entanto, seu sonho era voltar para Goiás, onde se sentia melhor em meio ao povo simples. E era lá que ele desejava terminar os seus dias. Em 1942, todo feliz, regressou às missões em terras goianas. Sua saúde, porém, já não era a mesma. E quando notou que já não podia mais continuar como superior de Campinas, renunciou ao cargo, passando a viver no silêncio do seu quarto. Esse descanso forçado, com a certeza de que o fim se aproximava, foi uma dura penitência para o seu zelo; mas ele a aceitou, apegando-se à oração, no quarto ou na capela, e apoiando, com todo entusiasmo, o trabalho missionário de seus colegas. Com o coração bastante fraco, passava noites em claro, mal podia respirar. Assim foi que ele viveu seus últimos dias, entre a vida e a morte, recitando contínuas jaculatórias que bem revelavam a sua conformidade e grande esperança. Em 28 de outubro de 1944, ele rezou, com o Irmão que o assistia, das oito às onze horas da noite, quando entrou em agonia. Algumas horas depois expirou. Levava consigo para a eternidade o mérito alcançado de trinta e cinco anos de intenso apostolado.
IR. PLÁCIDO (JOSÉ SCHAFFLEITNER) CSsR
+28 de OUTUBRO 1953 
Era austríaco, nascido a 1º de maio de 1877. Ingressando na C.Ss.R. em 1901, fez os votos a 3 de maio de 1906 em Aparecida, três anos após sua chegada ao Brasil. Um Irmão que trabalhou em todas as nossas casas daquele tempo: Aparecida, Penha, Araraquara, Cachoeira do Sul e Campinas (GO). Alegre, piedoso, e muito dedicado ao trabalho, Irmão Plácido foi sempre muito estimado pelos confrades, pelo otimismo e felicidade que irradiava. Com uma certa facilidade para escrever, deixou-nos um interessante “Diário” da sua vida na Alemanha, desde que ingressou na C.Ss.R. e, no Brasil, até junho de 1905. Em outubro de 1931 renunciou (por escrito) a viagem-recreio que podia fazer à Alemanha, talvez com medo de não poder mais voltar para o seu querido Goiás. Numa carta ao Provincial, em 1935, ele diz alguma coisa da sua vida em Campininhas: “Graças a Deus, há 32 anos que estou no Brasil, sempre alegre e satisfeito. Além dos sofrimentos que todo mundo tem, já caí três vezes da escada, ao apanhar laranjas; tive maleita durante três anos e meio; por ocasião da festa em Trindade quase fui morto a pauladas; além disso fui picado por uma jararaca (1934) e, outra vez, picado por uma jaracuçu (1935). E, para encher as medidas, estou agora com uma úlcera no estômago. Como V.R. pode ver, o sofrimento é meu signo neste mundo miserável. Mas, apesar de tudo, vivo contente e feliz aqui em Campinas”. E, pressentindo a morte, ele diz ainda: “Será que vou logo para o cemitério? Isto seria para mim o fim deste mundo, e seria muito bom, tanto para mim, como para os outros, pois já não sirvo mais para muita coisa”. — E mostra-se consolado ao dizer: “Graças a Deus que vou morrer aqui, e já estou vendo que isso não vai demorar muito”. — Mas ainda demorou um pouco. E seus últimos anos foram de muito sofrimento. Sempre alegre, porém, conformado, esperou pela morte, até que ela chegou, a 28 de outubro de 1953, em Campinas como ele sempre desejara.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR 

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

ELES VIVERAM CONOSCO- Padre Roberto Alves Escudeiro CSsR

 Padre Roberto Alves Escudeiro CSsR 

†22 de outubro/2007 
No dia 15 de maio de 1929, em Santo Amaro, na Grande São Paulo, nasceu o menino Roberto, filho de Cláudio Alves Escudeiro e Noêmia Borba. Logo que teve o desenvolvimento necessário começou a trabalhar na marcenaria do pai, tornando-se um profissional de qualidade. Mais tarde, como seminarista e mesmo como sacerdote, soube empregar sua competência em inúmeros trabalhos. Bom marceneiro e entalhador, tinha notável facilidade também para criar ferramentas e descobrir novos processos de atuação. Ele ingressou no Seminário Redentorista Santo Afonso em fevereiro de 1943, quando contava treze anos de idade. Terminados os estudos dessa etapa de formação, passou para o Noviciado em Pindamonhangaba, em 1º. de fevereiro de 1950. No dia 2 de fevereiro de 1951 fez sua consagração religiosa. Estudou Filosofia, Teologia e matérias afins no Seminário Santa Teresinha em Tietê. Foi ordenado presbítero por Dom José Carlos de Aguirre, bispo de Sorocaba, na igreja anexa ao seminário, no dia 25 de janeiro de 1956. Suas atividades pastorais desenvolveram-se primeiro como cooperador nos Santuários da Penha na cidade de São Paulo e em Aparecida e também em Araraquara. Passou em seguida para as atividades de magistério nos Seminários Menores de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, de Sacramento, no Triângulo Mineiro, de Aparecida e Tietê, em São Paulo. Depois de 12 anos como professor, foi designado para as atividades pastorais nas paróquias de Araguapaz e Cruzelândia, ambas na Diocese de Rubiataba em Goiás. Integrou aí outros 12 anos de vida, retornando em 1994 para a Província de São Paulo. Colaborou no atendimento aos romeiros de Aparecida até 1998, ano em que foi transferido para a comunidade do Seminário São Geraldo, no Potim. Lá continuava com a missão de colaborar com a equipe do Santuário Nacional de Aparecida. Nas horas vagas entretinha-se na marcenaria do Seminário ou viajava para o Mato Grosso do Sul para atividades pastorais e descanso. Celebrou o jubileu áureo de Vida Consagrada em 2001 e de sacerdócio em 2006. De temperamento calmo e pacífico, usou sempre sua privilegiada inteligência mais para as atividades práticas. Teve sempre ao seu redor um acúmulo de peças e de objetos que adquiria no comércio de bens de segunda mão, prevendo constantemente a hipótese de poder utilizá-los em algum projeto. Em dezembro de 2006 sofreu no Hospital Paulistano uma intervenção cirúrgica no cérebro. Medicamentos e radioterapias não conseguiram evitar a difusão do tumor maligno e das sequelas da perda progressiva dos movimentos e da consciência. Os cuidados possíveis e as atenções necessárias ele os recebeu nas Comunidades do Potim e do Santuário em Aparecida. Com 78 anos de idade, dia 22 de outubro de 2007 por volta das 19,00 horas cessou sua caminhada terrena. Foi sepultado na tarde do dia seguinte, depois da missa concelebrada pelos confrades no Santuário Nacional.
Boa tarde a todos. Diretor espiritual de minha turma em Tietê. Convivi com ele nos anos de 1970 a 1972. Grande homem, grande padre, grande amigo e conselheiro. Muito inteligente. Sempre pronto para ajudar. Saudades eternas. ​Ubaldo
Já contei uma historinha sobre o Escudeiro em outro segmento onde existe referência a ele. Quero tentar repeti-la aqui neste quadro preparado em sua homenagem. Entrei no Colegião em 1949 e lá o encontrei na sétima série, junto com o Cabral, Orlando Furlani, Aranha, Shimit e outros. Obrigaram-me a escolher um instrumento musical a que me dedicar já nos primeiros dias de seminário. Em minha casa, existia um violino, propriedade de meu irmão Orlando que tinha aulas com seu amigo e contemporâneo maestro Barreto. Existiam opções como harmônio, piano, bandolim, violão e violino. Optei pelo último, quem foi meu primeiro professor ? Escudeiro ensinou-me os primeiros acordes, as notas que correspondiam às cordas daquele instrumento :- "SOL - RÉ - LÁ - MI " Assinalamos, com um pequeno corte, a posição do "DÓ" . Entregou-me o violino dizendo que fora feito pelo seu pai, exímio marceneiro, e era de minha responsabilidade conservá-lo enquanto permanecesse no seminário. Ao longo de sete anos, o instrumento ficou comigo, padre Barbosa, meu primo, ensinou-me alguma coisa mais, aprendi a tocar Ave Marias, Reverie e outras músicas religiosas da Harpa de Sião. Em cerimônia acontecida na inauguração da capela, em 1954, Escudeiro, estudante de teologia, esteve lá com todos confrades de Tietê. Pediu-me o violino e entregou-o ao pai do Artur Pisani, ali presente. Naquele dia memorável, tive o prazer de ouvir melodias clássicas produzidas através daquele instrumento que só era usado para acordes desafinados. Guardei-o com mais carinho, conscientizado de sua capacidade de produzir sons mais harmônicos que aqueles acontecidos no meu dia a dia. Pois bem, passados muitos anos, encontrei-me com o Escudeiro em uma Eneser, referi-me ao instrumento, dizendo-me fiel guardião até minha saída do seminário. Ele lamentou dizendo que nunca mais o vira. Que pena ! Termino minha referência a esse meu colega, por pouco tempo, em nossa vida monástica no "Colegião", lembrando sua ligação à língua grega da qual fora posteriormente professor no seminário. Recitava eu a primeira estrofe da Eneida :- "Andra Poi Enepe Musa, Politropon Ros Mala Pola" Ele sorria marotamente e se deliciava em continuar aqueles versos, em grego, por um tempo que sua prodigiosa memória permitia relembrar o delicioso poema.Alexandre Dumas
Meu amigo, mais esta importante lembrança vai registrada neste nosso blog TÁVOLA REDONDA DOS SEMINÁRIOS - Vale ainda o registro do violino....lembre-se que um dia publiquei uma de minhas fotos no SRSA com um violino que minha saudosa mãe adquirira para mim com muito sacrifício...e você imaginou que aquele seria o violino que era presente de seu irmão Orlando...Evidentemente houve uma pequena confusão que foi posteriormente elucidada entre nós....Ierárdi

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - ASTROLOGIA -

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)

Podemos acreditar na astrologia?

A astrologia, como estudo da natureza, dos corpos celestes e de suas relações entre os acontecimentos terrestres e humanos, já existia entre os habitantes da Mesopotâmia (séc. IV a.C.). Ela é a mãe da atual astronomia.
Sem dúvida, temos de reconhecer o valor da astronomia. Não se trata de adivinhação do futuro, mas de previsões dependentes de leis físicas. Por outro lado, é preciso admitir a influência dos corpos celestes, uns sobre os outros. Assim vemos a ação da gravidade, as radiações, a força da lua sobre as marés e cortes de madeira, plantio, colheitas etc.

Olhando esses aspectos, poderíamos dizer ou prognosticar que nossas ações e comportamentos também sofrem influência da ação dos astros. Mas temos de parar por aqui, embora tudo pareça ser muito verdadeiro e até tenha coincidências impressionantes.

A astrologia é um amontoado de afirmações gratuitas e, às vezes, incoerentes. Basta ler os jornais e revistas, comparar as tabelas de horóscopos, para perceber que são invenções, porque eles não batem entre si, um fala diferente do outro.

Dessa forma pessoas nascidas sob o mesmo signo deviam comportar-se de maneira igual. A pessoa humana é complexa demais para ser lida de forma tão simples e banal. O que engana são as coincidências, que sempre vão existir na vida. Se os astros têm alguma influência, isso não nos dá o direito de concluir que eles determinem e decidam por nós o futuro a ser construído. Então, não seria possível falar em liberdade do ser humano, teríamos de nos submeter a um determinismo irracional.
Não se trata de negar as influências do ambiente cosmológico. Todos sentimos as mudanças de tempo, estações, das condições meteorológicas sem, contudo, admitir o determinismo meteorológico que decide o comportamento das pessoas.

No mundo de hoje, sabemos que as pessoas não são levadas por uma ética ao lutar pela sobrevivência, pouca gente se preocupa com um modo digno de arrumar a vida. Há muita exploração, principalmente dos incautos e despreparados. Essas especulações respondem a um primitivismo de quem se sente bem em viver sob o medo ou sob o mistério. Por isso mesmo são presas fáceis de especuladores inescrupulosos.

Para se viver hoje é preciso ter os pés no chão e ter alguns critérios que ajudem no discernimento. Há muitas promessas, alarmes falsos, facilidades e acenos de bem-estar por preços módicos. A vida não é tão fácil e insignificante, é sabedoria ler a vida e projetar o futuro.

Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.


DO SITE :http://www.redemptor.com.br

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! BATISMO - PARTE V -

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
Para que servem os padrinhos de batismo?
O batismo é o sacramento que nos introduz no ministério de Cristo. Pelo batismo somos recebidos como filhos de Deus; nascemos de novo e iniciamos a plenitude da vida em nós na comunhão com o Pai, Filho e Espírito Santo.
É também a nossa entrada ao povo de Deus que é a Igreja. Aceitamos Jesus, queremos viver o que Ele ensinou e vamos ensinar aos outros o Evangelho que vamos aprendendo e vivendo. 
Dada a importância desse sacramento, a Igreja pede que os pais assumam um verdadeiro compromisso de dar um exemplo cristão de vida e ensinamento, pelo menos, dos rudimentos da fé. E pede padrinhos e madrinhas ao lado do batizando para auxiliar os pais na tarefa da educação na fé. São ou devem ser pessoas que tenham uma vivência de seu batismo, sejam comprometidas com a comunidade, aptas para desempenharem sua missão ao lado do afilhado na sua formação humano-cristã, quer pelo exemplo de vida, quer pela presença cristã ao seu lado.
Quando não se sabe disso, as pessoas convidam para padrinhos e madrinhas os menos recomendáveis, ou pessoas boas e idosas, doentes, como uma atenção especial ou para lhes mostrar uma amizade maior. Aí aparecem aqueles que não têm nenhuma vivência cristã, pessoas sem compromisso com sua fé e com sua comunidade. Os idosos, dentro de pouco tempo ou na época que o batizando mais precisa, já morreram ou não estão mais lúcidos e capazes de acompanhá-lo na educação da fé.
Os que não vivem a sua fé, não possuem valores para transmitir nem exemplo para dar e nem moral para falar e menos vontade de cumprir seu encargo. Para que servem esses padrinhos e essas madrinhas?
É tempo de os pais perceberem e fazerem uma melhor escolha de padrinhos, encontrando pessoas capacitadas para o exercício de sua missão que é acompanhar, motivar, orientar o afilhado. Eles adquirem um grau de parentesco muito próximo dos pais e deverão assumir o afilhado se os pais falharem ou vierem a faltar.
Por isso mesmo devemos acabar com essa pretensa prática de condecorar parentes ou amigos entregando a eles seus filhos. Seria bom que acabassem o costume de se ter uma lista enorme de afilhados. Cada um deve ser consciente de sua obrigação e até mesmo recusar algum convite de ser padrinho e madrinha. Não é pecado recusar e nem falta de consideração, mas é a consciência do que se pode e consegue fazer.
Não aceitar nessas condições é ser lúcido e consciente de suas possibilidades e poder de acompanhar o afilhado.
Os pais que analisem melhor e façam uma escolha mais pensada. Ser padrinho e madrinha não é recompensa para os avós e muito menos para tias que nem sequer dão conta de suas obrigações religiosas e ainda querem cuidar dos outros.
Se os padrinhos e madrinhas assumissem sua missão na ausência dos pais, não haveria tanta criança desamparada na rua.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - BATISMO - PARTE IV

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
É válido o batismo em outras Igrejas?
Encontramos dificuldades com os que foram batizados em outras Igrejas, e a falta de conhecimento faz com que se fale em batizar de novo quem já foi batizado validamente. O Direito Canônico diz: “Aqueles que foram batizados em comunidade eclesial não-católica não devem ser batizados sob condição... a não ser que haja séria razão para duvidar da validade do batismo” (Cân. 869 § 2).
I. Diversas Igrejas batizam validamente. No Brasil foi feita uma pesquisa sobre o modo de conferir o batismo nas comunidades acatólicas atuantes, e o Secretariado Nacional de Teologia concluiu que muitas Igrejas batizam validamente. São elas:
a) Igrejas orientais (Ortodoxas que não estão em comunhão plena com a Católica Romana, das quais, pelo menos seis estão no Brasil).
b) Igreja Vétero-católica
c) Igreja Episcopal do Brasil (Anglicano)
d) Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
e) Igreja Evangélica Luterana do Brasil
f) Igreja Metodista
II. Há Igrejas que embora não justifique nenhuma reserva quanto ao rito batismal prescrito, contudo, devido à concepção teológica que têm do batismo, alguns pastores, segundo parece, não manifestam urgência em batizar ou em seguir exatamente o rito batismal prescrito. Também nesses casos, quando há garantias de que a pessoa foi batizada segundo o rito prescrito por essas Igrejas, não se pode rebatizar nem sob condição. São as seguintes:
a) Igreja Presbiteriana
b) Igreja Batista
c) Igreja Congregacionista
d) Igreja Adventista
e) A maioria das Igrejas Pentecostais (Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Deus é Amor, Igreja Evangélica Pentecostal “O Brasil para Cristo”).
III. Há Igrejas de cujo batismo se pode duvidar prudentemente e, por esta razão, requer-se, como norma geral, a administração de um novo batismo, sob condição. São essas:
a) Igreja Pentecostal Unida do Brasil
b) Igreja Brasileira
IV. Com certeza, batizam invalidamente:
a) Testemunhas de Jeová (negam a fé na Trindade).
b) Ciência Cristã (o rito que praticam tem matéria e forma certamente inválidas).
c) O mesmo se pode dizer de certos ritos que, sob o nome de batismo, são praticados por alguns grupos religiosos não-cristãos, como a Umbanda.
Para provar a administração do batismo, basta a declaração de uma testemunha insuspeita ou o juramento do próprio batizado, se recebeu o batismo em idade adulta (cf. Cân. 876).
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
Do site: http://www.redemptor.com.br(2009)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - BATISMO-III -

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
Não sou casado, posso batizar meu filho?
Dada à situação em que vivem muitos casais, essa é uma preocupação e uma pergunta constante.
Não há normas canônicas que impeçam ou dificultem; há orientações pastorais um tanto exigentes que alguns sacerdotes transformam em leis.
Deve haver compreensão dos dois lados e deve haver também um diálogo que esclareça as situações e posições criadas.
Todos sabemos da importância do sacramento do batismo e do compromisso que dele nasce. Não tem mesmo sentido alguém pedir o batismo para seu filho, se ele mesmo não se compromete e não se esforça em viver o seu próprio batismo com os seus compromissos. É melhor deixar a criança crescer e fazer a sua própria opção mais tarde.
Ela será batizada, quando criança, mas não tem alcance de saber ou de viver sua fé pela falta dos pais que não são religiosos.
Por outro lado, sabemos de situações em que as pessoas não podem se casar no religioso, outros nem devem se casar, pois falta a um deles as condições necessárias. Isso acontece muito entre os recasados.
Uma conversa direta com o pároco, não com a secretária, pode esclarecer o fato, e o padre pode averiguar a verdade, inclusive a situação religiosa desses pais.
Convém também dizer que há muitos batizados que não deviam ser feitos, pois o que aparece de pais e padrinhos, não oferece a mínima condição para um sacramento. É gente que está aí porque é costume batizar e fazer a cerimônia.
Os tais cursos de batismo dão uma boa catequese, mas essas pessoas são tão despreparadas que não conseguem captar o que lhes é falado. Fazer o que nessa hora?
Quem procura o batismo para seu filho devia ter um bom relacionamento e poder dizer ao pároco com sinceridade: “Queremos batizar nosso filho na fé que nós temos e vivemos”.
A criança, às vezes, vira uma boneca nas mãos de pessoas despreparadas. Sem falar daqueles que já chegam com pressa e querem tudo rápido e, se possível, com muitas fotos e sorrisos.
O pároco pode batizar seu filho quando percebe que há uma reta intenção, há uma vida cristã entre os pais e entre os padrinhos, dessa forma ele tem certeza de que não administra em vão um sacramento tão importante.
Sendo consciente, a pessoa livra-se de embaraços desagradáveis. Do contrário, não coloque seu filho numa fria: numa Igreja em que você não vive, numa fé que não lhe diz nada.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.

Do site: http://www.redemptor.com.br

domingo, 25 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - BATISMO-II -

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
Filho de mãe solteira pode ser batizado?
Quanta dor de cabeça para os párocos e quanto descontentamento por erros das duas partes, erros que poderiam ser evitados se não tomassem posições extremas.
As mães e familiares devem compreender a razão das normas em certas paróquias que não aceitam batizar filhos de mãe solteira. A Igreja toma algumas atitudes com as quais não se condenam as mães solteiras, mas se pede que elas tomem uma nova posição, façam uma reflexão e vejam que devem mudar de vida. Hoje batiza um, amanhã outro, depois de amanhã vem um terceiro.
Se quer batizar, mostre que já refletiu, já deu novo rumo a sua vida. Um erro se entende, mas a repetição mostra a imaturidade da pessoa, o que também vai impedir de educar cristãmente o filho.
Da parte dos párocos precisa haver mais flexibilidade e mais compreensão. Não se pode transformar uma orientação da Igreja em lei, porque “nenhuma lei feita pelo homem tem o poder para obrigar a consciência, se for arbitrária” (Bernhard Häring). Se não nos detivermos para examinar caso por caso, estamos sendo arbitrários. Não se podem deixar tais casos ao critério e exame de uma secretária paroquial, a quem não se tem obrigação de abrir a consciência. A missão da Igreja é acolher e não excluir, e se evangeliza muito mais acolhendo que excluindo.
Com a preocupação de dar uma boa formação, acaba-se tornando a Igreja intolerante, antipática e exclusora dos que a procuram em situações menos regulares.
Todos nós sabemos a concessão do Direito Canônico: a mãe que apresente padrinhos responsáveis que possam responder pela criança. Eles vão encaminhar essa criança e ministrar a ela uma boa formação religiosa. Serão responsáveis em lugar dos pais. Para que servem os padrinhos?
Não queremos nivelar os casos ou desvalorizar as normas pastorais que todas as paróquias devem ter; sentimos que todos devem observar essas normas, que deverão conduzir as pessoas a uma sólida formação e a uma vida de comunidade. Mas sentimos também que esses assuntos e normas suportam bem maior flexibilidade.
A rigidez nesses casos nos aproxima muito dos fariseus, que “carregam os ombros dos outros com pesados fardos que eles mesmos não podem suportar”. Vejam o caso dos filhos de “padres casados”, sem ter a situação pessoal regularizada; como os colegas os passam por baixo do pano sem escrúpulo algum. Por que não passar os outros também pelo mesmo buraco do pano?
A intolerância lembra a advertência de Jesus aos fariseus: “Vocês ficam na porta, não entram e não deixam os outros entrarem”.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.

sábado, 24 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - BATISMO-I -

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)

Batismo de criança é uma graça ou uma imposição?
Quanta gente se vê apertada quando é questionada sobre o batismo de criança. Realmente parece estranho batizar quem não entende e não é convicto do que acontece no batismo.

O batismo, como a própria vida natural do homem, é um dom de Deus, uma graça que o torna seu filho. Se não é uma injustiça que Deus nos tenha criado sem ter nosso consentimento, assim é necessário reconhecer o direito de Deus expressar seu amor no fato de nos chamar para nos tornarmos seus filhos. É certo que Deus quer filhos livres, por isso a Igreja aconselha a batizar filhos de pessoas que tomem a responsabilidade de educar cristãmente as crianças, até que elas possam assumir por si mesmas a realidade do batismo.

Só tem sentido batizar crianças que nos dão a garantia de uma sadia formação religiosa. Quando os pais e padrinhos não assumem nem sua vida religiosa na comunidade, é sinal de que não vão assumir também a orientação dos filhos e afilhados.

Já foi o tempo em que ficávamos preocupados em batizar a todo o custo. Hoje entendemos que, se for da vontade de Deus, ele salvará a criança de outro modo. Mas batizar só para batizar ou para não ficar doente, isso não se faz. Quando a criança se tornar adulta, vai tomar uma decisão por si mesma.

Seria muito gratificante participar de uma celebração de batismo, onde todos compreendessem o que se passa nessa hora e tivessem uma fé atuante na comunidade. Essas crianças iriam receber dos pais, junto com o testemunho de uma vida, a orientação segura para serem livres e fiéis em Cristo.
O cristianismo não é um conjunto de leis, mas é um caminho. Cada curso de batismo tem como finalidade mostrar esse caminho ou aprofundar seu conhecimento sobre o seguimento de Jesus. Não vejo obrigação de fazer esses cursos, vejo como necessidade de uma instrução para uma celebração consciente. Às vezes as pessoas dizem que sabem mais do que o palestrante; então nesse curso peçam licença e assumam a palestra no lugar do catequista. Infelizmente se dá mais valor à festa que ao sacramento.
A realidade misteriosa da nossa inserção no Mistério Pascal de Jesus está ainda muito distante do nosso saber. Jesus como caminho é ainda uma interrogação para muita gente. A Bíblia diz: “Agora vocês já não são mais servos, mas filhos... ora se somos filhos, somos também herdeiros... sepultados na morte de Cristo, com ele ressuscitamos para a vida nova”. Cada pai e cada mãe deviam dizer aos filhos: vocês foram batizados na mesma fé que nós temos.

Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.


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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! AMOR AOS INIMIGOS-

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
É possível amar os inimigos?
Há coisas que assustam os que refletem um pouco. Essa necessidade de amar, que é algo inerente ao homem, parece ser das coisas mais impossíveis, que cedem sempre aos interesses pessoais e de grupos. Dizemos velhas fórmulas, mas continuamos a amar aqueles que nos são simpáticos, cativantes, semelhantes a nós. Não conseguimos amar os irritantes e não conseguimos pensar bem dos outros e não deixamos de estar sempre julgando que os outros estão contra nós e são nossos inimigos.
As maiores religiões desse planeta falam de amor aos inimigos, mas tudo acaba ficando sobre nosso critério. É impressionante como o ódio cresce com rapidez no coração da humanidade e tudo leva facilmente ao ódio, tudo se transforma numa ameaça constante.
De fato temos inimigos, é preciso admitir, temos que localizá-los, conhecê-los para saber como tratá-los. Devemos porém admitir que nós também somos inimigos; há pessoas que nos temem, não confiam em nós, nos detestam. É tarefa difícil nos vermos desse lado.
O que é mais impressionante é que sempre estamos olhando para os outros, encontrando culpados, apontando os responsáveis, sem olharmos para nós e perguntarmos se, por acaso, não fomos nós que causamos o estrago ou geramos tal situação.
Há situações que desencadeiam novas situações cada vez mais violentas, frutos da mesma árvore. Sempre usamos desculpas para justificar nossas atitudes e sempre queremos estar com a razão. É chocante ver como as pessoas lutam pela vida, pelo conforto sem olhar para os outros, se vão perder o que tem ou se vão passar necessidades. O egoísmo fala muito alto dentro de nós.
Parece que o fundamental é a análise. Desde que a pessoa perceba a realidade que ele provocou ou pode provocar, aí está a chave para a solução. Quem não analisa, não percebe e certamente vai continuar no mesmo caminho e vai achar que está mais do que certo agir como age.
O segundo ponto de solução está na escala de valores que usamos. Se a dignidade da pessoa não conta, mas só conta a luta pela vida, então vamos agir como animais. A saída está fechada.
O terceiro ponto está na oração que interioriza os valores, conscientiza sobre novos valores, abre o coração para nos desarmarmos diante de situações conflitivas, difíceis e até injustas.
Se não há mudança de mentalidade, certamente vamos destruir o mundo pela violência institucionalizada ou pela violência que geramos cada dia. Infelizmente as lições do mundo atual não estão sendo suficientes para nos convencer que precisamos procurar o caminho do amor aos inimigos.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! ADÃO E EVA - PARTE 2-

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
Segundo a Bíblia, o primeiro homem e a primeira mulher foram criados por Deus. Mas a ciência diz que a espécie humana surgiu de outros animais através da evolução. No que devo acreditar?
Não existe contradição entre a verdadeira fé e a verdadeira ciência. Elas tratam da origem do ser humano sob aspectos diversos. Quando a Bíblia diz que o mundo foi criado em seis dias ou que Deus formou Adão do pó da terra e Eva de uma costela de Adão, está usando uma linguagem simbólica, como quando o marido chama sua mulher de "meu coração". O ensinamento da Bíblia não é uma explicação científica da origem da espécie humana, mas uma mensagem religiosa sobre o sentido de nossa vida. Nem por isso deixa de ser verdadeiro, como é verdadeira a declaração de amor do marido à mulher.
Portanto, não há nenhuma oposição entre a narração bíblica e a ciência, quando esta afirma que a evolução do universo desde a sua origem até o aparecimento da vida humana levou bilhões de anos. Nem é contrário à fé cristã admitir que o ser humano surgiu por evolução a partir duma série sempre mais perfeita de animais, chamados pelos cientistas primatas e antropóides. São teorias científicas hoje bastante aceitas. Você como cristão não é obrigado nem a aceitar nem a recusar a teoria da evolução. Também não precisa acreditar que o primeiro homem se chamou Adão e a primeira mulher Eva, porque não é isso que Deus nos quer ensinar através da Bíblia. Adão em hebraico significa simplesmente "homem" e Eva significa "mãe dos viventes".
O cristão pode aceitar a evolução, mas deve acrescentar que todo este universo em transformação, e especialmente o homem, foi criado por Deus. Se o corpo humano tem sua origem na matéria viva já existente, a alma espiritual é criada imediatamente por Deus. Portanto o homem, ao contrário dos outros animais, não deriva simplesmente do universo material: tem uma relação direta com Deus, do qual recebe a sua capacidade de compreender e amar, a sua inteligência e liberdade.
A ciência não pode verificar se as afirmações da fé são verdadeiras ou não. Ela trata apenas do que pode observar através dos seus métodos. Mas a criação do mundo e do homem não são acessíveis à observação científica. Se o cientista nega que o mundo foi criado por Deus ou afirma que o ser humano é pura matéria, ele está saindo do seu campo e entrando no campo religioso. Como cientista, ele não tem competência para decidir esta questão, assim como a fé não pretende decidir se a evolução é um explicação verdadeira ou falsa dos dados da realidade. (João A. Mac Dowell S.J.)
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.

http://www.redemptor.com.br(2009)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! ADÃO E EVA - PARTE 1-

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Ouvi um padre dizer que a história de Adão e Eva, contada na Bíblia, não é verdadeira. A Bíblia não é a palavra de Deus? Em que devo acreditar?
Você provavelmente não entendeu bem o que o padre disse. A história de Adão e Eva é verdadeira, sem dúvida, mas não deve ser compreendida ao pé da letra. Por exemplo, quando Você canta o hino nacional, diz que o Brasil está "deitado eternamente em berço esplêndido". Ninguém vai pensar que existe um berço enorme onde o Brasil está deitado. Mas, através dessa linguagem poética, o autor do hino exprime uma verdade: os brasileiros vivem dentro de um território magnífico, comparável ao berço onde se põe uma criança.
Assim também a Bíblia usa símbolos concretos para explicar coisas espirituais que não podemos ver. Ela diz que Deus formou o homem do pó da terra e insuflou em suas narinas um sopro de vida (Gen 2,7). Mas não pretende que se acredite que Deus tem mãos como nós para modelar uma imagem e que o sopro de sua boca deu vida a uma estátua de barro. É apenas um modo de dizer, utilizado na Bíblia, para revelar verdades muito profundas sobre a nossa vida.
Quer dizer em primeiro lugar que somos criados por Deus: nossa existência é um presente gratuito dele. Não existimos por acaso, nem somos donos da nossa vida, mas a recebemos de Deus. Ele nos criou à sua imagem e semelhança (Gen 1,27), num gesto de amor, para nos comunicar a sua vida e felicidade. O ser humano será feliz à medida que reconhece Deus como seu criador, i.e. colabora com o plano de Deus para que reine a justiça e a paz em toda a família humana.
A história bíblica da criação do mundo contém ainda muitas verdades importantes para nossa vida. Por exemplo. Tudo o que Deus fez é bom: o mal não vem de Deus. A pessoa humana é o ponto alto da criação: tudo o mais no céu e na terra foi criado para o nosso bem. O ser humano não é um espírito que está provisoriamente aprisionado na matéria: ele faz parte deste mundo e na sua totalidade, corpo e alma, foi criado por Deus, como sua imagem. Homem e mulher foram criados por Deus, para se ajudarem e completarem. O homem não é superior à mulher. Os dois merecem o mesmo respeito.
Este é o verdadeiro sentido da história de Adão e Eva. A Bíblia não é um livro científico nem uma história como qualquer outra. É um livro religioso. Só pode ser entendida quando Você procura nela a mensagem de Deus para sua vida. (João A. Mac Dowell S.J.)
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terça-feira, 20 de setembro de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - BENZIMENTOS - PADRE LIBÁRDI

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Posso procurar benzedores ou benzedeiras?
A Bíblia condena cartomantes, feiticeiros, benzedeiros, adivinhos, ocultistas e mais uma lista de arte que o povo cria. A condenação é sobre a prática dessas coisas.
Por mais que se fale, há uma série de mal-estares e doenças que desaparecem com uma “boa bênção”. Mas fica uma pergunta: “Não é pecado ir benzer?”.
Todo o cristão abençoa e santifica o mundo, as coisas e as pessoas pela vida que leva, pela vivência de sua fé. O pai, a mãe, padrinhos, madrinhas, tios, todos abençoam. Vejam na Bíblia a bênção que o velho pai deu a Tobias em sua viagem. A bênção é a palavra boa que colocamos sobre as pessoas, invocando o nome do Senhor, dos santos ou de Nossa Senhora, para agradecer, pedir algo ou manifestar um bom desejo.
Por si todos podem benzer, a bênção terá a força de sua fé, de sua comunhão com a comunidade. E para benzer há diversos gestos que expressam a fé e o ato de invocar o Senhor. O que então está errado?
Está errado procurar pessoas que não possuem uma vida digna que os recomende, pessoas que não participam de comunidade, pessoas que fazem disso um meio de vida, pessoas que não têm comunhão com Deus.
Está errada a mistura que se faz com idéias espíritas, com ritos esquisitos e outras tantas coisas para impressionar. Está errado o receituário que essas pessoas dão para executar depois que se chega em casa. Estão erradas as idéias que espalham, os gestos que fazem e outras coisas que são pura charlatanice. Está errado o abuso de coisas santas. Tudo o que não traz equilíbrio, tudo o que parece esquisito não é de Deus. O que vem de Deus é transparente, é simples.
São Paulo nos orienta quando diz: “Tudo o que fizerdes, fazei-o em nome de Jesus”. É assim que rezamos sobre os doentes, abençoamos as pessoas, abençoamos as plantações, abençoamos o mundo em que vivemos e assim somos agradecidos a Deus que nos envia a grande bênção que é Jesus.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.