domingo, 21 de junho de 2026

*Entre a inteligência Divina e a Inteligência artificial *

Já estávamos na segunda parte da aula de História Geral, após o intervalo, no Seminário Santa Terezinha de Tietê. A disciplina era magistralmente lecionada pelo saudoso Padre Marcos Moser, da Congregação do Santíssimo Redentor, que também exercia a função de diretor do seminário. Padre Marcos representava, em sua melhor essência, o verdadeiro educador. Preparava suas aulas com dedicação admirável e utilizava pequenas cartelas com anotações resumidas, cuidadosamente organizadas. Mais do que transmitir conhecimento, ensinava um princípio que carregamos pela vida: a importância de ter método e disciplina em tudo o que fazemos. Durante as aulas de História Geral, especialmente quando estudávamos as grandes civilizações e os processos de colonização, era comum ouvi-lo discorrer sobre Roma, seu crescimento, sua influência e a formação da Itália. Entre uma explicação e outra, compartilhava reflexões que iam muito além dos livros. Costumava dizer que gostaria de nascer cem anos no futuro para contemplar as grandes conquistas que a humanidade ainda alcançaria. Muitas vezes me recordo dessa frase. Certamente, se estivesse entre nós hoje, Padre Marcos estaria admirado diante dos avanços da inteligência artificial. Para muitos especialistas, ela representa um extraordinário acelerador de pesquisas, dados e informações, ampliando de forma impressionante a capacidade humana de acesso ao conhecimento. Entretanto, ao recordar seus ensinamentos, surge uma reflexão que talvez lhe fosse muito cara: a relação entre a inteligência artificial e a inteligência divina. Não há comparação possível entre uma e outra. A inteligência artificial é fruto da criatividade humana, capaz de processar informações, reconhecer padrões e oferecer respostas em velocidade extraordinária. Já a inteligência divina permanece como fonte maior de inspiração, luz e sabedoria, impulsionando o próprio ser humano a pesquisar, descobrir, criar e avançar. Se a inteligência artificial aponta caminhos, a inteligência divina inspira a caminhada. Se uma amplia horizontes do conhecimento, a outra dá sentido à busca desse conhecimento. Ao cruzarmos as fronteiras deste novo século, seremos presenteados com descobertas que hoje sequer conseguimos imaginar. A inteligência artificial certamente fará parte dessa jornada. Mas, acima de todas as conquistas tecnológicas, continuará existindo aquilo que transcende os algoritmos: a centelha criadora que inspira a humanidade a sonhar, acreditar e seguir adiante. Ao recordar as palavras do saudoso mestre, percebo que compartilho do mesmo sentimento. Tal como Padre Marcos Moser, eu também gostaria de nascer daqui a cem anos para testemunhar as maravilhas que a humanidade ainda construirá, os conhecimentos que serão revelados e os horizontes que se abrirão diante das futuras gerações. Não por inconformismo com o presente, mas pelo encantamento diante da capacidade humana de evoluir, aprender e transformar o mundo. Talvez Padre Marcos Moser, com seu olhar de educador e sua confiança no futuro, sorrisse ao ver tudo isso. E talvez repetisse, mais uma vez, a lição que nos deixou: toda grande conquista humana começa com a busca do conhecimento, mas encontra sua plenitude quando iluminada pela sabedoria.

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