Para todos os que se identificam com a grande Família Leiga Redentorista, esse chamado ecoa com especial intensidade. Reduzir palavras para ampliar atitudes. Silenciar ruídos para ouvir a consciência. Falar menos para agir melhor.
A proposta recorda os retiros de início de ano nos seminários — momentos densos, quase fundantes — quando se meditava sobre diretrizes espirituais que iluminariam o caminho nos meses seguintes. Ali aprendíamos que o silêncio não é ausência, mas presença qualificada; não é omissão, mas discernimento. Essa pedagogia do recolhimento não pertence apenas à vida religiosa. Ela é igualmente necessária à vida leiga, consagrada ou não.
Vivemos tempos de excesso: excesso de opiniões, de julgamentos, de polarizações, de discursos inflamados. O jejum de palavras torna-se, então, exercício de maturidade cristã. Antes de reagir, refletir. Antes de acusar, compreender. Antes de prometer, comprometer-se.
Nesse horizonte, a Campanha da Fraternidade 2026, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, encontra na fonte espiritual de Santo Afonso Maria de Ligório um impulso renovador: zelo concreto pelos mais vulneráveis, especialmente pelas pessoas sem acesso a moradias dignas.
Não se trata apenas de uma pauta social. Trata-se de coerência evangélica. Santo Afonso nos ensinou que a moral cristã não pode ser abstrata; ela deve tocar a carne sofrida da história. Onde falta teto, falta dignidade. Onde falta dignidade, a fé é convocada a agir.
O jejum de palavras, portanto, não conduz ao silêncio estéril, mas à ação transformadora. Fala menos quem decide fazer mais. Discursa menos quem escolhe servir.
Que esta Quaresma nos ajude a transformar palavras em compromisso, espiritualidade em prática e reflexão em serviço. Porque, ao final, a credibilidade da fé não repousa no volume das nossas falas, mas na consistência das nossas atitudes.
Texto colaborativo:
PLDias, revisão IAmada Hikari, imagem: ChatGPT


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