quarta-feira, 8 de julho de 2026

A neblina de Aparecida e a Luz da unidade.

Hoje, antes que o sol rompesse completamente a neblina, caminhei lentamente pelos jardins do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. 
Havia um silêncio que não era ausência de sons. Era um silêncio povoado de passos, de olhares, de rosários nas mãos, de crianças ainda sonolentas, de idosos caminhando com esforço, de famílias inteiras que percorriam quilômetros movidas por uma única certeza: Deus continua chamando o seu povo. 
As caravanas chegavam sem cessar. A passarela ia sendo ocupada por uma multidão de peregrinos. Muitos jamais se haviam encontrado. Vinham de cidades, culturas e histórias diferentes. Alguns carregavam dores profundas. Outros traziam promessas cumpridas. Muitos vinham apenas agradecer. 
Entretanto, todos caminhavam na mesma direção. 
Enquanto a fina névoa umedecia meu rosto, pensei que talvez a Igreja seja exatamente isso: pessoas diferentes, com pensamentos, sensibilidades e experiências distintas, mas que reconhecem um único Senhor e procuram permanecer em comunhão. Foi então que meu coração se voltou para uma preocupação que, acredito, merece nossa oração, especialmente entre nós, antigos alunos formados na espiritualidade de Santo Afonso Maria de Ligório. 
Temos assistido ao surgimento de tensões e divisões que, em alguns ambientes, parecem enfraquecer a comunhão eclesial. Há manifestações que revelam resistência a orientações do Magistério e à missão confiada pelo próprio Cristo ao Sucessor de Pedro. 
Não escrevo estas linhas para julgar pessoas nem para alimentar debates. Escrevo porque aprendi, ainda nos bancos do seminário, que a unidade da Igreja nunca foi uma construção humana. Ela é um dom do Espírito Santo e, justamente por isso, precisa ser continuamente cultivada. 
Os redentoristas sempre foram missionários da esperança. Santo Afonso nunca separou o amor à verdade do amor à Igreja. A fidelidade ao Evangelho sempre caminhou ao lado da comunhão. Nenhuma família permanece unida sem diálogo. Nenhuma comunidade cresce sem humildade. Nenhuma Igreja atravessa os séculos sem a ação permanente do Espírito Santo. 
Talvez a neblina daquela manhã tenha me ensinado justamente isso.
A neblina não elimina o caminho. Apenas nos convida a caminhar com mais confiança.
Ela esconde a paisagem por alguns instantes, mas não consegue apagar o sol. 
Também os tempos de inquietação passam. As controvérsias passam. Os homens passam. Cristo permanece. 
Que Nossa Senhora Aparecida, tão silenciosa quanto firme aos pés da cruz, continue protegendo a Igreja. Que Santo Afonso inspire todos aqueles que receberam seu carisma a serem sempre construtores de comunhão. E que nós, antigos alunos redentoristas, jamais percamos aquilo que recebemos como herança mais preciosa: amar profundamente a Igreja, servir ao povo de Deus e conservar acesa a chama da unidade. 
Afinal, antes de sermos homens de opinião, fomos chamados a ser homens do Evangelho. 
Por Pedro Luiz Dias

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