sábado, 29 de agosto de 2026

A MISSÃO NÃO TERMINA O leigo redentorista no século XXI

A Igreja do século XXI precisa reafirmar uma verdade antiga e, ao mesmo tempo, profundamente atual: o leigo não apenas participa da Igreja. 
O leigo é Igreja. 
Pelo Batismo, recebe também a responsabilidade de anunciar e testemunhar o Evangelho no mundo. 
Essa compreensão encontra uma chave de leitura particularmente fecunda na espiritualidade de Santo Afonso Maria de Ligório. 
Desde as primeiras missões populares, Afonso compreendeu que evangelizar significava ir ao encontro das pessoas, sobretudo dos mais abandonados, anunciando-lhes que a santidade não era privilégio de poucos, mas vocação possível para todos. 
A missão, portanto, não poderia terminar quando o missionário partisse. 
Alguém precisava permanecer. O povo permanecia. 
Talvez possamos dizer, em linguagem contemporânea, que o leigo é aquele que permanece quando a missão termina — para que a missão não termine. 
Essa intuição afonsiana encontra profunda consonância com o Concílio Vaticano II. A Ad Gentes afirma que a Igreja é, “por sua natureza, missionária” (AG, 2) e, ao tratar especificamente dos leigos, ensina que sem sua presença ativa o Evangelho dificilmente consegue penetrar profundamente na vida, no pensamento e no trabalho de um povo (AG, 21). 
A Apostolicam Actuositatem, por sua vez, recorda que o apostolado dos leigos nasce da própria vocação cristã e é indispensável à missão da Igreja. 
Não se trata, portanto, de substituir sacerdotes e religiosos nem de transformar o leigo numa espécie de auxiliar do clero. Trata-se de reconhecer a diversidade das vocações na unidade da missão. 
É justamente aqui que a proposta teológico-pastoral de Santo Afonso ganha nova atualidade na reflexão desenvolvida pelo Pe. Luiz Henrique Brandão de Figueiredo, C.Ss.R., a partir de três verbos retomados pelo Papa Francisco: acompanhar, discernir e integrar. 
A reflexão do autor dirige-se particularmente ao Sacramento da Penitência e ao ministério do confessor, mostrando como esses três movimentos podem tornar concretos a misericórdia, o acolhimento das fragilidades humanas e a condução de cada fiel em direção à santidade. 
Guardadas as diferenças próprias de cada vocação e ministério, esses três verbos oferecem também uma preciosa pedagogia para a presença missionária dos leigos.
Acompanhar é aproximar-se das pessoas antes de julgá-las.
Discernir é compreender suas realidades à luz do Evangelho. Integrar é trabalhar para que ninguém seja simplesmente descartado do caminho da graça. 
E talvez a espiritualidade leiga redentorista possa acrescentar um quarto verbo: Permanecer. 
Permanecer cristão na família, no trabalho, na universidade, na empresa, no campo, na política, na cultura, na comunicação e no ambiente digital. 
Permanecer onde o sacerdote ou o religioso não consegue estar todos os dias. 
Esses são também os novos territórios das missões populares. 
O mundo contemporâneo apresenta novas formas de abandono. 
Ao lado da pobreza material permanecem a solidão, a fragmentação das famílias, a perda da esperança, as intolerâncias e tantas pessoas que, mesmo cercadas de recursos e tecnologia, vivem espiritualmente abandonadas. 
É justamente nesses ambientes que o leigo encontra seu território missionário. 
Não necessariamente fazendo discursos religiosos, mas testemunhando, pela vida, valores profundamente evangélicos: misericórdia, justiça, honestidade, fraternidade, reconciliação, esperança e caridade. 
Para a Família Leiga Redentorista, assumir o carisma de Santo Afonso significa, portanto, muito mais do que admirar sua história ou colaborar com as obras da Congregação.
Significa perguntar, todos os dias: onde estão hoje os mais abandonados e como fazer chegar até eles o anúncio da Copiosa Redenção? 
A resposta poderá estar muito além das paredes de nossas igrejas. 
A missão redentorista do século XXI continua nas ruas, nas casas, nas empresas, nas escolas, nas redes digitais e em todos os lugares onde um cristão encontra outro ser humano necessitado de acolhimento e esperança. 
Acompanhar. Discernir. Integrar. Permanecer. 
Quatro verbos para uma mesma missão. 
Porque a missão não termina quando o missionário parte. 
Ela continua naquele que permanece. 
Família Leiga Redentorista 
Copiosa apud eum redemptio. 
 N’Ele há Copiosa Redenção.

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