sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Eliminada a causa, cessa o efeito.

 
Uma reflexão sobre comunhão, percepção pública e diálogo institucional na Igreja
Ao examinar o amplo conjunto de críticas, ataques e controvérsias que hoje atingem a CNBB e, por extensão, diferentes estruturas da Igreja Católica no Brasil, recordei uma antiga expressão latina muito presente no Direito: 
Sublata causa, tollitur effectus. 
(Eliminada a causa, cessa o efeito.) 
Talvez seja uma chave interessante para nossa reflexão. Antes de respondermos aos efeitos - críticas, acusações, incompreensões, desinformação e conflitos - deveríamos procurar compreender suas causas. 
Por que isso ocorre? Quando ocorre? Como ocorre? 
Vejo, inicialmente, dois grandes campos que merecem atenção. O primeiro está dentro da própria Igreja. Não podemos ignorar as divergências existentes entre grupos, movimentos, lideranças, clérigos e leigos. Em alguns momentos, diferenças legítimas de interpretação pastoral ou de percepção da realidade transformam-se em antagonismos que fragilizam a comunhão. 
Recordo-me, nesse sentido, dos insistentes apelos de Dom Orlando Brandes, emérito Arcebispo de Aparecida, nas celebrações dominicais: é preciso preservar a unidade da Igreja. 
Unidade, evidentemente, não significa uniformidade. 
A Igreja sempre conviveu com diferentes sensibilidades, espiritualidades e formas de atuação pastoral. Mas todas elas precisam encontrar seu ponto de convergência em Cristo. 
O Evangelho é o mesmo. 
A missão é a mesma. 
E nenhuma preferência ideológica ou político-partidária pode tornar-se maior do que a comunhão eclesial. 
Quando nossas divergências internas ultrapassam os limites do diálogo fraterno, elas produzem consequências externas. 
A sociedade percebe nossas contradições e, muitas vezes, passa a interpretar a Igreja a partir delas. 
É aqui que encontramos o segundo campo: a relação da Igreja com a sociedade e com a política. 
A Igreja não vive isolada. 
Sua missão necessariamente encontra questões relacionadas à dignidade humana, à vida, à pobreza, ao trabalho, à família, à justiça social, à economia, à liberdade, aos direitos humanos e à própria organização política da sociedade. 
Esse encontro é inevitável e faz parte de sua missão. 
O problema surge quando uma manifestação pastoral passa a ser percebida, corretamente ou não, como identificação partidária. 
Há setores da sociedade que associam historicamente a CNBB ou determinados organismos católicos a movimentos políticos e sociais específicos. 
Há também quem utilize expressões depreciativas, chegando a apresentar a Conferência como extensão de determinada corrente ou partido. 
Essa percepção precisa ser enfrentada não apenas pela negação, mas sobretudo pela clareza institucional, pela coerência e pelo diálogo. 
A Igreja deve conservar liberdade suficiente para defender a dignidade humana diante de qualquer governo, partido ou corrente ideológica. 
Deve poder reconhecer o que considera justo e denunciar aquilo que considera incompatível com seus princípios, venha de onde vier. 
Essa independência é fundamental para sua credibilidade. 
Por isso, talvez o caminho para a harmonização deva começar dentro de casa. 
Precisamos fortalecer espaços de escuta entre bispos, sacerdotes, religiosos, movimentos, novas comunidades e, especialmente, leigos e leigas. 
Não para eliminar diferenças, mas para estabelecer aquilo que constitui nosso denominador comum: Cristo, o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja. 
A comunhão interna fortalecida permitirá um segundo movimento: reconstruir e ampliar o diálogo institucional externo. 
Universidades, associações empresariais, trabalhadores, sindicatos, entidades profissionais, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, meios de comunicação e diferentes correntes do pensamento democrático precisam encontrar na Igreja uma interlocutora capaz de dialogar sem submissão partidária e sem hostilidade ideológica. 
Não se trata de retirar a Igreja da sociedade. Muito menos de silenciá-la. 
Trata-se justamente do contrário: preservar sua liberdade para que sua voz possa ser verdadeiramente evangélica. 
Talvez seja este o grande desafio institucional deste momento: transformar um ambiente de polarização em oportunidade de comunhão. 
Primeiro, fortalecer a unidade dentro da própria Igreja. 
Depois, ampliar pontes com a sociedade. 
E, permanentemente, reafirmar que a Igreja não pertence à esquerda, à direita ou ao centro.
Sua referência primeira deve continuar sendo o Evangelho e sua missão de anunciar Cristo e servir à dignidade da pessoa humana. 
Voltamos, então, à antiga máxima: 
Sublata causa, tollitur effectus. 
Se identificarmos com serenidade as causas das divisões, das percepções equivocadas e das incompreensões - inclusive reconhecendo nossos próprios erros quando existirem - talvez consigamos reduzir seus efeitos. 
Não será tarefa de um documento, de uma reunião ou de uma declaração. 
Será um processo. Longo, certamente. Mas profundamente necessário. 
Porque antes de perguntarmos como defender uma instituição, talvez devamos fazer uma pergunta ainda mais importante:
Como reconstruir a comunhão e a confiança? 
É por aí que o diálogo pode recomeçar. 
Pedro Luiz Dias

DO COLEGIÃO PARA O SANTO AFONSO....

Era janeiro, passamos por fevereiro, entramos em março de 1952, vivíamos na Pedrinha, médio-menores, turma mais fraca, os médio-maiores foram retidos em Aparecida, encarregados da mudança para o seminário Santo Afonso. Era festa, entretenimento, zero estudos, demorava o início do ano letivo, passei naquele espaço um período de reflexão, muita oração, contemplação, torcendo pela volta a uma rotina costumeira lá onde nos esperava a conclusão ou segunda etapa de nosso mister. Tomamos posse de nosso espaço, provisório, ainda em conclusão, convivendo com pedreiros, os pisos não terminados, a capela num dormitório, os banheiros divididos por tábuas. O Santo Afonso cresceu, nós ajudamos de alguma forma, a capela surgiu, padre Izidro, um artista, foi inaugurada solenemente, muita cerveja distribuída, algum pito consequente. Orgulho-me do Colegião, escrevi histórias, o Santo Afonso, fui seu primeiro morador, ali fui zelador dos menores, fui eleito secretário da Congregação Mariana, fui redator da revista Estúdio, exerci alguma liderança, esperavam mais de mim. Foi ali que, em reflexão de tudo que me era destinado na vida, resolvi inverter meu caminho e direcionar minha vida a outros desígnios onde venci, mas sempre saudoso daqueles tempos prazerosos onde o ideal nos convidava a escalar o monte e implantar o Signo. ALEXANDRE DUMAS
Caro colega/amigo! Quanta saudade daqueles tempos....ainda que esses que você testemunha não foram os meus tempos... Em 1957 estive na Pedrinha com o Padre Brandão(+)! Em 1958, com o Padre Sônego(+) foi quando cheguei a essa maravilhosa Casa de Santo Afonso..... Estava tudo pronto e terminado!!!! Havia até uma seriema nos jardins da Capela!!!!! Antônio Ierárdi Neto

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

PADROEIRA DO BRASIL

Em 31 de maio de 1931, após um decreto de Pio XI, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada padroeira do Brasil. 
Foi uma grande e festiva manifestação no Rio de Janeiro, então capital do país. 
Neste mês escolhemos dirigentes de nossa pátria. 
São tempos difíceis e um tanto confusos, de conflitos e animosidades. 
Bem que precisamos da ajuda da Mãe de Jesus. 
Vamos pedir que ela interceda por nós, para que nossos dirigentes e candidatos a dirigentes se deixem guiar pela verdade, pela justiça e pelo interesse de nosso povo. 
Que eles olhem pelos mais frágeis e necessitados, que sejam exemplos de honestidade para nossos jovens, e não coloquem o poder a serviço de seus interesses pessoais e familiares.