sábado, 10 de janeiro de 2026

DUMAS E JOSÉ PINHEIRO-DOIS ANTIGOS SEMINARISTAS DO SRSA

Pois, é ! 
Recebi uma visita inesperada, José Pinheiro, ele mesmo, acompanhado de sua filha Gláucia, muito simpática. Trouxe-me uma revista dedicada a Aparecida, o rio, seus montes, as basílicas, monumentos, sua história, a Santa. Que bom ! Isto precede ao lançamento de seu livro, duzentas crônicas elaboradas ao longo de anos de uma aposentadoria merecida, um tanto poeta, muito de filósofo, historiador, saudosista, ex-seminarista, pai de família, nascido em Piracaia, morador de Aparecida, Santa Rita, meu berço e minha história. Rememoramos fatos, pessoas, padres, lugares comuns que vivemos em épocas diferentes, mas na mira de um mesmo ideal, Seminário Santo Afonso. Ele repetiu o cafezinho improvisado, não aceitou vinho, sentiu-se a vontade, presenteou-me com sua revista, com dedicatória ao Pasin. Pessoa simples, culta, parceiro de uma trajetória comum. Espero o seu livro, quem sabe, vai me incentivar a preparar o meu. Uma árvore, um filho, um livro...... Obrigado, José ! Alexandre Dumas
Eu que agradeço a acolhida. O café com pão de queijo estava ótimo. Não aceitei o vinho porque tenho dificuldade para dirigir à noite. Já aconteceu de eu sair da estrada e quase cair em uma ribanceira. E outra, eu tinha que atravessar a ponte do rio Paraiba. Com o vinho na cabeça, correria o risco de ver duas pontes ou nenhuma e cair no Rio. É melhor prevenir do que remediar.José Pinheiro 
Boa tarde. Imagino o tanto de "prosa" entre vocês. Tantas lembranças , recordações de dois amigos de tantos anos. Fiquei feliz por vocês! Lili

ELES VIVERAM CONOSCO - Pe. Luiz Inocêncio Pereira CSsR

 

Pe. Luiz Inocêncio Pereira CSsR 
+ 10 de janeiro 2009 
Pe. Luiz Inocêncio nasceu em 22/06/1914, no Bairro do Brás, em São Paulo (SP). Eram seus pais: Maximiano Bonifácio José Pereira e Maria Batista de Souza Pereira. Entrou para o Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida, em 17.02.1932, com dezoito anos, terminando o curso em dezembro de 1935. Fez o Noviciado em Pindamonhangaba, durante o ano de 1936, onde fez a Profissão Religiosa na CSSR, no dia 02.02.1937. O Seminário Maior foi feito em Tietê (SP) onde fez a Profissão Perpétua, em 02.02.1940. Foi Ordenado Sacerdote em São Paulo (SP), na Igreja de Santa Efigênia (Catedral Provisória), em 08.12.1941, por Dom José Gaspar de Fonseca e Silva, então Arcebispo de São Paulo. Celebrou a Primeira Missa Solene, na Igreja Matriz da Penha, no dia 14.12.1941. Em 17.01.1943 começou seu apostolado como Vigário Cooperador em Aparecida (SP), onde ficou até julho de 1945. Em 1946 foi transferido para o Rio Grande do Sul, como Vigário Cooperador nas cidade gaúchas de Pinheiro Marcado, Carazinho e Ijuí. Em 1948 retornou a Aparecida, como Vigário Cooperador, aí ficando até fim de 1950. Em dezembro de 1950 foi transferido para a Comunidade do Seminário Santo Afonso, o chamado Colegião, e foi o encarregado da construção do novo Seminário. Foi a alma da construção! Aí ficou até janeiro de 1953. Em janeiro de 1953 foi para Passo Fundo (RS), como encarregado da construção do novo Seminário Redentorista de Passo Fundo (RS). Aí ficou até fevereiro de 1956. Voltou então para São Paulo (SP), morando na Penha e no Jardim Paulistano, como Vigário Cooperador. Desde 16.01.1967 até agora morava no Convento do Santuário Nacional, em Aparecida (SP). Pe. Inocêncio foi um excelente agrimensor e topógrafo. Mediu e fez plantas de todos os terrenos da Congregação nos Estados de São Paulo e de Goiás, bem como da Diocese de Rubiataba-Mozarlândia. Pe. Inocência gostava e entendia muito de física, matemática e astronomia. Durante muitos anos ele pessoalmente controlava as estatísticas sobre o fluxo de romeiros em Aparecida (SP). O sistema de controle do movimento de pessoas, ônibus, carros etc. em Aparecida é iniciativa dele. Como religioso, Pe. Inocêncio levava uma vida humilde e silenciosa e procurava servir na¬quilo que podia. Uma ocasião, em uma visita do Superior Provincial, disse que sua ocupação e preocupação era "fazer as coisas pequenas que ninguém faria"... Faleceu no dia 10 de ja¬neiro de 2009, às 16 horas, com 94 anos de idade, quase 72 anos de vida religiosa e quase 58 anos de sacerdócio. No dia seguinte, às 16h00, no Santuário Nacional foi celebrada a Missa Exequial, e o sepultamento fez-se logo após. Servo fiel, perseverou até o fim, e temos certeza que recebe a coroa eterna, junto de Deus, a quem serviu com sua vida, e junto de sua querida Mãe Aparecida (ARQUIVO PROVINCIAL) 
Quando esteve em São Paulo, participou da construção da torre da Igreja da Penha. Lembro-me que, ainda no seminário, em um dos poucos dias de que dispunha para estar com minha família, fui fazer uma visita ao convento redentorista daquele bairro.
Muito atenciosamente o Pe.Inocêncio recebeu-me e levou-me para conhecer sua obra que despontava no alto da Penha, a torre do Santuário de Nossa Senhora da Penha de França. Foi para mim uma grande aventura. Junto com o Pe.Inocêncio, em um elevador de obra, aquele que só tinha piso e uma coluna central, subimos a uns 40mt do solo. No percurso, ele me dizia:

-Olhe só para o centro...não olhe para os lados e nem para baixo. Quando chegamos ao topo, entre o estrado do elevador e a laje, havia uma distância de 30cm que me parecia ter mais de um metro. Muito radiante ele mostrou-me a vista exuberante daquela região paulistana. Antônio Ierardi Neto
Olá Ierardi! Padre Inocêncio, antes de entrar para o Santo Afonso, pertenceu à Congregação Mariana da Penha, se não me engano, ele teria sido um dos fundadores de seus fundadores. Acredito que ele tenha sido influenciado pela comunidade dos redentoristas da Penha na escolha de sua vocação. A Nova Basílica da Penha, o Convento e Seminário da Penha tiveram participação do Padre Inocêncio na escolha de suas arquiteturas. Tentei influenciar para que algum logradouro do bairro ganhasse o seu nome. mas não obtive êxito até o momento. Mesmo com toda discrição, esse nosso confrade brilhou com sua luz sobre todos os que o conheceram. Abraços! José Morelli
Nos idos de 1949. estando eu a ajudar missa na capela do asilo em Aparecida, me defrontei com padre Inocêncio, convidou-me a ingressar no seminário, tímido, aleguei que defrontava com a oposição de meus pais, prontamente se propôs a ir à minha casa e conversar eles, acabei ingressando no Colegião em 02/02/49, até hoje, não me conformo com aquela minha timidez, não era verdadeiramente meu intento, mas os redentoristas se insinuavam e nos induziam àquele caminho. Aconteceu, estava escrito, ali permaneci por sete anos, foi bom, aprendi, convivi com pessoas santas, com homens convictos, hoje , faço parte de uma comunidade de ex-seminaristas que valorizam o tempo em que estivemos juntos, não vale a pena voltar ao passado e sim valorizar as boas coisas que aprendemos e os bons momentos que vivemos, somente deles lembraremos.ALEXANDRE DUMAS

ELES VIVERAM CONOSCO - PADRE LAURENCE PATRICK KEAMS

*NOTA DE FALECIMENTO* 
Faleceu no dia 10 de janeiro de 2022, em Curitiba/PR, o Missionário Redentorista Pe. Laurence Patrick Kearns. *Padre Lourenço,* como era conhecido, nasceu no Brooklin, Nova York, EUA, no dia 21 de agosto de 1939 (estava com 82 anos), fez sua Profissão Religiosa em 02 de agosto de 1960 (viveu 61 anos como Missionário Redentorista) e foi ordenado Sacerdote no dia 20 de junho de 1965 (56 anos). Veio para o Brasil em 1968, com apenas 29 anos de idade. Com Mestrado em Educação Religiosa e em História foi autor de nove livros sobre a Vida Consagrada e Espiritualidade. Grande pregador de retiros foi bastante conhecido no Brasil e exterior em virtude de suas pregações e orientações espirituais. Foi o primeiro Superior Provincial da Província de Campo Grande (de 1990 a 1995), trabalhou por mais de 30 anos na formação dos novos redentoristas. Nos últimos anos, padre Lourenço residia na Casa Provincial, em Curitiba e auxiliava nas missas e confissões no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Desde o dia 12 de dezembro de 2021, estava internado no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, onde veio a falecer nesta madrugada. Rezemos pelo descanso eterno de nosso querido confrade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Professor Domingos Zamagna

PEDRO LUIZ DIAS
Ao longo da minha caminhada universitária (trabalhando como escriturário em Secretarias de várias Faculdades, assistente na reitoria de ensino e pesquisa, depois Secretário de importantes universidades, aluno, monitor e professor universitário) conheci Mestres e Doutores memoráveis. Na Faculdade de Teologia conheci muitos deles. Hoje destaco o texto do Professor Domingos Zamagna. Um ex-clérigo que é uma verdadeira biblioteca ambulante. Um orador da melhor estirpe.

Aprendendo com o passado

Domingos Zamagna (*)

No início do ano costumamos fazer uma revisão do passado e nos dispomos para um futuro mais esperançoso.  Uma revisão que pode nos ajudar na caminhada, mas infelizmente pode também ser francamente desviante. A mídia tenta nos ajudar nessa tarefa.

Mas todos os anos – acabamos de verificar – acaba sendo a mesma cantilena. Anunciam-se Natal, Ano Novo com os mesmos clichês. Temos que evocar aqui o chamado “princípio de economia”. A previsibilidade, a redundância étal que nem precisamos ler, ouvir ou ver o que se publica. Um brinde do mais do mesmo. O tempo é escasso, não vale a pena nos ocupar com irrelevâncias.

Educador Hilário Coutinho - Antigo seminarista

 
O plantio é custoso, o cultivo é árduo, 
mas a colheita é farta. GRATIDÃO. 
Hilário, o moço de Congonhal, MG, de uma familia fortíssima e de historia na região, de grande influencia em todos os campos em que atuou e atua. Certamente, Hilario é um dos maiores educadores do século passado e desse, tambem por ser de nossa amizade. Como cristão católico, jovem sonhador, na sua adolescencia, quis conhecer o mundo seminarístico a partir da aproximação com a Congregação do Santissimo Redentor, as ondas da Radio Aparecida, ali com Padre Vitor Coelho de Almeida, CSSR, "os Ponteiros Apontam para o Infinito", a proximidade com Aparecida e seu processo permanente de evangelização e as grandes romarias, as Santas Missões nos Sul de Minas,  Hilário foi seminarista redentorista nosso (Seminarios em Sacramento, Tiete, Aparecida, Potim-SP), de uma capacidade ímpar, que bebeu de todas as fontes de conhecimento, de valores, da etica humana, que com sua formação academica, o fez homem da filosofia, das letras, da comunicação social, das suas capacidades de influencia em Minas Gerais e nos espaços de educação formal, academico e na vida. Deixou os estudos seminaristicos na Filosofia em Potim-SP e passou atuar na educação, como cidadão e formando sua familia riquissima. É um "sacerdote" sábio, educador único, boníssimo e que todos que com ele convivem, sabem que carregam dali um poço de sabedoria e bondade. No vídeo, uma homenagem sobre sua atuação profissional como educador e profetico no sentido de gerar nos seus alunos, a capacidade de pensar e serem melhores pessoas. E cuida amorosamente da familia, como dom de Deus. Parabens, Hilario Coutinho
VICENTE DE PAULA ALVES

ELES VIVERAM CONOSCO - PADRE JOSÉ LUCIANO PENIDO CSsR

PADRE JOSÉ LUCIANO PENIDO CSsR
(*)18 DE OUTUBRO 1922
(✝︎)09 DE JANEIRO 2026
NOSSO PROVINCIAL REDENTORISTA. 
DESCANSE EM PAZ, SERVO BOM E FIEL! 
Nascido em Belo Vale (MG), filho do senhor Henrique Marques da Silveira Penido e de Dona Maria José Jacques Penido, ainda criança, o religioso já pensava em ser padre. As orações de sua mãe e as palavras de sua madrinha, que um dia disse que ele seria um sacerdote, despertaram sua vontade de servir a Deus e à Igreja. E assim, ingressou para o Juvenato Redentorista em Congonhas (MG), no ano de 1934, aos 12 anos de idade. Escolheu a Congregação do Santíssimo Redentor por influência do Padre Atanásio Geerlings, C.Ss.R., que, em visita a seus pais, afirmou que um dia ele seria um Missionário Redentorista! Em seu caminho vocacional mais de 80 anos como Redentorista na Província do Rio, o sacerdote destaca três momentos importantes: sua entrada no Juvenato em Congonhas, há 92 anos atrás; a emissão dos votos em Juiz de Fora (MG), no dia 02 de fevereiro de 1942; e sua ordenação sacerdotal em Belo Horizonte (MG), em 20 de julho de 1947. Padre Penido passou por diversas Comunidades Redentoristas e viu a Província do RJ-MG-ES crescer e dar muitos frutos. Dentre as tantas histórias e curiosidades, ele lembra-se de uma viagem missionária, na qual houve um terrível acidente com um ônibus. “Eu desci para ver o desastre e a 5 metros adiante, na beira da estrada, atendi a confissão de uma pessoa e lhe absolvi”, relatou. Na Província do Rio, ocupou diversos cargos, como professor e sócio do Juvenato, além de Superior Provincial, de 1962 a 1967. Desde 2011, reside na Comunidade Redentorista do Rio de Janeiro, atuando na Paróquia Santo Afonso, onde celebra a missa duas vezes por semana e é visto pelos paroquianos como um padre de grande coração, bastante cauteloso, lúcido e solícito com as pessoas. Padre Penido residiu na Paróquia Santo Afonso (RJ), a primeira igreja dedicada ao santo fundador no país Padre Penido, que também é jornalista formado pela Universidade Internacional Pro Deo, afirma que a evangelização através dos meios de comunicação no tempo de hoje é o meio mais eficiente de anunciar a Palavra de Deus. Questionado sobre como é ser um Missionário Redentorista no mundo atual, o sacerdote não hesita em sua resposta: “É viver o Evangelho no dia de hoje e anunciar Cristo pela palavra falada, escrita, proclamada, projetada, mas sobretudo, pelo testemunho pessoal”. Para o futuro, padre Penido enxergou com bons olhos e esperança o processo da reestruturação e reconfiguração pelo qual passava a Congregação Redentorista no mundo inteiro em vista da missão. “Inicialmente, haverá certas dificuldades pelos costumes próprios de cada Província, mas o resultado final será benéfico para todos”, disse o sacerdote. Com toda a sua experiência como religioso, seu exemplo de vida, constância vocacional e ardor missionário, o Redentorista quase centenário nos deixa uma mensagem especial: “Prezados jovens, procurem ser generosos à Palavra de Deus e à vocação! Aos confrades, digo: vamos viver a vida Redentorista, a cada dia, como se fosse o primeiro, o último e o único das nossas vidas”. 
Brenda Melo
Jornalista da Província do Rio
Nota de Páscoa 
Em memória do missionário Padre José Luciano Jacques Penido, C.Ss.R. Ao recordar, em recente conversa com amigos, a Páscoa do missionário Padre José Penido, fui conduzido de volta aos anos de formação no seminário, nos idos de 1968 a 1970. Eram tempos marcados por grandes desafios, tanto no contexto nacional quanto na realidade concreta de nossas casas de formação. O país atravessava um período economicamente difícil, e o seminário não estava imune a essas circunstâncias. Lembro-me bem de momentos em que, ao debatermos as contas da instituição, havia uma apreensão legítima sobre a capacidade de mantermos o funcionamento regular da casa. Muitas vezes, o equilíbrio financeiro parecia frágil, e o futuro imediato se apresentava incerto. É justamente nesse contexto que se destaca, de forma perene e agradecida, a presença da família Penido. Reconhecida, ontem como hoje, como uma das mais generosas benfeitoras da Congregação, a família Penido jamais se limitou a uma colaboração material. Sua contribuição sempre foi mais ampla, mais profunda e mais evangélica. Além do apoio financeiro, fundamental para a continuidade da missão e da formação de tantos jovens religiosos, a família Penido ofereceu à Igreja e à Congregação um missionário de valor inestimável. O testemunho do Padre José Penido, sua entrega, sua fidelidade e seu espírito missionário permanecem como herança viva entre nós. Por isso, ao celebrarmos sua Páscoa definitiva, somos convidados não apenas à saudade, mas sobretudo à gratidão e à reflexão. Que este momento fortaleça em todos nós a fé no Cristo Ressuscitado, centro da nossa esperança e razão última da nossa vocação missionária. Em nome da memória congregacional, expresso meu reconhecimento fraterno e profunda gratidão à família Penido, com um abraço especial e respeitoso, estendido a todos os seus membros. Que o testemunho do Padre José Penido continue a inspirar toda a comunidade religiosa, hoje e sempre. pela Família Leiga Redentorista. PEDRO LUIZ DIAS

VIVER O PRESENTE E AGRADECER AO PASSADO

Iniciamos mais um ano. 
Não im-porta o que aconteceu, precisamos agradecer. 
E, mesmo incertos, podemos confiar. 
Foi ano cheio de acontecimentos, que nos fizeram felizes, tristes, preocupados ou esperançosos. 
Com a bênção do Senhor vivemos e estamos a começar nova caminhada. 
As festas de início de ano são boa oportunidade para planejar, enquanto o podemos, os próximos passos. 
Que vamos fazer para ser melhores, mais capazes de amar, disponíveis para a família e a comunidade? 
Podemos prever dificuldades e preparar-nos, para não deixar que nos vençam. 
E podemos fazer deste ano um canto de agradecimento alegre e feliz, porque o Senhor esteve passo a passo, segurando nossa mão. 
Se deixarmos, 2025 será uma bênção para nós, e seremos bênção para todos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A CRÔNICA DO NERI

Após o almoço todos tínhamos o dever de estar no barracão de recreio, ali havia quase todos os tipos de divertimentos: dominós, baralhos, ping pong, bilhar, sinuca, xadrez, dama , trilha , gamão ; todos distribuídos pelas várias mesas. .. Logo na minha primeira semana de Seminário de Santo Afonso em fevereiro de 1973 procurei me adaptar às regras da nova casa: agora em seminário dos maiores. Sentiria talvez saudades dos anos na cidade de Tietê, lá do seminário dos menores... ali em Aparecida parece que a responsabilidade era mais exigida, afinal estávamos cursando os três últimos anos antes de ingressar na faculdade. Parecia-me no entanto que ali também valiam algumas regras comuns que seguíamos no Seminário de Santa Terezinha: haviam os novatos e os mais velhos. Bem diferente do que acontecera nos primeiros dias de quando entrei para o Seminário, ali no Santo Afonso já estava mais adaptado á vida comunitária, fundamental para todos os missionários redentoristas. Nos primeiros dias já conhecia todos os padres e os novos amigos. No barracão de jogos, circulava entre as mesas e percebi que ao redor de uma delas formara -se um pequeno grupo compacto de torcedores . Aproximei-me. Havia um padre jogando dama com um seminarista. Quando esse perdia dava seu lugar para outro sob as ovações de apoio e críticas dos companheiros. Ninguém conseguia vencer aquele padre. Eu, raramente perdia uma partida de dama. Poderia tentar, afinal não tinha nada a perder. Entrei na fila. Alguns amigos se aproximaram para assistir ao combate ou a derrota. Parecia que esse tal padre era dos bons e impunha respeito. Chegou a minha vez. Sentei-me diante dele. Ele me olhou por cima dos óculos, franziu a testa e pediu prá que eu começasse. Pensei com meus botões: “ Esse padre deve ter um cargo importante pois todos se portam diferente diante dele e mantém certa distancia respeitosa “...mas todos estão perdendo pois usam de jogadas clássicas no início dos jogos de dama e o padre só faz também armar armadilhas clássicas. Farei diferente, fugirei da mesmice e partirei para toques sem nenhuma conexão obrigando o padre a sair de seu “status quo “” e não lhe darei tempo de pensar em fazer nenhuma jogada de ataque...iniciei a partida e, aos poucos vi o padre franzir os olhos e me olhar por sobre os óculos e coçar o queixo. “ Bom sinal,” pensei, “ele sabe que diante de si tem um jogador mais esperto”. ..Continuamos o jogo e aumentou o grupo da torcida ao redor da mesa. Olhei nos olhos do padre e não gostei do vi: estava sério demais e havia a ameaça de um sorriso bem na linha em um lado da sua boca. Isso era sinal de que ele estava muito confiante e só aguardando a chance de dar o golpe fatal...afastei o corpo da mesa e, tentei imitar o padre: coloquei também a ameaça de um sorriso no canto da boca e o encarei e disse: “ Não sei quem é o senhor, padre, mas comigo será diferente...fique na sua porque não jogo prá perder!”. A torcida caiu na gargalhada e alguns se ajuntaram atrás de mim, outros vendo que eu me colocava a altura do padre também se juntaram aumentando o bloco de torcedores. Conduzi as jogadas com mais lentidão sempre fugindo daquilo que o padre estava acostumado a jogar...mas aquele “ bendito” sorriso que não saía do canto de sua boca começou a me perturbar...e tentei perceber quais eram as suas intenções mas não conseguia pois ele ia respondendo às minhas jogadas como se tivesse certeza da vitória. Nas últimas jogadas eu já sabia que venceria mas, o padre parou, coçou o queixo, franziu os olhos e demorou mais do que o normal para responder a minha jogada e então fez a sua jogada fatal...a torcida aplaudiu e novamente caiu na gargalhada: “ Aí, Neri , encontrou um parceiro à sua altura!”. Cumprimentei o padre: “ Parabéns, gostei de jogar com você, vamos jogar mais vezes e te pego, muito prazer, eu me chamo Neri! ”. E então, se levantou e estendeu-me mão: “ O prazer foi meu, mas você tem que treinar mais, é muito esperto, eu me chamo Pe. Carlos Silva ! – “ nos cumprimentamos e ele se retirou. Os amigos se aproximaram: “ Não conhecia o Padre Silva?” – me perguntaram. “ Não!”, ele joga muito bem !” – respondi. “ Ele é o diretor do Seminário!” – respondeu um amigo – “ é muito inteligente, entrou no seminário com apenas nove anos de idade!”. A partir daquele dia fui percebendo como eram os padres do Seminário. Cada um trazia uma personalidade marcante...e no Salão de Jogos, entre jogos e bate papo a gente se entrosava mais e adquiria confiança...O Pe. Pelaquim, jogava bem ping pong com suas pernas de Mané Garrincha e era um grande músico e teatrólogo...aprendi música e atuei em algumas peças teatrais sob a sua direção . O Pe. Carlos Felício mantinha-se mais nos bate papos e com ele aprendi a gostar de literatura e me indicou prá ser o cronista mor do seminário. O Pe. Rodolfo me ajudou a gostar de geografia e a gostar de desenhar. Colocou-me como coordenador do Jornal “ A Cartinha “ mas eu ainda não estava preparado prá isso...naquele tempo era impressa em tipografia. O Pe. Rodolfo desenhava os personagens e a partir daí era feito um clichê de cada desenho...um trabalhão. Cada padre dava o máximo de si mesmo para que tivéssemos aprendizagem: ‘ Quem não se lembra do Padre Pacheco? Do Padre Peixoto? Do Pe. Morelli? Do Padre Moacir?....cada um na sua, desde as fabulosas aulas de física no laboratório, as aulas de inglês e francês pelo método Yasigi, as aulas de História Geral onde o Pe. Silva nos conduzia até o tempo dos Césares em Roma...Eram aulas com vida e paixão para ensinar...Só quem viveu esse tempo sabe o quanto ele significou..,O Pe. Libardi e sua preocupação com a ditadura que naquele tempo fazia pressão sobre os seminários...( depois que saí, em 1975 ,tive dificuldade em adquirir meus documentos de reservista principalmente porque era ex seminarista ) Percorri os quartéis de Bragança Paulista até Jundiaí no Gac e os comandantes sempre argumentavam: “Voces todos são comunistas, mas aqui vocês não mandam não , vamos te dar um chá de cadeira!”. Fiquei nesse empurra empurra de um quartel para outro durante três anos. Os amigos também eram um caso a parte...as afinidades aproximavam-nos e dentre eles tive alguns novos em Aparecida... e com eles aprontávamos muito. Na próxima, tenho que narrar o que aprontei com o José Leonélio de Souza e de como ele se vingou com uma tacada de mestre, ou seja, de seminarista mais velho. NERI PEREIRA DA SILVA
Saudades!Uma das faculdades que fiz foi História, influência direta do Silvão.Jose Francisco Vitarelli 
Ouvi dizer que o Pe. Peixoto está muito doente e hoje foi sepultado o Pe. Silva. Adilson Jose Cunha 
O já saudoso Pe. Silva, também era um exímio jogador de xadrez. E o salão de jogos era um lugar muito especial. Muito especial ter vivido tudo isso!! E sobra muita saudade deste tempo impar de nossas vidas!! Esteja com Deus, querido Pe. Silva. Ubaldo Bergamim Filho 
E o Libardi me disse em Tietê; não peça dispensa baixinho. O Exército não vai te convocar. Ocê não tem nem tamanho pra soldado. Depois vai te complicar mais pra frente ( vide Neri Pereira da Silva). Resultado: Um ano aquartelado em Itu/SP. Cabo na ativa e Sargento na reserva... grande coisa..Antônio Galvão Dos Santos Ivo
Está aos poucos indo a velha guarda, nossos mestres queridos. Jose Carlos Do Lago 
Eu também, como o Curtiço, fiz estágio em 1972 no Seminário Santo Afonso, sob a direção do Silvão, padre considerado muito sisudo e formal por nós que fomos pro Seminário Santa Teresinha em Tietê/SP, os cabeludinhos do Pe. Libardi! Lá tínhamos a expectativa de irmos pro Santo Afonso, sob a direção do Silvão, iniciar e concluir o colegial! Quiz Deus que permanecêssemos em Tietê por mais 3 anos sob a batuta do Pe. Libardi e do Pe. Afonso Paschote... foi maravilhoso!!!Henrique Ferreira 
Grande Neri ! Me encheu de saudades e fiquei sorrindo de canto de boca me lembrando das surras de xadrez que o Vitorino me dava...fui revendo os professores/padres...senti já a ausência de alguns e os que ainda vemos...obrigado ,amigo,pelas memórias reavivadas... Antonio João Thozzi Excelente crônica. Parabéns. Embora eu tenha vivido em tempos anteriores ao seu, convivemos bastante com quase todos esses padres que citou. Tempo bom... Parabéns pela lembrança. Uneser Interativa 
Boa história, anima-me a voltar aos meus contos, nada mudou, você me fez lembrar do padre Carlos Silva, do Rodolfo e do Pacheco, meus contemporâneos, seminaristas da década de cinquenta. No meu tempo, os jogos eram determinados por grupos e, semanalmente, éramos obrigados a ficar somente em um segmento, seja baralho, xadrez ou dama, eram determinações hebdomadárias. Havia um seminarista gaúcho, chamado Serafim , era um santo, estava na sétima série, nunca teve o seu nome incluído no FIGO, eis que, em certo domingo, seu nome foi citado naquele fatídico livro :- "O Serafim recusou-se a jogar " Mico Preto". Fazendo referência, ainda, a esse seminarista, de comportamento exemplar, tive a decepção de vê-lo excluído do seminário por problemas de saúde, foi mandado embora por ser portador de uma ferida incurável em uma das pernas. Tive notícia, posteriormente, que, perseverante na vocação, ingressou em um seminário diocesano e tornou-se padre, realizando, assim, o seu sonho de servir a Deus.Alexandre Dumas Pasin de Menezes 
Caro Neri, que depoimento maravilhoso. No que se refere ao Pe.Carlos da Silva (assim ele gostava de ser chamado), foi meu professor de HISTÓRIA GERAL nos anos 1960/1962. Dou aqui alguns fatos desse PADRE ADEMARISTA: Padre Carlos da Silva foi meu professor de história no Seminário Santo Afonso em Aparecida-SP em 1962. Gostava demais de falar sobre Napoleão Bonaparte. Manteve esse tema por cerca de três meses. Era partidário do Dr.Ademar de Barros. Lembro que quando houve em 1962 campanha para o governo do estado de São Paulo ele candidatou-se para impedir que o Sr.Jânio Quadros, que renunciara um ano antes a presidência do Brasil, assumisse a administração do estado paulista. A Igreja mostrava interesse decidido em José Bonifácio Coutinho Nogueira, que tinha o apoio direto do então governador Sr.Carvalho Pinto. Tínhamos ao lado do salão de estudos um local que chamávamos “Exposições Periódicas” por onde acompanhávamos o desenrolar do processo eleitoral. As notícias que víamos eram apenas sobre o Sr.José Bonifácio. Foi quando o Padre Silva começou a nos trazer informações sobre o Dr.Ademar ainda que os confrades não gostassem muito. Os candidatos vinham ao seminário para apresentar suas propostas. Eram todos muito bem recebidos. Entretanto, quando veio o Dr.Ademar, ninguém quis fazer nada. Pedi ao Padre Silva que me ajudasse e ele trouxe-me um gravador para termos as intenções do candidato assim como fora realizado com os demais. Há um fato que se conta da época em que o então reitor do seminário, Padre Antônio Penteado tenha admitido uma situação de telepatia por parte do Pe.Carlos da Silva que vinha de ser ordenado e ainda prestava exames anuais, durante 5 anos, que eram redigidos no seminário maior de Tietê e encaminhados à reitoria dos novos ordenados. Na ocasião, Pe.Silva garantia que saberia em Aparecida-SP as questões no mesmo momento em que seriam redigidas em Tietê-SP. Com a dúvida dos confrades e a autorização do Pe.Penteado, Pe.Silva escreveu as questões e as entregou àquele reitor. Este, ao recebê-las posteriormente do Seminário de Tietê, comparou-as e confirmou o acerto antecipado do Pe.Silva. Houve apenas a inversão das questões 4 e 5, considerando, como se soube depois, que a questão 4 fora retirada e recolocada em seguida no lugar da questão 5 que ficara em 4º lugar. Esse fato foi-me devidamente confirmado pelo próprio Pe.Silva em 2008. São rememorações que guardamos sempre e elas afloram quando surge um momento asado. Momento sim para trazermos às nossas intenções a memória deste sacerdote, levando aos céus nossas orações para que esteja agora junto do Senhor. Tomei a liberdade de incluir o seu texto em nosso blog de antigos seminaristas: TÁVOLA REDONDA DOS SEMINÁRIOS= http://tavolaseminarios.blogspot.com.br/ - Um abraço!Ierárdi Neto(1957/1962)
Grande Neri ! Me encheu de saudades e fiquei sorrindo de canto de boca me lembrando das surras de xadrez que o Vitorino me dava...fui revendo os professores/padres...senti já a ausência de alguns e os que ainda vemos... obrigado, amigo,pelas memórias reavivadas...Antonio João Thozzi

Dom José Carlos de Aguirre - Sagrador de Redentoristas

 

Dom José Carlos de Aguirre 
+8 DE JANEIRO DE 1973 
Histórico: Dom José Carlos Aguirre, o venerado pastor, nasceu em Itaqueri da Serra - SP, em 28 de abril de 1880. Ordenado presbítero em 08 de dezembro de 1904 e sagrado Bispo em 08 de dezembro de 1924, tomando posse de sua primeira e única diocese, em 31 de dezembro de 1924. Teve um dos mais longos pastoreios: 49 anos. A fecundidade de seu episcopado e a sua figura simples e bondosa, fizeram com que gozasse da simpatia geral do clero, das autoridades, dos católicos e dos sorocabanos em geral. Faleceu no dia 08 de janeiro de 1973 e seus restos mortais estão sepultados na Igreja Catedral de Sorocaba. Dom Aguirre - um homem de valor, alegre, bem-humorado, humilde, piedoso, com presença de espírito, prudente, simples, firme, imparcial, homem reto e justo. Discreto. Vida de modéstia e desprendimento, profundamente amoroso. Homem que privilegiou a educação e o trabalho científico. Foi o primeiro Bispo de Sorocaba e com seu esforço e humildade, passando muitas privações, construiu o Seminário São Carlos Borromeu. Muitas vezes tomava uma refeição durante o dia - sopa de mandioca. Suas irmãs faziam sabão de cinzas para vender e arrecadar dinheiro. Sofreu mais ainda quando soube que não havia mais seminaristas... Governou a Diocese com energia e bondade, o binômio indispensável de quem tem autoridade. Sempre recusou honrarias. Ao receber elogios, finalizava - ''Quem me conhece é meu confessor. Ele é que deveria falar''. Frequentava salão de barbeiro e aguardava sua vez na fila. A virtude que mais marcou sua vida - a simplicidade. Ninguém em Sorocaba conhecia o Palácio Episcopal - hoje estacionamento do Banco do Brasil - mas a Casa do Bispo, aberta a todos a qualquer hora, sem protocolo. Outra virtude que marcou o primeiro Bispo de Sorocaba - a Prudência. Nada de precipitação ou ousadia temerária. Sua condução era também humilde. Viajava a pé, de bonde, de trem, muitas vezes sozinho, carregando pesadas malas. A todos cativava com sua conversa, com seu sorriso, com suas piadas inocentes. Foi admirado por católicos, espíritas, protestantes, maçons. Não dava ordens, mas pedia com tal humildade e bondade que se tornava impossível deixar de atendê-lo. Na falta de coroinhas, não hesitava em auxiliar nas missas de seus padres. Os grandes problemas da Diocese resolvia-os passando noites em claro, entre lágrimas no Sacrário. Na época foi o Bispo que maior número de padres ordenou. Teve uma experiência profícua, notadamente no campo cultural, fundando e participando ativamente da vida das faculdades de Medicina e Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba (hoje Universidade de Sorocaba). Texto de seu Testamento Hológrafo (escrito pessoalmente): ''Peço perdão dos meus inumeráveis pecados, principalmente o da omissão.'' Faleceu aos 93 anos de idade. Seu corpo jaz numa cripta construída por sua iniciativa, à esquerda da porta principal da Catedral, junto ao Batistério. Os desejos do Bispo: Caixão de terceira. Nada de flores. Missas sim, muitas missas. Na época da sua morte era o bispo mais idoso do país. Durante todo o convívio com o povo sorocabano, Dom Aguirre foi admirado e respeitado pela extrema humildade e bom humor, além dos vários serviços filantrópicos levados paralelamente a atividades da Igreja. Participou ainda dos trabalhos de criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e da Faculdade de Medicina de Sorocaba. Numa seção de classificados de um dos jornais de Sorocaba, foi colocado um anúncio onde se lia:
Reconhecimento por uma graça alcançada por intermédio de nosso saudoso bispo Dom José Carlos de Aguirre. João Alberto Rampim de Oliveira 
Fonte: Colégio Dom Aguirre / Cruzeiro do Sul
Fui crismado por esse bispo e meu tio, Pe. Campos, foi ordenado sacerdote por ele. Abner(+)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

ELES VIVERAM CONOSCO - PADRE CARLOS DA SILVA CSsR

PADRE CARLOS DA SILVA CSsR
*02 de Agosto de 1934
+07 de Janeiro de 2016
Origens       
Pe. Carlos da Silva nasceu a 02 de agosto de 1934, em Barão de Antonina (SP), filho de João Amâncio da Silva e Donária Pereira de BarrosSeu batismo foi realizado aos 25 de fevereiro de 1935, na paróquia São João Batista, em Itaporanga (SP). 
Vocação
Ele entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, aos 12 de fevereiro de 1944 onde permaneceu até dezembro de 1951. Fez o Ano de Noviciado em Pindamonhangaba (SP) em 1952, professando na Congregação no dia 02 de fevereiro de 1953.
Os estudos de Filosofia e Teologia foram realizados no Estudantado de Tietê (SP) onde professou perpetuamente na Congregação Redentorista aos 02 de fevereiro de 1956. Foi ordenado Diácono em Tietê, no dia 16 de março de 1958 e depois Sacerdote lá mesmo em Tietê, a 01 de julho de 1958, por Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba. 
Ministério Sacerdotal
Recém-ordenado, iniciou seu apostolado no Santuário de Nossa Senhora da Penha, em São Paulo, no ano de 1959 e depois no Santuário de Aparecida entre 1960 e 1961. De 1962 a 1975 trabalhou na formação e no magistério no Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida, onde foi o seu diretor de 1970 a 1975.
Neste tempo, em 1965/1966, transferiu-se para Roma onde estudou Pedagogia e Sociologia com os Padres Salesianos, alcançando graduação. Retornaria outra vez a Roma, entre 1976 e 1979, estudando Direito Canônico na Pontifícia Universidade Lateranense.
De 1979 a 1990, residindo na Comunidade das Pesquisas Religiosas, em São Paulo, lecionou Direito Canônico no ITESP, Instituto Teológico São Paulo e em outros seminários. Também prestou assessoria a dioceses, congregações e tribunais eclesiásticos, dando cursos, escrevendo e traduzindo livros, sempre na área do Direito Canônico. Neste tempo, de 1981 a 1984, foi Conselheiro Provincial e depois Superior Provincial de 1984 a 1990.
De 1991 a 1992 residiu em Aparecida, atuando no Santuário Nacional, voltando depois mais uma vez a Roma como Superior da Casa Santo Afonso, assessor Jurídico do Superior Geral da Congregação e Vice-Procurador Geral entre 1993 e 1996, sendo eleito novamente Superior Provincial entre 1996 e 2002, Neste período trabalhou muito para livrar a Província de São Paulo da grave crise econômica e administrativa que enfrentava.
A partir de 2003, depois de ter exercido estes e outros serviços na Província de São Paulo, retornou a Aparecida, residiu na Comunidade Redentorista do Santuário, trabalhando na revisão dos livros da Editora Santuário, enquanto sua saúde permitiu. Ali viveu até o fim de sua vida. 
Serviços na Província e na Congregação
Ao longo de sua vida ministerial Pe. Carlos Silva prestou diversos serviços de coordenação e de governo na Província de São Paulo e na Congregação Redentorista em Roma.
Ele se caracterizou como um confrade marcadamente intelectual e acadêmico: livros, estudos, cursos, assessorias, formação e magistério. Sendo um líder nato, devido aos inúmeros cargos que ocupou, esteve presente em diversos acontecimentos importantes da Província seja como vogal e moderador de nossos Capítulos Provinciais ou no encargo de membro da Comissão que preparou o Capítulo Geral de 1991, realizado em Itaici (SP), o primeiro realizado fora da Europa.
Depois de deixar o Provincialado, em 2002 sua saúde foi se complicando. Em fins de 2015 sua saúde foi se debilitando cada vez mais. No dia 07 de janeiro de 2016 partiu para a Casa do Pai. Ele sofreu uma trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
O corpo foi velado, primeiro no Salão do Convento Redentorista e depois no Santuário Nacional, onde foi celebrada missa de corpo presente às 16:00h. O sepultamento ocorreu no Cemitério Santa Rita, em Aparecida (SP).
A Congregação do Santíssimo Redentor e a Província de São Paulo agradecem a Deus pela sua vida e por todo o bem que fez à Igreja. Que ele descanse em paz! 
Pe. José Inácio Medeiros, CSsR
Arquivista  e Secretário Provincial
Aparecida, 07 de janeiro de 2016

Padre Carlos da Silva foi meu professor de história no Seminário Santo Afonso em Aparecida-SP em 1962. Gostava demais de falar sobre Napoleão Bonaparte. Manteve esse tema por cerca de três meses.
Era partidário do Dr.Ademar de Barros. Lembro que quando houve em 1962 campanha para o governo do estado de São Paulo ele candidatou-se para impedir que o Sr.Jânio Quadros, que renunciara um ano antes a presidência do Brasil, assumisse a administração do estado paulista. A Igreja mostrava interesse decidido  em José Bonifácio Coutinho Nogueira, que tinha o apoio direto do então governador Sr.Carvalho Pinto. Tínhamos ao lado do salão de estudos um local que chamávamos “Exposições Periódicas” por onde acompanhávamos o desenrolar do processo eleitoral. As notícias que víamos era apenas sobre o Sr.José Bonifácio. Foi quando o Padre Silva começou a nos trazer informações sobre o Dr.Ademar ainda que os confrades não gostassem muito.
Os candidatos vinham ao seminário para apresentar suas propostas. Eram todos muito bem recebidos. Entretanto, quando veio o Dr.Ademar, ninguém quis fazer nada. Pedi ao Padre Silva que me ajudasse e ele trouxe-me um gravador para termos as intenções do candidato assim como fora realizado com os demais.
Há um fato que se conta da época em que o então reitor do seminário, Padre Antônio Penteado tenha admitido uma situação de telepatia por parte do Pe.Carlos Silva que vinha de ser ordenado e ainda prestava exames anuais, durante 5 anos, que eram redigidos no seminário maior de Tietê e encaminhados à reitoria dos novos ordenados. Na ocasião, Pe.Silva garantia que saberia em Aparecida-SP as questões no mesmo momento em que seriam redigidas em Tietê-SP. Com a dúvida dos confrades e a autorização do Pe.Penteado, Pe.Silva escreveu as questões e as entregou àquele reitor. Este, ao recebê-las posteriormente do Seminário de Tietê, comparou-as e confirmou o acerto antecipado do Pe.Silva. Houve apenas a inversão das questões 4 e 5, considerando, como se soube depois, que a questão 4 fora retirada e recolocada em seguida no lugar da questão 5 que ficara em 4º lugar. Esse fato foi-me devidamente confirmado pelo próprio Pe.Silva em 2008.
 São rememorações que guardamos sempre e elas afloram quando surge um momento asado.
Momento sim para trazermos às nossas intenções a memória deste sacerdote, levando aos céus nossas orações para que esteja agora junto do Senhor. Antônio Ierárdi Neto(1957/1962)
Meus sentimentos e minhas orações. Pe Silva também foi meu professor de história e diretor quando estive no seminário Santo Afonso. Depois foi meu professor de Direito Canônico, quando fiz o curso de teologia no então ITESP.  E era o provincial, quando deixei a província. Minhas orações. Um homem que fez muito pela província de São Paulo.João Loch 
No dia 07/01/16, por volta das 21h:30m, partiu para a casa do Pai celeste o Missionário Redentorista Pe. Carlos Silva, C.Ss.R, aos 81 anos. - Sua ultima residência nesta terra foi o Convento dos missionários redentoristas, do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida - SP. Hoje, 08/01/16, às 16 horas acontecerá a Santa Missa e a seguir sepultamento. Deixará saudades. Ele foi um verdadeiro discípulo e missionário do Redentor. A Província Redentorista de São Paulo agradece por tudo que fez. Foi, sem dúvida, um grande missionário. Obrigado Pe.Carlos Silva. Nossa Senhora o acolhe no céu e o apresenta a Jesus nosso Redentor. Descanse em paz. Aos familiares nossa oração e sentimentos. Aos redentoristas a nossa oração e suplicas ao Pai do céu para que continue enviando muitos e bons missionários. - Pessoalmente devo muito de minha vida e apoio na formação deste grande servo de Jesus. Vai em paz Pe.Carlos.Ir.Manoel Aparecido dos Santos
Após o almoço todos tínhamos o dever de estar no barracão de recreio, ali haviam quase todos os tipos de divertimentos: dominós, baralhos, ping pong, bilhar, sinuca, xadrez, dama , trilha , gamão ; todos distribuídos pelas várias mesas.
Logo na minha primeira semana de Seminário de Santo Afonso em fevereiro de 1973 procurei me adaptar às regras da nova casa: agora em seminário dos maiores. Sentiria talvez saudades dos anos na cidade de Tietê, lá do seminário dos menores... ali em Aparecida parece que a responsabilidade era mais exigida, afinal estávamos cursando os três últimos anos antes de ingressar na faculdade. Parecia-me no entanto que ali também valiam algumas regras comuns que seguíamos no Seminário de Santa Terezinha: haviam os novatos e os mais velhos. 
Bem diferente do que acontecera nos primeiros dias de quando entrei para o Seminário, ali no Santo Afonso já estava mais adaptado á vida comunitária, fundamental para todos os missionários redentoristas. Nos primeiros dias já conhecia todos os padres e os novos amigos. No barracão de jogos, circulava entre as mesas e percebi que ao redor de uma delas formara -se um pequeno grupo compacto de torcedores . Aproximei-me. Havia um padre jogando dama com um seminarista. Quando esse perdia dava seu lugar para outro sob as ovações de apoio e críticas dos companheiros. Ninguém conseguia vencer aquele padre. Eu, raramente perdia uma partida de dama. Poderia tentar, afinal não tinha nada a perder. Entrei na fila. Alguns amigos se aproximaram para assistir ao combate ou a derrota. Parecia que esse tal padre era dos bons e impunha respeito. Chegou a minha vez. Sentei-me diante dele. Ele me olhou por cima dos óculos, franziu a testa e pediu prá que eu começasse. Pensei com meus botões: “ Esse padre deve ter um cargo importante pois todos se portam diferente diante dele e mantém certa distancia respeitosa “...mas todos estão perdendo pois usam de jogadas clássicas no início dos jogos de dama e o padre só faz também armar armadilhas clássicas. Farei diferente, fugirei da mesmice e partirei para toques sem nenhuma conexão obrigando o padre a sair de seu “status quo “” e não lhe darei tempo de pensar em fazer nenhuma jogada de ataque...iniciei a partida e, aos poucos vi o padre franzir os olhos e me olhar por sobre os óculos e coçar o queixo. “ Bom sinal,” pensei, “ele sabe que diante de si tem um jogador mais esperto”. ..Continuamos o jogo e aumentou o grupo da torcida ao redor da mesa. Olhei nos olhos do padre e não gostei do vi: estava sério demais e havia a ameaça de um sorriso bem na linha em um lado da sua boca. Isso era sinal de que ele estava muito confiante e só aguardando a chance de dar o golpe fatal...afastei o corpo da mesa e, tentei imitar o padre: coloquei também a ameaça de um sorriso no canto da boca e o encarei e disse: “ Não sei quem é o senhor, padre, mas comigo será diferente...fique na sua porque não jogo prá perder!”. A torcida caiu na gargalhada e alguns se ajuntaram atrás de mim, outros vendo que eu me colocava a altura do padre também se juntaram aumentando o bloco de torcedores. Conduzi as jogadas com mais lentidão sempre fugindo daquilo que o padre estava acostumado a jogar...mas aquele “ bendito” sorriso que não saía do canto de sua boca começou a me perturbar...e tentei perceber quais eram as suas intenções mas não conseguia pois ele ia respondendo às minhas jogadas como se tivesse certeza da vitória. Nas últimas jogadas eu já sabia que venceria mas, o padre parou, coçou o queixo, franziu os olhos e demorou mais do que o normal para responder a minha jogada e então fez a sua jogada fatal...a torcida aplaudiu e novamente caiu na gargalhada: “ Aí, Neri , encontrou um parceiro à sua altura!”. Cumprimentei o padre: “ Parabéns, gostei de jogar com você, vamos jogar mais vezes e te pego, muito prazer, eu me chamo Neri! ”. E então, se levantou e estendeu-me mão: “ O prazer foi meu, mas você tem que treinar mais, é muito esperto, eu me chamo Pe. Carlos Silva ! – “ nos cumprimentamos e ele se retirou. Os amigos se aproximaram: “ Não conhecia o Padre Silva?” – me perguntaram. “ Não!”, ele joga muito bem !” – respondi. “ Ele é o diretor do Seminário!” – respondeu um amigo – “ é muito inteligente, entrou no seminário com apenas nove anos de idade!”. Neri Pereira da Silva
O já saudoso Pe. Silva, também era um exímio jogador de xadrez. E o salão de jogos era um lugar muito especial. Muito especial ter vivido tudo isso!! E sobra muita saudade deste tempo impar de nossas vidas!! Esteja com Deus, querido Pe. Silva. Ubaldo Bergamin Filho
Caro Vicente, na sua pessoa transmito os meus sentimentos à família redentorista. O que Pe. Silva foi para a Província, talvez a gente que não acompanhou todos os passos não imagine. Mas, na vida pessoal de centenas de pessoas ele foi marcante, sem dúvida. Quantos fomos alunos , amigos e admiradores do "Silvão"! Do Silvão de invejável cultura, incentivador de talentos, amigo dos esportes, promotor de eventos culturais, antenado e incentivador das inovações que despontavam já nos anos 60 e 70. É justo sentirmos sua partida; mas, é mais justo nos alegrarmos que tenhamos tido a oportunidade de convivermos com sua pessoa. Com o latim que dele aprendi, me despeço: "semper motuus, semper vivus". Joaquim Araújo
Realmente Joaquim, seu comentário é justo e pontual. Em todas as vezes que tive o prazer de me encontrar com ele depois que sai do seminário, sempre senti o enorme carinho e prazer que tinha nestes reencontros. Um grande homem, grande padre e grande pai.Tive e tenho pelo Padre Silva o mesmo respeito que tive e tenho pelo meu também saudoso pai.E também muita saudade dos dois!! Descanse em paz Silvão!!Ubaldo Bergamin Filho
Fui para o seminário em fevereiro de 1949, lá conheci um aluno da quinta série chamado Novarro, habituei-me e supunha que fosse um sobrenome espanhol. Nunca tive contato com ele, pois eu era da turma dos menores e ele pertencia aos maiores, as turmas não se comunicavam. Sua fama era de ser o aluno mais inteligente da época, gostava de recitar "Navio Negreiro" de Castro Alves, tinha uma memória fabulosa, dizem que estava decorando "Lusiadas" e teria recitado esse poema de Camões em sua sala de aula por um espaço de tempo que deixou boquiaberto seu professor e seus colegas de turma. Voltando ao codinome "Novarro", só posteriormente fiquei sabendo que isso foi criação do padre Pereira em virtude de sua pouquíssima idade ao entrar no seminário, nove anos, Novarro seria um superlativo de Novíssimo. Outro de sua turma que também ganhou um apelido foi o Zompero, conhecido no meu tempo por "Pirulito" . Boa história, anima-me a voltar aos meus contos, nada mudou, você me fez lembrar do padre Carlos Silva, do Rodolfo e do Pacheco, meus contemporâneos, seminaristas da década de cinquenta. No meu tempo, os jogos eram determinados por grupos e, semanalmente, éramos obrigados a ficar somente em um segmento, seja baralho, xadrez ou dama, eram determinações hebdomadárias. Havia um seminarista gaúcho, chamado Serafim , era um santo, estava na sétima série, nunca teve o seu nome incluído no FIGO, eis que, em certo domingo, seu nome foi citado naquele fatídico livro :- "O Serafim recusou-se a jogar " Mico Preto". Fazendo referência, ainda, a esse seminarista, de comportamento exemplar, tive a decepção de vê-lo excluído do seminário por problemas de saúde, foi mandado embora por ser portador de uma ferida incurável em uma das pernas. Tive notícia, posteriormente, que, perseverante na vocação, ingressou em um seminário diocesano e tornou-se padre, realizando, assim, o seu sonho de servir a Deus.Dumas
Saudosa memória de nossos tempos! No meu tempo havia um jovem que era campeão no xadrez...ninguém ganhava dele e ele ainda fazia ironia do adversário.... o apelido dele era Picolé, o nome era Gaspar...quanto ao nosso Castro Alves, decorei e declamei por vezes O LIVRO E A AMÉRICA....O NAVIO NEGREIRO....VOZES DA ÁFRICA.....O estimado Pe.Zômpero surgiu ao SRSA em 1958...incentivando especialmente a Educação Física e Esportes...Uma vez, em uma de nossas festinhas do domingo, fiz um discurso para cumprir nosso treinamento para o púlpito e missões. Pe.Zômpero gostou muito e pediu-me cópia para usar em algum de seus futuros sermões(assim se denominava a homilia em nosso tempo!)Ierárdi
Pe. Silva era um exímio professor. Eu nunca me dei bem com ciências exatas mas, ele era tão bom professor que a aula de que eu mais gostava era a aula de álgebra. Sabia ensinar. Homem muito inteligente e de fácil comunicação. Sebastian Baldi
Foi meu professor de História Geral . Gostava muito de suas as aulas . Que esteja em paz.Vagner Gaspar 
Foi meu contemporâneo, no seminário Santo Afonso e também no seminário maior, em Tietê. Inteligentíssimo. Alegre, brincalhão. Um verdadeiro redentorista. Nos recreios, eu e ele jogávamos aquele futebolzinho de mesa, enquanto os outros jogavam futebol de verdade, na quadra de esportes. Saudades.João de Deus Rezende Costa 
Grande mestre e... segredo... sãopaulino como eu... sempre me informava os resultados dos jogos de nosso time... além de entabular pequenas conversas em italiano... junto com Pe. Zompero, nossos grandes mestres.... Ivanir Vicari 
Foi meu  professor de historia. Montava os torcedores dos grandes generais. Carlos Magno, Júlio César, Aníbal, eu ficava com Átila o Rei dos Hunus, que fez Roma tremer sob as patas de seus cavalos.Olavo Caramori Borges