Como de hábito, no final da madrugada, quando o silêncio favorece as primeiras reflexões, repasso textos, informações e notícias das últimas horas.
Esta madrugada não foi diferente.
A mensagem do presidente Donald Trump e de Melania Trump por ocasião da beatificação do arcebispo Fulton J. Sheen chamou-me a atenção para uma característica marcante de sua missão: a extraordinária utilização dos meios de comunicação para anunciar o Evangelho.
Imediatamente me vieram à memória dois sacerdotes brasileiros: Padre Roberto Landell de Moura e Padre Vítor Coelho de Almeida, C.Ss.R.
Três presbíteros das Américas.
Três histórias distintas.
E uma percepção comum: ciência, tecnologia e comunicação também podem servir à evangelização.
Landell de Moura (1861–1928), sacerdote, cientista e inventor, realizou experiências pioneiras de transmissão da voz sem fios.
Mais do que discutir a primazia da invenção do rádio, interessa-me sua visão: ciência e religião não precisavam caminhar em direções opostas.
Landell procurava descobrir como a voz poderia chegar mais longe.
Décadas depois, Fulton Sheen compreenderia que essa mesma possibilidade tecnológica poderia colocar o Evangelho diante de milhões de pessoas.
Do rádio passou à televisão, dominando a linguagem dos novos meios e fazendo da sala das casas uma extensão do púlpito.
No Brasil, Padre Vítor Coelho percebeu igualmente a força pastoral do rádio. Sua voz tornou-se inseparável da história da Rádio Aparecida. Pelas ondas, chegava às famílias, aos trabalhadores, aos enfermos e às comunidades mais distantes.
Era a Missão Redentorista viajando pelo rádio.
Não pretendo estabelecer uma relação histórica direta entre os três.
O paralelo está naquilo que perceberam:
os meios mudam; a missão permanece.
Landell pesquisou as ondas.
Sheen ocupou as ondas.
Vítor Coelho transformou as ondas em missão popular.
Mais tarde, o Concílio Vaticano II reconheceria, no decreto Inter Mirifica, as extraordinárias possibilidades dos meios de comunicação social.
E chegamos a 2026.
Se esses três evangelizadores estivessem hoje diante da internet, dos podcasts, das redes sociais, dos algoritmos e da Inteligência Artificial, o que fariam?
Talvez não perguntassem se devemos utilizar essas ferramentas, mas como utilizá-las a serviço do ser humano e da Boa-Nova.
Ontem, ondas eletromagnéticas.
Depois, rádio e televisão.
Hoje, plataformas, redes e Inteligência Artificial.
A tecnologia muda.
A pergunta missionária permanece:
como fazer a Palavra chegar mais longe sem perder sua verdade e sua humanidade?
Fulton Sheen agora é Beato. Padre Vítor Coelho, Venerável, prossegue em sua causa de beatificação. E Padre Landell de Moura merece ocupar cada vez mais o lugar que lhe corresponde na memória das comunicações.
A ciência descobre caminhos.
A comunicação encurta distâncias.
A evangelização lhes dá um sentido: chegar ao outro.
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| PEDRO LUIZ DIAS |

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