sexta-feira, 25 de setembro de 2026

TRÊS VOZES, UMA MISSÃO: DAS ONDAS À EVANGELIZAÇÃO

Como de hábito, no final da madrugada, quando o silêncio favorece as primeiras reflexões, repasso textos, informações e notícias das últimas horas. 
Esta madrugada não foi diferente. 
A mensagem do presidente Donald Trump e de Melania Trump por ocasião da beatificação do arcebispo Fulton J. Sheen chamou-me a atenção para uma característica marcante de sua missão: a extraordinária utilização dos meios de comunicação para anunciar o Evangelho. 
Imediatamente me vieram à memória dois sacerdotes brasileiros: Padre Roberto Landell de Moura e Padre Vítor Coelho de Almeida, C.Ss.R. 
Três presbíteros das Américas. 
Três histórias distintas. 
E uma percepção comum: ciência, tecnologia e comunicação também podem servir à evangelização. 
Landell de Moura (1861–1928), sacerdote, cientista e inventor, realizou experiências pioneiras de transmissão da voz sem fios. 
Mais do que discutir a primazia da invenção do rádio, interessa-me sua visão: ciência e religião não precisavam caminhar em direções opostas.
Landell procurava descobrir como a voz poderia chegar mais longe. 
Décadas depois, Fulton Sheen compreenderia que essa mesma possibilidade tecnológica poderia colocar o Evangelho diante de milhões de pessoas. 
Do rádio passou à televisão, dominando a linguagem dos novos meios e fazendo da sala das casas uma extensão do púlpito. 
No Brasil, Padre Vítor Coelho percebeu igualmente a força pastoral do rádio. Sua voz tornou-se inseparável da história da Rádio Aparecida. Pelas ondas, chegava às famílias, aos trabalhadores, aos enfermos e às comunidades mais distantes. 
Era a Missão Redentorista viajando pelo rádio. 
Não pretendo estabelecer uma relação histórica direta entre os três. 
O paralelo está naquilo que perceberam: os meios mudam; a missão permanece. 
Landell pesquisou as ondas. Sheen ocupou as ondas. Vítor Coelho transformou as ondas em missão popular. 
Mais tarde, o Concílio Vaticano II reconheceria, no decreto Inter Mirifica, as extraordinárias possibilidades dos meios de comunicação social. 
E chegamos a 2026. 
Se esses três evangelizadores estivessem hoje diante da internet, dos podcasts, das redes sociais, dos algoritmos e da Inteligência Artificial, o que fariam? 
Talvez não perguntassem se devemos utilizar essas ferramentas, mas como utilizá-las a serviço do ser humano e da Boa-Nova. 
Ontem, ondas eletromagnéticas. 
Depois, rádio e televisão. 
Hoje, plataformas, redes e Inteligência Artificial. 
A tecnologia muda. 
A pergunta missionária permanece: como fazer a Palavra chegar mais longe sem perder sua verdade e sua humanidade? 
Fulton Sheen agora é Beato. Padre Vítor Coelho, Venerável, prossegue em sua causa de beatificação. E Padre Landell de Moura merece ocupar cada vez mais o lugar que lhe corresponde na memória das comunicações. 
A ciência descobre caminhos.

A comunicação encurta distâncias.

A evangelização lhes dá um sentido: chegar ao outro.
PEDRO LUIZ DIAS

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