O sacerdote é o homem consagrado para um ministério especial na Igreja; consagrado para ser um outro Cristo. S. Paulo fala que ele é tirado do meio do povo e devolvido ao povo para oferecer sacrifício pelos seus pecados e pelos pecados dos outros; mostrando assim que, mesmo consagrado, ele é uma pessoa humana frágil.
Como Jesus aprendeu na obediência, o padre também faz uma caminhada na qual aprende como agir como pessoa de Cristo; ele se prepara para sua missão, se capacita, se educa e se santifica pelo exercício do ministério.
A ordenação sacerdotal não modifica o ser humano do padre. Ele continua com suas tendências hereditárias, seu temperamento, seu limite humano e vai ter de caminhar muito crescendo sempre interiormente para ser um homem de Deus. Ele vem de uma família e por mais que trabalhe essa pessoa, ela terá as marcas que vem trazendo consigo.
À maneira dos apóstolos, o Mestre continua chamando e aqueles que aceitam certamente vão trazer consigo qualidades e defeitos, alguns perfeitamente superáveis e outros sem possibilidade de mudança.
Ao passar pelo período de formação, ele é acompanhado e ajudado em sua formação intelectual, humano-religiosa. É feita uma seleção, pois há muitos que querem ser sacerdotes e não possuem as condições requeridas e nem foram chamados, vieram atraídos por sentimentos religiosos, por chances de melhorar a vida, como saída viável para situações diversas. Outros não possuem condições psicológicas, equilíbrio e capacidade para viver a vida consagrada.
Precisamos entender que, apesar de todo o esforço, exigências e cuidados, alguns são ordenados sacerdotes com bem poucas condições intelectuais, pouca capacidade de coordenação e alguns até desequilibrados.
Durante o período de formação ou não mostraram o que realmente eram ou houve muita condescendência em alguns casos; outros mostraram seus desequilíbrios só depois de ordenados, quando vão assumir uma comunidade. Há também um pouco de descuido ao procurar informações, principalmente daqueles que vivem procurando dioceses que os ordene.
Por isso temos padres de todos os tipos e sentimos dificuldade em nos adaptarmos a alguns que fogem mesmo de qualquer paradigma de normalidade. Ao lado de tantos que são zelosos, sérios e cuidadosos, temos aqueles que, sem dúvida, deixam muito a desejar.
Não precisamos ser cordeiros e aceitar tudo; temos o direito de reclamar com quem pode resolver e encaminhar soluções. Por outro lado temos que deixar de ser exigentes e de querer transformar o padre segundo a nossa cabeça e o nosso gosto. Vamos entender a possibilidade de cada um a ajudá-los a superarem seus limites humanos.
E quando houver mudanças de padres em nossa comunidade, continuemos dando apoio e aceitando modelos novos de trabalho ou modos diferentes de coordenação, embora possamos continuar pensando que os bispos deveriam tomar atitudes em relação a alguns casos.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE-VOLUME 9
EDITORA SANTUÁRIO
segunda-feira, 13 de março de 2023
domingo, 12 de março de 2023
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - SER MÃE!
Quando vejo crianças brincando ou protegidas nos braços de uma mãe, me vem à lembrança o que dizia uma mulher no metrô em Roma, comentando com outra sobre os insultos de um filho mal-educado: “É melhor criar um cão, do que um filho”.
Realmente ser mãe não é para qualquer pessoa, pois é um dom, uma graça, uma vocação. Quem não tem competência é melhor mesmo que gaste seu tempo e dinheiro entre animais irracionais. Não sou contra animais, mas sou contra a insensatez de quem os quer transformar em pessoas humanas. Ê ridículo ver atitudes em relação a animais que caberiam bem a qualquer criança e com mais proveito. Para essas pessoas, a maternidade não pode ser considerada apenas como um peso, mas uma incapacidade.
A capacidade de ser mãe só existe num ser normal no qual foram desenvolvidas as capacidades de amar, de se doar, a sensibilidade que humaniza as pessoas e todas as relações humanas, o ser religioso que vive valores evangélicos do respeito à vida e à dignidade de toda a pessoa humana.
Ser mãe é graça, convite para gerar e repartir a vida, que é vida de Deus nas pessoas.
E graça não cabe em qualquer lugar, nem em qualquer coração.
Ser mãe é uma vocação sublime, própria de quem ama a vida e é sumamente agradecida pela vida que recebeu de Deus. É abrir o coração para uma nova semente que germinará em seu seio, nova imagem de Deus, a quem ela ama profundamente.
Ninguém é obrigado a viver essa realidade divina da vida multiplicada com amor, do gesto criador de Deus, pois aqui a mãe sente o filho como sua própria carne e sua própria vida, expressão mais íntima de seu ser.
Bem falou o Evangelho: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos outros”. A mãe vê sua própria vida prolongada na vida do filho. Ela se esquece, porque agora se tornou o santuário da vida.
Como nos prostituímos nos pensamentos e sentimentos. Como estamos corrompidos pela ignorância, pelo medo, pela insensatez, pelo egoísmo. Perdemos lentamente a capacidade de amar gratuitamente. Hoje criança é um peso social que impede a falsa liberdade. Jogamos com a vida, deixando prevalecer os interesses e a comunicação social que nos apresentam diariamente falsas mães, mães irresponsáveis, mães reprodutoras para as quais filhos são uma satisfação passageira, um peso, ou um brinquedo ou uma auto-afirmação. Melhor para eles seria não ter nascido.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 11
EDITORA SANTUÁRIO
sábado, 11 de março de 2023
PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - VOCAÇÕES
Atualmente há tantas reclamações contra padres por causa de suas atitudes diferentes, do modo de tratar as coisas de Deus e dos seus defeitos morais. Sempre o que é errado aparece mais do que o bem feito, por isso nos chama atenção o defeito do padre.
Quando temos um padre com quem nos acertamos, reclamamos muito na oportunidade de sua transferência para outro lugar. E temos dificuldade em nos adaptar ao que vem certamente num modelo diverso do que tínhamos.
Não se trata de não perceber, pois não se esconde o que está patente. Trata-se de analisar e com flexibilidade nos acertarmos com um novo modelo de pastoral e novas atitudes pessoais do padre que está chegando. Também não podemos encobrir aquilo que não é normal em qualquer comportamento, mas então o caminho será outro e não apenas o nosso protesto.
Na formação de sacerdote sempre há muito cuidado na seleção e formação, mas às vezes certos elementos passam na esperança de que depois ele se acerte e se equilibre ou que amadureça. Outros só mostram os desacertos depois de algum tempo no trabalho comum.
A parte maior do problema vem das famílias, onde nascem as vocações. Como transformar um elemento que já vem tão deformado ou tão judiado pela hereditariedade e pelos problemas que passam nas famílias? Podemos até dizer que não devia ser aceito para o sacerdócio, mas com tanta falta de padre sempre fica uma esperança de que nada de mal aconteça.
As melhores famílias oferecem tantas oportunidades e chances para os filhos que a possibilidade de uma vocação sacerdotal nem é pensada e nem há espaço. As vocações estão surgindo ainda de famílias rurais que, moram na cidade, mas não perderam seu cunho de rural. Não que seja uma fonte ruim de vocações, mas podíamos aproveitar mais os que já estão em situação mais privilegiada. Problemas vão surgir em todas as famílias, mas as que estão melhor trabalhadas são as que têm mais chances de oferecer filhos em melhores condições.
Pelo que vemos nas famílias modernas, temos de acreditar muito no chamado de Jesus, porque nossos ambientes e vida familiar estão colaborando muito pouco para o surgimento de novas vocações.
Um pai e uma mãe que vivem uma vida sinceramente cristã e se preocupam com sua comunidade, certamente estão dando aos filhos uma motivação grande para que escolham o caminho do sacerdócio.
Melhores famílias, melhores candidatos ao sacerdócio.
Essa é uma consciência que devemos ter. Até que melhorem as condições humanas de que vem como chamado, nós vamos procurando nos acertar com o que temos e com aqueles que bondosamente colocam-se a serviço da Igreja e do ministério sacerdotal. Acreditemos no padre.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
VOLUME 9
EDITORA SANTUÁRIO
sexta-feira, 10 de março de 2023
PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE!-VOTO E PROMESSA!
Que confusão o povo apronta quando se trata de promessas! E não é para menos: como distinguir entre voto, promessa, juramento, intenção, proposta, propósito? O que nos interessa são as tais “promessas” feitas a qualquer hora e de qualquer forma, na maioria das vezes sem ter conhecimento do que se está fazendo.
Voto é uma promessa feita a Deus de uma maneira deliberada e livre, de um bem melhor e possível. Ninguém está obrigado a prometer e não é possível prometer a Deus algo ruim. É um gesto de adoração a Deus, um gesto de ação de graças.
Há votos públicos e particulares que dependem de orientação e formação, bem como da aceitação da Igreja. Há outros tantos que revelam a intenção da pessoa ou um contrato a ser feito. Mas todos eles procuram sempre um bem melhor, sem nada exigir. Cada um é livre para se obrigar por um voto. Supõe que a pessoa saiba o que está fazendo e queira fazer.
A intenção e o propósito não exigem a mesma fidelidade que o voto e o juramento exigem. As intenções e propósitos fazem parte de um projeto de vida e são pequenas ou grandes metas que colocamos para alcançar o objetivo. Mas em tudo isso vale sempre a fidelidade; assim diz o Salmo: “Cumprirei os votos que fiz ao Senhor todos os dias de minha vida”.
A confusão começa quando fazemos nossas promessas com a intenção de alcançar alguma graça de Deus ou dos santos. Há gente esclarecida que sabe o que faz. Há gente que faz promessa no desespero, faz promessas que são verdadeiros castigos. Há outros com o mau costume de fazer promessas a toda hora; quando não fazem para outros cumprirem. O que é certo nessa confusão?
Uma promessa não é um gesto para obrigar a Deus a nos atender. Não é um negócio, uma troca com Deus. É muito mais um pedido de intercessão, no qual determinamos o modo como vamos fazer nossa ação de graças. Na verdade é mais um propósito. Não podemos dizer que muitas promessas cheguem a ser um voto; faltam condições.
Para ação de graças vamos oferecer coisas boas, nada que prejudique a nós ou a outros. Não se fazem promessas a torto e a direito. Não se faz promessa para outros cumprirem; pode-se cumprir na intenção do outro. Ninguém é obrigado a cumprir promessa que outros fizeram. Não se faz promessa no desespero, sem saber o que está fazendo. Não se deve fazer promessas para a vida inteira; as circunstâncias podem mudar e o que fazer depois? Para que fazer uma promessa de atravessar a passarela da Basílica de joelho no chão? É prejudicial à saúde. Jesus já falou que vale mais um coração arrependido que muitos sacrifícios.
Muitas promessas não são válidas, porque faltam as condições e a lucidez de quem as faz. E se alguma não pode ser cumprida, fale com o sacerdote para que troque ou abrevie a promessa ou esclareça por que não valeu. O importante é ser agradecido a Deus. Jesus reclamou dos 10 leprosos, pois só um voltou para agradecer.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
VOLUME 3
EDITORA SANTUÁRIO
quinta-feira, 9 de março de 2023
PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - ABORTO
Aborto é pecado?
Alguns episódios nos marcam de tal forma, passando a nos acompanhar dia a dia, trazendo muitas sombras em nossa vida. Eles devem ser trabalhados. Se a pessoa quiser se libertar deles, tem de fazer uma longa caminhada e ir aos poucos colocando tudo em seu lugar, clareando bem as dimensões do fato. Uma verdadeira terapia, precedida de um trabalho junto à própria consciência.
Para uma pergunta formal, a resposta também é formal e exata. Assim acontece quando nos perguntam: Aborto é pecado? A resposta é um sim, que às vezes desequilibra a pessoa.
Isso acontece porque as pessoas não conseguem analisar-se e analisar o fato, e quando procuram o padre estão confusas e desesperadas. O momento fica dependendo da sabedoria do confessor que deve analisar situação por situação antes de dar seu parecer. A partir de uma análise, o ocorrido pode adquirir nova moralidade.
O aborto sempre será um erro grave, que traz conseqüências bem pesadas, pois é uma violência à natureza e à vida. Há, contudo, determinadas circunstâncias que mudam a espécie de pecado, assim aprendemos nos antigos manuais de teologia no tratado da formação da consciência. Então pode acontecer que um aborto, apesar de ser um erro grave, não seja um pecado no sentido em que nos habituamos a usar esse termo.
Falando bem claro: Quando um aborto acontece sem que a pessoa tenha procurado ou feito algo para provocá-lo, esse aborto nunca foi e nem será pecado. A natureza não tinha condição de levar em frente a gravidez, por isso aconteceu o inesperado. Ninguém precisa carregar peso na consciência nesse caso.
Quando a pessoa provocou o aborto ou praticou-o, ela seria responsável. Mas geralmente há circunstâncias que cercam a gravidez tornando difícil a clareza de uma resposta. Temos de analisar caso por caso. Às vezes se está diante de um fato que não permite ver outra saída: pressão dos familiares, exclusão, pressão social, falta de direção e escolha de caminhos. Situações que impedem um discernimento consciente, uma tranqüilidade para decidir e assumir a criança. Sob essas pressões, a pessoa acaba fazendo um erro que deixa marcas sem contudo ter cometido um pecado, pela falta de poder de decidir, pela falta de liberdade de opção.
Em todo o caso, é bom colocar tudo nas mãos de Deus, abrindo-se a um confessor que a possa ajudar. Tenha contudo certeza de que Deus julga de modo diferente do nosso. Deus sempre perdoa o arrependido e, uma vez perdoado, o pecado já não existe, embora a marca persista.
Quanto à marca, cada vez que se lembrar, pense que isso é passado e já está nas mãos de Deus, que já a perdoou e vai acolhê-la na sua bondade como o Pai querido. Não podemos ficar remoendo a vida toda ou remexendo no passado; nem podemos julgar nosso passado com a consciência que temos hoje... Podemos sim analisar para compreender, para poder ajudar outras pessoas que passarem por esse desacerto, ou antes que passem.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
VOLUME 3
EDITORA SANTUÁRIO
ELES VIVERAM CONOSCO - PE. LUCAS KOCIK, CSsR
PE. LUCAS KOCIK, CSsR
*04.01.1932 +09.03.2008
No sábado, dia 8 de março de 2008, Pe. Lucas Kocik, celebrando a missa vespertina da liturgia do domingo, na capela do Colégio ISBA, em Ondina, fez a homilia comentando o Evangelho sobre a ressurreição de Lázaro, frisando as palavras que Jesus tinha dito a Marta: "Eu sou a ressurreição e a vida! Quem crê em Mim, mesmo que morra, viverá!" (Jo 11,25). No dia seguinte, 9 de março, estava marcado para duas celebrações, na igreja de São Lázaro e São Raimundo, no centro da cidade de Salvador. Não as celebrou, nem fez as homilias sobre a ressurreição, porque ele mesmo experimentou a maravilhosa veracidade das palavras de Jesus: "Quem crê em Mim, mesmo que morra, viverá!". Na madrugada do domingo, o nosso confrade passou para a 'Casa do Pai', concluindo seu trabalho de evangelização e as obras que o mesmo conseguiu realizar para o bem do Povo de Deus e da Congregação Redentorista. As irmãs de São Raimundo ligavam para lembrar ao Pe. Lucas da celebração, e os confrades de São Lázaro se admiraram por ele não ter ido, já que o mesmo era tão responsável em seus compromissos. Diante disso, a constatação, estava morto na cama do seu quarto. Pe. Lucas Kocik nasceu no dia 4 de janeiro de 1932, no sul da Polônia. No ano de 1949, fez sua primeira profissão religiosa na Congregação e iniciou os estudos de filosofia e teologia, no Seminário em Tuchów. Em 1956 foi ordenado sacerdote, iniciando aí um período de trabalho sacerdotal muito abnegado e frutuoso, na região da Polônia. Era um tempo muito carente e de abandono, devido à devastação causada pela II Guerra Mundial. No início de 1972, juntamente com três outros padres viajou para o Brasil. No dia 11 de fevereiro do mesmo ano chegou a São Paulo, onde iniciou o estudo da língua portuguesa. Depois de alguns meses, tendo já os rudimentos da língua, começou o trabalho pastoral em Bom Jesus da Lapa. Pe. Lucas foi o primeiro ecônomo da Missão Redentorista da Bahia e do Santuário de Bom Jesus da Lapa. Depois da saída dos confrades da Vice-Província Nordestina, acontecida nos primeiros meses do ano de 1973, além dos compromissos pastorais, Pe. Lucas continuou a construção do Abrigo dos Pobres e da residência das Irmãs Filhas da Caridade (Vicentinas). Construiu, também, a igreja de Santa Luzia e, juntamente com o Pe. Ceslau Stanula, a nova casa do Santuário, onde hoje abriga a comunidade redentorista. Quanto às edificações, Pe. Lucas tem muitos méritos também em Salvador. Durante vários anos orientou a construção do Centro Comunitário Paroquial (um prédio de quatro pavimentos) na Igreja Matriz da Ressurreição do Senhor, em Ondina, desde o alicerce até a cobertura. Pe. Lucas teve participação ativa na montagem da Gráfica Bom Jesus e, durante longos anos, foi responsável pelo funcionamento e desenvolvimento da mesma. Preocupou-se em preservar os objetos de valor histórico para o futuro museu do Santuário do Bom Jesus. Seguindo o exemplo de Santo Afonso - nosso fundador, Pe. Lucas "não perdeu nenhum minuto", por isso, à margem dos trabalhos pastorais e de outros compromissos, conseguiu contribuir para resgatar, preservar e ordenar muitos documentos referentes à história do Santuário do Bom Jesus e da Vice-Província da Bahia, editando-os, em dezenas de volumes, principalmente para as bibliotecas e arquivos da Congregação. Elaborou e editou ainda vários livros, brochuras e fascículos de orientação catequética, pastoral e religiosa para os peregrinos, sobre a história do Santuário do Bom Jesus. Nos últimos anos, trabalhou como arquivista e secretário, organizando o arquivo Vice-Provincial. Não é possível resumir, em poucas palavras, os 76 anos do fiel seguimento de Cristo, sobretudo, o trabalho de um sacerdote e missionário. Só Deus sabe quanto sacrifício exigia esse seguimento, carregando a cruz de cada dia. O enterro do Pe. Lucas aconteceu no dia 10 de março, em Bom Jesus da Lapa. A liturgia eucarística fúnebre foi realizada na Gruta de Nossa Senhora da Soledade, presidida por D. Ceslau Stanula, CSsR, bispo diocesano de Itabuna-BA, concelebrada por D. Francisco Batistela, CSsR, bispo diocesano de Bom Jesus da Lapa e cerca de trinta sacerdotes redentoristas e diocesanos. Após a Missa e orações litúrgicas realizadas pelo Pe. Antônio Niemiec, superior Vice-Provincial, os restos mortais do Pe. Lucas foram levados até o cemitério de Santa Luzia, em local reservado aos redentoristas, e sepultado ao lado do Pe. Francisco Deluga, que havia falecido há dois meses antes. No cortejo e sepultamento, participaram associações e movimentos religiosos e uma multidão de fiéis lapenses.
ELES NOS PRECEDERAM - IR.WOLFGANG (SEBASTIAN TEUFEL) CSsR

IR.WOLFGANG (SEBASTIAN TEUFEL) CSsR
+9 de MARÇO 1900
No século, Sebastião Wolfgang Teufel. Filho de uma família pobre, nasceu em 21 de setembro de 1858, perto de Lanshut, na Baviera (Alemanha). Foi ele mesmo quem narrou que, em 1879, teve um sonho, no qual ouviu uma voz que o chamava para a vida religiosa. Não acreditando muito em sonhos, resolveu falar a respeito do assunto com o redentorista, Pe. Lourenço Gahr. Não imaginava que, um dia, esse Padre iria ser o seu Superior, num lugarejo chamado Aparecida, lá no Brasil... Posto a par daquele sonho, Pe. Lourenço lhe aconselhou que fizesse um bom retiro para refletir sobre o assunto, e resolver, depois se entraria ou não para a Congregação redentorista. Nesse mesmo ano, após muita reflexão, ele iniciou o seu noviciado, professando como redentorista a 25 de março de 1888. Enviado para o Brasil em 1895, em 25 de outubro desse ano chegou a Aparecida, casa em que ficou até a sua morte. A principio trabalhou como cozinheiro e chacareiro; mas depois que aprendeu um pouco de Português, distinguiu-se na portaria pela sua bondade e mansidão em atender aos pobres. No ultimo retiro feito, antes da sua morte, entre outras resoluções, escreveu: “Terei como norma, para toda a minha vida: Minhas orações e trabalhos não os farei para mim, mas para a minha Congregação, com minha Congregação, e dentro do espírito da minha Congregação”. Nunca foi visto ocioso e, mesmo durante os recreios, ocupava-se em fazer terços, que dava aos pobres, na portaria. Faleceu a 9 de março de 1900, assistido pelos confrades que muito o admiravam como um Religioso simples, trabalhador e profundamente piedoso.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR
quarta-feira, 8 de março de 2023
VENERÁVEL PADRE VITOR COELHO DE ALMEIDA CSsR
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| VENERÁVEL PADRE VITOR COELHO DE ALMEIDA(+) REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR |
"Padre Vítor Coelho de Almeida, Missionário Redentorista, foi um homem de grande cultura, erudito nas ciências e sábio na vida. Pregador popular fala do mistério de Deus de maneira simples e direta, de fácil compreensão".
Essas são definições de Dom Darci Nicioli outro discípulo de Santo Afonso, na apresentação do livro "Os ponteiros apontam para o infinito - Reflexões e Catequeses", que reúne uma coletânea de reflexões do próprio Padre Vítor.
A partir deste livro retiramos alguns fragmentos para destacar o que chamamos de "Conselhos do Padre Vítor", afinal, sendo um comunicador exemplar, suas palavras são mais do que reflexões, são conselhos para serem seguidos e aplicados no nosso cotidiano.
Abaixo, apenas 5 conselhos. Uma pequena amostra do que está nesse livro da Editora Santuário.
1. Humildade que alcança a paz
"Quem seriamente deseja manter a caridade cristã e desfazer discórdias deve começar pela palavra: eu pecador me confesso".
2. Converter-se para ver como Jesus
"É uma batalha de nosso espírito; um trabalho duro de nossa lama, para que a verdade e o amor de Jesus se constituam na maior força de nosso íntimo. O convertido começa a ver as coisas como Jesus".
3. Ensinar as crianças a orar
"Nada abençoa tanto o lar cristão como a oração das crianças".
4. A caridade contra a inveja
"Tomemos no espírito e no coração a caridade: desejemos para nós todos o bem, sim, mas peçamos a Deus que duplique e centuplique as dádivas a nossos irmãos".
5. Santificar o tempo
"Se quiserem fazer o bem hoje, por amor, então rezem muito a Deus".
Se você chegou até aqui, reze também a oração pela sua beatificação:
Oração pela beatificação do Padre Vítor
Com esta oração pode-se fazer a Novena para pedir à Santíssima Trindade a beatificação do Servo de Deus Padre Vítor Coelho, e a graça particular que necessita:
Deus, Pai de bondade e misericórdia, que concedestes ao Padre Vítor Coelho o dom de anunciar a Palavra da Salvação com piedade e unção, concedei-me a graça de seguir o seu exemplo de fé e confiança na misericórdia de Deus e na intercessão de Maria, sua Mãe, para obter minha conversão pessoal.
Peço, ó Trindade Santa, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, a beatificação do vosso servo fiel, Pe. Vítor Coelho, para vossa maior honra e glória.
Peço-vos ainda, com profunda fé e confiança, que me concedais, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida e de seu servo, Pe. Vítor Coelho, a graça particular de que tanto preciso (mencionar a graça desejada).
Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.
(Rezar três Glórias ao Pai e uma Ave-Maria)
Se você alcançou alguma graça, escreva-nos contando:
Caixa Postal 01 - CEP: 12.570-970 - Aparecida – SP
E-mail: padrevitorcoelho@gmail.com
terça-feira, 7 de março de 2023
PADRE GAMBI-"Conversando sem segredos"-"Tristeza"
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| PADRE ORLANDO RICARDO GAMBI(+) REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR |
segunda-feira, 6 de março de 2023
PADRE GAMBI - "Conversando sem segredos" "Sobre o amor"
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| PADRE ORLANDO RICARDO GAMBI(+) REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR |
O que pensas sobre o amor?
Não sei o que pensas realmente do amor. Só posso dizer-te que, quanto mais amas, mais acertadamente saberás falar dele. Se não recebes pelo amor que ofereces, Deus te pagará pelo amor que mereces.
Quem se cansa do amor, começa a ter pouca coisa para oferecer. Os extremos se tocam. Por isso é que deves amar extremamente para acabar com o ódio!
Se queres falar do amor sem pensar nos outros, então é melhor que fales só de ti mesmo, sem pensar no amor.
Quem ama descobre os caminhos. Quem não ama, encobre as pegadas.O amor é que dá aquela serenidade de fixares um Judas qualquer e aquela bondade de olhares para quem procedeu como Pedro!
O amor pode não ser a virtude mais fácil, mas é a virtude que nos facilita tudo na vida.
O amor é mais forte do que a morte
A maior falta contra o amor é a gente querer ficar só! Quando falta o amor, nenhuma dor é pequena! A dor mais profunda é a solidão. O amor mais intenso é suportá-la. É nos olhos que se vê o amor que faz nascer as esperanças, mas é uma vida de amor que faz com que as esperanças não morram!
Quem vai à lua, pela técnica, volta à terra como foi. Quem vai aos outros, pelo amor, volta como Deus vai à terra.
Se não podes fazer tudo para todos, pelo menos podes não negar a ninguém de tudo o quanto podes. Por isso ama!
Suplica de amor
Meu Deus, meu Senhor, meu Rei e meu Pai, eu vos amo com todo o meu coração, porque sois infinitamente bom e amável. Eu vos agradeço o infinito amor que tendes a mim. Dou-vos graças porque estou com vida. O Senhor é infinitamente bom. Seu amor ultrapassa fronteiras. Por isso, com o coração em festa, eu ofereço-vos minha vida, na alegria, nos trabalhos e nos divertimentos para que Vosso Reino aconteça entre nós seres humanos, vossos filhos e filhas prediletos. Apenas vos peço, guardai-me do pecado e fazei de mim um instrumento de vossa paz e do vosso amor onde que eu esteja ou que eu vá. Quero observar os vossos mandamentos e fazer somente a vossa santa vontade. Ò Doce Virgem Maria, mãe de Cristo, Mãe da Igreja e minha santa mãe, Rogai por mim para que eu seja digno servo de vosso filho. Aumentai minha fé e meu amor. Amém.
ELES VIVERAM CONOSCO - PE. JOÃO CARDOSO DE SOUZA CSsR
+6 de MARÇO 1968
Goiano de Anicuns, nasceu a 4 de maio de 1918. Em 1939 ingressou no Juvenato C.Ss.R. em Aparecida, onde, segundo seu Diretor, foi “sempre um juvenista exemplar, obediente, caridoso, serviçal, sincero e muito ajuizado”. Professando em 1940, estudou no Seminário Maior de Tietê, sendo ordenado em 1945. Inteligente e de boa saúde, mostrou-se logo muito dedicado ao trabalho, sem descuidar, porém dos livros, que ele nunca abandonou. Foi Vigário em Trindade (GO) mas destacou-se principalmente como missionário em Araraquara e Cachoeira do Sul. Simples no seu modo de pregar, ganhava o auditório com sua palavra fácil, muita clara e segura. Em julho de 1967 foi nomeado Superior de Brasília. E, um dia, tendo trabalhado normalmente, sentiu-se cansado após o jantar. Resolveu rezar o terço mas, sentindo-se mal, deitou-se na cama, pelo visto, apenas para descansar. E era para morrer. Quando o procuraram logo depois, o mal de Chagas já o havia levado. Vestido com sua batina, e com o terço nas mãos, deixara este mundo a 6 de março de 1968.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR
Antônio Ierárdi Neto, Como era o nome do Pe. João que junto com o Pe. Antônio iniciaram o Seminário de Sacramento. Tem a biografia dele? OLAVO CARAMORI BORGES
(Vou entrar na conversa sem ser chamado)... O Pe. João que vc procura, por acaso é aquele que nas aulas de música batia na cabeça da gente, ao desafino da escala, com a sua "batuta" improvisada, aquela varinha dura, a "Santa Bárbara"? Era o Pe. João Gomes e nos idos de 1969 passou pelo Alfonsianum, na Raposo Tavares, onde foi rebaixado a "Gominho", uma vez que lá chegou primeiro o outro João Gomes, que "pela regra" era mais vetusto e mais baixo e gordo ("gordo?" é uma palavra esquisita, né?); depois nunca mais soube notícias dele. Acredito que ainda esteja vivo... Estaria aí no Goiás? O Brando deve saber. Recorramos a ele, Olavinho... Depois de 63 anos ainda me lembro muito bem da sua carinha, os olhos brilhando, armado com aquela "santa bárbara" na mão, perto do "desinfeliz", aguardando a entonação da escala com oito sons intermináveis. Não dava pra não errar pelo menos uma notinha...PEDRO CARICIO VITORINO
Pedro Carício Vitorino, era esse mesmo. Mas devemos também nos lembrar da obra do campo de futebol, da quadra de tênis, das capinas do lote (que era uma chácara) e também das idas na Voltinha... Hércio Afonso, Brandolize Mauricio)OLAVO CARAMORI BORGES
Oi, amigos!! saudades... de fato: Pe. João Gomes (Gominho) começou o seminário de Sacramento... viveu uns tempos aqui em Goiás (década de 70), mas eu ainda nao tinha vindo p cá... mas ele está em São Paulo... tv em Aparecida...não tenho certeza da comunidade onde vive e trabalha...PADRE MAURÍCIO BRANDOLIZE
Com o Pe. João aprendi as primeiras noções do jogo de tenis. Fizemos um campo de tênis - saibro ou terra como vocês preferirem. Ele arrumou as raquetes e vez ou outra promovia jogos entres os seminaristas. Lembram disso? Olavo e Pedro Carício)? Eu sobe que ele teria ido para a África. Mas Brandolize está fornecendo aí uma notícia que me parece a mais correta.Da obra do campo de futebol eu já postei algumas fotos.Nesse documento sobre a história da Arquidiocese de Goiânia durante o período militar há citações de trabalhos traduzidos pelo Pe. João Gomes. HÉRCIO AFONSO
ELES VIVERAM CONOSCO - PE. TIAGO KLINGER CSsR
PE. TIAGO KLINGER CSsR
+6 de MARÇO 1947
Baixinho de estatura, mas um grande coração, e não menor inteligência. Era natural de Eitting, onde nasceu a 1º de outubro de 1882. Professou na C.Ss.R. em 1905 e foi ordenado em 1910. No ano seguinte veio para a. o Brasil, onde viveu trinta e seis anos de intensa atividade. Homem prático de inteligência viva, alegre e compreensivo, muito estimado como missionário, foi como superior que Pe. Tiago mais realizou pela Vice- Província. Diretor do Juvenato, Vice-Provincial durante seis anos (1922 a 1927), superior diversas vezes (na Penha, em Cachoeira do Sul e Araraquara) , era de muita iniciativa e levava a sério tudo o que projetava e fazia. Durante os anos de Juvenato, na Alemanha, era de péssimo ouvido para musica, embora “Klinger” signifique em português “cantor”. Com esforço, porém, chegou a ser muito bom cantor, organista e regente de coros. Disso ele se valia para animar as festas em casa, principalmente no Juvenato, nos anos em que foi diretor. Exigente na observância regular, era o primeiro a dar o exemplo, e teve que lamentar, mais tarde, e com muita humildade o rigor com que procedeu em certas ocasiões. Como diretor do Juvenato, gostava de estar com os juvenistas, nos recreios ou nos jogos. Não perdia as excursões que se faziam na Mantiqueira durante as férias; exímio no xadrez e nas damas; não recusava participar das partidas de futebol, mas não aceitava receber trancos ou caneladas... e exultava com a vitória de seu time. Em seu último triênio como superior de Cachoeira do Sul, sentindo que suas forças já estavam falhando, teve de se conformar com uma vida mais em casa. A arteriosclerose, já adiantada, e o coração dando sérios alarmes, não lhe permitiam sair para as missões. Mas na primeira oportunidade em que se sentiu melhor, arriscou sair, indo pregar, nada menos que uma missão em Chapada (RS). Durante esses dias voltou a sentir-se mal. Quis continuar, mas não conseguiu. No dia 6 de março já não pôde mais celebrar; à hora do almoço não se alimentou, recolhendo-se ao seu quarto. Logo depois seu colega de trabalho b.o encontrou agonizando. Ainda recebeu a Unção dos enfermos; e em pleno campo de batalha, ele descansou para sempre, in somno pacis.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR
domingo, 5 de março de 2023
PADRE GAMBI - “Se não podes”
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| PADRE ORLANDO RICARDO GAMBI(+) REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR |
Se não podes fazer todo o bem, podes evitar todo o mal.
Se não podes compreender tudo, podes compreender a todos.
Se não podes agradar a todos, podes não desagradar a Deus.
Se não podes correr, podes não parar.
Se não podes convencer, podes falar.
Se não podes ir à lua, podes ir aos outros.
Se não podes conseguir, podes tentar.
Se não podes ser o sol, podes ser uma chama.
Se não podes realizar, podes querer.
Se não podes ser o sucesso, podes animar.
Se não podes ser o caminho, podes ser o rumo.
Se não podes ser rosas, podes ser o que elas significam.
Se não podes fazer tudo, podes sublimar o que fazes.
Se não podes prometer tudo, podes fazer o que prometes.
Se não podes ir, podes lembrar-te.
Se não podes provar dos frutos, podes bendizer a sombra.
Se não podes ser amado, podes amar.
Se não podes ser Deus, podes ser o que ele quer.
Deus seja bendito por tudo o que podes.
ELES VIVERAM CONOSCO - PE. ANTÔNIO PINTO DE ANDRADE CSsR

PE. ANTÔNIO PINTO DE ANDRADE CSsR
+5 de MARÇO 1968
Um grande confrade, não só pela sua gordura, mas principalmente pela sua imensa candura. Grande, generoso e compreensivo, seu coração estava em todo seu modo de falar e de agir. Filho de fazendeiros, Pe. Andrade nasceu em Patrocínio Paulista, a 4 de dezembro de 1894. Recebendo o hábito C.Ss.R. professou em 1916, e foi fazer seus estudos de Filosofia e Teologia na Alemanha. Em 1922 ordenouse, e logo voltou para o Brasil. Missionário durante mais de 20 anos, pregou em inúmeras cidades de São Paulo, Minas, Paraná e Rio Grande do Sul. Nas suas pregações ou conferências não se preocupava muito com Camões e seus adeptos: ordem nas idéias, ou beleza de linguagem eram coisas que ele ignorava; mas sua simplicidade, seu zelo e seu coração conseguiam resultados surpreendentes. Alegre e compreensivo, era o confrade que todos estimavam, sempre pronto a animar os recreios e festas da comunidade com seu bom humor e brincadeiras inocentes. — Na Revolução de 1932 foi Capelão militar, deixando entre comandantes e comandados a lembrança de um grande amigo, pela sua bondade, zelo e bom humor. Como Superior e Vigário de Aparecida foi de uma atividade extraordinária, não se poupando em tudo o que referia à Basílica, à Paróquia, aos romeiros e à congregação. Não pouco teve de sofrer, justamente por ser incapaz de qualquer prevenção a respeito das autoridades ou dos seus auxiliares. Em seu otimismo, gostava de fazer planos grandiosos, sonhando com uma Aparecida transformada num grande centro religioso, capital mariana do Brasil e do mundo. Em seus últimos anos, já não podendo mais trabalhar como desejava, permaneceu em Aparecida, ajudando no confessionário. Em casa, ocupava-se com suas tinturas, fornecendo vidros e mais vidros de remédio aos romeiros que o procuravam. Sonhava terminar seus dias na terra de Nossa Senhora, pela qual tanto havia trabalhado. Mas, transferido para São João da Boa Vista, ali ficou pouco tempo. Enfermo, não teve remédio que lhe curasse a doença. Veio para São Paulo com câncer, e foi internado na Santa Casa. De nada valeu a operação que o abateu ainda mais. Com admirável paciência, e rezando sempre, tentava ainda ser alegre e atencioso com todos que o visitavam. Mas sabia que seus dias estavam no fim; e foi com muita tranqüilidade que na madrugada do dia 5 de março, iniciou a travessia do Mar Vermelho... chegando às praias da eternidade às 5 horas da manhã, 1968. Deixava-nos o exemplo de um grande zelo, de muito amor a Nossa Senhora e a Congregação.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR
ELES NOS PRECEDERAM - PE. MARTINHO FORNER CSsR
PE. MARTINHO FORNER CSsR
+5 de MARÇO 1936
O homem que deu a nossa Província não somente anos de intensa atividade, mas também longos anos de sofrimento e sacrifícios. Nasceu em Fürt (Alemanha) a 3 de março de 1874. Fez seus estudos primários em sua terra natal, apesar de três quilômetros que deveria percorrer a pé, todos os dias, para chegar à escola. Aos 13 anos ingressou no Juvenato da C.Ss.R. fazendo seu noviciado em 1893. Veio para o Brasil em 1897 quando ainda cursava seu ultimo ano de Teologia. Ordenado em Petrópolis nesse mesmo ano, foi transferido para Goiás, onde iniciou um longo apostolado missionário, percorrendo quase todo o sul do Estado, até chegar à então desconhecida e misteriosa ilha do Bananal. Trabalhou depois na Penha em Aparecida, e em 1921 foi para Cachoeira do Sul, como Superior e Missionário. Foi aí que percebeu os primeiros sinais do mal de Hansen que já estava atacando. Teve esperanças de cura-se, fazendo um tratamento na Alemanha. Viajou para lá, mas, a conselho de um medico amigo, voltou imediatamente, para não ser internado num isolamento, de acordo com as leis do país. Aqui chegando permaneceu na Penha por algum tempo, até que, em dezembro de 1928, teve de sair, para internar-se em Sant’Angelo. O Missionário que conhecera longas caminhadas pelo sertão goiano, enfrentando o sol, a chuva, a fome e a sede, viu-se assim diante de uma prova bem mais dura. Mas ele a aceitou com toda generosidade, vendo diante de si um campo de apostolado que nunca estivera em seus planos, mas que Deus lhe indicava. Durante oito anos, foi ele não somente amigo, mas até um pai para aqueles doentes do Sanatório, isolados, quase esquecidos, e sem nenhuma esperança de cura. Com sua extraordinária caridade soube o nosso Pe. Martinho atender e consolar a todos. Fundou para os doentes, o Apostolado da Oração, promovia festas religiosas ou de aniversários, e celebrava com toda solenidade as primeiras sextas-feiras do mês. No último ano de sua vida, precisou ainda submeter-se a uma operação na laringe, passando a respirar com muita dificuldade. A 19 de janeiro de 1936, celebrou sua última missa, aguardando sua morte em meio a terríveis sofrimentos. Mostrou-se então de uma paciência e conformidade realmente heróicas. Faleceu a 5 de março desse ano. Já em seus últimos dias havia escrito: “Peço a Deus transforme as minhas cruzes em bênçãos para a nossa querida Viceprovíncia. — Sua biografia está em “Um Apóstolo - Mártir”-pelo Pe. Oscar Chagas, C.Ss.R..
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR
sábado, 4 de março de 2023
PADRE GAMBI - "Conversando sem segredos"-"Pensar e Refletir"
Ai daquele que vive e não pensa!
Porque quem vive e não pensa, acaba criando para si mesmo as mais tristes situações, das quais nem sempre consegue escapar.
Acho que não é preciso citar muitos exemplos para provar o que acabo de dizer.
Quem pensa pode errar, mas quem não pensa pode errar sempre e errar em tudo, até nas coisas mais fáceis; e quem erra, isto é, quem dá uma solução errada a um problema de pouca importância, pode complicar e complicar-se, se o erro que era pequeno poderá transformar-se num monstro de sete cabeças.
Para não ficar só em palavras, vou citar um fato que se deu a pouco tempo.
Certa moça foi chamada à atenção por seus pais por motivos justos.
E os pais foram muito delicados: não a trataram com brutalidade.
A moça revoltou-se e fugiu de casa com um rapaz.
O fim da história você pode imaginá-lo.
Quem age precipitadamente não chega à felicidade, chega à desgraça!
Essa moça hoje é um trapo humano.
Que é que houve?
Houve o que eu disse: não quis refletir seriamente e, se pensou, foi só em coisas más.
Por isso terminou tão mal!
O homem velho, do qual nos falou o Evangelho, não é um bicho papão, não, é um bicho mesmo!
Se ele não morrer para que possamos viver, ele, vivendo, não nos deixará em paz, e não ficará em paz enquanto não nos desgraçar!
Você costuma pensar e refletir?
Tira algum tempinho no dia para pensar em alguma coisa boa?
Arranja um tempinho para pesar as suas atitudes e as suas reações diante do bem e diante do mal?
Já teve tempo para concluir que muitas de suas fraquezas são frutos e conseqüências de sua preguiça de pensar?
Há muita gente que se queixa de Deus dizendo que não recebe auxílio suficiente para vencer, que Deus se esqueceu, que ninguém liga e que todo o mal acontece a ela.
Tais pessoas consultam as estrelas, mas tudo em sua vida é escuridão; consultam os adivinhos, mas tudo em sua vida é azar; consultam os amigos, mas se tornam piores; fazem orações, mas os santos parece que não os escutam; fazem promessas, mas não recebem o que pedem etc.
Será que você também é desse tipo de pessoas que pensam só porque têm cabeça, mas que agem como animais que têm cabeça e não pensam?
Não quero saber nada de sua vida; só quero que você que tem tempo para tudo, ache que não é perder tempo o tempo que você tira para pensar e refletir.
Não aprovo tudo o que os jovens fazem.
Não condeno tudo o que os velhos dizem.
Tanto os jovens como os velhos podem errar se não pensarem, se não olharem para dentro de si com sentimentos de humildade e se não tiverem a humildade de reconhecer as suas limitações.
Os jovens que não pensam, acham que sempre está certo tudo o que fazem, e os velhos que não pensam, acham que nunca erraram quando eram jovens.
Bem, aí vai o conselho de um sábio:
"Pense uma vez, e será feliz; pense duas vezes, e será um sábio; pense três vezes, e então será sempre a felicidade de todos aqueles que convivem com você."
ELES VIVERAM CONOSCO - PE. RAIMUNDO MOURA CSsR

PE. RAIMUNDO MOURA CSsR
+4 de MARÇO 1983
Nascido em Uberaba, Minas Gerais, dia 03 de março de 1913, sua família morava em Goiás quando ele entrou, em 1925, para o Seminário Redentorista Santo Afonso, de Aparecida-SP. Fez sua primeira profissão religiosa em Pindamonhangaba, em 1932. Estudou Filosofia na Argentina e Teologia na Alemanha, onde foi ordenado em 1937. Completou os estudos pastorais no nascente Estudantado de Tietê. Foi professor nos seminários de Aparecida e Pinheiro Marcado, no Rio Grande do Sul. Como diretor trabalhou também no Seminário São José, de Goiânia. Dedicou-se ao trabalho pastoral em Aparecida, Penha, Pindamonhangaba, Pinheiro Marcado, Cachoeira, Araraquara, Tietê e Goiânia. Foi ótimo conferencista e orador, apreciado produtor de programas nas rádios Aparecida e Difusora, de Goiás. Fazia parte da comunidade fundadora de São João da Boa Vista, onde foi regente do coro e organista muito dedicado. Durante alguns anos fez parte da equipe missionária. Era um pregador fogoso e empolgado, muito cuidadoso com a linguagem correta. Fez a tradução de “A Lei de Cristo”, do Pe. Bernard Häring, obra volumosa e complexa. Traduziu ainda outras obras. Em 1964 foi transferido para Goiânia. Ali dedicou-se aos Cursilhos de Cristandade por ele implantados em Goiás. Sua saúde, já abalada havia alguns anos, não lhe permitia dedicar-se inteiramente à pastoral. Foi professor de Teologia Moral no Seminário Arquidiocesano de Goiânia e Juiz do Tribunal Eclesiástico. Foi Conselheiro Vice-Provincial e Vice-Provincial interino. Faleceu na manhã do dia 4 de março de 1983. (Pe. Víctor Hugo)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR
sexta-feira, 3 de março de 2023
PADRE GAMBI - "Conversando sem segredos" - "Paciência"
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| PADRE ORLANDO RICARDO GAMBI(+) REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR |
Não se admire disso!
Enquanto vivermos neste mundo cheio de misérias, sempre haverá dessas misérias infernando a vida da gente.
Sempre houve pessoas boas e sempre haverá maus, sem alma e sem coração.
A inveja, o ciúme, a suspeita, o desrespeito e coisas semelhantes, sempre existiram em todos os tempos.
A História de Caim, com inveja de seu irmão, inveja tão grande que o levou a matá-lo, é conhecida de todo o mundo.
Por isso ninguém se assuste e nem pense que é a primeira vítima quando notar que há alguém que só lhe quer mal.
Mas, o que digo agora, não é tudo e nem é consolo para ninguém.
Cada um de nós deve saber como se portar diante de tais circunstâncias, isto é, quando se vê mal visto por alguém e quando percebe as insinuações da maldade em comentários e fuxicos injustificados e injustos.
Só Cristo pôde desafiar todo o mundo a acusá-lo de algum mal, e não apareceu ninguém que pudesse condená-lo por alguma ação mal feita.
Pelo contrário, o próprio povo dizia dele:
-"Ninguém nos falou tão bem como Ele".
E diz o Evangelho que todos os que sofriam no corpo e no espírito acorriam a Ele e todos eram socorridos.
Pois bem, se Cristo foi o melhor de todos os homens e foi o melhor amigo também daqueles que não o aceitavam e não pôde escapar à maldade das críticas e das falações, recebendo em paga de todo o bem que fez a morte de cruz, ninguém de nós, por mais justo que se julgue e seja, pode ter presunção de não ser julgado injustamente por quem quer que seja.
É melhor a gente sofrer injustiças do que fazê-las aos outros.
É claro que não é coisa agradável sofrer injustiças, não é fácil suportá-las e aceitá-las, mas tudo é possível para quem ama e para quem quer ser bom como Cristo.
Paciência não faz mal a ninguém, e a paciência é que, em geral, vence as maiores dificuldades da vida e faz com que a gente possa engolir muitos aborrecimentos sem perder os merecimentos e sem deixar de merecer as atenções de Deus que nunca abandona aqueles que o amam.
Infelizmente é verdade que há pessoas que são terríveis; têm uma língua ferina que, de fato, machuca; têm um jeito muito especial e sutil de difamar e de espalhar coisas más dos outros, coisas inventadas ou coisas aumentadas.
É o ciúme, é a inveja, é um desejo secreto de se vingar não se sabe do quê e nem o porquê.
Infelizmente também é verdade que muitos já se tornaram maus por causa dessas coisas inventadas.
É uma pena, pois neste caso é o mal que está vencendo o bem, quando deveria ser justamente o contrário, segundo São Paulo, que o bem vença o mal.
Mas, por que muitos se tornam maus?
Por que se revoltam?
Porque não sabem comportar-se e nem se lembram de se conter no momento oportuno.
Basta pensar um pouco, para sair sempre vencedor.
Muitas vezes, o que as pessoas maldizentes querem é isso mesmo.
Que você perca o controle e que se torne pior do que elas para que todo mundo veja que é verdade o que elas dizem.
Domine-se e não perca a paciência, principalmente nessas horas chatas de nossa vida.
Veja em tudo isso uma provação de Deus e uma oportunidade que ele dá para você merecer graças maiores para a sua própria santificação e para as realizações de sua vida.
quinta-feira, 2 de março de 2023
PADRE GAMBI - "Conversando sem segredos"-"O mundo"
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| PADRE ORLANDO RICARDO GAMBI(+) REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR |
Entendido, o mundo dos homens.
Dos homens que brigam, que se perseguem, que fazem guerras, que odeiam, torturam e matam.
O que você sente?
Acho que você deve sentir a mesma coisa que eu e todo o mundo.
Às vezesficamos meio tristes e meio decepcionados.
Há pessoas que sentem vontade de desaparecer, de sumir do mapa.
Por que será, hein?!
É que gostaríamos de ver todo mundo feliz, de bem com tudo e com todos.
Gostaríamos que não faltasse nada a ninguém e que ninguém achasse que alguma coisa lhe falta.
Que beleza seria este mundo, se além de tudo o que vemos ao redor, flores abrindo, estrelas luzindo, fontes correndo, orvalho caindo, a gente visse todos os homens satisfeitos e realizados.
Que beleza seria!
Deus fez tudo lindo e tão perfeito para que nunca pudéssemos achar nossa vida menos bela do que Ele quer que seja.
Mas, não é isso que a gente vê: é justamente o contrário.
O mundo está cheio de descontentes, e nem sempre o descontentamento é injustificado e injustificável.
Quando não são os bons que se omitem, por esta ou aquela razão, são os maus que não deixam de fazer o mal.
Se olhamos para longe, para o outro lado do mundo, vemos as guerras que mal acabam e logo começam.
Homens em luta por causa de terra, por causa de política, por causa de religião.
E enquanto vivemos queixando-nos, condenando o que acontece longe de nós, perto de nós as coisas não andam melhores.
É só ver para crer.
E crendo a ficamos estarrecidos.
Aí estão os seqüestros praticados com uma crueldade refinada e inexplicável.
Aí estão as inauditas amarguras provenientes de tantas calúnias, mentiras e intrigas.
Aí estão as lágrimas que tantos choram por causa de nossas loucuras pensadas e não pensadas.
Aí estão as muitas angústias dos que vão até as portas de nossos corações para buscar um pouco de bondade e regressam com mais espinhos do que rosas, ou só espinhos, rosas nunca!
Minha gente, é isso que transtorna, complica tudo, que não faz nada de bom e que faz dar em nada tudo o que se faz de bom.
É isso que deixa muita gente triste, decepcionada, com tendência a aprontar também suas bobagens e loucuras.
Olhe, meu amigo, estes pensamentos fazem bem, ouviu?
Fazem bem a mim e a você.
De que lado você está?
Acho que não bateu a porta na cara de ninguém, mas é preciso ver se não há quem queira bater a porta na sua cara.
É preciso perguntar por que?!
Acho que você não negou um auxílio a ninguém, mas é preciso ver se não há quem queira o mais depressa possível, devolver o que você deu.
Acho que você não negou um sorriso a ninguém, mas é preciso ver se seu sorriso falava de felicidade ou se falava de desprezo.
Eu volto a perguntar:
Como é que você vê o mundo dos homens?
Como é que você deseja o mundo dos homens?
Você se sente parte deste mundo?
Se você não pode ser as mãos, seja os pés.
Se não pode ser a inteligência, seja a vontade..
Se não pode ser o corpo, seja o coração.
E se você quer ser o coração, creia, nunca poderá deixar de amar
quarta-feira, 1 de março de 2023
PENITÊNCIA QUARESMAL
Quando falamos de penitência quase sempre pensamos em sacrifício, alguma privação, alguma renúncia a se fazer.
A palavra original latina significa arrepender-se, sentir-se mal pelo que se fez.
Isso é o importante, é o começo: reconhecer nosso erro.
Depois, sim, podemos com a graça de Deus pedir seu perdão e aceitar seu convite para a conversão, a mudança de rumo em nossa vida.
Essa é a proposta da Quaresma.
Olhar para nossa vida e ver o certo e o errado à luz da palavra de Deus; ouvir e aceitar a proposta e o convite que nos faz.
Nem precisa lembrar que isso se faz em oração: colocando-nos diante de Deus, ouvindo o que nos diz, reco-nhecendo nossa realidade e precisões, pedindo ajuda, luz e coragem.
A partir daí, podemos programar nossa Quaresma, anotando objetivos concretos de mudança ou melhoria.
Criando também algum pontos de controle e recuperação de rumo.
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