quinta-feira, 23 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! DEUS - I

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+) 
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR 
Por que Deus não faz nada diante do mal? 
As notícias do mal no mundo — mortes, violência — chegam sempre mais depressa e com mais freqüência até nós, a ponto de nos deixar acostumados com certa dose diária do malfeito. Podemos chamar isso de “cultura de morte”.Enquanto para alguns isso não passa de um noticiário diário, para outros é causa de crise que põe em jogo os valores fundamentais da vida. Daí surgem perguntas: “Por que Deus permite isso?”, “Que sentido tem viver?”Se olharmos para Deus como alguém que tem de resolver todos os problemas e interferir em tudo, nós admitimos que somos apenas uns bonecos nas mãos de Deus prontos para sermos manejados. Negamos a nós mesmos o grande dom da liberdade, da responsabilidade e negamos a nós o direito de organizarmos nossa vida. E o que é pior: mostramos que desconhecemos totalmente o modo de Deus agir e o respeito que ele tem para com a pessoa criada à sua imagem e semelhança.Deus não criou o sofrimento nem a morte. Ele é o Deus dos vivos. No momento em que tivemos em mãos o poder de decidir sobre nós e sobre o mundo, nessa hora começaram os problemas e as dificuldades, porque passamos a decidir tudo segundo nossos critérios individuais e egoístas. Assim fomos distanciando-nos do projeto inicial feito por Deus e fomos criando esse mundo e todas as espécies de maldades.Quem pode dizer que Deus criou a fome, o desemprego, a desigualdade e a exclusão social! Deus caminha em nossa história e respeita nossos passos, mas também não é obrigado a mudar as conseqüências daquilo que fazemos. Tudo na vida é muito semelhante a uma semente que, plantada, pode produzir muitos frutos segundo sua espécie. O que fazemos é idêntico à semente: produzir muitos resultados nem sempre agradáveis e nem sempre felizes.Nós criamos o mal, as diferenças e as desigualdades. Hoje o homem conseguiu decifrar o código genético penetrando no mais profundo do ser humano. O que ele poderá fazer daqui para frente? Mas tenha certeza que todo o desrespeito à natureza tem seu preço e às vezes um alto preço. A ganância pelo poder, pela riqueza, pelo prazer leva a própria pessoa a se destruir e a destruir os outros. Por isso, apesar de rezarmos e de pedirmos a Deus, vamos continuar tendo acidentes de carro com muitas mortes, acidentes nucleares com muito perigo de destruição da humanidade, transformando esse mundo em verdadeiro inferno só porque nós decidimos assim.A grande intervenção pacífica de Deus na história foi a Encarnação de Jesus, suficiente para acordar a humanidade e provocar uma reviravolta na história. Os homens não querem Jesus. Mas diz João: “a todos os que o receberam, Deus deu o poder de se tornarem filhos de Deus”. Esse é o caminho da não-violência, da cooperação com Deus, do homem inteligente e responsável. Ou mudamos ou morremos todos sob a violência que nós mesmos criamos. 
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R. 
EDITORA SANTUÁRIO

ELES VIVERAM CONOSCO - Beato Pe. Metódio Domingos Trcka CSsR

Beato Pe. Metódio Domingos Trcka CSsR 
(+)23 DE MARÇO 1959
Nasceu a 6 de Julho de 1886 em Frýdlant nad Ostrava (actual República Checa). O mais novo dos sete filhos de Františka (Francesca) e Tomas Sterbova Tomás Trcka, foi baptizado no dia seguinte. Concluída a escola primária em Frýdlant, cursou primeiramente o ensino médio e depois no internato dos Redentoristas em Místek Cervenka. Orientando-se para a vida religiosa, em 1902 entrou para a Congregação do Santíssimo Redentor, pronunciando os votos religiosos em 25 de Agosto de 1904, após um ano de noviciado. Ele estudou teologia e foi ordenado sacerdote em Praga a 17 de Julho, de 1910, pelo Arcebispo Leo Skrbenský. Passou os primeiros anos de sacerdócio na pastoral das missões populares, residindo em Praga, no santuário mariano de Svatá Hora e Plzen. Durante a Primeira Guerra Mundial, não poupou forças no trato particular de refugiados croatas, eslovenos e russos, aos quais não somente administrou os sacramentos e ensinou o catecismo, mas também procurando fornecer-lhes auxílio nas necessidades.  Durante os seus anos no seminário tinha manifestado o desejo de trabalhar entre os cristãos de rito oriental, O que pode realizar em 1919, quando, pelo Superior Provincial dos Redentoristas de Praga, foi enviado para Lviv, para realizar o apostolado entre os fiéis greco-católicos. Na comunidade redentorista, especialmente com a ajuda do irmão Beato p. Nikola Čarneckyj, aprendeu a língua e os costumes da tradição local. Foi durante este período, que ele tomou o nome de Método. Em Dezembro de 1921 ele foi enviado para Stropkov no leste da Eslováquia, onde, com os irmãos fundaram a primeira comunidade redentorista latim e de rito bizantino. Tornou-se superior da comunidade, em 1924, desempenhou uma fervorosa actividade missionária nas três eparquias de Prešov, Uzhgorod e Križevci, proclamando a Palavra de Deus e fundou a Irmandade de “Mãe do Perpétuo Socorro e do Santo Rosário”. Em 1931, os Redentoristas greco-católicos transferiram-se para a nova casa em Michalovce. P. Metódio foi superior até Julho de 1932, quando, cansado do trabalho e da construção da casa religiosa, voltou para Stropkov, onde, para além do tratamento médico, se ocupou da pastoral na cidade e paróquias vizinhas. Voltou para Michalovce, em 1934, e em Março do ano seguinte, foi nomeado pela Congregação para as Igrejas Orientais, visitador apostólico das freiras basilianas em Presov e Uzhgorod. Reeleito superior em Julho de 1936, desempenhou esse papel até Abril de 1942. Sob sua liderança, a comunidade redentorista tornou-se o ponto de referência da vida espiritual em Zemplin. Ele terminou a construção da igreja, trabalhou para na fundação de um convento de freiras, tentou fundar uma nova casa redentorista para ser utilizada para exercícios espirituais, trabalhou na fundação de uma casa em Khust, na eparquia de Uzhgorod. Ele criou tudo isto sem esquecer as obras de apostolado. No entanto, apesar de já não fazer pregações, ele sempre teve uma grande atenção para com os mais pobres. Por isso mesmo, teve a ideia da fundação de uma associação de mulheres de serviço que se ocupassem das mais abandonadas no ponto de vista espiritual. Durante a Segunda Guerra Mundial, os Redentoristas sofreram numerosas dificuldades da parte do Estado eslovaco, que os suspeitava de intolerância e de propaganda contra o Estado. O Padre Metódio, o principal suspeito enquanto que superior, para o bem da comunidade achou por bem renunciar e ir para a Ucrânia, com três outros irmãos, mas não recebeu a autorização do Estado. Com o final da Segunda Guerra Mundial, melhoraram as relações com o Estado, de modo que os Redentoristas, em 21 de Dezembro de 1945, erigiram canonicamente a Vice-Província de Michalovce e em 23 de Março do ano seguinte, o Padre Metódio foi nomeado primeiro vice-provincial. Sob a sua liderança aos Redentoristas voltaram para Stropkov, onde construíram a igreja de S. Cirilo e Metódio, fundaram a casa de Sabinov, pregaram fecunda missões populares e deram vida a inúmeras publicações. Com o advento do regime comunista, porém, em um curto espaço de tempo, tudo foi encerrado. Em 1949, a Vice-Província foi abolida, e durante a noite de 13 de Abril de 1950, todos os homens foram levados para campos de concentração. O Padre Metódio, que na época estava em Sabinov, Podolínec foi transferido para Podolínec e daqui várias vezes levado ao famoso “Mlyn de Leopoldov”. Os depoimentos de outros presos afirmam que para proteger os irmãos ele assumiu toda a culpa e responsabilidade, suportando as torturas calmamente. Durante o processo, a 12 de Abril de 1952, foi acusado de colaboração com o bispo Gojdič, porque divulgava as cartas pastorais e dava informações aos seus superiores de Praga e, através deles a Roma. Este procedimento foi considerado como alta traição e espionagem contra o Estado. Com esses argumentos e com uma falsa história de tentar escapar para o exterior, o Padre Metódio foi condenado a 12 anos de prisão. Viveu os últimos anos nas prisões de Ilava e Mirove Leopoldov. Apesar da doença, devido à idade e às duras condições de vida, o seu espírito permaneceu forte, esperando sempre em Deus e no cumprimento da sua vontade. Quando tinha a possibilidade, ele não só rezava, mas também celebrava a sagrada liturgia. Diversas vezes pediu a amnistia para ele mesmo e sua família, mas sempre recebeu uma resposta negativa, porque foi considerado perigoso e fanático porque ele se mantinha firme nas suas convicções religiosas. Em Abril de 1958, ele foi transferido para a prisão de Leopoldov, considerada uma das prisões mais duras. Durante a época natalícia, enquanto cantava uma canção religiosa a qual foi ouvida pelo guarda, foi transferido e encerrado na “célula de correcção”, onde, por causa das dificuldades e do lugar duro e insalubre, ficou doente com pneumonia. Um companheiro de prisão, que era médico, pediu aos responsáveis da prisão que o Padre Metódio fosse levado para o hospital, mas só conseguiu apenas que fosse transferido para uma cela de isolamento, coisa que não trouxe qualquer melhoria à saúde deste que já estava bastante comprometida. Voltou, após um tempo para a sua cela, e ali morreu às 9 horas do dia 23 de Março de 1959, perdoando àqueles que o tinham preso. Enterrado no cemitério da prisão em 1969, com a restauração da Igreja greco-católica, os Redentoristas conseguiram transferir o seu corpo para Michalovce, onde agora descansa na igreja redentorista do “Espírito Santo”. Afonso Rocha (traduzido do italiano)

quarta-feira, 22 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! Preciso ter devoções?

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NDA PAZ DO SENHOR 
Há certas práticas que são necessárias para se manter a fé sempre viva e para expressar a comunhão com a comunidade, mas há práticas que são opcionais. Na vida cada um escolhe seu modo de caminhar para Deus e de trabalhar seu interior. Muitas pessoas nos ensinam caminhos que elas já percorreram e que podem realmente facilitar o crescimento espiritual. No final de tudo a decisão é de cada um.Essas práticas entram no rol das devoções. Devoção a um santo nos leva a conhecer sua vida, seu trabalho, sua espiritualidade e tentar imitar suas virtudes, não é só um ato de piedade. Existem devoções que são atos de piedade, assim como as orações que rezamos diariamente, a prática de acender velas aos santos, a recitação do terço, a devoção às primeiras sextas etc.Somos aconselhados a fazer aquelas práticas que nos ajudam a manter e aumentar a fé. Não somos obrigados às práticas piedosas que também nos ajudam, mas dependem de uma escolha pessoal. Fico sempre pensando na precariedade de certas devoções iniciadas por conselho de alguma visão. Se nós fizéssemos tanta propaganda da missa aos domingos como se faz das primeiras sextas, teríamos muito mais gente na comunidade. Devíamos valorizar as missas dos domingos, mas o que fazer com quem acredita em ser salvo sem fazer muito esforço?Ficamos penalizados de ver pessoas correndo de um lado para outro para aproveitar todas as oportunidades de se salvar através de promessas fáceis. E mais penalizados ao ver que alguns levam quase metade do dia lendo um volume de rezas que recheiam seu devocionário na cabeceira de sua cama.Muito mais estranha é a necessidade que alguns sentem de passar e repassar todas as imagens de uma igreja, como sinal de sua fé. Tudo isso revela uma ingenuidade da fé de quem se amarra facilmente a fórmulas e números para arrancar de Deus a salvação que é totalmente gratuita e não depende desses gestos.Ninguém está criticando uma devoção, estamos comentando o exagero e a falsa idéia de que cumprindo uma série de dias com tais ou tais práticas já se está salvo. Estamos orientando para que as pessoas tenham suas devoções, mas que não sejam ingênuas amarrando-se a elas como uma tábua de salvação, e nem vivam cheias de escrúpulos por não terem conseguido cumprir a ordem do dia que era a recitação de uma centena de orações.Jesus falou mesmo: “Quando orardes não multipliqueis as palavras...”. Acho que nos faz falta ter aprendido a rezar com as mãos, repartindo nosso pão e nosso amor com os necessitados. 
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R 
EDITORA SANTUÁRIO

terça-feira, 21 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI-RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! DIAS SANTOS DE GUARDA

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI 
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR 
A Missa é obrigatória aos domingos e dias santos? 
Nossa formação religiosa às vezes não se preocupa com a formação da consciência, mas nos fornece fórmulas determinando a moralidade de nossas ações. Falta critério para discernimento. Ficamos com uma série de normas e leis que sempre nos obrigam, porque assim está escrito. Jesus advertiu: “a letra mata, o espírito é que vivifica”. Assim acontece com o mandamento da Igreja que nos obriga à missa nos domingos e dias santos. Acabamos num legalismo impressionante a ponto de não comungarmos se perdermos uma missa; isso sem nos perguntarmos o motivo. Um mandamento que a Igreja pode mudar e que obriga a todos, quando não se tem condição de acolher a todos. Imagine se todos resolvessem vir à missa! Não questiono o mandamento, questiono a falta de esclarecimento. O primeiro mandamento da Lei de Deus é o amor a Deus, que vai aparecendo em todos os nossos atos. Todas as explicitações devem ajudar-nos a caminhar nesse amor, por isso aparecem as normas que indicam, sinalizam o caminho. Assim temos de entender o convite para a “missa de preceito”. É uma convocação da comunidade para o grande momento da salvação que é a Eucaristia, o grande momento da fraternidade. Quem não entende isso, pouco estará ligando para pecado ou não pecado, para obrigação ou não obrigação. As nossas igrejas continuam com um parco número de fiéis e nós continuamos falando do mesmo modo em plena época de uma “nova evangelização”. Não estaria na hora de deixarmos de insistir nessa tal obrigação e mostrarmos o momento da Eucaristia como um encontro feliz em que sua presença se faz necessária? Mostrar, como faz o Concílio Vaticano II, que a missa é o ponto alto da vida cristã, fonte de toda essa vida, sem o receio de nossas igrejas se esvaziarem. Poderíamos perder em quantidade, mas ganharíamos em qualidade. Quem vem à missa deve vir porque está consciente do que acontece no altar. Vê a missa como um momento privilegiado da graça, momento salvador de Deus, momento de fraternidade assumida e redentora, momento de sua família. Quando não sabe o que faz, também não peca. Quando está impedido de participar, não pode estar presente, também não peca. Além da ignorância, são muitas as causas que podem impedir a participação na missa: doenças, velhices, viagens, visitas etc. O erro, o pecado, acontece quando a pessoa pode vir e não quer, significando com isso seu pouco caso e até desprezo pelas coisas de Deus. Quanta gente vai à missa desinteressada, para cumprir preceito, e reclama até quando o padre faz algumas digressões ou alonga um pouco a celebração. Que sentido faz essa presença! Igreja não é um supermercado da fé. Certas são aquelas pessoas que participam, são alegres e dedicadas a sua comunidade e sabem que reunidas fazem acontecer o grande momento da graça salvadora. 
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R. 
EDITORA SANTUÁRIO

segunda-feira, 20 de março de 2023

- PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+) 
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Doação de órgão é um desrespeito ou uma caridade? 
Por “doação de órgão” compreendemos também o direito de a pessoa doar seu corpo para estudos, embora sejam coisas distintas. Pio XII chamava à atenção dizendo que os outros não podiam dispor arbitrariamente de nosso cadáver, embora se pudesse levar em conta a vontade e os sentimentos dos familiares quando esses fossem razoáveis. Hoje já caminhamos mais e parece muito mais transparente o benefício da doação de órgão, embora já apareça também o problema da comercialização de algo tão sagrado.Como é permitido sacrificar a vida e a saúde pelo bem do próximo, assim também há uma razão muito maior para destinar o corpo ou parte dele para dar a vida a outro ser humano ou para estudos.Cristo disse: “Quem doa a via, a reencontrará”. Doar parte de si é o gesto que mais aproxima a pessoa do humano Jesus que veio dar sua vida para que todos tivessem a vida. Que maravilha alguém receber esse presente e passar então a ver, a respirar, a poder dispensar a incômoda hemodiálise.Embora o assunto traga preocupações e repugnância para alguns, ao ver as enormes filas na espera de doadores, nós dizemos que é abençoado quem se entrega nessa doação generosa. Se eu não tenho mais chance de viver, que outros possam aproveitar e viver com minha ajuda de uma maneira digna.Continuam em pé todas as decorrências do “não matar”. Não temos o direito de tirar a vida de ninguém, por isso há critérios seguros que devem ser observados pelos médicos e familiares ao permitirem a doação de órgão de um dos seus.Para a doação de órgãos vitais, hoje se coloca como critério a morte cerebral: “um indivíduo no qual se produz a cessação irreversível de todas as funções do encéfalo, incluindo o tronco cerebral, está morto”. As funções cerebrais e as funções do tronco cerebral estão ausentes, a exclusão da possibilidade de recuperação das funções encefálicas, o reconhecimento da irreversibilidade são indicativos da morte cerebral. Isso averiguado com toda a cautela e segurança e diante do veredicto final, vai ser muito significativo o gesto de passar a vida para o outro entregando parte do seu corpo. É um ato extremo da caridade que enobrece e dignifica a pessoa humana.Seria muito digna a posição dos familiares em situações idênticas, que permitissem o transplante de órgãos vitais e outros órgãos a quem precisasse, verificando todos os critérios e condições que defendem o direito à vida.Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo irmão. Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R. EDITORA SANTUÁRIO

ELES NOS PRECEDERAM - PE. VICENTE GRILHISL CSsR

PE. VICENTE GRILHISL CSsR
+20 de MARÇO 1930 
Como Religioso um modelo, e como missionário um apóstolo, embora, humanamente falando, pouco dotado — esse foi o nosso Pe. Vicente Grilhisl. Nasceu a 31 de dezembro de 1872, perto de Linz na (Áustria). Ainda garoto começou a aprender com seu pai o ofício de alfaiate; e, anos mais tarde foi-lhe proposto um ótimo casamento, o que ele recusou, porque já tinha seus planos de ingressar na vida religiosa. Isto não lhe foi difícil, pois seu Irmão João Nepomuceno, que já estava na C.Ss.R. encarregou-se de lhe conseguir a desejada licença. Noviço redentorista leigo em 1892, recebeu nome de Irmão Floriano, e, após a Profissão, continuou em Gars, como alfaiate da comunidade. Em 1894, ao saber da missão que os nossos projetavam iniciar no Brasil, pediu para vir logo com a primeira turma; e aqui chegando, foi adscrito à primeira comunidade de Campinas (Goiás). Numa fundação daquelas, onde tudo faltava, Irmão Floriano, com a maior boa vontade, quis ser tudo para todos. Um dos problemas da casa era a falta de um cozinheiro. E o Irmão logo se prontificou a exercer esse cargo, do qual nada entendia. Resultado: o primeiro almoço que aprontou foi um absoluto desastre e o improvisado cozinheiro teve de ser imediatamente deposto... Mas esses fracassos não desanimavam o Irmão, nem lhe diminuam a disposição para qualquer trabalho. Muitas vezes era ele quem lavava as roupas da comunidade. E fora de casa, era quem fazia as compras, e resolvia todos os assuntos, por ter aprendido o português mais depressa que seus confrades. Impressionado com a falta de sacerdotes em Goiás, começou a alimentar um sonho que, anos mais tarde, seria realidade. Manifestou aos Superiores o desejo de ser ordenado para trabalhar como Missionário. Conhecedores do seu bom espírito, os superiores concordaram. Ir. Floriano começou logo a estudar o latim; graças a sua vontade férrea, em pouco tempo já estava entendendo o que lia nos manuais de Filosofia e Teologia. Fez um segundo noviciado, como corista, professando em 1899. E a 27 de abril de 1900 foi ordenado sacerdote. Trabalhou em Aparecida até 1904, ano em que fez o noviciado para as Missões, partindo logo para Goiás. Aí trabalhou até 1909, voltando então para Aparecida. Mas seu campo predileto de trabalho era Goiás, e para lá regressou em 1912. Após quase vinte anos, já cansado e com a saúde abalada, veio em 1921 para a Penha. Mas ali ele também não soube medir suas forças; como antes, ele estava em todas: Missões, retiros, trabalhos nas igrejas ou nas paróquias vizinhas. Em 1924 foi transferido para Araraquara, afim de se cuidar um pouco. Mas já era tarde. Mesmo viajando para a Europa em 1926 não conseguiu melhorar sua saúde que já começava a falhar. Incorrigível, porém, no seu zelo, continuou pregando as missões e retiros, tríduos e novenas por toda a parte. Muito procurado como confessor, passava horas na igreja, atendendo no confessionário. Pe. Vicente reconheceu o pouco estudo que fizera, e a reduzida cultura que possuía. Mas sobravam-lhe dedicação e esforço. Vivia copiando conferências e sermões, tanto de confrades como de estranhos. Decorava tudo com perfeição; e ao falar, sabia fazê- lo com tanta naturalidade, que ninguém suspeitava que estivesse falando o que havia decorado. Não era orador; mas tinha lá suas originalidades que, nele, eram verdadeiros recursos oratórios. Aparentava cansaço, tossia, falava mansinho, para explodir de repente em exclamações de grande efeito. Tinha um dom especial para comunicar-se com seu auditório; e era dono de uma voz invejável, que, com o tempo, as contínuas pregações acabaram arruinando. Seu campo de trabalho, por excelência, foi sempre Goiás, que, durante anos, ele percorreu em todas as direções. Dotado de invejável memória, conhecia todos os caminhos, atalhos, rios, pontes e fazendas. Sentia-se feliz e realizado em meio do povo simples e abandonado; por isso, o bispo D. Prudêncio o escolheu como companheiro inseparável em suas viagens apostólicas. Em Araraquara (1930) indo de carro sacramentar um doente, sofreu um desastre que lhe afetou gravemente a espinha. Surgiram logo outras complicações, principalmente nos rins. E o velho missionário teve de viver ainda meses de um verdadeiro martírio. Faleceu aos 20 de março de 1930, querido e invocado como um santo por aqueles que o haviam conhecido.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR
http://tavolaseminarios.blogspot.com.br/

domingo, 19 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! ESCUTA DE DEUS

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Como aprender a escutar Deus? 
Uma verdade que sabemos muito bem, mas temos dificuldade em perceber é que Deus fala sempre conosco. Deus nos acompanha e nos fala constantemente. Paulo diz que o Espírito Santo está em nós. Nossa consciência é também um lugar onde Deus nos fala. Mas qualquer acontecimento traz uma mensagem de Deus. O difícil é sermos capazes de ler essas mensagens; não estamos habituados nem abertos para a escuta de Deus. João diz que quem é de Deus percebe as coisas de Deus (Jo 8,47) e quem não é de Deus não pode perceber e não tem condições de ouvi-lo. Seria esse o nosso caso? Tudo vai depender da caminhada que fazemos da experiência de Deus. Se não chegamos a um aprofundamento maior, teremos dificuldades em perceber e escutar Deus. Outro fator que ajuda a criar dificuldade é a falta de silêncio e concentração. O mundo é barulhento, cheio de sons e de preocupações. Na parábola do semeador, Jesus mostra como a semente pode ser sufocada pelas preocupações e abafadas pelas atividades. Quem hoje tem tempo para a meditação? Parece que tanto mais facilidades temos, mais ocupados nos encontramos, a ponto de chegarmos ao fim do dia sem um minuto de oração e de descanso. Na verdade as pessoas na sua programação diária não incluem os momentos de oração, meditação, encontros consigo mesmas, permitindo que seu tempo seja absorvido pelas atividades. Muitos conseguem, mesmo no barulho, se concentrar para alguns minutos de meditação. Essa meditação que, para nós, é uma necessidade fundamental na experiência de Deus. E se não houver um esforço, jamais chegaremos à escuta de Deus. Há um exercício muito bom a ser feito diariamente: tentar perceber, durante o dia, quantas coisas boas aconteceram ao nosso redor. Certamente teremos dificuldade no início, mas devagar nos habituamos a perceber a riqueza que nos cerca e como a bondade se faz presente. Olhar atento a realidade, eis outra fonte das mensagens de Deus. Constantemente podemos refazer nossa caminhada, aproveitando os ensinamentos do dia-a-dia. A vida é dinâmica e não comporta repetição e ausência de criatividade. Quem não ouve Deus, quem não lê as mensagens escritas na natureza e na vida vai sempre repetir as mesmas coisas e vai dia a dia desgastando-se até acomodar-se e perder o sentido do viver, multiplicando as tristezas, as desilusões, as doenças e perdendo a alegria daqueles que vivem profundamente sua fé em um Deus que está presente e nos ama apaixonadamente. 
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
EDITORA SANTUÁRIO

sábado, 18 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - ESPORTES PERIGOSOS

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR 
O que pensar dos esportes perigosos? 
O esporte sempre foi um meio de se construir um corpo sadio, adestrando a pessoa, educando-a e funcionando como distensor psíquico. É inegável o benefício do esporte para quem o pratica e para quem o assiste. Temos de estimular a prática do esporte, procurando mostrar a riqueza que possui e o bem que faz. São atividades altamente educativas em seu todo.O esporte robustece o físico, educa sentimentos, recoloca em equilíbrio as energias físicas e psíquicas, favorece o sistema respiratório e dá espaço para desabafar as tensões do dia-a-dia.Abrindo os jornais hoje, vemos as distorções provocadas pela ganância em todas as modalidades esportivas. Em primeiro lugar, o comércio que se estabelece em cada área. A seguir, vemos as manipulações da pessoa, provocando distorções e aberrações. As pessoas passam a ser mercadorias, das quais se aferem lucros exorbitantes, com prejuízo das competições e das próprias pessoas que participam diretamente. Acredito que hoje pouco interessa ao desportista o benefício físico e psíquico do esporte. Interessa o quanto vai ganhar em dinheiro. Bem poucos desportistas podem ser apresentados à nossa juventude como exemplos a serem seguidos. E coitados de nós que ficamos atrás de uma TV para sentir o prazer de ver um bom espetáculo. O desrespeito é verdadeiramente acintoso.Em segundo lugar, temos de lamentar os esportes perigosos, que colocam em risco a vida e a integridade da pessoa. Embora gerem lucros enormes, nada os justifica.São esportes desconcertantes, que despertam no público a procura da violência, das sensações perigosas, escondendo por baixo fortunas que correm em negociatas. Vejam as corridas automobilísticas e de motos. Veja também o pugilismo. Como podemos chamar de esporte uma atividade que é medida pela pancadaria, que sempre provoca lesões com conseqüências para a vida? O que vemos de educativo nesses esportes, cujo preço é o risco de vida a que se expõem as pessoas? Temos de censurar esses pretensos esportes e qualificá-los imorais. Não educam, ao contrário, deformam a mente, criam no coração das crianças e dos jovens o senso da violência e alimentam em adultos, já desequilibrados, a sensação no mal feito e no perigoso.Quantas tragédias já nasceram dessas atividades desumanas, em troca de dinheiro e de alguns anos de fama. Nada justifica o sacrifício de vidas humanas, a não ser o risco para salvar outras vidas.Está na hora de desligarmos a nossa TV e não patrocinarmos mais esses atentados contra a vida e a dignidade humana.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R 
EDITORA SANTUÁRIO

ELES VIVERAM CONOSCO - PADRE JEFERSON DOS SANTOS LEITE CSsR

PADRE JEFERSON DOS SANTOS LEITE CSsR
+18 de MARÇO 2013
Aos Confrades Redentoristas, Amigos e Familiares, É com tristeza que nós, redentoristas da Bahia, informamos o falecimento de um dos nossos confrades, o Pe. Jeferson dos Santos Leite. Jeferson tinha apenas 32 anos e foi ordenado em 2012, em sua cidade natal, Ecoporanga, Espírito Santo. Ainda não tinha um ano de padre. Menino bom e querido por todos, de origem humilde e família religiosa, nascido em uma comunidade rural do seu município. No início de 2013 foi destinado a trabalhar na Pastoral Vocacional da nossa Vice-província. Saiu de Salvador, dia 17/03/13, para visitar vocacionados, na companhia de um seminarista. Por volta das seis horas da manhã, capotou o carro na saída de Salvador. Era ele quem conduzia o veículo. O seminarista nada sofreu. Ele foi conduzido ao Pronto Socorro e constatou-se fratura em um braço e pancada na cabeça. Estava consciente e conversou com nosso vice-provincial, Pe. João Batista. Fomos pegos de surpresa, com a notícia de sua morte, em decorrência de um ataque cardíaco. Certos de contar com a vossa solidariedade, pedimos orações, sobretudo para sua família que está muito sofrida. Fraternalmente, Pe. Rosivaldo Motta, CSsR pela Vice-província da Bahia.

ELES VIVERAM CONOSCO -PE. JOÃO RIBEIRO DE CARVALHO - REDENTORISTA

PE. JOÃO RIBEIRO DE CARVALHO 
 REDENTORISTA 
*12 De Junho 1920 
 +18 De Março 2017 
Origem familiar 
Pe. João Carvalho nasceu a 12 de junho de 1920 em Salto Grande (SP). Eram seus pais: Agostinho Ribeiro de Carvalho e Laura Roza da Cruz 
A Vocação 
Ele entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, a 09 de setembro de 1936. Em 1943 fez o noviciado em Pindamonhangaba, onde fez a Profissão Religiosa emitindo os votos religiosos na Congregação Redentorista a 02 de fevereiro de1944. Fez os estudos de Filosofia e Teologia no Seminário Maior Santa Teresinha, em Tietê (SP), de 1944 a 1949 e ali fez a Profissão Perpétua a 02 de fevereiro de 1947. Foi Ordenado Sacerdote em Sorocaba (SP), a 06 de janeiro de 1949, por Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba. 
Atividades pastorais e outros trabalhos apostólicos: 
Pe. Carvalho iniciou sua Vida Apostólica em Aparecida, como Vigário Paroquial onde ficou de 1950 a 1951. Em Aparecida foi também redator do jornal “Santuário de Aparecida”. Grande parte da vida foi dedicada à pregação das Missões Populares, em diversos períodos, a saber: de 1952 a 1958; de 1962 a 1964; de 1968 a 1969 e, por fim, de 1971a1978. Nesses períodos residiu nas comunidades de Cachoeira do Sul (RS), Pinheiro Marcado (RS), Goiânia (G0), São Paulo, comunidade do Jardim Paulistano e ainda Araraquara (SP). No tempo em que não havia o Conselho Missionário, Pe. João carvalho foi um dos “Chefes da Missão”. Ele trabalhou também na Pastoral do Santuário de Aparecida, dedicando-se ao atendimento dos romeiros, entre 1982 e 1984. Ele se destacou na Pastoral da Igreja Santa Cruz, em Araraquara (SP) por alguns períodos, de 1959 a 1961; de 1985 a 1996 quando trabalhou muito na reforma da igreja Santa Cruz e do ano 2000 em diante. Até poucos anos atrás Pe. Carvalho ainda se dedicava à pastoral. Ele também trabalhou na Pastoral da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São João da Boa Vista (SP), de 1965 a 1967 e de 1997 a 1999. No ano escolar europeu de 1969/1970 fez o curso de Pastoral Missionária, no Instituto Superior de Pastoral, em Madrid, na Espanha. No serviço de animação da vida comunitária redentorista ele foi Superior da Comunidade e Reitor da Igreja Santa Cruz, em Araraquara (SP), de 1959 a 1961, e também Superior da Comunidade e Reitor da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São João da Boa Vista (SP), entre os anos de 1965 e 1967. Pe. Carvalho integrou o Governo Provincial sendo Conselheiro Provincial, de 1973 a 1975. Homem de temperamento calmo e tranqüilo, era sério em todas as posturas, mas demonstrava muita simpatia e agradável relacionamento. Dedicado à leitura e ao estudo, possuia excelente voz, sendo um mestre da oratória. Era um confrade tipicamente pastoralista: Paciente confessor e dedicado ao aconselhamento espiritual. Ardoroso batalhador no campo das Missões Populares, juntamente com um grupo de valorosos confrades, soube assumir os ensinamentos do Concílio Vaticano II, atualizando essa prática tradicional da Congregação. Teve espírito de liderança bem aguçado e enquanto outros grupos e Províncias optaram por interromper a pregação das Santas Missões Populares, a equipe missionária da Província de São Paulo optou em reavaliar, atualizá-las, mas sem interrompê-las. E o Pe. Carvalho foi dos líderes das missões e um dos líderes como coordenador. Ele sempre expressou o desejo de alcançar o centenário de sua vida e até o fim de seus dias manteve a lucidez, interessando-se por tudo o que era da Província, dedicando tempo à leitura dos jornais e revistas. No dia 17 de março foi hospitalizado em Araraquara (SP) onde residia vindo a falecer na madrugada do dia 18, véspera da festa de São José. Em junho ele iria completar 97 anos (Era o mais velho de nossa Província de São Paulo) e já viveu 73 anos de vida consagrada e 68 anos de vida sacerdotal. Que Deus recompense o Pe. João Carvalho pela sua longa vida, pela sua dedicação e ardor missionário e que do céu ele nos ajude a sermos nós também fiéis à nossa missão. 
Pe. José Inácio de Medeiros, CSsR
Superior Provincial – SP 2300

sexta-feira, 17 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - EXAME DE CONSCIÊNCIA

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Como fazer o exame de consciência? 
Exame de consciência é um olhar para dentro de si, uma análise de tudo o que se fez. Faz bem descobrir as boas ações, perceber o valor das grandes e pequenas coisas que fizemos. Faz muito bem descobrir também os erros, as falhas, as vezes que não conseguimos expressar-nos com bondade. Um momento que serve para agradecer a Deus e se valorizar mais. Outro olhar é uma oportunidade de encontrar o caminho certo, corrigindo erros e faltas.Temos um costume de fazer exame de consciência para ver só os erros, mas é bom nos habituarmos a ver aquilo que fizemos de bom durante o dia. Quem não se analisa, não se conhece, não tem chance de mudar.O silêncio e a concentração vão-nos ajudar a percebermos nosso interior, vão-nos ajudar na avaliação e nos fortalecerão nos princípios que devem orientar nossa vida.A consciência é um santuário onde ninguém entra e só Deus conhece; é nesse íntimo que a pessoa encontra-se consigo, encontra-se com Deus e é onde Deus fala. Essa consciência pode ser bem-formada ou malformada. Será bem-formada quando se guiar pelos valores evangélicos, pelos valores da lei natural que Deus gravou dentro de cada um. A consciência é a regra última do agir humano. Ninguém a substitui.É por esse respeito à consciência de cada pessoa que se aboliram as tais listas de pecado. A pessoa lia aquela lista e não se dava ao trabalho de analisar, avaliar seus atos. Era prático mas não produzia frutos, pois nem sequer via-se porque errou, qual era seu grau de conhecimento e liberdade para fazer o que fez.Cada um precisa aprender ou descobrir onde estão seus erros e o porquê desses erros ou pecados. Usar como critério aquilo que os outros falaram é não querer refletir e perceber onde se apoiam os erros ou os acertos. Saber por que se erra já é meio caminho andado para se corrigir. Por isso facilmente liga-se o exame de consciência à confissão, mas essa deve ser uma prática para todos os dias: passar o dia a limpo para planejar o que vem em frente.Sabe-se que a consciência fala dentro da gente e ninguém amordaça a própria consciência. É necessário muito cuidado para não se criar no coração a insensibilidade que impeça de ouvir a voz de sua própria consciência.Um trabalho de auto-análise pode tornar qualquer pessoa bem mais delicada, sensível. Parece que tudo depende de uma educação de si mesmo. Quanto mais perto de Deus, mais podemos perceber nossos erros e faltas. Não se pode cultivar uma consciência doentia; quem perceber desvios deve procurar um confessor que oriente ou uma terapia que ajude a trabalhar a si mesmo. 
EDITORA SANTUÁRIO

quinta-feira, 16 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - DOENTES E IDOSOS

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBARDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Doentes e idosos são um problema para a família? 
Na atual economia tanto o doente como o idoso são considerados como um peso social. Eles não trabalham, não produzem e gastam. Para a sociedade moderna, sociedade do descartável, não há lugar para eles. Os que têm condições econômicas podem se amparar nas casas de repouso; os que não têm dinheiro estão condenados a desaparecerem rapidamente. A sociedade se esqueceu de que eles já foram significativos pelos seus trabalhos e atuação e que agora têm o direito ao uso dos bens, a uma vida digna. Esse é o tempo de dar a eles o reconhecimento, pois a idade lhes conferiu dignidade que exige respeito da comunidade e da família. Ninguém vive sozinho e temos de pensar que amanhã chega a nossa vez. A humanidade tem que aprender a carregar solidariedade às dores e limitações de todos. A doença é a desestabilização das forças da vida. Uma vez que podemos dizer que “saúde é abundância de vida”, sentimo-nos doentes quando essas forças de vida se desequilibram. Essa ruptura do bem-estar físico nem sempre está ligada ao nosso psíquico. E se estiver é porque também meu psíquico se desequilibrou. Disso se conclui que, em ambos os casos, não se procuram esses acontecimentos; são fatos que temos de aceitar. O doente e o idoso não são indivíduos isolados; eles fazem parte do grupo família e quando estão fragilizados todo grupo também está doente ou idoso com ele. O mal, se é que se pode dizer assim, atinge a todos e eles são o sinal. Aqui doença é um sinal do mal que corrói o grupo; é preciso restabelecer o equilíbrio e a unidade ameaçada. O fenômeno da doença e da senilidade tem dimensão social; não adianta isolarmos ou distanciarmos dos doentes e idosos. O desestabilizador das forças da vida em alguém não pode desarticular o grupo. O Evangelho mostra o carinho que devemos ter com essas pessoas. Jesus disse: “Eu estava doente e me visitaste”. É um caminho de integração onde os mais novos e sadios fazem a experiência antecipada do limite da natureza humana. Essa harmonia do acolhimento sadio e carinhoso restabelece o equilíbrio e estabiliza o grupo. É a sabedoria do Evangelho, é a mística de quem e para quem vive e trabalha ao lado dos doentes e idosos, fragilizados pela idade e pela doença. A perda da autonomia e da família aprofunda neles a perda do sentido do viver. Temos de projetá-los de novo para que tenham o gosto da vida e percebam que os limites não os impedem de serem felizes ao nosso lado. O melhor é conscientizarmo-nos que cada um é um pedaço da gente e que amor é o único caminho que restabelece a dignidade humana. Esse amor nos levará a aprender a conviver com o diferente e assumir os limites que emergem como desafios a serem enfrentados. “O que fizerdes ao menor de seus irmãos, é a Mim que o fazeis”. 
EDITORA SANTUÁRIO

quarta-feira, 15 de março de 2023

ALEXANDRE DUMAS E O "COLEGIÃO"

Diáriamente, assisto a uma propaganda da Pousada Bom Jesus, é aquele espaço onde vivi, onde viveu Santa Maria Paulínia, onde se instalaram as tropas da revolução constitucionalista, foi asilo, foi e ainda é seminário, acolheu Nossa Senhora em seu necessário restauro, recebeu papas, aquele que é Santo, outro que abdicou e um argentino porreta que ousou adotar o nome de Francisco , o primeiro. Os corredores, a capela, a majestade de uma construção que se impõe ao comum de toda a redondeza. Passo por ali diariamente, não sei se devo me persignar, para mim é um lugar sagrado, se cremado, pediria espalhar minhas cinzas pelos bosques, jardins, onde quer que fosse ou existissem os ares que circundam a casa sagrada. Colegião, minha morada de formação, berço de um ideal que, se não conseguido, determinou rumos em minha vida. Quando a propaganda que oferece hospedagem de primeira linha a romeiros percorre seus corredores com uma música envolvente, voltam à minha mente momentos inesquecíveis, irrecuperáveis, fontes de lembranças saudosas de um tempo que se foi e permanece arraigado em meu coração. ALEXANDRE DUMAS PASIN



Por muito tempo acolheu o padre Lauro Palú.CM que atualmente reside no Caraça. Foi professor no SRSA. Atualmente está doente. `Pudera! Se vivi por por lá em 1971/74 e ele já era reitor daquele seminário, acolhendo meninos de outras dioceses como eram os rapazes que viviam no Bico do Papagaio. Exemplo: Josimo de Moraes Tavares. Já passados quase cincoenta anos. Palú foi nosso professor na UNISAU lecionando Filosofia Moderna e Contemporânea. Saudades de tudo isso. Diácono Adilson José Cunha 
Que ricas lembranças, Alexandre Dumas...entrei lá em 1954.,..depois São Roque e voltei para lá em 1961 para filosofia...estive no Caraça há alguns anos... batemos um longo papo... não sai de minha lembrança o Colegiao... No Caraça com Pe Lauro Palu...um sábio - Getulino Do Espírito Santo Maciel 

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. AGOSTINHO JORGE POLSTER CSsR

PE. AGOSTINHO JORGE POLSTER CSsR
+25 de FEVEREIRO 1958 
Era de Krappenhofen, na Baviera. Nasceu a 18 de março de 1890, e com 13 anos ingressou no Juvenato C.Ss.R. professando em 1911. Devido à uma extração de um dente (mal feita) precisou ser operado na cabeça. Mais tarde teve de repetir a operação, com a advertência do médico: outra operação será impossível. Mas, com muita oração, pôde ele restabelecer-se e continuar os estudos. Chamado para o exército, na guerra de 1914, ficou livre, devido justamente a essa operação, cuja cicatriz (que sempre conservou) o impedia de usar capacete. Em 1916 foi ordenado, trabalhando uns três anos na Alemanha, vindo em 1920 para o Brasil. Diretor e professor do Juvenato, Superior em Cachoeira do Sul, Pe. Agostinho foi também, durante anos, ótimo missionário. Aprendeu, e muito bem, o Português, sendo suas pregações muito apreciadas pelo conteúdo e clareza. De veia poética, e muito versado em literatura clássica, era com facilidade que, de acordo com a ocasião, citava versos de Horácio, Ovídio e Homero. Perito no latim e grego, eram estas suas matérias prediletas como professor. Foi sempre um ótimo confrade, pela sua calma e espírito de caridade. Sabia enriquecer uma conversa com observações interessantes, e com suas risadas, que sempre chegavam quando os outros já tinham deixado de rir. De constituição forte, não se poupava trabalho; e, em tudo, era um homem de profundo espírito de fé. — Já por volta de 1955 a esclerose cerebral começou a manifestar-se, obrigando-o a uma total inatividade na Casa da Penha. Agravando-se a moléstia, foi ele internado no Hospital, durante um ano e meio. Depois foi levado para o convento, pois eram freqüentes seus gritos nervosos, incomodando os doentes. Nos momentos lúcidos, porém, ficava muito agradecido, quando algum confrade rezava com ele, preparando-o para a morte. Nos últimos meses ficou reduzido a uma criança inconsciente. No dia 25 de fevereiro de 1958 Deus o chamou para o descanso eterno, após trinta e poucos anos de intenso apostolado.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade
Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR
Numa história contada pelo padre Morgado, ele dizia que o padre Agostinho era diretor do seminário em seu tempo. Estando todos na casa da Pedrinha, chegou a notícia de sua substituição e transferência para outro setor da comunidade redentorista. Incontinente, arrumou as malas e se preparou para voltar ao seminário em Aparecida e tomar seu destino. Os seminaristas o acompanharam até o morro da Carmelita e desceram até um ribeirão situado mais abaixo, ele atravessou o ribeirão, postou-se em frente a todos e "BOM QUE ERA, CHOROU". O ribeirão passou a ser denominado, a partir desse fato, por "RIBEIRÃO DAS LÁGRIMAS". Quando por ali passávamos, sabíamos que estávamos chegando, eu não conhecia a história, fiquei muito feliz quando tomei conhecimento da toponímia. Alexandre Dumas Pasin

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - PROCISSÕES

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
Missionário Redentorista! 
NA PAZ DO SENHOR 
Que pensar das procissões? 
É gostoso assistir a um final de campeonato de futebol e ver os atletas campeões dando a volta olímpica pelo estádio, carregando a taça ou troféu e o povão agitando logo atrás. É uma festa, uma celebração de tantos momentos sofridos e alegres, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelo time. Nunca vi ninguém reclamar dessa volta olímpica. Por que será que nossas procissões despertam tantas críticas por parte de alguns e são objeto de análises de sociólogos das religiões? Será que nós, povo, não nos podemos expressar de acordo com nossos gostos e temos de entrar no esquema de psicólogos, sociólogos e indiferentes? A procissão é uma manifestação da piedade popular cuja base está na própria índole do ser humano. Nós precisamos de gestos e sabemos que a linguagem dos gestos é universal, enquanto que a palavra não o é, além de ser a mais fraca expressão da comunicação humana. A vida tem seus ritos e não se podem dispensar os ritos uma vez que a pessoa não é só racionalidade, ela se expressa através de gestos os seus sentimentos. A procissão é um rito que celebra a fé. O homem é peregrino, está sempre em busca; a peregrinação é uma amostra dessa necessidade. A mesma necessidade que faz dar a volta olímpica com a taça leva as pessoas a carregarem seus santos, suas cruzes e fazerem suas peregrinações. São maneiras de expressar seu agradecimento, sua crença, sua alegria; é uma forma de reforçar seus pedidos; necessidade de dizer com gestos o que está dentro do coração. Se há exageros, não sei dizer; mais exagero que um desfile de escola de samba, levando para a avenida uma quantidade de alegoria e uma multidão de pessoas, certamente não há. Nossas procissões estão longe disso. Esses críticos amargos nos desculpem. Se eles não enxergam nada de bom em nossas procissões e se para eles não há significado, que respeitem nossas expressões de fé que não magoam e nem pretendem ofender a ninguém. Vamos prestar nossas homenagens a quem acreditamos que as mereçam. Imagens são representações. Mas há tantas representações de quem nada ou pouco fez pela comunidade. Nossos santos são importantes para nós, temos comunhão com eles, acreditamos em sua intercessão que nos ajuda e vemos em suas vidas um caminho de santificação. 
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R. 
EDITORA SANTUÁRIO

terça-feira, 14 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI-RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - ESTAÇÕES DA VIA SACRA

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR 
De onde vêm as estações da Via-Sacra?
 
Podemos dizer que o caminho de Jesus para o Calvário foi uma devoção muito cultivada pela piedade popular, que acentuava a Paixão de Jesus como o ato salvífico e o extremo amor de Deus por nós. Hoje percebemos que toda a vida de Jesus é um ato salvífico, e a importância maior tem a ressurreição como base da fé e início da grande caminhada da Páscoa. Essa mudança teológica trouxe a reforma litúrgica da Semana Santa, outrora tão dolorosa, acentuando os passos de Jesus. A mudança não visava destruir o que havia de piedoso, mas dar-lhe o devido lugar. Na verdade, certas devoções acabaram ficando de fora e não mais se estimulou a celebração da Via-Sacra. Na Pastoral, devemos ter sempre em mente o refrão: “Não tirar, quando não temos o que colocar no lugar”. A Via-Sacra vem de longe, hoje ela tem 14 estações, mas já encontramos em escritos antigos que já tivemos três dezenas de estações. Hoje, em alguns lugares, já figuram 15 estações, a última lembrando Jesus Ressuscitado. Fazia uns 200 anos que foram fixadas as 14 estações. Algumas nasceram de tradições e costumes antigos, outras foram tiradas das escrituras e outras, ainda, de lendas antigas, que não ferem a doutrina da Igreja. Temos de lembrar que o Evangelho não se preocupa com a exatidão histórica e sim com a mensagem. Dessa forma, é possível que muita coisa só nos tenha chegado através da tradição ou através dos livros apócrifos. Assim são as três quedas de Jesus, a história da Verônica. No século X encontrou-se em Roma um lenço com a estampa do rosto de Jesus. Daí até o século XIV decorreu o tempo suficiente para a formação da história do piedoso gesto da Verônica, que, ao enxugar a face de Jesus, dele recebera a recompensa: seu rosto estampado na toalha ou lenço. Não é contra a fé e não prejudica a fé. Se existiu ou não a diferença que faz é pouca, mas não deixa de ser um gesto formativo e piedoso. Ninguém tem obrigação de percorrer o caminho da Via-Sacra, mas também não podemos condenar quem tem essa devoção. Até podemos aconselhar que pessoas tenham essa devoção como um meio de interiorização do amor de Deus derramado de forma tão abundante sobre nós. A meditação da Paixão, tão recomendada por Santo Afonso, ajuda-nos no crescimento do amor a Deus e nos leva a darmos uma resposta de amor e compromisso. Por outro lado, sensibiliza-nos e prepara-nos para termos em nós os mesmos sentimentos de Jesus. Lembramos que a paixão do mundo é a paixão de Deus. Jesus continua hoje sua Paixão em tantos que sofrem e formam a legião dos excluídos de uma sociedade sem Deus. DO LIVRO: RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE-VOLUME 6

segunda-feira, 13 de março de 2023

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - SOBRE OS PADRES!

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR 
Que pensar dos padres? 
O sacerdote é o homem consagrado para um ministério especial na Igreja; consagrado para ser um outro Cristo. S. Paulo fala que ele é tirado do meio do povo e devolvido ao povo para oferecer sacrifício pelos seus pecados e pelos pecados dos outros; mostrando assim que, mesmo consagrado, ele é uma pessoa humana frágil. Como Jesus aprendeu na obediência, o padre também faz uma caminhada na qual aprende como agir como pessoa de Cristo; ele se prepara para sua missão, se capacita, se educa e se santifica pelo exercício do ministério. A ordenação sacerdotal não modifica o ser humano do padre. Ele continua com suas tendências hereditárias, seu temperamento, seu limite humano e vai ter de caminhar muito crescendo sempre interiormente para ser um homem de Deus. Ele vem de uma família e por mais que trabalhe essa pessoa, ela terá as marcas que vem trazendo consigo. À maneira dos apóstolos, o Mestre continua chamando e aqueles que aceitam certamente vão trazer consigo qualidades e defeitos, alguns perfeitamente superáveis e outros sem possibilidade de mudança. Ao passar pelo período de formação, ele é acompanhado e ajudado em sua formação intelectual, humano-religiosa. É feita uma seleção, pois há muitos que querem ser sacerdotes e não possuem as condições requeridas e nem foram chamados, vieram atraídos por sentimentos religiosos, por chances de melhorar a vida, como saída viável para situações diversas. Outros não possuem condições psicológicas, equilíbrio e capacidade para viver a vida consagrada. Precisamos entender que, apesar de todo o esforço, exigências e cuidados, alguns são ordenados sacerdotes com bem poucas condições intelectuais, pouca capacidade de coordenação e alguns até desequilibrados. Durante o período de formação ou não mostraram o que realmente eram ou houve muita condescendência em alguns casos; outros mostraram seus desequilíbrios só depois de ordenados, quando vão assumir uma comunidade. Há também um pouco de descuido ao procurar informações, principalmente daqueles que vivem procurando dioceses que os ordene. Por isso temos padres de todos os tipos e sentimos dificuldade em nos adaptarmos a alguns que fogem mesmo de qualquer paradigma de normalidade. Ao lado de tantos que são zelosos, sérios e cuidadosos, temos aqueles que, sem dúvida, deixam muito a desejar. Não precisamos ser cordeiros e aceitar tudo; temos o direito de reclamar com quem pode resolver e encaminhar soluções. Por outro lado temos que deixar de ser exigentes e de querer transformar o padre segundo a nossa cabeça e o nosso gosto. Vamos entender a possibilidade de cada um a ajudá-los a superarem seus limites humanos. E quando houver mudanças de padres em nossa comunidade, continuemos dando apoio e aceitando modelos novos de trabalho ou modos diferentes de coordenação, embora possamos continuar pensando que os bispos deveriam tomar atitudes em relação a alguns casos. DO LIVRO: RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE-VOLUME 9 EDITORA SANTUÁRIO

domingo, 12 de março de 2023

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - SER MÃE!

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Ser mãe é peso ou é graça? 
Quando vejo crianças brincando ou protegidas nos braços de uma mãe, me vem à lembrança o que dizia uma mulher no metrô em Roma, comentando com outra sobre os insultos de um filho mal-educado: “É melhor criar um cão, do que um filho”. Realmente ser mãe não é para qualquer pessoa, pois é um dom, uma graça, uma vocação. Quem não tem competência é melhor mesmo que gaste seu tempo e dinheiro entre animais irracionais. Não sou contra animais, mas sou contra a insensatez de quem os quer transformar em pessoas humanas. Ê ridículo ver atitudes em relação a animais que caberiam bem a qualquer criança e com mais proveito. Para essas pessoas, a maternidade não pode ser considerada apenas como um peso, mas uma incapacidade. A capacidade de ser mãe só existe num ser normal no qual foram desenvolvidas as capacidades de amar, de se doar, a sensibilidade que humaniza as pessoas e todas as relações humanas, o ser religioso que vive valores evangélicos do respeito à vida e à dignidade de toda a pessoa humana. Ser mãe é graça, convite para gerar e repartir a vida, que é vida de Deus nas pessoas. E graça não cabe em qualquer lugar, nem em qualquer coração. Ser mãe é uma vocação sublime, própria de quem ama a vida e é sumamente agradecida pela vida que recebeu de Deus. É abrir o coração para uma nova semente que germinará em seu seio, nova imagem de Deus, a quem ela ama profundamente. Ninguém é obrigado a viver essa realidade divina da vida multiplicada com amor, do gesto criador de Deus, pois aqui a mãe sente o filho como sua própria carne e sua própria vida, expressão mais íntima de seu ser. Bem falou o Evangelho: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos outros”. A mãe vê sua própria vida prolongada na vida do filho. Ela se esquece, porque agora se tornou o santuário da vida. Como nos prostituímos nos pensamentos e sentimentos. Como estamos corrompidos pela ignorância, pelo medo, pela insensatez, pelo egoísmo. Perdemos lentamente a capacidade de amar gratuitamente. Hoje criança é um peso social que impede a falsa liberdade. Jogamos com a vida, deixando prevalecer os interesses e a comunicação social que nos apresentam diariamente falsas mães, mães irresponsáveis, mães reprodutoras para as quais filhos são uma satisfação passageira, um peso, ou um brinquedo ou uma auto-afirmação. Melhor para eles seria não ter nascido. DO LIVRO: RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 11 EDITORA SANTUÁRIO

sábado, 11 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - VOCAÇÕES

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR 
Onde nascem as vocações?
 
Atualmente há tantas reclamações contra padres por causa de suas atitudes diferentes, do modo de tratar as coisas de Deus e dos seus defeitos morais. Sempre o que é errado aparece mais do que o bem feito, por isso nos chama atenção o defeito do padre. Quando temos um padre com quem nos acertamos, reclamamos muito na oportunidade de sua transferência para outro lugar. E temos dificuldade em nos adaptar ao que vem certamente num modelo diverso do que tínhamos. Não se trata de não perceber, pois não se esconde o que está patente. Trata-se de analisar e com flexibilidade nos acertarmos com um novo modelo de pastoral e novas atitudes pessoais do padre que está chegando. Também não podemos encobrir aquilo que não é normal em qualquer comportamento, mas então o caminho será outro e não apenas o nosso protesto. Na formação de sacerdote sempre há muito cuidado na seleção e formação, mas às vezes certos elementos passam na esperança de que depois ele se acerte e se equilibre ou que amadureça. Outros só mostram os desacertos depois de algum tempo no trabalho comum. A parte maior do problema vem das famílias, onde nascem as vocações. Como transformar um elemento que já vem tão deformado ou tão judiado pela hereditariedade e pelos problemas que passam nas famílias? Podemos até dizer que não devia ser aceito para o sacerdócio, mas com tanta falta de padre sempre fica uma esperança de que nada de mal aconteça. As melhores famílias oferecem tantas oportunidades e chances para os filhos que a possibilidade de uma vocação sacerdotal nem é pensada e nem há espaço. As vocações estão surgindo ainda de famílias rurais que, moram na cidade, mas não perderam seu cunho de rural. Não que seja uma fonte ruim de vocações, mas podíamos aproveitar mais os que já estão em situação mais privilegiada. Problemas vão surgir em todas as famílias, mas as que estão melhor trabalhadas são as que têm mais chances de oferecer filhos em melhores condições. Pelo que vemos nas famílias modernas, temos de acreditar muito no chamado de Jesus, porque nossos ambientes e vida familiar estão colaborando muito pouco para o surgimento de novas vocações. Um pai e uma mãe que vivem uma vida sinceramente cristã e se preocupam com sua comunidade, certamente estão dando aos filhos uma motivação grande para que escolham o caminho do sacerdócio. Melhores famílias, melhores candidatos ao sacerdócio. Essa é uma consciência que devemos ter. Até que melhorem as condições humanas de que vem como chamado, nós vamos procurando nos acertar com o que temos e com aqueles que bondosamente colocam-se a serviço da Igreja e do ministério sacerdotal. Acreditemos no padre. 
DO LIVRO: 
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
VOLUME 9 EDITORA SANTUÁRIO

sexta-feira, 10 de março de 2023

PADRE LIBÁRDI - RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE!-VOTO E PROMESSA!

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Voto e promessa são a mesma coisa?
 
Que confusão o povo apronta quando se trata de promessas! E não é para menos: como distinguir entre voto, promessa, juramento, intenção, proposta, propósito? O que nos interessa são as tais “promessas” feitas a qualquer hora e de qualquer forma, na maioria das vezes sem ter conhecimento do que se está fazendo. Voto é uma promessa feita a Deus de uma maneira deliberada e livre, de um bem melhor e possível. Ninguém está obrigado a prometer e não é possível prometer a Deus algo ruim. É um gesto de adoração a Deus, um gesto de ação de graças. Há votos públicos e particulares que dependem de orientação e formação, bem como da aceitação da Igreja. Há outros tantos que revelam a intenção da pessoa ou um contrato a ser feito. Mas todos eles procuram sempre um bem melhor, sem nada exigir. Cada um é livre para se obrigar por um voto. Supõe que a pessoa saiba o que está fazendo e queira fazer. A intenção e o propósito não exigem a mesma fidelidade que o voto e o juramento exigem. As intenções e propósitos fazem parte de um projeto de vida e são pequenas ou grandes metas que colocamos para alcançar o objetivo. Mas em tudo isso vale sempre a fidelidade; assim diz o Salmo: “Cumprirei os votos que fiz ao Senhor todos os dias de minha vida”. A confusão começa quando fazemos nossas promessas com a intenção de alcançar alguma graça de Deus ou dos santos. Há gente esclarecida que sabe o que faz. Há gente que faz promessa no desespero, faz promessas que são verdadeiros castigos. Há outros com o mau costume de fazer promessas a toda hora; quando não fazem para outros cumprirem. O que é certo nessa confusão? Uma promessa não é um gesto para obrigar a Deus a nos atender. Não é um negócio, uma troca com Deus. É muito mais um pedido de intercessão, no qual determinamos o modo como vamos fazer nossa ação de graças. Na verdade é mais um propósito. Não podemos dizer que muitas promessas cheguem a ser um voto; faltam condições. Para ação de graças vamos oferecer coisas boas, nada que prejudique a nós ou a outros. Não se fazem promessas a torto e a direito. Não se faz promessa para outros cumprirem; pode-se cumprir na intenção do outro. Ninguém é obrigado a cumprir promessa que outros fizeram. Não se faz promessa no desespero, sem saber o que está fazendo. Não se deve fazer promessas para a vida inteira; as circunstâncias podem mudar e o que fazer depois? Para que fazer uma promessa de atravessar a passarela da Basílica de joelho no chão? É prejudicial à saúde. Jesus já falou que vale mais um coração arrependido que muitos sacrifícios. Muitas promessas não são válidas, porque faltam as condições e a lucidez de quem as faz. E se alguma não pode ser cumprida, fale com o sacerdote para que troque ou abrevie a promessa ou esclareça por que não valeu. O importante é ser agradecido a Deus. Jesus reclamou dos 10 leprosos, pois só um voltou para agradecer. 
DO LIVRO: 
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE
VOLUME 3 EDITORA SANTUÁRIO