sábado, 13 de janeiro de 2024

ELES VIVERAM CONOSCO - Pe. Júlio Negrizollo CSsR

Pe. Júlio Negrizollo CSsR 
+ 13 de janeiro 2009 
Pe. Júlio Negrizollo nasceu em Serra Azul (SP), em 06/06/1923; professou como membro da Congregação Redentorista em 02/02/1945 e foi ordenado sacerdote no dia 27/12/1949. P. Júlio pertencia aos Redentoristas de São Paulo, mas foi transferido para a Província de Goiás, onde desenvolveu grande parte de sua missão. Deixou marcas profundas de seu ardor apostólico nos Estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. A presença redentorista em Garça (SP) teve início em 1957, com ele. Ao longo da história, o nome que mais se ressalta entre os que passaram por lá é o do P. Júlio. Em 12/02/1962 recebeu o título de "Cidadão Garcense". Dizia-se, na época, que P. Júlio queria converter toda a cidade de Garça, preocupava-se muito em atrair os homens para Deus. Era exageradamente apostólico! Ainda hoje é muito conhecido na cidade. Na Capital Paulista, trabalhou muitos anos na Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro, do Jardim Paulistano, em São Paulo (SP). Naquela época a região era ainda meio periferia da Capital. Dizia-se que ele se preocupava tanto em atender a todos que ia levar comunhão para um doente que morava no outro extremo da Cidade! Trabalhou incansavelmente nos cursilhos de cristantade, principalmente na época em que morou em São Paulo (SP). Foi membro da equipe missionária volante, mestre de noviços, pároco. Transferido para Goiás, suas atividades pastorais iam muito além de sua Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro, de Brasília (DF). Era o grande distribuidor de bênçãos e de uma atenção quase que sem limites. Quando estava para completar 80 anos de vida, na paróquia P. Socorro, no Lago Sul de Brasília (DF), P. Júlio publicou um livro intitulado "Testemunhos da Fé". Trabalhou na paróquia da Penha, em São Paulo (SP) (1951 e depois de 1953-1955). Como missionário itinerante morou em São João da Boa Vista (SP) (1952 e depois em 1955 e de 1968-1970); em Araraquara (SP) (1956). Em 1956-1957 no Jardim Paulistano, em São Paulo (SP). De 1957-1961 trabalhou na paróquia de Garça (SP). De 1961-1967 novamente no Jardim Paulistano, em São Paulo (SP). Em 1967-1968 com os romeiros na Basílica de Aparecida (SP). Foi mestre de noviços em Aparecida (SP), 1970-1971, e em Goiânia (GO) em 1972. Em Goiás trabalhou em seminário (1973), como missionário itinerante, como secretário da Conferência dos Religiosos e coordenador de Cursilhos de Cristandade. De 1975-1979 foi pároco em Sacramento (MG). Em 1979 novamente em Aparecida (SP). A partir de 1981 trabalhou na paróquia Perpétuo Socorro de Brasília (DF), lá terminando sua vida missionária. - P. Júlio faleceu em 13/01/2009, no hospital Daher, em Brasília (DF), aos 86 anos. Seu corpo foi sepultado na manhã seguinte, 14/01/09, numa capelinha que existe atrás da sede da paróquia redentorista de N. Sra. do Perpétuo Socorro do Lago, em Brasília (DF). A capelinha faz parte do Convento redentorista e era lá que nos últimos anos ele celebrava a Eucaristia Descanse em paz.

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. PEDRO HENRIQUE FLÖRCHLINGER CSsR

PE. PEDRO HENRIQUE FLÖRCHLINGER CSsR 
+13 de JANEIRO 1971 
Muito lhe ficou devendo a Província, pelo que realizou, e pelo que sofreu. Nascido a 26 de outubro de 1901 na Alemanha, professou na C.Ss.R. em 1921, sendo ordenado em 1926. Veio para o Brasil em 1930, trabalhando como coadjutor na Penha até 1933, quando começou a trabalhar no Juvenato (Aparecida). A princípio como professor, depois como diretor, ficou no Juvenato até 1949; ano em que precisou ir a Campos do Jordão, para um tratamento dos pulmões. Em 1950 foi para Tietê como prefeito dos estudantes. Ocupou também os cargos de superior de São João da Boa Vista, de Aparecida, e de reitor da Basílica. Em seus 40 anos de atividade na Província, Pe. Pedro foi sempre um confrade alegre, enérgico mas compreensivo. Durante os anos que trabalhou como Diretor do Juvenato procurou formar nossos futuros Missionários dentro do espírito de fé, simplicidade e amor ao trabalho. As falhas que teve no seu modo quase militar de encaminhar as vocações, certamente as compensou com sua boa vontade e dedicação. Como Tesoureiro da Basílica, em seus últimos anos de atividade, teve uma tremenda decepção que muito o abateu, resultado da sua ilimitada confiança em determinados funcionários que o deixaram na rua da amargura. Nomeado, depois, superior de São João da Boa Vista, pela segunda vez, não chegou a tomar posse. Teve de renunciar devido ao estado precário da sua saúde. Seus pulmões estavam exigindo sérios cuidados. Foi internado no Sanatório da Providência, em Campos do Jordão, onde ainda viveu quase três anos de profundo sofrimento. Mesmo assim continuou sendo um homem de fé e edificante conformidade, oferecendo seus sofrimentos pelas vocações da Província. A 13 de janeiro de 1971, estava ele conversando com a irmã enfermeira. Mais ouvia do que falava, devido a sua extrema fraqueza. Foi quando a morte chegou; e, sem que a irmã notasse, ele deixou de falar. Quando a irmã percebeu, ele já havia deixado de viver na maior tranqüilidade.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

DUMAS E JOSÉ PINHEIRO-DOIS ANTIGOS SEMINARISTAS DO SRSA

Pois, é ! 
Recebi uma visita inesperada, José Pinheiro, ele mesmo, acompanhado de sua filha Gláucia, muito simpática. Trouxe-me uma revista dedicada a Aparecida, o rio, seus montes, as basílicas, monumentos, sua história, a Santa. Que bom ! Isto precede ao lançamento de seu livro, duzentas crônicas elaboradas ao longo de anos de uma aposentadoria merecida, um tanto poeta, muito de filósofo, historiador, saudosista, ex-seminarista, pai de família, nascido em Piracaia, morador de Aparecida, Santa Rita, meu berço e minha história. Rememoramos fatos, pessoas, padres, lugares comuns que vivemos em épocas diferentes, mas na mira de um mesmo ideal, Seminário Santo Afonso. Ele repetiu o cafezinho improvisado, não aceitou vinho, sentiu-se a vontade, presenteou-me com sua revista, com dedicatória ao Pasin. Pessoa simples, culta, parceiro de uma trajetória comum. Espero o seu livro, quem sabe vai me incentivar a preparar o meu. Uma árvore, um filho, um livro...... Obrigado, José ! Alexandre Dumas
Eu que agradeço a acolhida. O café com pão de queijo estava ótimo. Não aceitei o vinho porque tenho dificuldade para dirigir à noite. Já aconteceu de eu sair da estrada e quase cair em uma ribanceira. E outra, eu tinha que atravessar a ponte do rio Paraiba. Com o vinho na cabeça, correria o risco de ver
duas pontes ou nenhuma e cair no Rio. É melhor prevenir do que remediar.José Pinheiro 
Boa tarde. Imagino o tanto de "prosa" entre vocês. Tantas lembranças , recordações de dois amigos de tantos anos. Fiquei feliz por vocês! Lili

ELES VIVERAM CONOSCO - Pe. Luiz Inocêncio Pereira CSsR

 

Pe. Luiz Inocêncio Pereira CSsR 
+ 10 de janeiro 2009 
Pe. Luiz Inocêncio nasceu em 22/06/1914, no Bairro do Brás, em São Paulo (SP). Eram seus pais: Maximiano Bonifácio José Pereira e Maria Batista de Souza Pereira. Entrou para o Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida, em 17.02.1932, com dezoito anos, terminando o curso em dezembro de 1935. Fez o Noviciado em Pindamonhangaba, durante o ano de 1936, onde fez a Profissão Religiosa na CSSR, no dia 02.02.1937. O Seminário Maior foi feito em Tietê (SP) onde fez a Profissão Perpétua, em 02.02.1940. Foi Ordenado Sacerdote em São Paulo (SP), na Igreja de Santa Efigênia (Catedral Provisória), em 08.12.1941, por Dom José Gaspar de Fonseca e Silva, então Arcebispo de São Paulo. Celebrou a Primeira Missa Solene, na Igreja Matriz da Penha, no dia 14.12.1941. Em 17.01.1943 começou seu apostolado como Vigário Cooperador em Aparecida (SP), onde ficou até julho de 1945. Em 1946 foi transferido para o Rio Grande do Sul, como Vigário Cooperador nas cidade gaúchas de Pinheiro Marcado, Carazinho e Ijuí. Em 1948 retornou a Aparecida, como Vigário Cooperador, aí ficando até fim de 1950. Em dezembro de 1950 foi transferido para a Comunidade do Seminário Santo Afonso, o chamado Colegião, e foi o encarregado da construção do novo Seminário. Foi a alma da construção! Aí ficou até janeiro de 1953. Em janeiro de 1953 foi para Passo Fundo (RS), como encarregado da construção do novo Seminário Redentorista de Passo Fundo (RS). Aí ficou até fevereiro de 1956. Voltou então para São Paulo (SP), morando na Penha e no Jardim Paulistano, como Vigário Cooperador. Desde 16.01.1967 até agora morava no Convento do Santuário Nacional, em Aparecida (SP). Pe. Inocêncio foi um excelente agrimensor e topógrafo. Mediu e fez plantas de todos os terrenos da Congregação nos Estados de São Paulo e de Goiás, bem como da Diocese de Rubiataba-Mozarlândia. Pe. Inocência gostava e entendia muito de física, matemática e astronomia. Durante muitos anos ele pessoalmente controlava as estatísticas sobre o fluxo de romeiros em Aparecida (SP). O sistema de controle do movimento de pessoas, ônibus, carros etc. em Aparecida é iniciativa dele. Como religioso, Pe. Inocêncio levava uma vida humilde e silenciosa e procurava servir na¬quilo que podia. Uma ocasião, em uma visita do Superior Provincial, disse que sua ocupação e preocupação era "fazer as coisas pequenas que ninguém faria"... Faleceu no dia 10 de ja¬neiro de 2009, às 16 horas, com 94 anos de idade, quase 72 anos de vida religiosa e quase 58 anos de sacerdócio. No dia seguinte, às 16h00, no Santuário Nacional foi celebrada a Missa Exequial, e o sepultamento fez-se logo após. Servo fiel, perseverou até o fim, e temos certeza que recebe a coroa eterna, junto de Deus, a quem serviu com sua vida, e junto de sua querida Mãe Aparecida (ARQUIVO PROVINCIAL) 
Quando esteve em São Paulo, participou da construção da torre da Igreja da Penha. Lembro-me que, ainda no seminário, em um dos poucos dias de que dispunha para estar com minha família, fui fazer uma visita ao convento redentorista daquele bairro.
Muito atenciosamente o Pe.Inocêncio recebeu-me e levou-me para conhecer sua obra que despontava no alto da Penha, a torre do Santuário de Nossa Senhora da Penha de França. Foi para mim uma grande aventura. Junto com o Pe.Inocêncio, em um elevador de obra, aquele que só tinha piso e uma coluna central, subimos a uns 40mt do solo. No percurso, ele me dizia:

-Olhe só para o centro...não olhe para os lados e nem para baixo. Quando chegamos ao topo, entre o estrado do elevador e a laje, havia uma distância de 30cm que me parecia ter mais de um metro. Muito radiante ele mostrou-me a vista exuberante daquela região paulistana. Antônio Ierardi Neto
Olá Ierardi! Padre Inocêncio, antes de entrar para o Santo Afonso, pertenceu à Congregação Mariana da Penha, se não me engano, ele teria sido um dos fundadores de seus fundadores. Acredito que ele tenha sido influenciado pela comunidade dos redentoristas da Penha na escolha de sua vocação. A Nova Basílica da Penha, o Convento e Seminário da Penha tiveram participação do Padre Inocêncio na escolha de suas arquiteturas. Tentei influenciar para que algum logradouro do bairro ganhasse o seu nome. mas não obtive êxito até o momento. Mesmo com toda discrição, esse nosso confrade brilhou com sua luz sobre todos os que o conheceram. Abraços! José Morelli
Nos idos de 1949. estando eu a ajudar missa na capela do asilo em Aparecida, me defrontei com padre Inocêncio, convidou-me a ingressar no seminário, tímido, aleguei que defrontava com a oposição de meus pais, prontamente se propôs a ir à minha casa e conversar eles, acabei ingressando no Colegião em 02/02/49, até hoje, não me conformo com aquela minha timidez, não era verdadeiramente meu intento, mas os redentoristas se insinuavam e nos induziam àquele caminho. Aconteceu, estava escrito, ali permaneci por sete anos, foi bom, aprendi, convivi com pessoas santas, com homens convictos, hoje , faço parte de uma comunidade de ex-seminaristas que valorizam o tempo em que estivemos juntos, não vale a pena voltar ao passado e sim valorizar as boas coisas que aprendemos e os bons momentos que vivemos, somente deles lembraremos.ALEXANDRE DUMAS

ELES VIVERAM CONOSCO - PADRE LAURENCE PATRICK KEAMS

*NOTA DE FALECIMENTO* 
Faleceu no dia 10 de janeiro de 2022, em Curitiba/PR, o Missionário Redentorista Pe. Laurence Patrick Kearns. *Padre Lourenço,* como era conhecido, nasceu no Brooklin, Nova York, EUA, no dia 21 de agosto de 1939 (estava com 82 anos), fez sua Profissão Religiosa em 02 de agosto de 1960 (viveu 61 anos como Missionário Redentorista) e foi ordenado Sacerdote no dia 20 de junho de 1965 (56 anos). Veio para o Brasil em 1968, com apenas 29 anos de idade. Com Mestrado em Educação Religiosa e em História foi autor de nove livros sobre a Vida Consagrada e Espiritualidade. Grande pregador de retiros foi bastante conhecido no Brasil e exterior em virtude de suas pregações e orientações espirituais. Foi o primeiro Superior Provincial da Província de Campo Grande (de 1990 a 1995), trabalhou por mais de 30 anos na formação dos novos redentoristas. Nos últimos anos, padre Lourenço residia na Casa Provincial, em Curitiba e auxiliava nas missas e confissões no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Desde o dia 12 de dezembro de 2021, estava internado no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, onde veio a falecer nesta madrugada. Rezemos pelo descanso eterno de nosso querido confrade.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Dom José Carlos de Aguirre - Sagrador de Redentoristas

 

Dom José Carlos de Aguirre 
+8 DE JANEIRO DE 1973 
Histórico: Dom José Carlos Aguirre, o venerado pastor, nasceu em Itaqueri da Serra - SP, em 28 de abril de 1880. Ordenado presbítero em 08 de dezembro de 1904 e sagrado Bispo em 08 de dezembro de 1924, tomando posse de sua primeira e única diocese, em 31 de dezembro de 1924. Teve um dos mais longos pastoreios: 49 anos. A fecundidade de seu episcopado e a sua figura simples e bondosa, fizeram com que gozasse da simpatia geral do clero, das autoridades, dos católicos e dos sorocabanos em geral. Faleceu no dia 08 de janeiro de 1973 e seus restos mortais estão sepultados na Igreja Catedral de Sorocaba. Dom Aguirre - um homem de valor, alegre, bem-humorado, humilde, piedoso, com presença de espírito, prudente, simples, firme, imparcial, homem reto e justo. Discreto. Vida de modéstia e desprendimento, profundamente amoroso. Homem que privilegiou a educação e o trabalho científico. Foi o primeiro Bispo de Sorocaba e com seu esforço e humildade, passando muitas privações, construiu o Seminário São Carlos Borromeu. Muitas vezes tomava uma refeição durante o dia - sopa de mandioca. Suas irmãs faziam sabão de cinzas para vender e arrecadar dinheiro. Sofreu mais ainda quando soube que não havia mais seminaristas... Governou a Diocese com energia e bondade, o binômio indispensável de quem tem autoridade. Sempre recusou honrarias. Ao receber elogios, finalizava - ''Quem me conhece é meu confessor. Ele é que deveria falar''. Frequentava salão de barbeiro e aguardava sua vez na fila. A virtude que mais marcou sua vida - a simplicidade. Ninguém em Sorocaba conhecia o Palácio Episcopal - hoje estacionamento do Banco do Brasil - mas a Casa do Bispo, aberta a todos a qualquer hora, sem protocolo. Outra virtude que marcou o primeiro Bispo de Sorocaba - a Prudência. Nada de precipitação ou ousadia temerária. Sua condução era também humilde. Viajava a pé, de bonde, de trem, muitas vezes sozinho, carregando pesadas malas. A todos cativava com sua conversa, com seu sorriso, com suas piadas inocentes. Foi admirado por católicos, espíritas, protestantes, maçons. Não dava ordens, mas pedia com tal humildade e bondade que se tornava impossível deixar de atendê-lo. Na falta de coroinhas, não hesitava em auxiliar nas missas de seus padres. Os grandes problemas da Diocese resolvia-os passando noites em claro, entre lágrimas no Sacrário. Na época foi o Bispo que maior número de padres ordenou. Teve uma experiência profícua, notadamente no campo cultural, fundando e participando ativamente da vida das faculdades de Medicina e Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba (hoje Universidade de Sorocaba). Texto de seu Testamento Hológrafo (escrito pessoalmente): ''Peço perdão dos meus inumeráveis pecados, principalmente o da omissão.'' Faleceu aos 93 anos de idade. Seu corpo jaz numa cripta construída por sua iniciativa, à esquerda da porta principal da Catedral, junto ao Batistério. Os desejos do Bispo: Caixão de terceira. Nada de flores. Missas sim, muitas missas. Na época da sua morte era o bispo mais idoso do país. Durante todo o convívio com o povo sorocabano, Dom Aguirre foi admirado e respeitado pela extrema humildade e bom humor, além dos vários serviços filantrópicos levados paralelamente a atividades da Igreja. Participou ainda dos trabalhos de criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e da Faculdade de Medicina de Sorocaba. Numa seção de classificados de um dos jornais de Sorocaba, foi colocado um anúncio onde se lia:
Reconhecimento por uma graça alcançada por intermédio de nosso saudoso bispo Dom José Carlos de Aguirre. João Alberto Rampim de Oliveira 
Fonte: Colégio Dom Aguirre / Cruzeiro do Sul
Fui crismado por esse bispo e meu tio, Pe. Campos, foi ordenado sacerdote por ele. Abner(+)

domingo, 7 de janeiro de 2024

ELES VIVERAM CONOSCO - CARLOS STRABELLI ANTIGO SEMINARISTA

CARLOS STRABELLI
+07 DE JANEIRO 2019
Ontem falei de partidas. Falei de saudades. Falei de velas que se consomem. Hoje abro o zap e a notícia da morte de um amigo está lá. Carlos Strabelli não acordou hoje. Morreu enquanto dormia. Nos conhecemos em 1963 quando ele chegou ao Santo Afonso onde eu já estava desde 1960. Depois perdemo-nos... Só fui reencontrá-lo muitos anos depois como padre na Igreja de São Francisco, em Ermelino Matarazzo. Anos depois deixou o sacerdócio. Mas já era líder inconteste na região. Assumiu o bom combate.Posicionou-se sempre ao lado dos mais fracos e oprimidos. Era amado por todos. Casou se teve três filhos. Em1989 e 1990 trabalhou comigo. Assessorou me na relação escola/ comunidade/sistema. Depois assumiu responsabilidades maiores. Foi coordenar trabalhos pastorais diocese de São Miguel. Destacou-se pela capacidade de dar-se ao próximo. E agora ficamos sem mais uma vela! Assim o mundo escurece um pouco mais... Vai Carlos ao encontro da luz eterna! Nós ficamos aqui na esperança do reencontro! Boa noite,amigos, que o amanhã traga surpresas boas! ANTÔNIO JOÃO THOZZI 
"Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão." Soube ainda a pouco da partida deste guerreiro, uma grande perda para os nossos dias de luta. Aprendi muito com esse homem, ensinamentos que levarei para a vida toda. Meus sentimentos a família. Carlos Strabeli vá em paz e obrigada por tudo. Mão com mão companheiros! JOELMA COUTINHO 
Este é um dos meus maiores mestres, uma pessoa que me inspirava pela sua grandeza nas convicções políticas e religiosas. Meus caros amigos, um ensinamento que Carlos Strabeli me deixou e que levo comigo sempre é que todas as ações de sua vida deve ser realizadas com toda força e vontade. "Se calarem a voz dos profetas, as pedras falaram". Eu desejo ser parte destas pedras. ROGÉRIO MENDES 
É hora da gente despertar as esperanças que as angústias, as decepções e os desencantos tomaram conta da gente e não nos deixaram mais colocar pra fora, explodir de dentro da gente o melhor que nós temos" (Carlos Strabeli) Este é o olhar que eternizaremos... Um olhar carregado de cuidado, ideias, sonhos, provocações e sempre sedento pelo que as outras pessoas tinham para partilhar. Todos e todas que encontraram esse olhar fraterno, foram amados e amadas pelo mestre... Que todo o brinde resistente também seja em tua memória! FERNANDO DIEGUES 
ADEUS AMIGO QUERIDO! Carlos Strabelli, amigo, irmão de sonhos e de causas reinocêntricas, partiu hoje para o Eterno nesta manhã no aconchego de sua família. Pela informação que recebi de um familiar próximo ele devia estar administrando um AVC silencioso e não se deu conta de que teria que talvez ser internado para uma precisa diagnose. Visitei esse querido amigo dia 18.10 do ano passado em sua casa, em uma tarde, onde tomamos um bom café e vinho. Quando chegamos - eu, Eduardo Toth e meu sobrinho Andrés Henrique –, a mesa estava hiper pronta com tudo para o café. O Carlos nos recebeu com aquele abraço que somente ele tinha: caloroso, afetuoso e xinxado. Ao adentrar a casa dei um beijo na Bete, sua esposa, que me parecia melhor que há 5 anos quando estive com eles a última vez. Encontrei um Carlos muito sensível, o que ele sempre foi, mas o meu "inevitável" olhar psicanalítico percebeu que sua sensibilidade estava transbordando e ele passava uma incrível leveza e luminosidade. Saboreei interiormente esse aspecto tão visível no Carlos. Proseamos por mais de duas horas e em tal prosa era impossível não falar DO SONHO DE JESUS PARA ESTE MUNDO. Cobrei do Carlos que achava ele meio “preguiçoso” e me disse que estava curtindo a aposentadoria. Mas que estava num ritmo lento escrevendo algumas coisas. Falou algo de sua vida quando foi Padre e me fez perguntas embaraçosas mesmo vindo de um amigo tão querido. Para os curiosos ele queria saber porque eu não escrevia também numa perspectiva psicoemocional sobre a urgência da Igreja repensar a questão do Celibato dos Padres. Ele disse ver e saber de muitos padres vivendo uma dura solidão. Eu disse que já tem muita gente escrevendo sobre o tema, especialmente na Europa, inclusive Bispos e Cardeais e não apenas teólogos. Creio que em 2009 o Strabelli me acompanhou por mais de um mês em uma visita que na época fizemos nas Frentes de Missão da Fraternidade no RS, MG e aqui em SP. Por fim ele veio nos ajudar aqui na Casa de Itaquera em 2013, creio, como voluntário na parte administrativa e outras voltadas para a formação. Foram quase 10 meses de bela ajuda e para mim foi enriquecedor por ter alguém com um intelecto inquieto e provocativo próprio dos profetas de todos os tempos. Um dia aqui em casa me disse algumas coisas que não entendi bem no momento. Ele fez algumas críticas bem elaboradas e respeitosas. Por fim, agora no café de outubro ele me esclareceu e eu o agradeci imensamente. Citou TRÊS CRASSOS ERROS que via na estrutura da Fraternidade. Mas fez questão de destacar a missionariedade da Fraternidade que para ele era fantástica. Ele disse: “Cyzo, por dois anos ou mais, onde eu ia, falava da Fraternidade. Ela me encantou. Tocou profundamente em mim. Vi na Fraternidade algo que não conhecia e nem sentia: pastoral com mística e atenção real às pessoas. Não deixe morrer essa pequena tradição da Fraternidade. Mas ela só irá para o futuro com leigos melhores preparados dentro dela”. Agradeci e disse que a sugestão eu deixaria para discernimento futuro e no momento procuro entender os presentes desafios rezando ao Espírito Santo. Nosso café encerrou e disse que o próximo café seria aqui em casa. Agora vejo que será um café celestial. Na despedida nosso abraço foi como o abraço de dois meninos superamigos. Ele ficou no portão até que o nosso carro desapareceu na rua. Carlos Strabeli, profeta em um tempo de crise da profecia, vai em paz amigo, irmão de causa e sonhos, tu tens aconchego no colo do Deus Amoroso! Agora é tão presente teu silêncio orante no final das eucaristias que compartilhamos, especialmente na Comunidade Indígena Kaingang. Encerro esta fala com o coração tomado de dor, essa dor estranha que nos faz sentir que as pessoas são dádivas sempre, e que somente na ausência é que nos damos conta do tamanho oceânico dessa dádiva. Tomo a liberdade de reproduzir uma fala do VALDIR AGOSTINHO DE OLIVEIRA que escreveu no Facebook do Strabelli e que para mim entre as centenas de comentários que estão lá resumem melhor tudo o que foi o querido amigo e irmão Strabelli: “STRABELLI É HISTÓRIA DA IGREJA NA ZONA LESTE. NEM DÁ PRA COMENTAR, POIS TEM MUITO PRA CONTAR. UM GRANDE HOMEM NO SACERDÓCIO E NAS LIMITAÇÕES HUMANAS. ASSUMINDO INTEIRO O COMPROMISSO COM CRISTO JUNTO ÀS PESSOAS QUE BUSCAVAM DEUS NOS MOMENTOS DIFÍCEIS E NAS FESTAS TAMBÉM. NUMA ÉPOCA EM QUE LEMBRAR A HISTÓRIA PARECE SER BANAL, PESSOAS COMO STRABELLI FAZ PARAR O TEMPO QUANDO VÃO EMBORA. SÓ QUEM VIU, OUVIU E CONVIVEU SABEM DO QUE FALO”. JOÃO Creio que vais cedo demais, com apenas 68 anos. Ainda tinha coisas a dizer e escrever por aqui neste tempo de uma Igreja onde o Papa Francisco precisa de gente que reflete mais a fundo sem perder a ternura. Força à Bete, esposa, aos filhos: Daniel, Carla e Mariana nessa dura Oferta! Saudades sempre! Tristeza jamais! Descanse em paz amigo Strabelli. Obrigado pela tua existência e por toda a tua história, vida e trabalho feito com paixão e leveza. Você ajudou que milhares de pessoas tocassem na Essência do Divino e mudassem suas consciências, tornando pessoas pró Reino de Deus num tempo de apressada evolução do anti-Reino. R.I.P! CYZO ASSIS
Lembro-me dele no Seminário Santo Afonso. Pena que abandonou o sacerdócio. Desejo a ele um descanso eterno no Céu.SEBASTIAN BALDI

Vou comentar aqui o que já escrevi na publicação de Eduardo Brasileiro no Facebook: Eu conheci o Strabelli em 1963 no Pré-Seminário Redentorista de Pedrinha, Guaratinguetá, quando veio juntar-se a nós fazendo parte do grupo oriundo da Penha. Convivemos por 2 longos anos. Digo longos porque naqueles tempos de criança o tempo se arrastava. Tenho na minha memória a suavidade e a candura de sua voz quando cantava. Depois não nos vimos mais. Pelo que ouço a respeito de suas obras concluo que ele veio, combateu o bom combate e agora parte em busca do merecido prêmio na Paz de Deus. Vai, amigo, e daí onde você está, zele por nós! Meus sentimentos de condolências à família e amigos. JOÃO APARECIDO DE OLIVEIRA

ELES VIVERAM CONOSCO - PADRE CARLOS DA SILVA CSsR

PADRE CARLOS DA SILVA CSsR
*02 de Agosto de 1934
+07 de Janeiro de 2016
Origens       
Pe. Carlos da Silva nasceu a 02 de agosto de 1934, em Barão de Antonina (SP), filho de João Amâncio da Silva e Donária Pereira de Barros. Seu batismo foi realizado aos 25 de fevereiro de 1935, na paróquia São João Batista, em Itaporanga (SP). 
Vocação
Ele entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, aos 12 de fevereiro de 1944 onde permaneceu até dezembro de 1951. Fez o Ano de Noviciado em Pindamonhangaba (SP) em 1952, professando na Congregação no dia 02 de fevereiro de 1953.
Os estudos de Filosofia e Teologia foram realizados no Estudantado de Tietê (SP) onde professou perpetuamente na Congregação Redentorista aos 02 de fevereiro de 1956. Foi ordenado Diácono em Tietê, no dia 16 de março de 1958 e depois Sacerdote lá mesmo em Tietê, a 01 de julho de 1958, por Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba. 
Ministério Sacerdotal
Recém-ordenado, iniciou seu apostolado no Santuário de Nossa Senhora da Penha, em São Paulo, no ano de 1959 e depois no Santuário de Aparecida entre 1960 e 1961. De 1962 a 1975 trabalhou na formação e no magistério no Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida, onde foi o seu diretor de 1970 a 1975.
Neste tempo, em 1965/1966, transferiu-se para Roma onde estudou Pedagogia e Sociologia com os Padres Salesianos, alcançando graduação. Retornaria outra vez a Roma, entre 1976 e 1979, estudando Direito Canônico na Pontifícia Universidade Lateranense.
De 1979 a 1990, residindo na Comunidade das Pesquisas Religiosas, em São Paulo, lecionou Direito Canônico no ITESP, Instituto Teológico São Paulo e em outros seminários. Também prestou assessoria a dioceses, congregações e tribunais eclesiásticos, dando cursos, escrevendo e traduzindo livros, sempre na área do Direito Canônico. Neste tempo, de 1981 a 1984, foi Conselheiro Provincial e depois Superior Provincial de 1984 a 1990.
De 1991 a 1992 residiu em Aparecida, atuando no Santuário Nacional, voltando depois mais uma vez a Roma como Superior da Casa Santo Afonso, assessor Jurídico do Superior Geral da Congregação e Vice-Procurador Geral entre 1993 e 1996, sendo eleito novamente Superior Provincial entre 1996 e 2002, Neste período trabalhou muito para livrar a Província de São Paulo da grave crise econômica e administrativa que enfrentava.
A partir de 2003, depois de ter exercido estes e outros serviços na Província de São Paulo, retornou a Aparecida, residiu na Comunidade Redentorista do Santuário, trabalhando na revisão dos livros da Editora Santuário, enquanto sua saúde permitiu. Ali viveu até o fim de sua vida. 
Serviços na Província e na Congregação
Ao longo de sua vida ministerial Pe. Carlos Silva prestou diversos serviços de coordenação e de governo na Província de São Paulo e na Congregação Redentorista em Roma.
Ele se caracterizou como um confrade marcadamente intelectual e acadêmico: livros, estudos, cursos, assessorias, formação e magistério. Sendo um líder nato, devido aos inúmeros cargos que ocupou, esteve presente em diversos acontecimentos importantes da Província seja como vogal e moderador de nossos Capítulos Provinciais ou no encargo de membro da Comissão que preparou o Capítulo Geral de 1991, realizado em Itaici (SP), o primeiro realizado fora da Europa.
Depois de deixar o Provincialado, em 2002 sua saúde foi se complicando. Em fins de 2015 sua saúde foi se debilitando cada vez mais. No dia 07 de janeiro de 2016 partiu para a Casa do Pai. Ele sofreu uma trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
O corpo foi velado, primeiro no Salão do Convento Redentorista e depois no Santuário Nacional, onde foi celebrada missa de corpo presente às 16:00h. O sepultamento ocorreu no Cemitério Santa Rita, em Aparecida (SP).
A Congregação do Santíssimo Redentor e a Província de São Paulo agradecem a Deus pela sua vida e por todo o bem que fez à Igreja. Que ele descanse em paz! 
Pe. José Inácio Medeiros, CSsR
Arquivista  e Secretário Provincial
Aparecida, 07 de janeiro de 2016. 

Padre Carlos da Silva foi meu professor de história no Seminário Santo Afonso em Aparecida-SP em 1962. Gostava demais de falar sobre Napoleão Bonaparte. Manteve esse tema por cerca de três meses.
Era partidário do Dr.Ademar de Barros. Lembro que quando houve em 1962 campanha para o governo do estado de São Paulo ele candidatou-se para impedir que o Sr.Jânio Quadros, que renunciara um ano antes a presidência do Brasil, assumisse a administração do estado paulista. A Igreja mostrava interesse decidido  em José Bonifácio Coutinho Nogueira, que tinha o apoio direto do então governador Sr.Carvalho Pinto. Tínhamos ao lado do salão de estudos um local que chamávamos “Exposições Periódicas” por onde acompanhávamos o desenrolar do processo eleitoral. As notícias que víamos era apenas sobre o Sr.José Bonifácio. Foi quando o Padre Silva começou a nos trazer informações sobre o Dr.Ademar ainda que os confrades não gostassem muito.
Os candidatos vinham ao seminário para apresentar suas propostas. Eram todos muito bem recebidos. Entretanto, quando veio o Dr.Ademar, ninguém quis fazer nada. Pedi ao Padre Silva que me ajudasse e ele trouxe-me um gravador para termos as intenções do candidato assim como fora realizado com os demais.
Há um fato que se conta da época em que o então reitor do seminário, Padre Antônio Penteado tenha admitido uma situação de telepatia por parte do Pe.Carlos Silva que vinha de ser ordenado e ainda prestava exames anuais, durante 5 anos, que eram redigidos no seminário maior de Tietê e encaminhados à reitoria dos novos ordenados. Na ocasião, Pe.Silva garantia que saberia em Aparecida-SP as questões no mesmo momento em que seriam redigidas em Tietê-SP. Com a dúvida dos confrades e a autorização do Pe.Penteado, Pe.Silva escreveu as questões e as entregou àquele reitor. Este, ao recebê-las posteriormente do Seminário de Tietê, comparou-as e confirmou o acerto antecipado do Pe.Silva. Houve apenas a inversão das questões 4 e 5, considerando, como se soube depois, que a questão 4 fora retirada e recolocada em seguida no lugar da questão 5 que ficara em 4º lugar. Esse fato foi-me devidamente confirmado pelo próprio Pe.Silva em 2008.
 São rememorações que guardamos sempre e elas afloram quando surge um momento asado.
Momento sim para trazermos às nossas intenções a memória deste sacerdote, levando aos céus nossas orações para que esteja agora junto do Senhor. Antônio Ierárdi Neto(1957/1962)
Meus sentimentos e minhas orações. Pe Silva também foi meu professor de história e diretor quando estive no seminário Santo Afonso. Depois foi meu professor de Direito Canônico, quando fiz o curso de teologia no então ITESP.  E era o provincial, quando deixei a província. Minhas orações. Um homem que fez muito pela província de São Paulo.João Loch 
No dia 07/01/16, por volta das 21h:30m, partiu para a casa do Pai celeste o Missionário Redentorista Pe. Carlos Silva, C.Ss.R, aos 81 anos. - Sua ultima residência nesta terra foi o Convento dos missionários redentoristas, do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida - SP. Hoje, 08/01/16, às 16 horas acontecerá a Santa Missa e a seguir sepultamento. Deixará saudades. Ele foi um verdadeiro discípulo e missionário do Redentor. A Província Redentorista de São Paulo agradece por tudo que fez. Foi, sem dúvida, um grande missionário. Obrigado Pe.Carlos Silva. Nossa Senhora o acolhe no céu e o apresenta a Jesus nosso Redentor. Descanse em paz. Aos familiares nossa oração e sentimentos. Aos redentoristas a nossa oração e suplicas ao Pai do céu para que continue enviando muitos e bons missionários. - Pessoalmente devo muito de minha vida e apoio na formação deste grande servo de Jesus. Vai em paz Pe.Carlos.Ir.Manoel Aparecido dos Santos
Após o almoço todos tínhamos o dever de estar no barracão de recreio, ali haviam quase todos os tipos de divertimentos: dominós, baralhos, ping pong, bilhar, sinuca, xadrez, dama , trilha , gamão ; todos distribuídos pelas várias mesas.
Logo na minha primeira semana de Seminário de Santo Afonso em fevereiro de 1973 procurei me adaptar às regras da nova casa: agora em seminário dos maiores. Sentiria talvez saudades dos anos na cidade de Tietê, lá do seminário dos menores... ali em Aparecida parece que a responsabilidade era mais exigida, afinal estávamos cursando os três últimos anos antes de ingressar na faculdade. Parecia-me no entanto que ali também valiam algumas regras comuns que seguíamos no Seminário de Santa Terezinha: haviam os novatos e os mais velhos. 
Bem diferente do que acontecera nos primeiros dias de quando entrei para o Seminário, ali no Santo Afonso já estava mais adaptado á vida comunitária, fundamental para todos os missionários redentoristas. Nos primeiros dias já conhecia todos os padres e os novos amigos. No barracão de jogos, circulava entre as mesas e percebi que ao redor de uma delas formara -se um pequeno grupo compacto de torcedores . Aproximei-me. Havia um padre jogando dama com um seminarista. Quando esse perdia dava seu lugar para outro sob as ovações de apoio e críticas dos companheiros. Ninguém conseguia vencer aquele padre. Eu, raramente perdia uma partida de dama. Poderia tentar, afinal não tinha nada a perder. Entrei na fila. Alguns amigos se aproximaram para assistir ao combate ou a derrota. Parecia que esse tal padre era dos bons e impunha respeito. Chegou a minha vez. Sentei-me diante dele. Ele me olhou por cima dos óculos, franziu a testa e pediu prá que eu começasse. Pensei com meus botões: “ Esse padre deve ter um cargo importante pois todos se portam diferente diante dele e mantém certa distancia respeitosa “...mas todos estão perdendo pois usam de jogadas clássicas no início dos jogos de dama e o padre só faz também armar armadilhas clássicas. Farei diferente, fugirei da mesmice e partirei para toques sem nenhuma conexão obrigando o padre a sair de seu “status quo “” e não lhe darei tempo de pensar em fazer nenhuma jogada de ataque...iniciei a partida e, aos poucos vi o padre franzir os olhos e me olhar por sobre os óculos e coçar o queixo. “ Bom sinal,” pensei, “ele sabe que diante de si tem um jogador mais esperto”. ..Continuamos o jogo e aumentou o grupo da torcida ao redor da mesa. Olhei nos olhos do padre e não gostei do vi: estava sério demais e havia a ameaça de um sorriso bem na linha em um lado da sua boca. Isso era sinal de que ele estava muito confiante e só aguardando a chance de dar o golpe fatal...afastei o corpo da mesa e, tentei imitar o padre: coloquei também a ameaça de um sorriso no canto da boca e o encarei e disse: “ Não sei quem é o senhor, padre, mas comigo será diferente...fique na sua porque não jogo prá perder!”. A torcida caiu na gargalhada e alguns se ajuntaram atrás de mim, outros vendo que eu me colocava a altura do padre também se juntaram aumentando o bloco de torcedores. Conduzi as jogadas com mais lentidão sempre fugindo daquilo que o padre estava acostumado a jogar...mas aquele “ bendito” sorriso que não saía do canto de sua boca começou a me perturbar...e tentei perceber quais eram as suas intenções mas não conseguia pois ele ia respondendo às minhas jogadas como se tivesse certeza da vitória. Nas últimas jogadas eu já sabia que venceria mas, o padre parou, coçou o queixo, franziu os olhos e demorou mais do que o normal para responder a minha jogada e então fez a sua jogada fatal...a torcida aplaudiu e novamente caiu na gargalhada: “ Aí, Neri , encontrou um parceiro à sua altura!”. Cumprimentei o padre: “ Parabéns, gostei de jogar com você, vamos jogar mais vezes e te pego, muito prazer, eu me chamo Neri! ”. E então, se levantou e estendeu-me mão: “ O prazer foi meu, mas você tem que treinar mais, é muito esperto, eu me chamo Pe. Carlos Silva ! – “ nos cumprimentamos e ele se retirou. Os amigos se aproximaram: “ Não conhecia o Padre Silva?” – me perguntaram. “ Não!”, ele joga muito bem !” – respondi. “ Ele é o diretor do Seminário!” – respondeu um amigo – “ é muito inteligente, entrou no seminário com apenas nove anos de idade!”. Neri Pereira da Silva
O já saudoso Pe. Silva, também era um exímio jogador de xadrez. E o salão de jogos era um lugar muito especial. Muito especial ter vivido tudo isso!! E sobra muita saudade deste tempo impar de nossas vidas!! Esteja com Deus, querido Pe. Silva. Ubaldo Bergamin Filho
Caro Vicente, na sua pessoa transmito os meus sentimentos à família redentorista. O que Pe. Silva foi para a Província, talvez a gente que não acompanhou todos os passos não imagine. Mas, na vida pessoal de centenas de pessoas ele foi marcante, sem dúvida. Quantos fomos alunos , amigos e admiradores do "Silvão"! Do Silvão de invejável cultura, incentivador de talentos, amigo dos esportes, promotor de eventos culturais, antenado e incentivador das inovações que despontavam já nos anos 60 e 70. É justo sentirmos sua partida; mas, é mais justo nos alegrarmos que tenhamos tido a oportunidade de convivermos com sua pessoa. Com o latim que dele aprendi, me despeço: "semper motuus, semper vivus". Joaquim Araújo
Realmente Joaquim, seu comentário é justo e pontual. Em todas as vezes que tive o prazer de me encontrar com ele depois que sai do seminário, sempre senti o enorme carinho e prazer que tinha nestes reencontros. Um grande homem, grande padre e grande pai.Tive e tenho pelo Padre Silva o mesmo respeito que tive e tenho pelo meu também saudoso pai.E também muita saudade dos dois!! Descanse em paz Silvão!!Ubaldo Bergamin Filho
Fui para o seminário em fevereiro de 1949, lá conheci um aluno da quinta série chamado Novarro, habituei-me e supunha que fosse um sobrenome espanhol. Nunca tive contato com ele, pois eu era da turma dos menores e ele pertencia aos maiores, as turmas não se comunicavam. Sua fama era de ser o aluno mais inteligente da época, gostava de recitar "Navio Negreiro" de Castro Alves, tinha uma memória fabulosa, dizem que estava decorando "Lusiadas" e teria recitado esse poema de Camões em sua sala de aula por um espaço de tempo que deixou boquiaberto seu professor e seus colegas de turma. Voltando ao codinome "Novarro", só posteriormente fiquei sabendo que isso foi criação do padre Pereira em virtude de sua pouquíssima idade ao entrar no seminário, nove anos, Novarro seria um superlativo de Novíssimo. Outro de sua turma que também ganhou um apelido foi o Zompero, conhecido no meu tempo por "Pirulito" . Boa história, anima-me a voltar aos meus contos, nada mudou, você me fez lembrar do padre Carlos Silva, do Rodolfo e do Pacheco, meus contemporâneos, seminaristas da década de cinquenta. No meu tempo, os jogos eram determinados por grupos e, semanalmente, éramos obrigados a ficar somente em um segmento, seja baralho, xadrez ou dama, eram determinações hebdomadárias. Havia um seminarista gaúcho, chamado Serafim , era um santo, estava na sétima série, nunca teve o seu nome incluído no FIGO, eis que, em certo domingo, seu nome foi citado naquele fatídico livro :- "O Serafim recusou-se a jogar " Mico Preto". Fazendo referência, ainda, a esse seminarista, de comportamento exemplar, tive a decepção de vê-lo excluído do seminário por problemas de saúde, foi mandado embora por ser portador de uma ferida incurável em uma das pernas. Tive notícia, posteriormente, que, perseverante na vocação, ingressou em um seminário diocesano e tornou-se padre, realizando, assim, o seu sonho de servir a Deus.Dumas
Saudosa memória de nossos tempos! No meu tempo havia um jovem que era campeão no xadrez...ninguém ganhava dele e ele ainda fazia ironia do adversário.... o apelido dele era Picolé, o nome era Gaspar...quanto ao nosso Castro Alves, decorei e declamei por vezes O LIVRO E A AMÉRICA....O NAVIO NEGREIRO....VOZES DA ÁFRICA.....O estimado Pe.Zômpero surgiu ao SRSA em 1958...incentivando especialmente a Educação Física e Esportes...Uma vez, em uma de nossas festinhas do domingo, fiz um discurso para cumprir nosso treinamento para o púlpito e missões. Pe.Zômpero gostou muito e pediu-me cópia para usar em algum de seus futuros sermões(assim se denominava a homilia em nosso tempo!)Ierárdi
Pe. Silva era um exímio professor. Eu nunca me dei bem com ciências exatas mas, ele era tão bom professor que a aula de que eu mais gostava era a aula de álgebra. Sabia ensinar. Homem muito inteligente e de fácil comunicação. Sebastian Baldi
Foi meu professor de História Geral . Gostava muito de suas as aulas . Que esteja em paz.Vagner Gaspar 
Foi meu contemporâneo, no seminário Santo Afonso e também no seminário maior, em Tietê. Inteligentíssimo. Alegre, brincalhão. Um verdadeiro redentorista. Nos recreios, eu e ele jogávamos aquele futebolzinho de mesa, enquanto os outros jogavam futebol de verdade, na quadra de esportes. Saudades.João de Deus Rezende Costa 
Grande mestre e... segredo... sãopaulino como eu... sempre me informava os resultados dos jogos de nosso time... além de entabular pequenas conversas em italiano... junto com Pe. Zompero, nossos grandes mestres.... Ivanir Vicari 
Foi meu  professor de historia. Montava os torcedores dos grandes generais. Carlos Magno, Júlio César, Aníbal, eu ficava com Átila o Rei dos Hunus, que fez Roma tremer sob as patas de seus cavalos.Olavo Caramori Borges

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. INÁCIO (LUIZ) HERTL CSsR

 

PE. INÁCIO (LUIZ) HERTL CSsR
+7 de JANEIRO 1972 
Nasceu em Neukirchen (Alemanha) a 9 de maio de 1891, Professou na C.Ss.R. em 1911, sendo ordenado a 25 de julho de 1916. No Brasil, onde chegou em 1921, trabalhou em Goiás, Aparecida, Araraquara e Cachoeira do Sul. Missionário esforçado, embora o timbre de sua voz não lhe ajudasse muito, Pe. Inácio pregava mais com o coração do que com palavras. Seu modo de olhar, seus gestos, a expressão dada a certas frases, mais a imponência de sua “venerabilis barba” eram recursos de uma mímica às vezes teatral, dos quais ele se valia para ganhar a atenção dos ouvintes. Em 1955 foi adscrito à Província de Porto Alegre, onde viveu seus últimos anos. A 7 de janeiro de 1972 em Cachoeira do sul, ele deixou este mundo, rumo a um porto bem mais alegre, na paz eterna.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

ELES VIVERAM CONOSCO - PAULO AUGUSTO PUGLIESI - Antigo Seminarista Redentorista

PAULO AUGUSTO PUGLIESI - Antigo Seminarista Redentorista
+5 de janeiro de 2007
Estender e ativar amizade dos amigos de Paulo Pugliesi.
Pessoal... Amigos... Amigas
Conheço poucos de vocês pelo nome. Mas, tive o prazer de conhecer bem o Paulo Pugliesi. Primeiro como amigo de infância no seminário até 1970. Depois, quando ambos já estávamos fora do seminário batalhando pela vida do real dia a dia. No meu casamento a mâe do Paulo, dona Judith me deu o seu presente: cantou maravilhosamente quando eu e a Yone entramos na igreja. Isso foi em 1975. A vida deu muitas voltas. Nos encontramos novamente em 2006. Visitamos pessoalmente o amigo comum, Perdigão, mais amigo do Paulo do que meu pela maior convivência do Paulo com o querido Perdigão e lembramos dos bons e velhos tempos de seminário. Continuamos nos comunicando sempre via e-mail... quantas mensagens maravilhosas ou divertidas que recebi de vocês através dele... Já no final de dezembro de 2006 ele me ligou marcando um almoço para nós 4 inicialmente:a dona Judith, ele, eu e a Yone. Como foram bons, marcantes e inesquecíveis aquelas 3 horas que ficamos juntos conversando sobre tudo: alimentação (ele fazia suas misturas revitalizantes e naturais), a vida, nossas famílias, os negócios e o objetivo maior de estarmos aqui que é 'estar a serviço da VIDA MAIOR, de Deus, de Jesus Cristo' independente de religiosidades e teologias. Como foi boa essa conversa sobre vida eterna, sobre o infinito amor de Deus para cada um de nós que somos os 'amados de Deus'... e assim por diante. 
Quando semana passada a Dona Judith ligou  em casa no 11-6601.9955 me procurando, eu jamais poderia supor que o nosso querido Pugliesi tinha sido recolhido pela VIDA. Quero acreditar, sim, que ele foi recolhido pela Vida e não pela morte e que a misericórdia de Deus tenha escrito o seu nome no Livro da Vida eterna onde ele viverá para sempre.
Independente da crença de cada um de nós, gostaria de fazer um pedido: como pessoas que faziam parte do coração do Pugliesi, continuarmos nos comunicando como OS AMIGOS DO PAULO PUGLIESI, repassarmos nossos telefones e outras informações a nosso respeito e quando estivermos mais ou menos próximos, podermos inclusive marcar um almoço ou uma pizza juntos para continuarmos a amizade que começou com ele.Não conheço a família do Paulo Pugliesi, mas gostaria de conhecer a esposa e as filhas.
Meu nome é Elberto Mello. Tenho 56 anos. Profissionalmente sou diretor da Canbyo Motivação Humana e Consultoria empresarial, através da qual dou Palestras no mercado pet, especificamente e nos mercados atacadista e varejista de SP.Minha formação é Psicologia e comercio varejista. Estou aberto para continuar as comunicações que se iniciaram com e através do amigo comum, o querido Paulo Augusto Pugliesi.
Um abraço a todos e que Deus os abençoe.
Elberto Mello
Endereço(s) de email(s):
canbyo@terra.com.br
11-6601.9955
11-9221.3885

Eu no seu Natal
Veja-me como se eu fosse aquela verde árvore
que quer dar-lhe as cores da esperança
e, nas bolinhas coloridas o que sinto:
Na vermelha, o calor do carinho que tenho por você.
Na azul, a proteção dos Anjos aos quais peço por sua segurança.
Na amarela, cor do ouro, toda a prosperidade que lhe desejo.
Na roxa, a tristeza que sinto quando vejo você triste.
Na branca a Luz da Paz que eu quero para a sua Vida.
Quero ser um pouco seu Natal
Sinta-me em cada caixinha de presente, sorrindo com seu sorriso.
Nos laços coloridos, meus bons pensamentos enfeitando a sua casa.
Nas crianças que correm felizes, a energia positiva que lhe envio.
Nos brinquedos esparramados, a inocência que vejo em seu coração.
Nos abraços ou em solidão, a minha presença vibrando serenidade.
Nos sinos que tangem, ouça minha voz em orações pedindo a Deus que lhe dê proteção e que afaste qualquer mal.
Esteja você onde estiver
Deixe-me ser um pouco seu Natal
Sinceramente
Paulo Augusto Pugliese

ELES VIVERAM CONOSCO - IR. VICENTE (ALVES DA SILVA)CSsR

IR. VICENTE (ALVES DA SILVA) CSsR 
+ 5 de JANEIRO 1993 
Nasceu o Ir. Vicente em São Roque de Minas - MG, a 26 de junho de 1950. Eram seus pais: José Alves da Silva e Maria Rosa da Silva. Tiveram três filhos homens. Entrou o Irmão para o Seminário São Geraldo, no Potim, no dia 30 de janeiro de 1980, com 30 anos de idade. Terminou o primeiro e o segundo graus. Era também técnico em contabilidade. Fez o Noviciado em Tietê-SP, no ano de 1986. A profissão religiosa foi feita em Aparecida-SP, no dia primeiro de fevereiro de 1987. Sua primeira comunidade depois de professo foi o Seminário de Santo Afonso, em Aparecida. Em janeiro de 1988 foi transferido para a Comunidade e Paróquia do Jardim Paulistano, em São Paulo, onde ficou até sua morte. Era sacristão de nossa igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Era quieto, reservado, de pouca prosa, mas desempenhava bem seu cargo de sacristão. Em fins de dezembro de 1992, de férias, foi passar uns dias em sua cidade natal, junto a sua mãe e demais parentes. No dia 05 de janeiro de 1993, depois do almoço, após ter aberto a igreja matriz, em lugar do pároco, na praça, repentinamente caiu morto. Enfarte! Ia completar 43 anos. Foi resolvido que fosse sepultado lá mesmo em São Roque de Minas. Depois da missa de corpo presente, onde estiveram presentes vários confrades, foi sepultado no dia 06 de janeiro de 1993. Tinha apenas votos temporários. O Conselho Provincial, em sua última reunião de 1992, tinha-o aprovado para renovação de seus votos religiosos. Estava com 42 anos e meio de idade e quase 06 anos de Profissão Religiosa. (Arquivo Provincial)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR