quarta-feira, 13 de julho de 2016

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. RAFAEL ( JOAQUIM VICENTE) FERREIRA DA SILVA CSsR

PE. RAFAEL ( JOAQUIM VICENTE) FERREIRA DA SILVA  CSsR
+13 de JULHO 1988 
Pe. Rafael, quinto entre oito irmãos, filho de Euzébio Ferreira da Silva e Maria Ângela Cirilo Silva, nasceu em Formiga- MG, a 19 de maio de 1919. Sendo sapateiro de profissão, foi sacristão em Formiga durante 5 anos. Esteve um ano como irmão com os salesianos. Entrou como candidato para a C.Ss.R., em Pindamonhangaba, em 1939, mudando então seu nome de Joaquim Vicente para Rafael, conforme era costume na época: os irmãos mudavam de nome. Fez o noviciado em 1940, em Pindamonhangaba e professou no dia 02 de fevereiro de 1941. Como irmão trabalhou em nossas comunidades: Seminário Santo Afonso, Basílica de Aparecida, Penha, São João da Boa Vista, Seminário São Geraldo. Desempenhou os encargos de sapateiro, cozinheiro, jardineiro e sacristão. Tinha boa cultura intelectual e religiosa. Desde 1968 começou a trabalhar na pastoral direta, ajudando nas missões, pertencendo às comunidades missionárias de São João e Araraquara. Em 1979, tendo obtido a licença dos superiores, começou os estudos teológicos, morando na comunidade do Jardim Paulistano e freqüentando o ITESP (Instituto Teológico São Paulo). Nos fins de semana ia ajudar em Aparecida. Ajudava também em Semanas Santas e Novenas. Terminou os estudos em fins de 1982. Tendo sido ordenado diácono em dezembro de 1981, foi ordenado sacerdote por Dom Geraldo Maria de Morais Penido, no dia 8 de janeiro de 1983, na Basílica Nova em Aparecida. Transferido para São João, trabalhou nas missões até setembro de 1983. Já sofria da doença que o levou, mas ocultou isso enquanto pôde. Por ordem expressa dos superiores, veio para São Paulo e foi operado, quando se verificou que o mal ( câncer da próstata) já avançara demais e não havia mais esperança de cura. Após a operação, quis fazer a recuperação em Aparecida, para onde foi transferido em janeiro de 1985. Tinha de usar sempre uma sonda na bexiga e sua doença foi sempre piorando, apesar da resistência admirável do Pe. Rafael, que os médicos admiravam muito. Contra todas as expectativas, trabalhou durante anos até agosto de 1987, na Basílica de Aparecida, atendendo os romeiros: confissões, missas, ritos penitenciais, batizados, etc. Foi operado mais duas vezes, para minorar as dores que sofria e ficou no leito de dores por longos 10 meses. Ele mesmo dizia que estava “como Jesus no Calvário”. Sofria dores atrozes, que os medicamentos não conseguiam eliminar. Pedia que Jesus e Maria o viessem buscar, mas entregava tudo nas mãos de Deus, a cuja vontade se submetia. Faleceu no dia 13 de julho de 1988. (INFORMATIVO, 23-SP, nº. 111, julho/88, pg. 42)

CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

terça-feira, 12 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! DEUS - I -

Pe. João A. Mac Dowell S.J.
Jesus diz no Evangelho:
"Felizes os que choram"; "Felizes os que são perseguidos por causa da justiça". Então para os cristãos o sofrimento é uma coisa boa?
Não. Nenhuma pessoa normal gosta de sofrer ou ver o sofrimento alheio. Muito menos Deus. A alegria de Deus no novo céu, como diz o livro do Apocalipse, será enxugar toda lágrima de nossos olhos, porque já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque as primeiras coisas terão passado. Os que choram, os perseguidos, são felizes, porque serão consolados. Não é o sofrimento que os faz felizes. Jesus diz que eles são ditosos, privilegiados, porque Deus tem um carinho especial por aqueles que no meio das dificuldades desta vida confiam na sua bondade. A felicidade, para o cristão, não está em sofrer e chorar, mas em esperar e receber a consolação de Deus.O sofrimento, portanto, não é uma coisa boa. Mas pertence à vida. Não podemos eliminá-lo. Podemos, porém, dar-lhe um sentido, tirar proveito daquilo que em si mesmo é negativo. Tudo depende de nossa atitude. A fé, a esperança e o amor, são capazes de transfigurar o sofrimento. De fato, existe uma ligação misteriosa entre sofrimento humano e amor.Quem ama sofre com o sofrimento dos seus amigos, sente pena de todos os que padecem. Esta compaixão, inspirada pelo amor, é fonte de solidariedade efetiva. Quem ama também está pronto a sacrificar-se pelos seus, a perder qualquer coisa, até a própria vida pelo bem deles. O sofrimento por amor é sempre luminoso. É o amor que dá sentido ao sofrimento. Ele transforma as trevas em luz, o tormento da cruz em salvação da humanidade.O nosso sofrimento deixa de ser um escândalo inútil, quando pela fé e pelo amor nos unimos à CRUZ DE JESUS. Ele, sendo inocente, padeceu por nosso amor, morreu por nós, em nosso lugar, em nosso favor, para livrar-nos da morte eterna. Assumindo o sofrimento, ele o destruíu, garantindo para todos os que creem a vida em plenitude. Também o nosso sofrimento, vivido no Espírito de Jesus, torna-se redentor, fonte de vida e salvação para toda a família humana.Não é o sofrimento que salva. A salvação é fruto do amor, como comunhão de vida com Deus e com os outros. Mas, para salvar a humanidade do pecado e de suas conseqüências funestas, o amor tem de assumir toda a realidade humana. Não há salvação sem cruz, nem ressurreição sem paixão e morte. "Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me", diz o Senhor. (João A. Mac Dowell S.J.)
EDITORA SANTUÁRIO

segunda-feira, 11 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! EXAME DE CONSCIÊNCIA

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
Como fazer o exame de consciência?
Exame de consciência é um olhar para dentro de si, uma análise de tudo o que se fez. Faz bem descobrir as boas ações, perceber o valor das grandes e pequenas coisas que fizemos. Faz muito bem descobrir também os erros, as falhas, as vezes que não conseguimos expressar-nos com bondade. Um momento que serve para agradecer a Deus e se valorizar mais. Outro olhar é uma oportunidade de encontrar o caminho certo, corrigindo erros e faltas.Temos um costume de fazer exame de consciência para ver só os erros, mas é bom nos habituarmos a ver aquilo que fizemos de bom durante o dia. Quem não se analisa, não se conhece, não tem chance de mudar.O silêncio e a concentração vão-nos ajudar a percebermos nosso interior, vão-nos ajudar na avaliação e nos fortalecerão nos princípios que devem orientar nossa vida.A consciência é um santuário onde ninguém entra e só Deus conhece; é nesse íntimo que a pessoa encontra-se consigo, encontra-se com Deus e é onde Deus fala. Essa consciência pode ser bem-formada ou malformada. Será bem-formada quando se guiar pelos valores evangélicos, pelos valores da lei natural que Deus gravou dentro de cada um. A consciência é a regra última do agir humano. Ninguém a substitui.É por esse respeito à consciência de cada pessoa que se aboliram as tais listas de pecado. A pessoa lia aquela lista e não se dava ao trabalho de analisar, avaliar seus atos. Era prático mas não produzia frutos, pois nem sequer via-se porque errou, qual era seu grau de conhecimento e liberdade para fazer o que fez.Cada um precisa aprender ou descobrir onde estão seus erros e o porquê desses erros ou pecados. Usar como critério aquilo que os outros falaram é não querer refletir e perceber onde se apoiam os erros ou os acertos. Saber por que se erra já é meio caminho andado para se corrigir. Por isso facilmente liga-se o exame de consciência à confissão, mas essa deve ser uma prática para todos os dias: passar o dia a limpo para planejar o que vem em frente.Sabe-se que a consciência fala dentro da gente e ninguém amordaça a própria consciência. É necessário muito cuidado para não se criar no coração a insensibilidade que impeça de ouvir a voz de sua própria consciência.Um trabalho de auto-análise pode tornar qualquer pessoa bem mais delicada, sensível. Parece que tudo depende de uma educação de si mesmo. Quanto mais perto de Deus, mais podemos perceber nossos erros e faltas. Não se pode cultivar uma consciência doentia; quem perceber desvios deve procurar um confessor que oriente ou uma terapia que ajude a trabalhar a si mesmo.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
EDITORA SANTUÁRIO

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. PAULO FORSTER CSsR e PE. LEONARDO ECKL CSsR

PE. PAULO FORSTER CSsR
+11 de JULHO 1964 
Natural de Lanshut, na Alemanha. Nasceu a 26 de junho de 1888. Com 12 anos ingressou no Juvenato C.Ss.R. em Gars, professando em 1912. Teve de interromper seus estudos superiores, convocado para o exército, na guerra de 1914. Na batalha de Verdum, em 1916, foi ferido com um estilhaço de granada. Com dispensa especial, devido a um defeito que lhe ficou em uma das mãos, pôde continuar os estudos, sendo ordenado em 1919. Em abril de 1920 chegou ao Brasil, cumprindo a promessa que fizera na guerra, de trabalhar para Nossa Senhora na Vice-Província brasileira. Pe. Paulo era dono de ótima inteligência. É o que mostra um de seus atestados de estudos, com as notas “Optime” e “excelenter” em todas as matérias. Muito bom desenhista, de letra impecável (apesar do defeito na mão), lecionou Matemática, Física, Química, Astronomia, Mineralogia, Latim e Grego; foram as suas matérias durante os 25 anos que trabalhou no Juvenato (Aparecida). Em 1949, já cansado de lecionar, foi transferido para Goiás. Esteve depois em Araraquara e São João da Boa Vista, auxiliando nos trabalhos da Casa. Mais tarde, já com a saúde abalada, foi transferido para a Penha; e aí travou sua última batalha, enfrentando pacientemente longos meses de sofrimento, para falecer a 11 de julho de 1964. O seu “Diário de Guerra” (manuscrito) está no nosso Arquivo Provincial. 
PE. LEONARDO ECKL CSsR
+11 de JULHO 1972 
Nasceu na Alemanha a 15 de julho de 1889, ingressando no Juvenato C.Ss.R. em 1901. Fez a sua Profissão em 1909, e após seus estudos de Filosofia e Teologia, doutorou-se em História Eclesiástica. Veio para o Brasil em 1935, já nomeado Vice-Provincial. E o cargo não lhe foi nada leve, principalmente a princípio, devido à falta de conhecimento da língua e das condições da Vice- Província. Teve o mérito de fundar a Casa-Estudantado de Tietê, solenemente inaugurada a 24 de janeiro de 1937. Grande pregador de retiros para religiosas e sacerdotes , teria pregado, segundo afirmou, mais de 400 retiros aqui no Brasil. — Deixando o cargo de Vice-Provincial, trabalhou ainda em Araraquara, e depois, na Província de Porto Alegre, à qual foi adscrito nos seus últimos anos. Idoso, e bastante enfermo, pensou ainda em voltar para alguma casa da nossa Província, onde esperava morrer. Mas não chegou a realizar esse desejo, pois faleceu em Porto Alegre a 11 de julho de 1972. 
Pe. Leonardo liderou um numericamente pequeno mas aguerrido movimento de confrades alemães da Província que se opuseram à separação desta da Província da Baviera. Queria que o Rio Grande do Sul fosse separado de São Paulo e constituído como Vice-Província dependente da Baviera. Eleito vogal para o Capítulo Geral de 1947, ali trabalhou nesse sentido contra a Província que o elegera. O projeto não foi adiante e ele permaneceu como membro da Província de São Paulo, assumindo várias responsabilidades, tais como coordenador e professor do curso de pastoral para os padres novos, curso que por alguns anos funcionou na Penha, em São Paulo. (nota do editor)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

domingo, 10 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! CASAMENTO

Pe. Antônio César Moreira Miguel C.Ss.R 
Por que não se pode casar na Igreja mais de uma vez?
Conforme a Bíblia, o casamento cristão é indissolúvel. Só se desfaz com a morte de um dos dois. Esta a proposta da Igreja e a lei do Direito Canônico. Agora, é possível em certas casas julgar se o casamento feito na Igreja foi mesmo válido ou se houve ou não sacramento. Há situação em que isto não acontece. Por exemplo, se alguém casou obrigado; se não tinha maturidade; se não recebeu o sacramento por algum motivo. Nestes casos, existe um Tribunal Eclesiástico(*) que analisa a conclusão de que não existe o sacramento e a pessoa está livre para casar na Igreja. O que acontece muito e confunde as pessoas é de alguma outra igreja, fazer todo tipo de casamento. Eu já vi, por exemplo, cartaz da Igreja Católica Brasileira, uma igreja fundada aqui no Brasil, oferecendo batismo e crisma sem precisar de preparação alguma e oferecendo todo tipo de casamento, inclusive de divorciados. Mas isto é invenção e negócio das igrejas que não podem ser mais sérias, até para satisfazer a sociedade acabam contratando este tipo de casamento. Os padres dessa igreja aceitam fazer sacramento em qualquer lugar. É um negócio! Para nós, o casamento exige preparação e só pode acontecer na comunidade É a lei geral. Cuidado então, para não misturar as igrejas.
Pe. César Moreira, C. Ss. R
http://www.redemptor.com.br
(*)TRIBUNAL ECLESIÁSTICO REGIONAL E DE APELAÇÃO DE SÃO PAULO
Responsável:
Mons. Dr. Martin Segú Girona
Av. Higienópolis, 901 – Higienópolis
01238–001 – São Paulo – SP
Fone: (11) 3826–5143

Atendimento: 3ª a 6ª das 13 às 15h

sábado, 9 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! - A IGREJA ERRA?

PE.JOÃO A. MAC DOWELL S.J.
A Igreja também erra ou errou?
A Igreja é a comunidade dos fiéis, composta de homens e mulheres, como nós, que temos nossas faltas e limites. Mas nesta comunidade nós não estamos sós. Jesus prometeu: "Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos" (Mt 28,20). Ele está presente na Igreja por meio do Espírito Santo: "Rogarei ao Pai, disse Jesus, e ele vos dará um outro Assistente, que fique para sempre convosco; é o Espírito da verdade (...) que permanece junto de vós e está em vós" (Jo 16,17). A esta Igreja, animada por seu Espírito, Cristo confiou a missão de anunciar a sua boa nova a todas as criaturas.
Todos os membros da comunidade, em virtude do seu batismo, podem e devem dar testemunho de sua fé, colaborando com Cristo para a salvação do mundo. Mas alguns são chamados por ele para prestar o serviço especial de pastores do seu povo, promovendo a unidade da Igreja através da transmissão fiel da mensagem, que Jesus lhe confiou. Compete a estes pastores, os bispos e o papa, sucessores dos doze apóstolos, garantir, com a assistência do Espírito Santo, a interpretação correta da palavra de Deus.
Um cristão pode entender mal o que está na Bíblia, por ignorância ou por falta de sintonia com o Espírito de Jesus. Mas a Igreja toda não pode errar, porque estaria traindo a sua missão de ensinar o caminho da salvação. Quando, guiada pelo papa e pelo conjunto dos bispos do mundo inteiro, explica oficialmente o sentido da palavra de Deus e propõe o que deve ser acreditado por todos os fiéis, ela está sustentada pelo Espírito Santo e fala em nome de Cristo que disse: "Quem vos ouve, é a mim que ouve; quem vos despreza, é a mim que despreza" (Lc 10,16).
Mas nem tudo o que dizem o papa ou os bispos da Igreja é automaticamente certo. Eles também, como pessoas humanas, podem errar e erram às vezes nas suas decisões e orientações. Devemos sempre acolher com respeito a palavra de nossos pastores, sabendo que receberam de Cristo uma graça especial para ajudar o povo de Deus na sua caminhada. Mas em alguns casos podemos ter motivos para não concordar, porque também eles nem sempre escutam a voz do Espírito de Deus. Esta fraqueza da Igreja e dos seus pastores não nos deve pertubar, porque é superada pela força do Espírito Santo que está presente nela. Nas coisas básicas, na orientação fundamental dos cristãos, a Igreja não erra nem pode errar: o próprio Cristo a edificou como "coluna e alicerce da verdade", como diz Paulo a Timóteo (I 3,15), encarregada de colaborar com o plano de Deus de salvar todos os seres humanos na comunhão da fé e amor.
João A. Mac Dowell S.J.

EDITORA SANTUÁRIO

sexta-feira, 8 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! DOENTES E IDOSOS

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
Doentes e idosos são um problema para a família?
Na atual economia tanto o doente como o idoso são considerados como um peso social. Eles não trabalham, não produzem e gastam. Para a sociedade moderna, sociedade do descartável, não há lugar para eles. Os que têm condições econômicas podem se amparar nas casas de repouso; os que não têm dinheiro estão condenados a desaparecerem rapidamente.
A sociedade se esqueceu de que eles já foram significativos pelos seus trabalhos e atuação e que agora têm o direito ao uso dos bens, a uma vida digna. Esse é o tempo de dar a eles o reconhecimento, pois a idade lhes conferiu dignidade que exige respeito da comunidade e da família. Ninguém vive sozinho e temos de pensar que amanhã chega a nossa vez. A humanidade tem que aprender a carregar solidariedade às dores e limitações de todos.
A doença é a desestabilização das forças da vida. Uma vez que podemos dizer que “saúde é abundância de vida”, sentimo-nos doentes quando essas forças de vida se desequilibram. Essa ruptura do bem-estar físico nem sempre está ligada ao nosso psíquico. E se estiver é porque também meu psíquico se desequilibrou. Disso se conclui que, em ambos os casos, não se procuram esses acontecimentos; são fatos que temos de aceitar.
O doente e o idoso não são indivíduos isolados; eles fazem parte do grupo família e quando estão fragilizados todo grupo também está doente ou idoso com ele. O mal, se é que se pode dizer assim, atinge a todos e eles são o sinal. Aqui doença é um sinal do mal que corrói o grupo; é preciso restabelecer o equilíbrio e a unidade ameaçada. O fenômeno da doença e da senilidade tem dimensão social; não adianta isolarmos ou distanciarmos dos doentes e idosos. O desestabilizador das forças da vida em alguém não pode desarticular o grupo.
O Evangelho mostra o carinho que devemos ter com essas pessoas. Jesus disse: “Eu estava doente e me visitaste”. É um caminho de integração onde os mais novos e sadios fazem a experiência antecipada do limite da natureza humana. Essa harmonia do acolhimento sadio e carinhoso restabelece o equilíbrio e estabiliza o grupo. É a sabedoria do Evangelho, é a mística de quem e para quem vive e trabalha ao lado dos doentes e idosos, fragilizados pela idade e pela doença.
A perda da autonomia e da família aprofunda neles a perda do sentido do viver. Temos de projetá-los de novo para que tenham o gosto da vida e percebam que os limites não os impedem de serem felizes ao nosso lado.
O melhor é conscientizarmo-nos que cada um é um pedaço da gente e que amor é o único caminho que restabelece a dignidade humana. Esse amor nos levará a aprender a conviver com o diferente e assumir os limites que emergem como desafios a serem enfrentados. “O que fizerdes ao menor de seus irmãos, é a Mim que o fazeis”.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br(2009)
EDITORA SANTUÁRIO

ELES VIVERAM CONOSCO - PE ANTÔNIO DA CRUZ VAZ CSsR

PE.ANTÔNIO DA CRUZ VAZ CSsR
+8 de JULHO  1979 
Nasceu em São Paulo, a 8 de agosto de 1924. Era de família portuguesa, bastante simples; e seu pai, o “seu Abílio” foi, durante 30 anos, o nosso chacareiro na Penha, ajudando, também, quando necessário, nos trabalhos da Casa, como porteiro ou cervejeiro. A 2 de fevereiro de 1937 “o Cruz” (assim chamado) ingressou no Juvenato Santo Afonso (Aparecida), professando a 2 de fevereiro de 1945. Fez o Seminário Maior em Tietê, sendo ordenado a 27 de dezembro de 1949. Aparecida e Penha foram o campo de apostolado onde trabalhou até 1956, ano em que fez o segundo Noviciado. Dedicou-se depois às Missões, nas Casas de Araraquara e São João da Boa Vista. De 1974 a 1978 colaborou como Ecônomo na Vice-Província de Brasília, para a qual fora transferido. Em maio de 1979 estava em Ipamerí, preparando uma nova Fundação, e trabalhando ativamente na Pastoral da região. Certo dia, ao regressar de um trabalho na zona rural, sentiu-se muito mal, sendo logo internado para os necessários exames. Resultado: cirrose e câncer no fígado. Foi trazido logo para São Paulo e internado no Hospital Sírio Libanês. Novos e acurados exames para os médicos informarem: nenhuma esperança de recuperação. No hospital tudo foi feito para diminuir o sofrimento do enfermo, com o qual permanecia sempre nosso Irmão Rafael. Durante alguns dias, embora acamado, Pe. Cruz ainda pôde concelebrar com o Provincial que, numa dessas concelebrações, lhe ministrou a Unção dos Enfermos. No dia 8 de agosto, porém, não pôde mais concelebrar. Aí pelas 3 horas, iniciada a Santa Missa por um dos nossos, ele já estava agonizando. Em meio às orações dos parentes e conhecidos, à hora da Comunhão, ele expirou tranqüilamente, para iniciar a sua Comunhão eterna. (Comunicado do Governo Provincial)
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

quinta-feira, 7 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - CÉU

Pe. Antônio César Moreira Miguel C.Ss.R 
Como é o céu?
O céu não é um lugar como é aqui na terra! O céu é a palavra usada para significar a total realização da pessoa humana que se encontra com Deus e vive em plena comunhão com ele! Tudo aquilo que sonhamos de perfeito, de santo, de alegria, de realização é o que acontece no céu. O apóstolo São Paulo diz assim: "Aquilo que o olho jamais viu, o ouvido jamais ouviu, nem jamais sentiu o coração do homem: isto Deus preparou para aqueles que o amam." (1 Cor. 2,9)
Então não dá para falar do céu do mesmo jeito que falamos da terra. E a vida lá é outra, em outra situação que não pode ser comparada com a vida que temos aqui na terra. Só sabermos que estou com Deus supera tudo, supera todas as experiências que podemos fazer e sentir aqui na terra. Por isso, a gente não precisa ficar preocupando de como é o céu. Precisamos sim viver bem aqui, com justiça e com amor fraterno, como uma preparação para o céu.
Pe. César Moreira, C. Ss. R.

http://www.redemptor.com.br(2009)

quarta-feira, 6 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! DIVORCIO-2

PE.JOÃO A. MAC DOWELL S.J.
Porque a Igreja mantém uma posição tão intransigente a respeito do divórcio, não permitindo que as pessoas encontrem uma nova solução para a sua vida, quando o primeiro casamento fracassou?
Este assunto do casamento das pessoas divorciadas é muito complexo. Não posso tratar agora de todos os seus aspectos. Baste dizer, por enquanto, que não foi a Igreja que declarou o novo casamento de uma pessoa divorciada contrário à lei de Deus. Foi o próprio Jesus que deu à Igreja esta orientação, como se lê no evangelho segundo Marcos: Quem se divorcia da própria mulher e casa com outra, comete adultério em relação à primeira; e se a mulher se divorciar do seu marido e se casar com outro, também comete adultério (10,11s).Os homens sempre reagiram mal diante deste ensinamento de Jesus, a começar dos próprios apóstolos, que logo lhe retrucaram: Nesse caso é melhor não se casar! Jesus não desconheceu a dificuldade. Mas também não cedeu, mantendo o seu ensinamento: Nem todos são capazes de aceitar esta verdade, mas só aqueles a quem Deus deu tal poder (Mt 19,10s). Este poder é o poder da fé: fé na vida eterna, que relativiza os bens desta vida, inclusive uma coisa tão importante para a realização humana como o amor conjugal; mas também fé na misericórdia de Deus, que tem compaixão de quem pela fraqueza humana não consegue observar completamente a sua lei.Por isso, a Igreja continua a reafirmar o ensinamento de Jesus sobre o divórcio, apesar de todas as resistências. Mas, por outro lado, procura tratar com toda a compreensão seus filhos e filhas que se acham nesta situação difícil. Ela reconhece os divorciados que se recasaram como membros da comunidade. Eles estão convidados a tomar parte na sua vida, na sua liturgia, no seu serviço aos necessitados. A comunidade, por sua vez, deve acolhê-los com carinho, sem ter a pretensão de julgar o íntimo de sua consciência. Ninguém tem direito de considerar-se melhor do que o outro diante de Deus.Entretanto, enquanto permanecem numa situação objetivamente contrária ao ensinamento do evangelho, eles não podem participar daqueles gestos que exprimem objetivamente a comunhão com Cristo e com a Igreja, como a eucaristia e o sacramento da penitência ou reconciliação. A Igreja, com essas medidas, não pretende humilhar nem punir, mas tão somente ser coerente com a verdade que recebeu de Cristo. Deus tem outros meios para comunicar-se aos que o buscam de verdade com um coração sincero.
João A. Mac Dowell S.J

EDITORA SANTUÁRIO

ELES VIVERAM CONOSCO - IR. MANUEL (ANICETO DE MOURA) CSsR

IR. MANUEL (ANICETO DE MOURA) CSsR
+6 de JULHO  1950 
Irmão do nosso Pe. Raimundo Moura, nascido perto de Uberaba (MG) a 17 de abril de 1900, ingressou na C.Ss.R. aos 28 anos, professando a 26 de abril de 1930, em Pindamonhangaba. Piedoso, muito quieto e observante, não sentia, porém, qualquer atração pelo trabalho na cozinha; e foi justamente como cozinheiro que ele trabalhou sempre, em diversas de nossas casas. Em 1947 vítima de um incomodo cardíaco, sofreu um grave acidente, cujas conseqüências muito o fizeram sofrer pelo resto da vida. Acabou deprimido, pessimista, achando-se inútil na Congregação. Apesar de toda a paciência e boa vontade dos superiores que lhe facilitaram toda sorte de tratamentos, o pobre Irmão insistia em voltar para junto de sua família, temendo ser um peso para os confrades. Tanto insistiu que a dispensa dos votos lhe foi concedida pelo Pe. Geral. Providencialmente, porém, antes que o documento lhe chegasse as mãos, sua fraqueza cardíaca o levou para junto do Pai, em Araraquara, a 6 de julho de 1950.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

terça-feira, 5 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! PROCISSÕES

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
Missionário Redentorista!
Que pensar das procissões?
É gostoso assistir a um final de campeonato de futebol e ver os atletas campeões dando a volta olímpica pelo estádio, carregando a taça ou troféu e o povão agitando logo atrás. É uma festa, uma celebração de tantos momentos sofridos e alegres, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelo time. Nunca vi ninguém reclamar dessa volta olímpica.
Por que será que nossas procissões despertam tantas críticas por parte de alguns e são objeto de análises de sociólogos das religiões? Será que nós, povo, não nos podemos expressar de acordo com nossos gostos e temos de entrar no esquema de psicólogos, sociólogos e indiferentes?
A procissão é uma manifestação da piedade popular cuja base está na própria índole do ser humano. Nós precisamos de gestos e sabemos que a linguagem dos gestos é universal, enquanto que a palavra não o é, além de ser a mais fraca expressão da comunicação humana.
A vida tem seus ritos e não se podem dispensar os ritos uma vez que a pessoa não é só racionalidade, ela se expressa através de gestos os seus sentimentos. A procissão é um rito que celebra a fé.
O homem é peregrino, está sempre em busca; a peregrinação é uma amostra dessa necessidade. A mesma necessidade que faz dar a volta olímpica com a taça leva as pessoas a carregarem seus santos, suas cruzes e fazerem suas peregrinações. São maneiras de expressar seu agradecimento, sua crença, sua alegria; é uma forma de reforçar seus pedidos; necessidade de dizer com gestos o que está dentro do coração.
Se há exageros, não sei dizer; mais exagero que um desfile de escola de samba, levando para a avenida uma quantidade de alegoria e uma multidão de pessoas, certamente não há. Nossas procissões estão longe disso. Esses críticos amargos nos desculpem. Se eles não enxergam nada de bom em nossas procissões e se para eles não há significado, que respeitem nossas expressões de fé que não magoam e nem pretendem ofender a ninguém.
Vamos prestar nossas homenagens a quem acreditamos que as mereçam. Imagens são representações. Mas há tantas representações de quem nada ou pouco fez pela comunidade. Nossos santos são importantes para nós, temos comunhão com eles, acreditamos em sua intercessão que nos ajuda e vemos em suas vidas um caminho de santificação.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.

http://www.redemptor.com.br(2009)
EDITORA SANTUÁRIO

segunda-feira, 4 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - CARNAVAL

Padre Antônio César Moreira Miguel CSsR
O que a Igreja acha do carnaval?
O carnaval como festa popular e expressão da nossa cultura, é aceito pela igreja faz tempo. Até, o carnaval nasceu de hábitos cristãos. Antes de começar o tempo da quaresma, os cristãos faziam festa, faziam churrascos porque da 4ª feira de cinzas até a Páscoa, ficaram sem comer carne e celebravam a penitência. Então, o carnaval que quer dizer: é válida a carne, isto é se pode comer carne - tem sua origem ligada à liturgia cristã. Agora, que ninguém pode apoiar são os abusos do carnaval, tempo no qual para tanta gente acaba valendo tudo. Mesmo do ponto de vista cultural, houve uma mudança com a chegada da televisão. O carnaval passou a ser um produto da chamada "indústria cultural", vencido com um padrão elevado de espetáculo no qual a ética e a moral não são respeitados. É só ver os tais bailes de luxo que a TV mostra a título de alegria e de liberdade durante o carnaval. Então para concluir: o cristão passa o carnaval fazendo festa, se divertindo, descansando, sem nunca deixar de ser cristão e de ser fiel a Deus e ao outro. E uns tantos passam o feriado na oração, em retiros, o que é também uma opção válida.

Pe. César Moreira, C. Ss. R.

ELES NOS PRECEDERAM - PE. JOSÉ FRANCISCO WAND CSsR

PE. JOSÉ FRANCISCO WAND CSsR
+4 de JULHO 1937 
Foi um dos grandes benfeitores da Vice-Província, pelo muito que sofreu e realizou. Único prussiano entre os Padres bávaros, ele nasceu em Heiligenstadt, a 1º de dezembro de 1882. Dos seus 9 irmãos, dois outros também se tornaram padres: um secular, e outro franciscano, que veio trabalhar entre os índios do Xingu. Entrando no Juvenato de Gars em 1893, Pe. Francisco professou em 1902, sendo ordenado a 16 de junho de 1907. No ano seguinte veio para o Brasil, iniciando sua vida aqui como professor no Juvenato, em Aparecida. Estando nos planos dos Superiores uma fundação em Porto Nacional, para onde já havia sido nomeado Bispo o nosso Pe. Orlando Morais, Pe. Francisco foi encarregado de preparar a fundação. Com muito entusiasmo viajou ele para Porto Nacional, e iniciou seu trabalho. Mas Pe. Orlando acabou renunciando ao Bispado, e a fundação fracassou. Pe. Francisco permaneceu então seis anos em Campininhas, como missionário. De zelo incansável e ótima saúde, ele percorreu nesses anos quase todo o sul de Goiás, missionando cidades, povoados e fazendas. Em 1924 foi nomeado Superior e Vigário de Aparecida; em 1927 Superior de Cachoeira do Sul, e em 1930 foi nomeado Vice-provincial, cargo que ocupou até 1935, ano em que foi novamente empossado como superior e vigário de Aparecida. Prussiano como era, Pe. Francisco mostrava-se, às vezes, um tanto duro e ríspido no trato com estranhos e confrades. Mas sabia ser também fino, delicado e atencioso. Ele mesmo confessou que, trabalhando (como ele gostava) entre os caboclos da roça, aprendeu a ser “manso”, embora após muito “ranger os dentes”. Como superior de Aparecida sempre foi muito exigente quanto à ordem e à limpeza da casa. Com seu gosto artístico, soube melhorar muito à Basílica, dotando-a de riquíssimos paramentos, castiçais, ostensórios, à altura do nome do Santuário. Obra sua é também o altar da capela do Santíssimo, e, com muito esforço, comprou na Alemanha um dos maiores e melhores órgãos para a Basílica (Inaugurado em 1926). E já estava também em seus planos a construção de uma nova Basílica, que ele sonhava no atual Morro do Cruzeiro, o que, naquele tempo não foi possível. Em meio, porém, a todo esse trabalho de Superior e Vigário, Pe. Francisco não esquecia o povo simples da roça que, assim ele o dizia, era a sua predileção. Sempre que podia aceitava para si algum trabalho desse tipo. De fina e rígida educação prussiana, era entre os mais humildes que ele se sentia feliz, conhecido por todos como o “Pe. Chico”. Para ajudar os doentes mais pobres chegou a compilar num grosso caderno, inúmeras receitas e fórmulas caseiras, das quais se servia em seus trabalhos na roça. Ótimo escritor, de estilo elegante e fluente, em alemão, não se arriscava muito a escrever em português, embora o pudesse fazer com toda facilidade. Interessou-se, e muito, pela tradução das obras de Santo Afonso, trabalho que confiou a vários de nossos confrades; quis também publicar uma edição das poesias e cânticos do nosso Fundador. A tradução foi feita, as melodias colecionadas, mas... o trabalho perdeu-se no tempo, após ter ele deixado o cargo de Vice-provincial. Equilibrado e prudente, Pe. Francisco foi muitas vezes o intermediário entre a Nunciatura e o Arcebispo de São Paulo, que muito o estimava como amigo e conselheiro. Uma das suas ultimas resoluções como Vice-provincial causo-lhe sérios aborrecimentos e não poucas incompreensões. Dada a situação políticoreligiosa pouco favorável na Alemanha (1932 ) Pe. Francisco resolveu não enviar mais para Gars os nossos estudantes. Entrou em contato com o Provincial de Buenos Aires, cuja Província estava com a mesma dificuldade, e iniciaram, perto de Buenos Aires, um Seminário Maior para brasileiros e argentinos. Foi um passo corajoso que não agradou à Província-mãe, mas serviu para que a Vice-província despertasse para a construção do Seminário Maior (inaugurado em Tietê, em 1937). Nomeado superior de Aparecida em 1933, Pe. Francisco teve de renunciar em 1936, devido a um mal estranho que lhe enfraqueceu as pernas. Já não podia andar, nem manter-se em pé. Os médicos não atinaram com a doença, e o submeteram a um tratamento tão penoso quanto inútil. A 16 de junho de 1937, trigésimo aniversario da sua ordenação, disse ele a um confrade: “Hoje eu gostaria de morrer; sempre pedi a Deus que me desse trinta anos de apostolado, e depois... dispusesse de mim”. — E Deus ouviu sua oração. Internado no Hospital Santa Catarina, sofreu horrivelmente em seus últimos dias; mas sempre com admirável paciência e resignação. A 4 de julho ele faleceu. Prefeito e autoridades de Aparecida fizeram questão fosse o seu corpo transladado para Aparecida, e seu sepultamento foi, talvez, o mais concorrido que Aparecida já viu. Enquanto baixava ao túmulo, a Pia União da Filhas de Maria cantou o hino “Eu prometi” (melodia de Oscar Randolfo Lorena) que ele, em vida, pedira para essa ocasião.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

domingo, 3 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! DIVÓRCIO - 1 -

PE.JOÃO A.MAC DOWELL S.J.
Porque a Igreja perdoa tudo, menos o divorciado que se casa de novo?
A Igreja não é dona, mas apenas administradora, do perdão e da misericórdia de Deus, pela autoridade que lhe deu Jesus Cristo, quando disse: Recebei o Espírito Santo, aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; aqueles a quem retiverdes, serão retidos. Portanto a Igreja tem obrigação de administrar este perdão, segundo o Espírito de Jesus, que não veio para condenar mas para salvar. De fato, cumprindo a ordem de Jesus, ela perdoa todos os pecados e fraquezas humanas, com uma só condição: que a pessoa se arrependa sinceramente e decida mudar de vida, abandonando o seu erro. Só assim é possível reconciliar-se com Deus, voltar à sua amizade, recebendo a sua graça e perdão.
Quem roubou ou ofendeu o outro ou praticou qualquer injustiça, não pode ser perdoado, enquanto não se arrepender do mal que fez, com a resolução firme de repará-lo na medida do possível. Jesus abençoa Zaqueu por causa do seu compromisso: "Se defraudei a alguém, restituo-lhe quatro vezes mais". A mesma coisa vale para a pessoa que se divorcia e se casa de novo. Ela será perdoada sempre que se arrependa e se decida a interromper as relações conjugais com a segunda mulher ou o segundo marido e a reparar quanto possível o mal que tiver feito ao outro cônjuge.
Não é Deus nem a Igreja que se recusam a perdoar. Deus quer sempre o bem do pecador: que ele se converta e viva. É a própria pessoa que não se resolve a dar os passos necessários para a reconciliação. Se persiste livremente na sua situação, não se importando de desrespeitar a lei de Deus e os direitos do seu próximo, para satisfazer os próprios gostos e interesses, não tem o amor verdadeiro no coração. Quem não ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, afasta-se, por sua própria vontade e decisão, de Deus e da comunidade eclesial.
É claro que há situações muito complicadas e dolorosas. Embora não possa justificar o que vai contra a palavra de Deus, a Igreja não rejeita nem condena a pessoa que erra ou permanece no seu erro, porque não se sente com forças para superá-lo. Ao contrário, procura ir ao seu encontro, como Jesus acolhia os pecadores, ajudando-a a confiar no poder da graça de Deus e na grandeza da sua misericórdia.
João A. Mac Dowell S.J.

EDITORA SANTUÁRIO

ELES NOS PRECEDERAM - PE. ROBERTO HANSMAIR CSsR

PE. ROBERTO HANSMAIR CSsR
+3 de JULHO  1943 
Nasceu a 30 de junho de 1872, em Bachein (Alemanha). Ingressando no Juvenato da Província-Mãe, em 1884, não revelou grandes dotes intelectuais, sendo um garoto quieto e tímido. Piedoso, porém, e aplicado, chegou à profissão em 1892. Devido à perseguição religiosa na Alemanha, foi com dificuldade que pôde fazer parte dos seus estudos superiores. Antes de terminar a Teologia, veio para o Brasil em 1895. Continuando aqui seus estudos, foi ordenado no ano seguinte em São Paulo. Aprendeu logo, e muito bem o Português, iniciando sua vida missionária em Goiás. Foi nesses anos de apostolado que adoeceu de uma febre maligna, cujas conseqüências muito o fizeram sofrer pelo resto da vida. Deixando Goiás, veio para Aparecida, onde continuou trabalhando como missionário. De 1904 a 1913 foi Viceprovincial, acumulando os cargos de Superior e Vigário de Aparecida. Não foi um Viceprovincial de grandes realizações; mas foi o fundador da Casa da Penha, construiu a primeira parte do antigo “Colégio Santo Afonso”(hoje Hotel Recreio) , e soube ganhar a confiança dos confrades, bem como a gratidão dos estranhos, pela sua moderação e grande caridade. Como professor e confessor no Juvenato, era muito querido pelos Juvenistas, para os quais tinha sempre algum presentinho: frutas, estampas, ou terços que ele mesmo fazia. Com seus nervos arruinados, e sem forças para trabalhar, passou seus últimos meses em Araraquara, edificando a todos com a sua conformidade e profundo espírito de oração. Faleceu a 3 de julho de 1943.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

sábado, 2 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! ESTAÇÕES DA VIA SACRA

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR(+)
De onde vêm as estações da Via-Sacra?
Podemos dizer que o caminho de Jesus para o Calvário foi uma devoção muito cultivada pela piedade popular, que acentuava a Paixão de Jesus como o ato salvífico e o extremo amor de Deus por nós. Hoje percebemos que toda a vida de Jesus é um ato salvífico, e a importância maior tem a ressurreição como base da fé e início da grande caminhada da Páscoa.
Essa mudança teológica trouxe a reforma litúrgica da Semana Santa, outrora tão dolorosa, acentuando os passos de Jesus. A mudança não visava destruir o que havia de piedoso, mas dar-lhe o devido lugar. Na verdade, certas devoções acabaram ficando de fora e não mais se estimulou a celebração da Via-Sacra. Na Pastoral, devemos ter sempre em mente o refrão: “Não tirar, quando não temos o que colocar no lugar”.
A Via-Sacra vem de longe, hoje ela tem 14 estações, mas já encontramos em escritos antigos que já tivemos três dezenas de estações. Hoje, em alguns lugares, já figuram 15 estações, a última lembrando Jesus Ressuscitado. Fazia uns 200 anos que foram fixadas as 14 estações. Algumas nasceram de tradições e costumes antigos, outras foram tiradas das escrituras e outras, ainda, de lendas antigas, que não ferem a doutrina da Igreja.
Temos de lembrar que o Evangelho não se preocupa com a exatidão histórica e sim com a mensagem. Dessa forma, é possível que muita coisa só nos tenha chegado através da tradição ou através dos livros apócrifos. Assim são as três quedas de Jesus, a história da Verônica.
No século X encontrou-se em Roma um lenço com a estampa do rosto de Jesus. Daí até o século XIV decorreu o tempo suficiente para a formação da história do piedoso gesto da Verônica, que, ao enxugar a face de Jesus, dele recebera a recompensa: seu rosto estampado na toalha ou lenço. Não é contra a fé e não prejudica a fé. Se existiu ou não a diferença que faz é pouca, mas não deixa de ser um gesto formativo e piedoso.
Ninguém tem obrigação de percorrer o caminho da Via-Sacra, mas também não podemos condenar quem tem essa devoção. Até podemos aconselhar que pessoas tenham essa devoção como um meio de interiorização do amor de Deus derramado de forma tão abundante sobre nós.
A meditação da Paixão, tão recomendada por Santo Afonso, ajuda-nos no crescimento do amor a Deus e nos leva a darmos uma resposta de amor e compromisso. Por outro lado, sensibiliza-nos e prepara-nos para termos em nós os mesmos sentimentos de Jesus.
Lembramos que a paixão do mundo é a paixão de Deus. Jesus continua hoje sua Paixão em tantos que sofrem e formam a legião dos excluídos de uma sociedade sem Deus.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE-VOLUME 6
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.

http://www.redemptor.com.br(2009)

ELES VIVERAM CONOSCO - PE. VALENTIM MOOSER CSsR

PE. VALENTIM MOOSER CSsR
2 de JULHO 1975
Natural da Baviera, nasceu em 1892. Desde criança sua saúde não foi das melhores. Professou na C.Ss.R. em 1915, sendo ordenado em 1920. Trabalhou pouco na Alemanha, pois em 1922 veio para o Brasil, dedicando- se de corpo e alma às Oficinas Gráficas de Aparecida, que dele receberam um grande impulso. Sob a sua direção, a antiga tipografia de “O Santuário” foi ampliada com novos e modernos recursos, produzindo trabalhos que muito honraram o nosso nome e o nosso apostolado nesse setor. Durante quase 30 anos manteve a edição do “Almanaque”, depois rebatizado como “Ecos Marianos”. A pedido do então Vigário da Basílica, Pe. Antônio de Oliveira, foi ele quem idealizou e encomendou em Trento (Itália) o atual carrilhão da Basílica. Traçou também um plano para a construção da nova Basílica, projetada pelo então Arcebispo de São Paulo, D. José Gaspar, para ser construído no atual Morro do Cruzeiro. Grandiosos, e até um tanto mirabolantes, o plano e a planta foram, mais tarde, abandonados, encontrando-se hoje arquivados na Cúria Metropolitana de Aparecida. Devido ao seu modo de trabalhar, minucioso e exigente, bem como seu apego às próprias idéias, Pe. Valentim sempre teve dificuldades para encontrar colaboradores que com ele trabalhassem. Mesmo assim, deixou-nos o exemplo de um grande esforço e dedicação ao trabalho, durante os anos que trabalhou na Província de São Paulo. Não podendo mais ocupar-se das “Gráficas” devido à sua idade e saúde sempre precária, em 1968 voltou para a Alemanha. Era Capelão de uma Comunidade Religiosa, quando faleceu, aos 82 anos, a 2 de julho de 1975.

CERESP

Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

sexta-feira, 1 de julho de 2016

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE! PENA DE MORTE

PADRE ANTÔNIO CÉSAR MOREIRA MIGUEL CSsR
A Igreja Católica é contra a Pena de Morte?
A Igreja e o evangelho são contra a pena de morte. E aqui vão as razões:

1ª- A tese da Igreja é de valorizar a vida de todos os seres humanos.

2ª - Não se freia a violência com mais violência. Está provado que em países onde se estabeleceu a pena de morte não diminui o crime. ao contrário a criminalidade aumentou.

3ª - Nós cristãos acreditamos que o ser humano, guiado pela graça de Deus, tem condição de vencer o mal. Portanto, acreditamos na conversão das pessoas e sabemos que essa é a vontade de Deus: que nos convertamos e tenhamos a vida.

4ª - Acreditamos na responsabilidade que nós temos em relação aos outros. Quando alguém comete um crime, a culpa é também de todos porque não se deu a essa pessoa as condições de viver reta e dignamente.

Por fim, não concordamos que a questão de colocar a pena de morte na lei brasileira se faça por meio de plebiscito. As pessoas vão votar levadas por sentimentos e estariam, sendo convencidas por falsos argumentos.

A saída é combater as causas da violência, valorizar a prática da lei, fortalecer a família, criar senso de cidadania, refazer o poder judiciário. Enfim, renovar a sociedade brasileira! Fazer isso é bem mais custoso e demorado que simplesmente aprovar a pena de morte, que não é solução.
Pe. César Moreira, C. Ss. R.
http://www.redemptor.com.br

EDITORA SANTUÁRIO