domingo, 20 de abril de 2014

ELES NOS PRECEDERAM - PE. JOSÉ AFONSO ZARTMANN CSsR

PE. JOSÉ AFONSO ZARTMANN CSsR
+20 DE ABRIL 1933 
Um dos maiores missionários que a Província já conheceu. Era de Nekarsulm (Alemanha) e nasceu a 28 de outubro de 1877. Desde criança foi de ótima saúde e trasbordante alegria. Mas não deixava de ser profundamente piedoso, surpreendendo sua irmã mais velha com esta pergunta: “Como é que a gente faz para conversar com Deus?” Ainda nos primeiros anos de estudo começou a pensar em ser padre. Mais tarde quis resolver esse assunto, e foi bater à porta dos Beneditinos de Beuron; mas desistiu, diante da condição de ter de pagar os estudos. Quis ser então monge cartusiano, mas seus pais se opuseram. Não demorou muito, ofereceram-lhe todas as facilidades para ser franciscano; ele, porém, não simpatizou com a idéia. Foi quando um dos seus professores o aconselhou a procurar os redentoristas. Ficou encantado com a vida missionária da Congregação e, vencendo a oposição dos parentes, ingressou no noviciado de Gars em 1898. De temperamento sangüíneo, teve de lutar muito contra a sua volubilidade, e por pouco as saudades da família não o levavam a desistir da vida religiosa. Soube, porém, vencer, e após a profissão, iniciou seus estudos em filosofia. Apesar da respeitável estatura, era ele um coração delicado, às vezes até sentimental, sempre querido pelos colegas pela sua exuberante alegria. Em 1902, ultimo ano Teologia, conseguiu licença para vir trabalhar no Brasil. Terminou seus estudos em Aparecida, e a 20 de setembro de 1903 foi ordenado por D. Júlio Tonti. Passou então a lecionar francês, latim e caligrafia no Juvenato. Mas o seu sonho eram as Missões. Já com o suficiente conhecimento da língua e do povo iniciou suas andanças missionárias que só terminaram com sua morte. A principio um tanto tímido, entrou depois de corpo e alma no trabalho. Soube aliar à sua saúde de ferro um zelo realmente espantoso, que não conhecia dificuldades e nem cansaço. Naquele tempo em que as prescrições referentes a missão não eram de “elástico nem de plástico”, as originalidades do Pe. Afonso no seu modo de pregar e tratar com o povo começaram a ser vistas com certa reserva pelos Superiores. Mas, com o tempo, deram-lhe toda a liberdade, reconhecendo o resultado do seu zelo que tudo fazia pelas almas. Era ele um missionário sui generis. Voz de trovão, golpes no peito ressoando pela igreja, e não era qualquer púlpito que agüentava seu peso, seus gestos e seus murros. Não sabemos ao certo quantas missões ele pregou; durante muitos anos andou percorrendo o Estado de São Paulo, grande parte de Minas e do Rio Grande do Sul. Mas um dia sua saúde iria reclamar. Foi durante os trabalhos de uma visita pastoral na diocese de Rio Preto que a diabete se manifestou, e já bem adiantada. Os médicos impuseram-lhe um regime rigoroso. Mas para aquele missionário que nunca tivera cuidados consigo mesmo, fazer regime era algo pra lá de impossível. E continuou trabalhando como sempre o fizera. Mas, pouco tempo depois, enquanto pregava em nossa igreja em Araraquara, sentiu de repente suas pernas paralisadas. Levado para o convento constatou-se que a paralisia estava se generalizando rapidamente. Desse dia em diante o grande missionário estava inutilizado, e para sempre. Aos poucos a paralisia atingiu-lhe o cérebro; e nos últimos tempos ele se deixou abater, julgando-se inútil e pesado à Congregação. Transferido para Aparecida a fim de estar entre os confrades mais antigos e conhecidos, nada melhorou. Já não podendo mais celebrar, no dia 20 de abril de 1933, recebeu a comunhão com a piedade que o caracterizava. Sentiuse tão bem que, após o café, saiu a percorrer a casa, e a visitar os confrades em seus quartos. Soube depois, que estava no convento seu grande amigo, o Bispo D. José Homem de Melo. Insistiu que desejava falar com ele. O Bispo foi até o quarto do enfermo, com o qual conversou durante algum tempo, dando-lhe depois a sua bênção. Retirou-se acompanhado pelo enfermeiro Irmão Carlos. Mas, quando este voltou, logo depois, ao quarto, Pe. Afonso tinha tido o enfarte que o levou para melhor vida. Como os gigantes também morrem, ele não foi exceção; e com apenas cinqüenta e seis anos incompletos.
CERESP
Centro Redentorista de Espiritualidade - Aparecida-SP
Pe.Isac Barreto Lorena C.Ss.R.(In memoriam)
Pe.Vitor Hugo Lapenta CSsR
Pe.Flávio Cavalca de Castro CSsR

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