domingo, 20 de junho de 2021

CRÔNICAS DE UM FORMADOR - 8.1

8. 1964, um ano político 
Em 64 construímos o galpão e o palco. Os juvenistas ajudaram nos trabalhos. Vieram também, cedidos pelo Pe. Geraldo Bonotti, 6 candidatos a Irmão (geraldinos) para auxiliar nos trabalhos. Para substituir o Ir. Ladislau Bernardino, a Província de São Paulo contratou o professor José Víctor Dutra. Foi contratado por 10 meses por Cr$60.000 (Sessenta mil Cruzeiros). Ele assumiu também a música, entre outras matérias. A 8 de fevereiro de 64 inauguramos o galpão que foi de grande importância para a formação dos seminaristas e também do povo das redondezas. Passamos a fazer nesse recinto as festas missionárias semanais com pequenas festas de teatro, discursos, declamação de poesias e cânticos. Aos poucos, pessoas da região vieram também participar dessas festas. 1964 foi o ano do golpe militar de 31 de março. Em janeiro participo de um encontro estadual em Araraquara para eleger a diretoria da Federação dos Sindicatos Rurais do Estado de São Paulo. Foram três dias de conferências e de muita política. Éramos uns 400 participantes do Estado. Só tinham direito a voto três delegados de cada sindicato rural. Eu participei como assessor. É claro, não tinha direito a voto. No último dia, a sessão eletiva se prolongou além da meia noite. De madrugada, ali pelas duas horas, conseguimos vencer os comunistas. São Paulo já tinha 127 sindicatos de trabalhadores rurais de orientação cristã. Para essa vitória, tivemos o apoio dos sindicalistas “pelegos”, que ficavam sempre ao lado dos patrões. Em março, fui pregar a semana santa em Passa Quatro, na matriz. Ainda no dia 29, preguei na matriz e aludi à situação perigosa em que estávamos por causa do confronto entre um governo mais voltado para os trabalhadores e os defensores das elites, dos patrões, dos ricos. Nesse tempo, eu apoiava também Fidel Castro em Cuba, pois pensava que ele iria governar com a Igreja Católica. Mas, em pouco tempo vi que ele escorraçou os católicos do governo, e adotou de fato, só o comunismo ateu. Viajei de Passos até Aparecida com muito temor, por causa das notícias da marcha dos militares em Minas e no Rio de Janeiro e sobre a resistência de Leonel Brisola no Rio Grande do Sul. De fato, ao chegar à Pedrinha, o delegado de Guaratinguetá, Dr. Ranieri, convocou a diretoria do sindicato para depor. Fomos lá, José Adolfo Guerra, Sebastião Moreira e eu. Após o interrogatório, ele comunicou: “Vou fechar o sindicato. Mas, vou abri-lo após alguns dias.” Dito e feito. Conosco nada aconteceu, mas a revolução foi um golpe mortal no sindicalismo livre. A 10/04/64, recebi do Pe. Tarcísio Ariovaldo Amaral, procurador e consultor geral dos redentoristas em Roma, a seguinte cartinha: “Caro Pe. Negri, acabo de ler no “Santuário” sobre suas atividades na sindicalização rural. Quero enviar-lhe daqui de longe, meus parabéns e meu apoio. Com certeza, muitos o desencorajarão. Não faz mal. É preciso que a Igreja esteja presente. É preciso fazer um pouco por essa gente sempre abandonada. É difícil, mas vejo que você entrou com prudência e com acerto. Nosso Senhor o abençoe e seja sua firmeza e seu apoio. Em Cristo, A. Amaral CSSR”.
CADERNOS REDENTORISTAS
https://www.editorasantuario.com.br/
PRÉ – SEMINÁRIO SANTO AFONSO - PEDRINHA

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